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Caro leitor, narrar-te-ei como um singelo lavrador transmudou-se no homem aprisionado, para todo o sempre, no âmago de sua própria descendência. Meus gritos, outrora soberanos, hoje não passam de ruídos disformes nas mentes daqueles que julgo estarem tão perdidos quanto eu já estive.
Como pode um pai — um homem da terra, que vertia o próprio suor na labuta diária — tornar-se o arquiteto de uma seita sangrenta? Arrastei milhares comigo por uma causa que, no fim, revelou o que todos tínhamos em comum: a perda. A absoluta derrocada da esperança e da fé na humanidade.
Hoje, assisto passivamente à queda desta mesma raça humana; vejo-a ajoelhar-se sem que eu possa erguer um único dedo para ampará-la. Contemplo meu próprio sangue sofrer à mercê da fúria e das cinzas da guerra, em um lar que outrora reconheci, mas que hoje me é deveras estranho.
Pois bem... é preciso começar em algum lugar. Dirás que já falei em demasia e não negarei tua afirmação, todavia... há de existir sempre um começo, mesmo quando o fim nos é um mistério insondável.. inexplicável e perdido aos nossos olhos; e olhos de outrem.
Fragmento Linguístico (Era AC 2350 — Dialeto dos 30%)
"НЁЛВОР ЭС ПЕРДІТІ НЁК — СÁНГУІС ЭС МЭУМ ЗАРІ."
(Pronuncia1: Nölvor es perditi nök — sánguis es mëum zari.
Pronuncia 2: Niovar es pierdit' niok'—sang'úises mêum zarri.)
Contexto e Tradução:
Este fragmento pertence ao Калтэра-Нёк-Вóс (O Confissionário do Perdido). No universo de MONnit, esta frase é atribuída aos registros originais de Miguel, o líder da seita, datados do ápice da Academia de Kalvorn.
Tradução literal: "O poder é a palavra do perdido — o sangue é a minha escrita."
Significado:Reflete a maldição do sistema de magia do mundo, onde o conhecimento e o poder são pagos com a corrupção do próprio sangue e da linhagem.