(38H) Estou cogitando abandonar uma promessa sob a qual guiei parte da minha vida. Parece que já não importa mais.
Na minha infância, meus pais se divorciaram. Houve traição com adultério. Prometi a mim mesmo jamais fazer algo parecido.
-
Agora estou cogitando abrir mão dessa promessa sob a qual guiei meu relacionamento e, de certa forma, minha vida. A parte mais doentia é que pretendo fazer isso com a intenção (provavelmente falsa) de manter meu casamento.
-
Sei que para muita gente isso nem faz sentido, mas vou tentar explicar essa loucura que se passa na minha cabeça.
-
Tenho um relacionamento longo, próximo de completar duas décadas e um filho com 10 anos, aproximadamente. Para minha esposa, nosso casamento parece bem e tudo normal. Ela faz planos de viagem, planos para o futuro, fala de aposentadoria etc.
-
Para mim, parte do relacionamento também parece bem: a parte material. Mas há outra parte, muito importante para mim, que deixa muito a desejar: o sexo, o desejo por parte dela. Não é questão de qualidade. Quando acontece é normalmente muito bom e ambos saímos satisfeitos. O problema é a quantidade. Sinto muito tesão nela, mas parece que não é mais recíproco. Atualmente transamos de 1 ou 2x por mês. Já faz uns dois anos que isso acontece. Se tento criar mais oportunidades, o momento é sempre ruim. E se chamo diretamente, estou cobrando, fazendo pressão e ela "perde a vontade" (que eu acho que já não tem, pra começar).
-
Tenho a impressão que ela já não se importa mais. Sei que não fui um bom par afetivo. Tantas vezes ela me veio com carinho e eu não soube aceitar ou valorizar e eu também não soube oferecer. Comecei a mudar e mostrar mais carinho por causa do que vem a seguir. Ela estranhou. E não sei se será suficiente para trazer o mínimo que ela era de volta. Todo afeto dela hoje está direcionado para nosso filho e até o cachorro. Enquanto marido, me considero razoável. Faço diversas tarefas de casa e por muitas vezes fico até tarde colocando as coisas em ordem enquanto ela vai dormir. Dormimos em camas separadas, diga-se de passagem.
-
Mas, apesar disso, tudo ia muito bem. Eu seguia a vida, um dia de cada vez, sem pensar muito. Até que me deu uma crise existencial que foi combinada com uma crise de meia idade.
-
Colocando em outras palavras: caiu a ficha de que estou na metade do caminho da vida (ou talvez já tenha passado um pouco da metade), parece que tudo passou muito rápido e o fim está logo ali. Comecei a lembrar que só tive experiência sexual com ela e ela foi minha primeira namorada séria. Experiências com outras mulheres (poucas, umas 3 ou 4) não passaram de uns beijos e uns amassos.
-
Pra resumir, tenho a impressão de que vou terminar minha dia mal vivida. Me bateu a vontade de paquerar mais, flertar, tomar foras, fazer sexo casualmente, experimentar coisas que não fiz quando jovem pq eu não tinha maturidade e era inseguro demais.
-
Percebam o foco no sexo. Eu não passo de um bicho. Só penso nisso. Para mim, a vida não faz sentido sem sexo. Quero aproveitar ao máximo o potencial sexual que ainda me resta. Provavelmente sofro de algum tipo de compulsão.
-
Sim. Sou um babaca, insensível, egoísta e qualquer outro adjetivo que reflita meu nível de escrotidão não é suficiente para descrever o que penso de mim. Mas é isso que quero fazer.
-
Sinto que menti para ela durante todos esses anos. Fui um canalha enrustido e agora quero liberar esse imbecil sem tamanho que reside em mim. Mas não tenho coragem de acabar com a felicidade dela e bagunçar a cabeça de nosso filho por egoísmo meu. Ao mesmo tempo, não quero viver insatisfeito. Não sei dá pra chamar de infeliz. Só quero suprir meus desejos e ter a sensação de que vivi a vida.
-
No final das contas, nada disso importa. Terei um atestado de óbito assinado quando chegar a hora e tanto faz se eu vivi uma vida plena pelo meu ponto de vista ou não. Ninguém vai ligar se traí, se fui feliz, se fiz algo relevante, se fui uma péssima pessoa. Mas não vou dar um passo para deixar ela infeliz. Eu mesmo estarei morto e se fui feliz ou não, tanto faz. Mas quero aproveitar enquanto ainda estiver vivo.
-
Sei que ela não merece isso. Eu que sustentei continuar esse relacionamento das tantas vezes que ela quis terminar. Sempre achei ela muito emocionada e exagerada devido a essas reações de terminar. Por isso que estou planejando fazer as coisas erradas às escondidas e poupar ela de uma separação por um motivo idiota. Eu tenho plena certeza que eu sou uma pessoa horrível. Torço todos os dias para ela dizer que não me quer mais e pedir o término.
-
Vou procurar terapia o mais brevemente possível. Já é um começo para tentar aturar esse estado mental infeliz.