▲ 7 r/PHDA

Diz que és um médico capacitista sem dizeres que és um médico capacitista...

Estes dias vi um vídeo que eu enviei de uma mulher jovem a explicar a sua experiência com diagnóstico tardio de endometriose em Portugal e as complicações que surgiram na obtenção de um tratamento eficaz. Mandei o testemunho para várias pessoas da área da saúde e um dos meus familiares argumentou contra a narrativa do vídeo.

No final da conversa, obtive esta resposta do mesmo, quando eu associei a experiência da negligência médica quanto ao diagnóstico de endometriose das mulheres à minha experiência de mulher com diagnóstico tardio de autismo nível 1 e de PHDA.

"Tu muito gostas de apregoar que és autista. Deves achar que é tudo fácil, que é tudo linear... Já pensaste que é exatamente por isso que tu afastas algumas pessoas? Sabes que esses relatos e testemunhos são exagerados, já para não falar da quantidade de coisas que omitem?! É tudo pelos cinco minutos de fama. Sabes que mais? Faz os vídeos sobre o autismo e vê o que vai acontecer. Tu tens muita garganta mas não ages. Mas se calhar vais culpar o autismo e o TDAH que é o que as pessoas como tu gostam de fazer. Culpam as doenças que têm para serem parasitas da sociedade e não fazer nada. Fazem-se sempre de coitadinhos e de tristes porque o problema é sempre os outros".

Claramente, estes profissionais capacitistas não estão prontos para ter uma conversa civilizada, sem recorrer a ataques à integridade moral do indivíduo. :)

reddit.com
u/Illustrious_Gur_2830 — 2 days ago

Diz que és um médico capacitista sem dizeres que és um médico capacitista...

Estes dias vi um vídeo que eu enviei de uma mulher jovem a explicar a sua experiência com diagnóstico tardio de endometriose em Portugal e as complicações que surgiram na obtenção de um tratamento eficaz. Mandei o testemunho para várias pessoas da área da saúde e um dos meus familiares argumentou contra a narrativa do vídeo.

No final da conversa, obtive esta resposta do mesmo, quando eu associei a experiência da negligência médica quanto ao diagnóstico de endometriose das mulheres à minha experiência de mulher com diagnóstico tardio de autismo nível 1 e de PHDA.

"Tu muito gostas de apregoar que és autista. Deves achar que é tudo fácil, que é tudo linear... Já pensaste que é exatamente por isso que tu afastas algumas pessoas? Sabes que esses relatos e testemunhos são exagerados, já para não falar da quantidade de coisas que omitem?! É tudo pelos cinco minutos de fama. Sabes que mais? Faz os vídeos sobre o autismo e vê o que vai acontecer. Tu tens muita garganta mas não ages. Mas se calhar vais culpar o autismo e o TDAH que é o que as pessoas como tu gostam de fazer. Culpam as doenças que têm para serem parasitas da sociedade e não fazer nada. Fazem-se sempre de coitadinhos e de tristes porque o problema é sempre os outros".

Claramente, estes profissionais capacitistas não estão prontos para ter uma conversa civilizada, sem recorrer a ataques à integridade moral do indivíduo. :)

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u/Illustrious_Gur_2830 — 2 days ago

Diz que és um médico capacitista sem dizeres que és um médico capacitista:

Estes dias vi um vídeo que eu enviei de uma mulher jovem a explicar a sua experiência com diagnóstico tardio de endometriose em Portugal e as complicações que surgiram na obtenção de um tratamento eficaz. Mandei o testemunho para várias pessoas da área da saúde e um dos meus familiares argumentou contra a narrativa do vídeo.

No final da conversa, obtive esta resposta do mesmo, quando eu associei a experiência da negligência médica quanto ao diagnóstico de endometriose das mulheres à minha experiência de mulher com diagnóstico tardio de autismo nível 1 e de PHDA.

"Tu muito gostas de apregoar que és autista. Deves achar que é tudo fácil, que é tudo linear... Já pensaste que é exatamente por isso que tu afastas algumas pessoas? Sabes que esses relatos e testemunhos são exagerados, já para não falar da quantidade de coisas que omitem?! É tudo pelos cinco minutos de fama. Sabes que mais? Faz os vídeos sobre o autismo e vê o que vai acontecer. Tu tens muita garganta mas não ages. Mas se calhar vais culpar o autismo e o TDAH que é o que as pessoas como tu gostam de fazer. Culpam as doenças que têm para serem parasitas da sociedade e não fazer nada. Fazem-se sempre de coitadinhos e de tristes porque o problema é sempre os outros".

Claramente, estes profissionais capacitistas não estão prontos para ter uma conversa civilizada, sem recorrer a ataques à integridade moral do indivíduo. :)

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u/Illustrious_Gur_2830 — 2 days ago

Quando os vossos pais não sabem como lidar com vocês...

https://www.reddit.com/r/perguntas/s/LDMOC4M7Eo

O que acham que eu devo pensar quando os meus pais não sabem lidar com crises, tendências e maneiras de ser e de pensar muito rígidas?

Isto também acontece convosco?

Acho que o amor dos pais deve ser incondicional e, apesar de não ser um mar de rosas, acredito que os pais que amam mesmo os filhos vão se esforçar por compreendê-los, aceitá-los e ajudá-los sem Ihes causar mais ansiedade ou medo do julgamento.

Vocês acham que os pais que não sabem como devem reagir ou lidar com filhos neurodivergentes que não os amam o suficiente?

Pergunto-me se serão maus pais pelo facto de eles se recusarem a aprender sobre os seus próprios filhos e quiserem apenas que eles sejam "normais" e não vistos da forma que mais faz sentido para os filhos?

Pais e filhos... o que acham que deveremos pensar quando nos confrontamos com este tema?

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u/Illustrious_Gur_2830 — 25 days ago
▲ 10 r/PHDA+1 crossposts

Quando os vossos pais não sabem como lidar com vocês...

O que acham que eu devo pensar quando os meus pais não sabem lidar com crises, tendências e maneiras de ser e de pensar muito rígidas?

Isto também acontece convosco?

Acho que o amor dos pais deve ser incondicional e, apesar de não ser um mar de rosas, acredito que os pais que amam mesmo os filhos vão se esforçar por compreendê-los, aceitá-los e ajudá-los sem lhes causar mais ansiedade ou medo do julgamento.

Vocês acham que os pais que não sabem como devem reagir ou lidar com filhos neurodivergentes que não os amam o suficiente?

Pergunto-me se serão maus pais pelo facto de eles se recusarem a aprender sobre os seus próprios filhos e quiserem apenas que eles sejam "normais", e não vistos da forma que mais faz sentido para os filhos?

Pais e filhos... o que acham que devemos pensar quando nos confrontamos com este tema?

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u/Illustrious_Gur_2830 — 1 month ago
▲ 118 r/CasualPT

Mas afinal... pode-se ou não usar o WC na Flixbus ou Expresso?

Viajo pouco de autocarro porque tenho sempre receio da quantidade de horas que posso ficar apertada sem ir à casa de banho.

No entanto, vejo casas de banho dentro dos autocarros da Flixbus e Expressos e, recentemente, não tenho visto ninguém a pedir a chave ao motorista para usar a casa de banho em andamento.

Há viagens na Flixbus que são diretas e duram cerca de 3h50, dependendo do destino. Eu digo que duram 3h, mas normalmente vou para Braga de comboio.

Perguntei uma vez a um motorista de um dos autocarros Flixbus se se podia utilizar o WC durante a viagem e ele disse que iria parar na estação de serviço daí a uma hora.

Mas e se por exemplo acontecer a pessoa estar muito aflita e não conseguir aguentar? Ele por acaso perguntou-me se eu estava muito à rasca e eu disse que não.

Não julgo ninguém que use autocarros para se deslocar de forma mais rápida e barata, pois sou estudante deslocada. Só não entendo como é que é possível nos submetermos a este tipo de situações só para termos uma viagem mais acessível.

Eu pelo menos no comboio consigo andar de uma carruagem para outra, ir ao bar, etc, inclusive usar a casa de banho.

Qual a vossa opinião sobre isto? E já agora alguém consegue me dizer se a casa de banho seja da Rede expressos ou da Flixbus é para usar em viagens longas? Como é que se faz para pedir o acesso à casa de banho com o autocarro em andamento.

Obrigada e espero ouvir as vossas partilhas e experiências. ☺️🩷

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u/Illustrious_Gur_2830 — 1 month ago

Obrigada 🩷

Felizmente, a empatia humana existe.

Cada vez mais percebo que ainda há esperança na humanidade. É este tipo de interações que procuro.

Palavras bonitas ou opiniões diferentes com respeito são sempre bem-vindas no meu perfil

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u/Illustrious_Gur_2830 — 1 month ago

Limerência no Autismo- Agora Tudo Faz Sentido!!

Recentemente li um post da página VozAutista acerca dos principais traços de autismo. Era uma lista numerosa com conceitos que até eu, como mulher recém-diagnosticada com autismo 2025, nunca ouvira falar. Um dos conceitos que estava presente nessa lista era "limerência". Um nome muito sofisticado, a meu ver, mas que vinha a explicar uma etapa da minha adolescência que me causou um sofrimento tremendo e que me levou ao burnout e quase à depressão.

Limerência, segundo a definição da GoogleAI, é *"um estado mental e emocional involuntário caracterizado por uma paixão obsessiva, desejo intenso de reciprocidade e pensamentos intrusivos constantes sobre uma pessoa, frequentemente idealizada. Diferente da paixão comumé um estado limítrofe com a dependência emocional, onde a pessoa vive mais na fantasia do que na realidade"*.

Ora, nos meus 13 ou 14 anos, eu andava num colégio privado em Portugal e no meu terceiro ciclo tinham sido aceites novos professores. Uma das professoras era de história e eu, por algum motivo inexplicável, gostava tanto dela ao ponto de os meus colegas confundirem a minha idealização dela por lesbianismo - eu nunca fui lésbica.

Basicamente, os meus comportamentos passavam por ir atrás da professora quando ela ia para o bar para falar com ela, falar com ela no final das aulas, falar sempre dela às pessoas como se ela fosse a melhor pessoa à face da terra. Eu penso que a admirava por ela representar para mim o tipo de profissional da área da História e por ela explicar a matéria de forma tão cativante que chegava a parecer que tínhamos uma ligação direta pelo nosso gosto da História.

Havia momentos - que eu chamava de "momentos bons" - em que eu lhe pedia um abraço e ficávamos sem ninguém na sala, só o silêncio. Parecia que o tempo parava. E, no fundo, eu acreditava que havia ali alguma correspondência de amizade dela para mim, daí eu ter desenvolvido uma possível idealização platónica de uma amizade que, segundo ela, "nunca fora nada de amizade, mas apenas uma relação de professora-aluna. Eu sofri tanto... passei por bullying.

Lembro-me de as minhas colegas de turma me terem querido afastar dela só para eu a deixar em paz.

Lembro-me de eu me ter chateado com elas por se quererem intrometer na minha vida.

E lembro-me de elas terem feito queixa à minha Diretora de Turma e mentir que eu tinha estado a falar apenas e somente sobre ela com outra professora qualquer.

No fim, a Diretora de Turma fez um pedido em voz alta à turma inteira, dizendo que se eu voltasse a falar sobre a professora S que deveriam falar com ela. Eu tive um ataque de pãnico, eu não conseguia respirar. Só queria desaparecer, mas não podia.

A Diretora de Turma no segundo período do meu 7º ano - a altura em que tudo isto começou a acontecer - encaminhou-me para a psicóloga de aprendizagem do meu colégio, SEM o consentimento formado da minha mãe, que era encarregada de educação.

No fundo, o problema era simples: eu estava a exagerar acerca das atitudes simpáticas da professora S (os abraços, as conversas).

Tudo era um problema da minha cabeça.

Para eles, a minha limerência - aplicando o conceito atual - era um produto da minha imaginação.

No oitavo ano eu já andava numa psicóloga no privado. Até os meus 20 anos ninguém se preocupou em saber a verdadeira base do meu ser. Os meus testes cognitivos eram excelentes. O meu único problema era nas competências sociais.

E durante 5 anos fui "treinada" como um cão e moldada para ser inserida na sociedade. Tive de ser reeducada para saber o que ultrapassava os limites das pessoas ou daquilo que eram as normas sociais. Aprendi a ser assertiva, a dar espaço às pessoas, a me comportar como uma pessoa normal.

Eu lembro-me de a minha psicóloga me dizer que "o mundo seria melhor se todos fossem como eu". Mas então, porque é que o problema era eu e não os outros? Porque é que me tive de formatar?

Aos 20 anos, descubro que sou mais uma mulher autista, estigmatizada pela sociedade. Porque as mulheres não têm autismo: as mulheres mascaram. Elas não precisam de se esforçar para fingir aquilo que realmente não são. Eu tive de o fazer. Eu era uma adolescente, eu era uma menor de idade, moldada pelas forças brutas da sociedade neurotípica.

Aos 14 anos tive os meus primeiros pensamentos suic\*das.

Aos 14 anos eu pensei em morrer, porque a minha relação com essa professora estava a passar de algo que para mim tinha sido belo no início para algo distante e vazio.

E eu achava que a culpa era minha. Que se não fossem os exageros da minha cabeça que eu ainda estaria a abraçá-la.

Hoje, já nada disso importa. Tudo faz sentido.

Mas eu tive de sofrer para chegar até aqui. E nem sei como cheguei, porque houve momentos em que pensei não chegar.

Hoje sei que a culpa não era minha, mas do sistema mal resolvido e preparado para pessoas como eu. Eu não sou o problema. Nunca fui.

A limerência é, sem dúvida, como li em [https://www.reddit.com/r/RelatosDoReddit/comments/1cvmcwl/a\\\_limer%C3%AAncia\\\_%C3%A9\\\_um\\\_dos\\\_sentimentos\\\_mais/\](https://www.reddit.com/r/RelatosDoReddit/comments/1cvmcwl/a\_limer%C3%AAncia\_%C3%A9\_um\_dos\_sentimentos\_mais/), um dos sentimentos mais humilhantes, senão o mais humilhante para uma pessoa autista.

Limerência... agora tudo faz sentido. Para mim, o dia 15 de outubro de 2025 foi a data mais importante da minha vida, porque ajudou-me a descobrir quem eu sou realmente. Não o que devo ser ou o que fui treinada para ser, mas aquilo que sou e tudo aquilo que sou ou não capaz tendo em conta a minha neurodivergência.

PS: Obrigada à Dra. Alexandra que me ajudou neste caminho. Esta é a primeira vez que escrevo no Reddit e até choro a escrever isto. Finalmente sei quem sou, quem quero ser. Eu orgulho-me de ser uma das inúmeras mulheres autistas com todos os sonhos do seu mundo. Eu não quero ser outra pessoa. Não quero mais ser uma máscara para a sociedade.

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u/Illustrious_Gur_2830 — 1 month ago

Limerência no Autismo- Agora Tudo Faz Sentido!!

Recentemente li um post da página VozAutista acerca dos principais traços de autismo. Era uma lista numerosa com conceitos que até eu, como mulher recém-diagnosticada com autismo 2025, nunca ouvira falar. Um dos conceitos que estava presente nessa lista era "limerência". Um nome muito sofisticado, a meu ver, mas que vinha a explicar uma etapa da minha adolescência que me causou um sofrimento tremendo e que me levou ao burnout e quase à depressão.

Limerência, segundo a definição da GoogleAI, é *"um estado mental e emocional involuntário caracterizado por uma paixão obsessiva, desejo intenso de reciprocidade e pensamentos intrusivos constantes sobre uma pessoa, frequentemente idealizada. Diferente da paixão comumé um estado limítrofe com a dependência emocional, onde a pessoa vive mais na fantasia do que na realidade"*.

Ora, nos meus 13 ou 14 anos, eu andava num colégio privado em Portugal e no meu terceiro ciclo tinham sido aceites novos professores. Uma das professoras era de história e eu, por algum motivo inexplicável, gostava tanto dela ao ponto de os meus colegas confundirem a minha idealização dela por lesbianismo - eu nunca fui lésbica.

Basicamente, os meus comportamentos passavam por ir atrás da professora quando ela ia para o bar para falar com ela, falar com ela no final das aulas, falar sempre dela às pessoas como se ela fosse a melhor pessoa à face da terra. Eu penso que a admirava por ela representar para mim o tipo de profissional da área da História e por ela explicar a matéria de forma tão cativante que chegava a parecer que tínhamos uma ligação direta pelo nosso gosto da História.

Havia momentos - que eu chamava de "momentos bons" - em que eu lhe pedia um abraço e ficávamos sem ninguém na sala, só o silêncio. Parecia que o tempo parava. E, no fundo, eu acreditava que havia ali alguma correspondência de amizade dela para mim, daí eu ter desenvolvido uma possível idealização platónica de uma amizade que, segundo ela, "nunca fora nada de amizade, mas apenas uma relação de professora-aluna. Eu sofri tanto... passei por bullying.

Lembro-me de as minhas colegas de turma me terem querido afastar dela só para eu a deixar em paz.

Lembro-me de eu me ter chateado com elas por se quererem intrometer na minha vida.

E lembro-me de elas terem feito queixa à minha Diretora de Turma e mentir que eu tinha estado a falar apenas e somente sobre ela com outra professora qualquer.

No fim, a Diretora de Turma fez um pedido em voz alta à turma inteira, dizendo que se eu voltasse a falar sobre a professora S que deveriam falar com ela. Eu tive um ataque de pãnico, eu não conseguia respirar. Só queria desaparecer, mas não podia.

A Diretora de Turma no segundo período do meu 7º ano - a altura em que tudo isto começou a acontecer - encaminhou-me para a psicóloga de aprendizagem do meu colégio, SEM o consentimento formado da minha mãe, que era encarregada de educação.

No fundo, o problema era simples: eu estava a exagerar acerca das atitudes simpáticas da professora S (os abraços, as conversas).

Tudo era um problema da minha cabeça.

Para eles, a minha limerência - aplicando o conceito atual - era um produto da minha imaginação.

No oitavo ano eu já andava numa psicóloga no privado. Até os meus 20 anos ninguém se preocupou em saber a verdadeira base do meu ser. Os meus testes cognitivos eram excelentes. O meu único problema era nas competências sociais.

E durante 5 anos fui "treinada" como um cão e moldada para ser inserida na sociedade. Tive de ser reeducada para saber o que ultrapassava os limites das pessoas ou daquilo que eram as normas sociais. Aprendi a ser assertiva, a dar espaço às pessoas, a me comportar como uma pessoa normal.

Eu lembro-me de a minha psicóloga me dizer que "o mundo seria melhor se todos fossem como eu". Mas então, porque é que o problema era eu e não os outros? Porque é que me tive de formatar?

Aos 20 anos, descubro que sou mais uma mulher autista, estigmatizada pela sociedade. Porque as mulheres não têm autismo: as mulheres mascaram. Elas não precisam de se esforçar para fingir aquilo que realmente não são. Eu tive de o fazer. Eu era uma adolescente, eu era uma menor de idade, moldada pelas forças brutas da sociedade neurotípica.

Aos 14 anos tive os meus primeiros pensamentos suic\*das.

Aos 14 anos eu pensei em morrer, porque a minha relação com essa professora estava a passar de algo que para mim tinha sido belo no início para algo distante e vazio.

E eu achava que a culpa era minha. Que se não fossem os exageros da minha cabeça que eu ainda estaria a abraçá-la.

Hoje, já nada disso importa. Tudo faz sentido.

Mas eu tive de sofrer para chegar até aqui. E nem sei como cheguei, porque houve momentos em que pensei não chegar.

Hoje sei que a culpa não era minha, mas do sistema mal resolvido e preparado para pessoas como eu. Eu não sou o problema. Nunca fui.

A limerência é, sem dúvida, como li em [https://www.reddit.com/r/RelatosDoReddit/comments/1cvmcwl/a\\\_limer%C3%AAncia\\\_%C3%A9\\\_um\\\_dos\\\_sentimentos\\\_mais/\](https://www.reddit.com/r/RelatosDoReddit/comments/1cvmcwl/a\_limer%C3%AAncia\_%C3%A9\_um\_dos\_sentimentos\_mais/), um dos sentimentos mais humilhantes, senão o mais humilhante para uma pessoa autista.

Limerência... agora tudo faz sentido. Para mim, o dia 15 de outubro de 2025 foi a data mais importante da minha vida, porque ajudou-me a descobrir quem eu sou realmente. Não o que devo ser ou o que fui treinada para ser, mas aquilo que sou e tudo aquilo que sou ou não capaz tendo em conta a minha neurodivergência.

PS: Obrigada à Dra. Alexandra que me ajudou neste caminho. Esta é a primeira vez que escrevo no Reddit e até choro a escrever isto. Finalmente sei quem sou, quem quero ser. Eu orgulho-me de ser uma das inúmeras mulheres autistas com todos os sonhos do seu mundo. Eu não quero ser outra pessoa. Não quero mais ser uma máscara para a sociedade.

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u/Illustrious_Gur_2830 — 1 month ago

Momentos de paz

Neste dia 1 de junho, tive o meu último teste da faculdade. Senti-me livre durante a noite e, após ter acabado de mandar um Powerpoint para uma conferência de um projeto meu, fiquei deitada na cama.

Li um livro que tinha comprado há meses e pus-me a espreitar a história.

De repente, a brisa da madrugada começou a se intensificar. As folhas das árvores chiavam agora com o vento que refrescava o meu pequeno quarto.

Fiquei a escutar... e apreciei por um momento aquele momento. E de repente pus-me a pensar: quando é que foi a última vez que eu parei? A última vez em que me permitie apenas sentir o mundo e ouvir a Natureza pela madrugada?

A verdade é que não me lembro.

E acho que isso diz muita coisa sobre a forma como vivemos. Bastante apressados e incapazes de apenas sentir e ouvir o que nos rodeia.

E são estes momentos em que nos reconhecemos realmente no nosso ser.

É nestes momentos de paz e serenidade em que percebemos que ainda estamos vivos.

Não apenas a viver. Estamos vivos.

E eu senti isto de uma forma tão intensa como nunca sentira.

Foi um sentimento tão efémero, mas bonito.

Foi um momento em que estive realmente presente e que me ajudou a dormir super bem.

Dormi não ao som de meditações do YouTube, mas ao som do vento a abanar as árvores de Lisboa.

Por isso, sempre que se aperceberem de alguma sensação diferente ao ouvir os sons da Natureza... parem, apreciem.

A vida é curta e difícil e nós precisamos disto. Precisamos de reencontrar o nosso ser e a nossa presença no mundo.

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u/Illustrious_Gur_2830 — 1 month ago