A Lenda de Korra T1.E5 ∙ O Espírito da Competição
T1.E5 ∙ O Espírito da Competição
Esse episódio explica por que os escritores às vezes precisam de um KAZUHIKO TORISHIMA na vida. Não que esses caras sempre acertem, mas, meus irmãos e irmãs de Avatar, que coisa horrorosa é esse triângulo amoroso.
Esse deveria ser um episódio de transição, algo mais leve para a próxima parte da história, mas perdemos muito tempo no pró-dobra, nessa bagunça de romance, e no final é só passação de vergonha.
Mako e Korra não têm química nenhuma. Bolin chega mais perto, mas ele como amigo é melhor, e coitado do Bolin, merecia mais. Sinceramente, ao invés dessas cenas de vergonha alheia, deveria ser um episódio focado nos irmãos, explorando um pouco o trauma do Mako de ver sua família morta na sua frente, na Asami, no Hiroshi, e talvez até nos sentimentos românticos da Korra, mas de uma forma mais cuidadosa.
Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko sempre tiveram esse fetiche em triângulos: é Toph com Katara e Aang, depois Zuko, Katara e Aang, e é isso de novo agora. Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko podem ser bons em muita coisa, mas romance não é uma delas, e talvez, se eles queriam tanto esse romance, deveriam ter pedido ajuda, porque está feio. E outra coisa: a Asami deveria ter sido uma espiã, como era originalmente planejado; seria muito bom vê-la se dividindo entre o amor pelo pai e o trauma da morte da mãe, e ao mesmo tempo ver que talvez o Amon não seja quem ela pensa. Seria uma dúvida de lealdade entre o Avatar, o Mako e o pai algo muito bom, e no momento em que ela escolhesse derrubar o pai, seria muito mais interessante para ela.
Amon e Korra, nessa primeira temporada, continuam sendo a minha temporada favorita.
A identidade da Korra é sua dobra, é ser o Avatar; não existe só a Korra, existe o Avatar. O Aang ainda era o Aang, com o peso de ser o Avatar, mas para a Korra sua autoimagem é só o Avatar; ela não se enxerga fora desse papel. E quando o Amon aparece e diz que pode tirar a dobra dela, e ela vê isso, é quase como se ele pudesse apagá-la da existência, e o medo que isso gera nela é o que há de melhor nessa temporada e em toda a série: o medo. Cara, um personagem forte como ela admitir medo e chorar nos braços de outro é uma coisa muito boa.
Já tinha dito que minha imagem da Korra era a de uma adolescente mimada e mal-educada, mas sinceramente ela está funcionando muito bem nessa primeira temporada.
Personagens bons têm qualidades e defeitos; eles começam de uma forma e terminam de outra. Existem personagens que já vêm completos, então a função deles é mudar o mundo e as pessoas ao seu redor, como o Tanjiro. Korra é o personagem que o mundo exterior e as pessoas vão mudar ela.
Korra é confiante (embora no seu interior ela seja insegura), ela é forte, ela é cabeça-quente, etc. Porém, ela não está equilibrada. Ser confiante não é ruim, mas quando se torna arrogância, sim, e é aí que entra a evolução dela: você quebra essas características, boas ou ruins, reforma-as e as constrói novamente, dessa vez com uma confiança positiva, cabeça-quente mas de uma forma positiva. Você quebra seu personagem e o reconstrói melhor. Infelizmente, Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko ficaram resetando a Korra.
Korra é sobre o tema espiritualidade, que ela não tem, e a questão da liberdade do ar.
Por isso, acho que uma das grandes falhas dessa temporada é que, naquele confronto deles, o Amon não retira a dobra dela ali mesmo. Esse seria um ponto de mudança, já que o Aang fala que "no seu ponto mais baixo é que você está aberto a mudanças".
Nesse momento é onde entraria o espiritual, a reconstrução da autoimagem dela além da dobra e de ser o Avatar; ela sentiria o que é ser uma não dobradora e encontraria habilidades dela além da dobra.
E, em algum ponto, ao aceitar essa perda, viria a dobra de ar, e no final, lá na cena do penhasco, o Aang apareceria para ela e devolveria sua dobra — embora eu ainda deixasse isso para o Livro Dois e trabalhasse esse retorno lá.
Em relação ao Amon, eu acho que ele é muito bom, funciona bem. Ainda acho que ele deveria não ser um dobrador, ainda ser irmão do Tarrlok, sendo desprezado pelo pai por não ter dobra, aprender o bloqueio de chi, e meio que o que ele faz é mais por uma vingança distorcida do que realmente pelo bem do povo.
Por enquanto é isso.