Sou babaca por usar um objeto para quantificar dor
Boas noites. Sou de Portugal e membro assíduo deste grupo.
Gostaria de saber a vossa opinião sobre uma situação e perceber se fui eu o errado.
Tenho um primo de catorze anos que, por mais do que uma vez, atirou pedras a dois porcos indefesos que temos cá em casa. Da primeira vez, alertei tanto o meu primo como a minha tia e deixei claro que, se voltasse a acontecer, não iria ficar indiferente à situação. No entanto, o comportamento foi desvalorizado, com o argumento de que “são animais”. Para além de um leve raspanete, não foi tomada qualquer outra medida.
Hoje, infelizmente, soube através do meu outro tio que voltou a acontecer. Fui ao local onde os porcos estão e encontrei pedras junto deles. O meu outro tio também repreendeu o meu primo, mas, mais uma vez, a situação foi tratada como algo de pouca importância.
Farto de ver este comportamento ser constantemente desvalorizado, decidi utilizar outro objeto para tentar demonstrar a gravidade da situação. Pedi ao meu primo que fosse à rua, acompanhado pela minha tia, e que atirasse uma pedra contra o carro dela. Não houve qualquer dano no carro e eu não pretendia que houvesse, já sabia que ele não ia atirar.
Fiz isto porque, para mim, é impensável tratar desta forma uma pessoa ou um animal. Utilizei o carro simplesmente porque achei que seria uma forma mais concreta e quantificável de mostrar à minha tia aquilo que eu estava a tentar explicar: se algo que nos pertence é danificado deliberadamente, conseguimos perceber imediatamente a gravidade da ação. No caso dos animais, parece que essa perceção desaparece pelo simples facto de serem animais.
Depois disso, fui insultado pela minha tia, pelo meu primo e pelo meu irmão, que me disseram que eu não deveria ter feito aquilo porque a minha tia não tem culpa das ações do meu primo.
Reconheço que a minha tia não foi quem atirou as pedras aos porcos e não pretendo justificar qualquer dano contra o carro dela — até porque não causei nenhum. Mas, perante o facto de a situação já ter acontecido anteriormente, de eu ter alertado a minha tia e de, mesmo assim, ter sido novamente desvalorizada, acabei por recorrer a este exemplo para tentar fazê-la perceber a gravidade que eu vejo na situação.
Na vossa opinião, fui o babaca por utilizar o carro como um elemento concreto para tentar demonstrar à minha tia a gravidade daquilo que o meu primo estava a fazer aos animais?