Tenho BPD/PTSD/anorexia e muitos sintomas que não pertencem a nenhum dos diagnósticos...
Sim, eu sei, são muitos diagnósticos para alguém de 24 anos. No entanto, eu vivi sempre uma vida instável, e ainda hoje a minha situação financeira e habitacional é complicada. Descobri que tinha ptsd (ou cptsd, embora não seja um termo oficial) depois de um (e único) ataque psicótico.
Fui sempre muito socialmente inadaptada na escola e vida social em adolescente, e agora na vida adulta e a começar a minha vida a solo, reparo em imensos sintomas do espetro autista, algo que sempre fui notando mas colocando de lado.
Fui a uma consulta com uma psiquiatra, pela primeira vez com coragem de admitir que esta questão me tem sobrevoado o pensamento, pois custa-me muito lidar com muitas coisas comuns no espetro. Recebi esta resposta: "mas a [o meu nome] já tem diagnósticos que chegue, não?" E em relação às minhas insónias, um "a [inserir o meu nome] não pode fazer sestas". Nesta consulta, partilhei apenas isto, antes de levar com estas respostas: sofro de insónias, fui diagnosticada com borderline aos 19 no hospital público depois de inúmeras tentativas e visitas às urgências, e que desenvolvi anorexia de há 2 anos e meio para cá. Inclusive acrescentei que adormecer e manter-me a dormir era complicado, pois embora eu saiba que tenho de comer bem, estou há 3 meses em recuperação, e muitas vezes a tensão baixa e taquicardia originada de restrição alimentar acorda-me.
Saí desta consulta de 15 minutos a chorar. Ela imprimiu um papel de "hábitos saudáveis de sono" do Google. A primeira frase diz para ter um ambiente silencioso: eu só consigo dormir com white noise.
Não tenho dinheiro para entender se estou no espetro (uma avaliação custa por volta de 300 euros e não há comparticipação), o que possa estar a passar-se mais sem ser a minha dúvida sobre tal, e completamente invalidada.
Não procuro diagnósticos. Podia chamar-se "síndrome de fruta mole" que eu não queria saber. A única razão para querer entender o que tenho é para conseguir viver melhor, e não viver assoberbada constantemente...
Algum conselho?
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TLDR: Fui a uma consulta de psiquiatria com questões sobre o espetro autista e saí em lágrimas e frustração, e sem qualquer resposta ou apoio.