u/JustAsking2Much

Metilfenidato

Eu sinto que o metilfenidato melhora o meu foco, exceto em situações onde exista muita confusão. Contudo, amplifica também bastante o meu foco em situações mais ansiogenicas (ex situações pendentes de trabalho):e perco-me nisso. Pode nem ter a ver com o metilfenidato, porque a minha vida neste momento está uma sopa e eu estou de garfo, mas já aconteceu de outras vezes em introduzi a toma.

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u/JustAsking2Much — 5 days ago

Como lido com isto?

Não sei se alguém consegue dar uma opinião acerca disto. Eu não estou no meu melhor e até posso estar a ver algumas coisas com dark glasses, mas gostaria de ter a partilha de alguém de fora.

Para contexto: eu tive a infância marcada por uma grande rigidez por parte do meu pai. Nem podia entrar sozinha em cafés até ter 16 anos. Não podia evocar palavrões. Havia toda uma rigidez marcada pelo medo e tornou-me alvo de bullying pelos meus pares durante muitos anos. Eu não sabia interagir e vivia deprimida. Nunca se percebeu mesmo ao dia de hoje se sou autista e/ou fruto dessas circunstâncias. Outra questão foi também o valor de dar a "palavra". Algo que me marcou foi, por exemplo, um ano em que me candidatei a uma universidade privada e dividiria casa com uma vizinha nossa. Entretanto entrei num curso do ensino público que preferia. O meu pai não me deixou, porque já tínhamos dado a palavra, blablabla. Claro que desisti passados 2-3 meses.

Desde há poucos anos o meu pai tem começado a beber, progressivamente numa quantidade que vai além das doses padrão. Ocasionalmente sai com amigos e chega a casa bêbado. Não vivo com eles, mas noto imediatamente na voz. Desde o ano passado isto tem-se tornado mais frequente, inclusive deixando a minha mãe a jantar sozinha. Este comportamento tem causado divergências comigo. Ele promete que não volta a beber e volta a fazer o mesmo. Já não acreditava, e agora ainda menos. Sugeri tratar o problema num médico, até porque é a única coisa que poderá salvar alguma recuperação da minha confiança, que ele recusa porque "não está doente". É mau. Isto deixa-me profundamente incomodada porque grande parte dos meus traumas de infância assentam numa hipocrisia.

Para terem uma noção, eu estou bem no meu estado basal, e de cada vez que isso surge, tenho uma vontade enorme de desaparecer, de acabar com a vida. Mexe mesmo imenso face a tudo o que eu vivi. E de cada vez que acontece, é pior para mim, é cada vez mais intenso. Tomo imediatamente medidas para me proteger, mas eu não estou a conseguir ser de ferro.

Eu não acho normal uma bebedeira a, pelo menos, cada 2 semanas. Fico desconfortável em estar ao pé dele, ao passo que o próprio me diz que tem direito em viver a vida dele. Se o alcool não fosse assim tão importante, não deveria haver assim tanta resistência. E seja ou não o álcool importante para ele, isto para mim é incompatível com a ideia do amor de um pai por um/a filho/a. Sendo que ele sabe que esse comportamento me incomoda profundamente de uma forma visceral, digo eu que, gostando de mim, deveria fazer todo e qualquer esforço para recuperar pelo menos uma parte da confiança que se perdeu.

Tenho a família a insistir para que EU vá a um médico e que eu não me posso afastar ou pedir apoio a outras pessoas em situações em que eu poderia depender da ajuda do meu pai senão eles isto e aquilo. Por exemplo, ontem estava a trabalhar e tive a minha avó a chorar ao telefone a dizer que se ia m\*t\*r e que não aguentava! E eu estava a fazer um turno longo! Enganei-me várias vezes no trabalho depois disso, mas queria tentar parecer normal e não sabia como. Isto não é viável assim!

Eu preciso de facto de ir a um médico porque não estou a conseguir lidar com isto, de facto. Mas preciso porque este ambiente me está a adoecer. Depois eu tive/tenho um cancro, mas é muito contraditório estar a tomar um comprimido para me salvar quando eu já não sinto vontade de o fazer. É uma dissonância cognitiva constante.

Já desabafei aqui algures o facto de não estar bem, mas este é o trigger atual e não estou a saber o que fazer com ele.

Tenho mesmo de corresponder a vários objetivos e não estou a conseguir.

Eu não conseguiria fazer alguém passar por isto e está a magoar-me profundamente que as pessoas que me deviam proteger o estejam a fazer. Não há nenhum colo...

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u/JustAsking2Much — 10 days ago

Life strikes again

Há algum tempo que já não sou quem pareço ser por fora. Este sentimento está cada vez mais pesado. É corrosivo e arde no peito. Na minha base, já estou em burnout num contexto onde pareço ser a pessoa mais saudável e livre de preocupações que existe no mundo. Não sou. Todo o meu corpo se contrai e o desejo de fugir daquele sitio é constante. Estou a viver também um conflito familiar com o qual não estou a conseguir lidar e que representa um gatilho cada vez que vem ao de cima...o que está a acontecer, em média, a cada duas semanas, precisamente quando estou quase a chegar novamente à superfície. Ontem houve um novo "disparo". Em cima de tudo isso não consigo esquecer a minha doença e sinto a culpa de não estar a dar ao meu corpo o conforto físico e emocional de que ele precisa para se recuperar. E não me consigo realizar no meio disto tudo. Não tenho forças.

É crescente a vontade de desaparecer, mas há uma certa lucidez (ou medo?) que me trava. O meu cérebro está a viver ao rubro a ânsia por um escape que não está a conseguir encontrar. São pensamentos constantes que eu tento varrer para baixo do tapete, mas, tal como o pó, também eles arranjam a sua forma de se espalhar. Isto é doentio.

Consigo ser racional para tudo o que se está a passar, e talvez isso até intensifique mais a dor. É um sentimento que me é familiar e que eu achei que não voltaria a ter. Na última consulta com o psiquiatra, a conversa era totalmente diferente, mas creio ter atingido o ponto de viragem em que preciso mesmo de lhe enviar um email. Porque amanhã eu estarei novamente no exercício das minhas funções como se nada disto se estivesse a passar por dentro. É uma dor invisível.

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u/JustAsking2Much — 12 days ago

Angústia e vazio

Boas.

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Eu sou acompanhada regularmente em psicologia e psiquiatria porque tenho um passado oncológico e alguns issues na vida. Finalmente consegui estar sem tomar venlafaxina e sem ataques de pânico, já lá vão 3 meses.

Continuo sem os ter, mas recentemente tem batido uma angústia terrível. Estou constantemente triste, vazia e numa ansiedade diária. Os piores cenários vivem rent free na minha cabeça.

Quando trabalho, tanto parecer normal, mas quando chego a casa, bate este sentimento horrível.

Se me perguntassem o que me faria sentir melhor, eu não consigo responder. É como se sentisse uma falta de reserva mental para lidar com tudo o que me está a ser exigido.

Provavelmente vou voltar à venlafaxina se sentir que isto permanece quando ultrapassar um pico que vou ter no trabalho. Mas, até lá, não sei o que fazer em relação a isto. Neste momento também sinto que os meus amigos estão na sua concha e indisponíveis pelos mais variados motivos...mas também sentiria culpa se transmitisse este peso para cima de alguém.

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u/JustAsking2Much — 16 days ago