A República do Complexo Estado-Banco-Agro: A Ditadura do Rentismo contra a Indústria e a Falsa Cisão Partidária
A República do Complexo Estado-Banco-Agro: A Ditadura do Rentismo contra a Indústria e a Falsa Cisão Partidária
(Ou: Como os bancos e os donos das terras mataram os empregos e usam a briga política para enganar você)
Você já teve a sensação de que, não importa em quem você vote, a sua vida continua a mesma correria, o seu salário não rende e o preço das coisas no mercado só sobe? Isso não é incompetência de um governo ou outro. Isso é um projeto que começou há mais de 100 anos e que chamamos de Estado-Banco-Agro.
Vem entender como essa panelinha funciona, passo a passo, sem palavras difíceis, olhando direto para os fatos que a escola não te contou desse jeito:
Ponto 1: A República não foi para o povo, foi um golpe dos fazendeiros (1888 e 1889)
A gente aprende que a Proclamação da República foi um momento lindo de democracia. Mentira. Foi um golpe militar bancado por fazendeiro rico.
O que aconteceu: Em 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, libertando os escravos. Os barões do café ficaram furiosos porque perderam a sua mão de obra de graça (que eles viam como "propriedade") e o Império não quis pagar indenização para eles. Na mesma época, gente como André Rebouças já desenhava um projeto de reforma agrária para entregar terras aos negros recém-libertos.
O golpe: Com medo de que o Império começasse a dar terras para os pretos, esses fazendeiros - os "Republicanos de 14 de maio", que viraram republicanos no dia seguinte à abolição - pagaram o Exército para derrubar o Império em 1889. Eles tomaram o controle do país para garantir que a terra continuaria na mão de poucos e, ao contrário do projeto de Rebouças, usaram o dinheiro do governo para trazer imigrantes europeus para trabalhar no lugar. O Brasil moderno já nasceu com o Agro com as chaves do cofre.
Ponto 2: O dia em que inventaram a regra de "O lucro é meu, o prejuízo é seu" (1906)
Sabe quando uma empresa grande quebra e o governo corre lá para salvar com o seu dinheiro? Essa palhaçada foi oficializada em 1906, no famoso "Convênio de Taubaté".
O que aconteceu: Os barões do café plantaram tanto, mas tanto café, que o preço despencou e encalhou. Eles iam tomar um prejuízo gigantesco.
O golpe: Em vez de assumirem o próprio erro, eles mandaram o governo pegar empréstimos milionários em bancos ingleses para comprar e guardar o café deles mesmos! Ou seja: o fazendeiro saiu no lucro, o banqueiro gringo lucrou rios de dinheiro com os juros, e a dívida ficou para o trabalhador brasileiro pagar através de impostos. Nasceu aí o Estado-Banco-Agro: o governo sendo capacho do dono da terra e do dono do banco. Essa mesma regra hoje se chama Plano Safra, perdão de Funrural e isenção bilionária.
Ponto 3: Por que o Brasil não tem indústria boa e o emprego é ruim? (O Banco contra a Fábrica)
Por que a gente não produz celular, carro barato ou computador aqui? Por que o Brasil virou só um fazendão de exportar soja e carne, com um monte de emprego precarizado, pejotizado e salário baixo?
O que aconteceu: Para essa galera do topo, indústria é um problema. Ter fábrica significa ter operário, carteira assinada, engenheiro, estrada boa e infraestrutura.
O golpe: Em 1996, criaram a "Lei Kandir". Essa lei diz que o barão do agro não paga imposto para mandar soja e minério cru para fora do país. Mas, se você quiser abrir uma fabriquinha de sapatos no Brasil e gerar 50 empregos, você é esmagado por impostos. E o pior: as taxas de juros (a Selic) no Brasil são tão absurdas que o cara que tem muito dinheiro não vai abrir uma fábrica para se estressar; ele vende as máquinas, coloca a grana no banco e fica ganhando rios de dinheiro só de juros do governo, sem produzir um único prego. Os bancos e os juros mataram as fábricas. É por isso que nossa indústria caiu de quase 30% do PIB nos anos 80 para só 10% hoje.
Ponto 4: O teatro dos políticos e a "Ilusão do Voto"
Aí você liga a TV ou abre o WhatsApp e vê a esquerda brigando com a direita. O país pega fogo, amizades acabam. Mas lá em Brasília, o roteiro principal nunca muda.
O que aconteceu: Desde que o Brasil virou democracia de novo, o orçamento do país (a carteira de dinheiro do governo) tem dois gastos sagrados que nenhum presidente mexe, seja ele de direita, centro ou esquerda:
- A montanha de dinheiro público (quase metade do que o governo arrecada) que vai direto para pagar os juros da dívida pública para os banqueiros e investidores ricos.
- Os bilhões em perdão de dívida e ajudinha financeira para os grandes latifúndios de exportação.
O golpe: A briga entre os partidos que você vê na TV é só a disputa pelas "migalhas" que sobram. Quando o governo diz que o dinheiro acabou e precisa "cortar gastos" para manter o país funcionando, eles cortam da saúde, limitam a educação, congelam salário mínimo ou aumentam o imposto do seu feijão e da sua blusa da Shein. Mas nunca cortam os juros bilionários dos bancos e os privilégios do agronegócio.
Resumindo a história toda:
O Brasil não é um país "que deu errado". Ele deu certíssimo para quem o inventou.
Os militares foram usados em 1889 para garantir a terra aos donos de fazenda. Essas terras dão lucro vendendo soja e boi cru lá para fora, sem pagar imposto direito. O Estado serve para cobrar imposto de você (que rala o mês todo) só para pegar esse dinheiro e pagar juros aos bancos.
O governo não manda no país. O governo é apenas o contador do Banco e o segurança particular do Agro.
Lembra do café caro e do imposto do biscoito que te fez chegar até aqui e te deu 1,1 mil views? Agora você sabe de onde vem: de 1889.
E enquanto a gente não entender isso e continuar brigando por migalhas e por políticos, a conta dessa fazenda vai continuar caindo nas costas de quem pega ônibus lotado às 5 da manhã.