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O preço invisível de "parecer normal": O masking e o diagnóstico tardio de autismo em adultos

Olá a todos. Há uma frase que quase todos os adultos que descobrem o autismo mais tarde ouvem (seja de familiares ou de profissionais de saúde desatualizados): "Mas tu sempre fizeste a tua vida normal, como é que podes ser autista?"

Como autista o que mais me impressiona é ver como o conceito de masking (a camuflagem social inconsciente) ainda é um tabu ou um desconhecimento na clínica em Portugal. Passar anos a estudar as expressões dos outros, a forçar o contacto visual e a decorar guiões sociais para "encaixar" não significa que não se é neurodivergente, significa apenas que se aprendeu a sobreviver à custa de uma exaustão brutal.

Isto é especialmente real em mulheres, pessoas racializadas, da comunidade LGBTQIAP+ e com perfis de sobredotação/QI mais elevado, onde os sinais tradicionais são mascarados até que o corpo colapsa num burnout autista profundo (muitas vezes confundido com depressão clínica).

Se estão nesta fase de questionar ou à procura de respostas, gostava de partilhar 3 reflexões para ajudar a validar a vossa experiência:

  1. O critério não é o que se vê por fora, é o esforço por dentro: Conseguir manter uma conversa ou um emprego não anula o espetro; o que conta é o preço cognitivo e sensorial que pagam nas horas seguintes a essas interações.
  2. Histórico de diagnósticos falhados: Se já passaram por tratamentos para ansiedade generalizada, fobia social ou depressão que parecem nunca resolver o problema de fundo, vale a pena olhar para a base da vossa estrutura neurológica.

Tenho focado o meu trabalho em trazer mais clareza sobre como funciona a mente neurodivergente na idade adulta e que passos dar para uma avaliação justa no nosso país. Se quiserem aprofundar este tema e entender melhor estas dinâmicas, partilho regularmente artigos e recursos em www.byjonasferreira.pt.

Como tem sido para vocês gerir esta linha ténue entre o que mostram ao mundo e o que sentem no vosso privado? Alguém aqui demorou anos a perceber que o que sentia era masking?

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u/Odd-Koala1525 — 2 days ago

O labirinto do diagnóstico de Autismo em Adultos em Portugal (E por que razão é tão difícil encontrar profissionais atualizados)

Olá a todos. Tenho acompanhado muitos desabafos por aqui de pessoas que suspeitam estar no espetro autista (ou que têm a certeza), mas que esbarram sempre na mesma parede: psicólogos ou psiquiatras que dizem "mas você fala, olha nos olhos e trabalha, por isso não pode ser autista".

Como alguém que estuda e trabalha nesta área sinto uma enorme frustração ao ver o conceito de masking (camuflagem social) ser tão ignorado no nosso país. Muitos adultos especialmente mulheres, pessoas racializadas, dentro da comunidade LGBTQIAP+ ou perfis com QI mais elevado, passaram a vida a mimetizar comportamentos para sobreviver, pagando o preço com esgotamentos inexplicáveis (o burnout autista).

Se estão a passar por este processo de autodescoberta gostava de deixar 3 pontos essenciais para não deixarem que vos invalidem:

  1. O diagnóstico em adultos não se baseia em "falta de empatia", baseia-se no custo energético que vocês pagam para socializar.
  2. Ansiedade crónica e depressão muitas vezes são apenas sintomas de uma neurodivergência não identificada.
  3. Têm todo o direito de questionar o profissional e perguntar diretamente: "Qual é a sua experiência com o modelo afirmativo de neurodivergência em adultos?"

Se quiserem ler mais sobre como funciona o processo de avaliação em Portugal e o que muda na nossa cabeça quando finalmente temos respostas, escrevi um guia detalhado sobre isto no meu espaço (www.byjonasferreira.pt).

Mas adiante, como tem sido a vossa experiência com os profissionais de saúde mental por cá? Alguém conseguiu um processo humano e atualizado?

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u/Odd-Koala1525 — 2 days ago