u/Own_Marzipan5005

Fibromialgia existe?

O que dá base científica para a existência da entidade "fibromialgia"? O que observamos, com base em consensos e critérios diagnósticos categóricos, como o ACR 2016 seria o quadro de dor generalizada associada a sintomas como fadiga, sono não reparador, sintomas cognitivos, cefaleia, dor ou cólica abdominal e depressão. Também observamos nestes pacientes catastrofização e pensamentos desproporcionais acerca da gravidade dos sintomas e tempo e energia gastos excessivamente dedicados aos sintomas. Tem gente cuja fibromialgia vira a própria identidade da pessoa após o diagnóstico. Que outra condição parece se encaixar perfeitamente em tudo isso? Transtorno de sintomas somáticos com dor predominante.

Será que não seria mais benéfico fazer psicoeducação, explicar realmente sobre o quadro e sua origem neuropsíquica, não minimizando o sofrimento que é real, estimulando a psicoterapia e bons hábitos de vida como atividade física em vez de ficar rotulando como uma doença reumatológica e entupindo as pacientes de duloxetina mesmo na ausência de melhora?

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u/Own_Marzipan5005 — 17 hours ago

Devo reconsiderar a carreira de consultório?

Desde antes da faculdade minha visão sobre ser médico sempre foi o cara que atende no consultório e durante faculdade reforcei meu interesse e inclinação para a parte mais ambulatorial da medicina em vez do cenário hospitalar.

Atualmente trabalho como clínico geral em uma clínica de médio padrão, nem popular, nem highticket, daquelas onde tem vários profissionais e você não tem responsabilidade direta sobre secretárias, aluguel, gestão e empreendimento, captação de pacientes e marketing. Basta ir lá, atender e pagar o percentual acordado para a clínica. Terminei a residência de CM no começo deste ano, mas já trabalho lá desde a metade do R2 e estou me preparando para prova de sub.

Contudo, com essa experiência real no mercado comecei perceber alguns detalhes que me incomodam bastante no dia a dia e que refleti serem possíveis redflags para investir nessa carreira de consultório:

  • Atrasos: sempre fui pontual por respeito ao tempo dos outros. Se tenho consulta marcada 08h, às 07:45 já estarei dentro do consultório aguardando o paciente, mas sinto que os pacientes não têm o mesmo respeito pelo meu horário. Não é incomum atrasos de 10, 20 e até 30 minutos! O que leva a consultas mais corridas e uma cascata de atrasos nos atendimentos ao longo do dia.
  • Faltas: não é raro também paciente que confirmou a consulta (sempre é enviado mensagem no dia anterior para confirmação) simplesmente não aparecer sem dar nenhuma justificativa. Logo, tempo ocioso no consultório, o que até posso aproveitar para ler, estudar, etc, mas ainda assim me incomoda porque gosto de ter uma agenda organizada e não é a mesma coisa do que fazer isso em casa em horário próprio para isso, além do dinheiro a menos que deixo de ganhar.
  • Influência da internet na medicina atual: sinto que maior parte do meu tempo é educando o paciente e desmentindo coisas que ele viu na internet do que de fato fazendo medicina. Os pacientes sempre chegam querendo dosar e usar vitaminas e hormônios sem qualquer necessidade pq viram no tiktok e dá um trabalho ter que ficar toda hora explicando sobre evidências científicas e etc. Uns entendem e aceitam de boa, mas outros ficam visivelmente insatisfeitos ou querendo discutir sem nenhum embasamento, apenas na teimosia.

Além desses pontos, tem outros que não vivencio hoje, mas poderia vivenciar a partir do momento que fosse investir no meu consultório próprio e também me geram preocupações:

  • Marketing: não sou de aparecer nas redes sociais e quando entrei na faculdade não achava que precisaria ficar gravando vídeo para o instagram e investindo em toda uma experiência do cliente para poder exercer a medicina. Talvez foi ingenuidade minha na época, ou talvez isso só tenha crescido nos últimos anos mesmo, mas de qualquer forma não é algo que me agrada
  • Levar muito trabalho para casa: vejo alguns colegas que já estão nessa fase profissional reclamando bastante sobre ter muitas demandas de paciente no whatsapp, sem nenhum bom senso em relação a horários e final de semana e com um senso de urgência muito grande e que na maioria das vezes nem é algo importante. Hoje eu não dou meu número para os pacientes, até pq não ganho o suficiente pra isso, mas já me incomoda até quando conhecidos que não tenho intimidade mandam aquela mensagem aparentemente inocente "oi, tudo bem?", mas que sabemos que logo depois vem algum pedido pra fazer um favor médico, e penso que se for para investir mesmo no consultório próprio teria que deixar aberto esse canal de comunicação.

Enfim, especialmente para quem já tem o próprio consultório, vocês acham que esses são pontos que podem ser relevados ao longo do tempo e deixam de incomodar ou acham que diante dessas características eu deveria reconsiderar meus caminhos profissionais?

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u/Own_Marzipan5005 — 4 days ago

Renda atualizada radio 2026

Como existe uma alta probabilidade pré-teste de pessoas deste sub fazerem radiologia, talvez por baixas habilidades sociais?, e todo dia perguntam sobre, tá aí a renda atualizada do radiologista, segundo o coach de carreira médica Soloman

https://preview.redd.it/muy5j0tixfah1.png?width=442&format=png&auto=webp&s=056950030fa75379e4cdeb2b732b952250d191d4

Pra deixar claro, apesar do tom que pode parecer brincadeira ou sarcasmo, eu concordo parcialmente com o que ele disse. Acredito que o radio e o anestesista médio ganham sim mais do que o clínico médio de qualquer especialidade, porém menos do que o cirurgião médio e talvez não 80k nékkkk, apesar de que o clínico tem possibilidade de alcançar teto maior, mas sempre lembrando que possibilidade é bem diferente de garantia ou certeza. No final, façam o que vocês gostam.

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u/Own_Marzipan5005 — 6 days ago

É possível ser um psiquiatra (de destaque) sem ficar escravo do celular?

O que vejo no dia a dia das referências na área é meio preocupante. Ficam 24/7 grudados no celular pq toda hora tem alguém ligando/mandando mensagem. Seja dia ou noite, dia útil ou não. Fico pensando se isso é um pré-requisito para se destacar na área. Até já ouvi sobre ter um número profissional separado, restringir os horários online e educar os pacientes sobre o uso. Mas questiono se isso funciona na prática, principalmente pensando nos serviços particulares. Fatores: incidência de efeitos colaterais, renovação de receita, pacientes/familiares ansiosos, pensar que qualquer espirro possa ser pelo ISRS...

TLDR: psiquiatria é a pediatria das acesso direto?

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u/Own_Marzipan5005 — 9 days ago

Psiquiatria NÃO será uma boa especialidade no futuro: explicação com dados

Perpetuar o hype da psiquiatria como sendo a melhor especialidade clínica é um erro. Hoje, neste exato momento que escrevo esse post, provavelmente é realmente a melhor. Há ainda poucos profissionais e uma demanda gigante. Inclusive um colega com poucos anos de formado da residência compartilhou outro dia aqui no sub sua experiência atingindo seu primeiro milhão. Mas isso não vai durar a longo prazo e nem mesmo a médio prazo e tenho como provar com dados da demografia médica de 2025.

1. Número atual de psiquiatras titulados

Segundo a demografia médica, a proporção atual é de 6,39 a 6,69 psiquiatras/100k habitantes (esse dado diverge no próprio documento da demografia médica). Vamos considerar o número menor para ser mais otimista nessa previsão.

A proporção ideal indicada é de 1 psiquiatra por 10.000 habitantes, ou seja, 10 psiq/100k hab. Logo, não estamos tão longe. A média mundial é de 17,83, então vamos considerar que a saturação vai ser uma realidade de fato a partir deste valor para deixar a análise mais otimista.

pág. 436

Então fazendo os cálculos, precisamos ainda de 17,83 - 6,39 = 11,4 psiq/100k. Considerando a população brasileira 213 milhões, fazendo a regra de três simples, precisamos de 24.282 novos psiquiatras para atingir o ponto de saturação. Desses, 34,5% (8377) terão sua titulação por meio da prova de título, conforme dados da imagem acima, portanto, precisamos de 15.905 novos psiq formados por residência.

Em quantos anos isso vai acontecer?

2. Crescimento do número de vagas de residência

Abaixo deixo a tabela da demografia médica que indica o crescimento de vagas de residência

Vagas ocupadas de R1 por especialidade de 2018 a 2024. Demografia médica 2025, pág. 153

Vemos um crescimento acumulado de 28,2% em 6 anos, o que poderiamos assumir uma média de 4% ao ano, porém nos anos iniciais observamos um crescimento que varia entre 1 a 4% ao ano, tendo um boom importante de 2022 para 2023 (~7%) e de 2023 para 2024 (~11%). Se considerarmos, de forma otimista, um crescimento constante do número de formados em 7% ao ano, teremos a partir de 2026 o seguinte número de formados e número acumulado de novos especialistas:

2026: 650 (os R1s de 2024)

2027: 695 (acumulado 1345)

2028: 743 (acumulado 2088)

2029: 795 (acumulado 2883)

2030: 850 (acumulado 3733)

2031: 909 (acumulado 4642)

2032: 972 (acumulado 5614) --> Aqui já atingimos a recomendação de 10/100k habitantes.

2033: 1040 (acumulado 6654)

2034: 1112 (acumulado 7766)

2035: 1189 (acumulado 8955)

2036: 1272 (acumulado 10227)

2037: 1361 (acumulado 11588)

2038: 1456 (acumulado 13044)

2039: 1557 (acumulado 14601)

2040: 1665 (acumulado 16266) --> ano máximo que a psiq estará destruída (daqui 14 anos)

3. Pós-graduação:

pág. 173

Não é novidade para ninguém o fenômeno da pós. Segundo o documento, a psiquiatria é a terceira especialidade com mais cursos nessa modalidade. Quantos médicos as fazem? Quantos prestam prova de título anualmente? Quantos passam? Não sabemos. Esses dados não são divulgados publicamente. O que podemos inferir de forma indireta é aquele dado inicial de que 34,5% do total de psiquiatras têm seu RQE através da prova de título.

E aqui podemos inferir, infelizmente sem dados numéricos, que talvez esse número aumente, principalmente pela flexibilização nos critérios da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), como foi amplamente discutido em outro post anterior.

E nisso nem estamos incluindo na discussão o pessoal sem RQE que atua na área e acaba participando também da competição pelo mercado. Esse ponto também não temos nenhum dado numérico para analisar.

4. Considerações finais

Alguns podem argumentar que fui pessimista ao não considerar o crescimeto da população brasileira e desistências de residência, aposentadoria e óbitos de profissionais, o que diminuiria o número total acumulado de especialistas. Não dá para prever esse dado de forma assertiva, mas é possível induzir que a taxa da saída de profissionais é bem menor do que a taxa de entrada, até pq consideramos percentuais otimistas e estamos talvez subestimando o efeito das pós e da permissvidade da ABP.

Talvez a mensagem final é que se você não se vê fazendo outra coisa, não tem o que discutir. Agora se vc está apenas esperando uma especialidade tranquila com um mercado garantido, isso não vai acontecer.

TL;DR. Em resumo, em 5 a 6 anos o mercado da psiquiatria vai começar enfrentar dificuldades e em 14 anos, no máximo, estará tudo acabado. E esse é o melhor cenário possível.

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u/Own_Marzipan5005 — 10 days ago

Tá faltando picareta no mercado

Cenário comum em meu consultório como clínico geral: paciente que fez exames de "rotina", que inclui, além de alguns poucos exames de fato bem indicados, como perfil lipídico e glicêmico, dosagem de inúmeras vitaminas e hormônios. Então paciente chega com pilha de exames feitos por conta própria ou solicitados por qualquer vagabundo portador de CRM por aí e traz para EU ver. Tudo bem, vamos tentar relevar. Problema é que, assim como os exames foram desnecessários, eles também querem intervenções desnecessárias.

Então não é raro pacientes sem queixas, com dosagens de testosterona normal e que ficam insistindo mesmo assim na prescrição. Por isso eu acho que tá faltando picareta. É necessário maior número de picaretas e com um marketing mais agressivo para poder captar esses pacientes, assim eles não vem encher o meu saco.

Eu sinceramente não me importo se a pessoa quer entupir o cu de anabolizante e morrer com cardiomiopatia hipertrófica, eu só não quero que venha me perturbar esperando que eu participe dessa palhaçada que virou a medicina.

E um adendo, meu total respeito aos endocrinologistas sérios. Eu sinceramente não sei como vocês aguentam, pq imagino que essa demanda deve ser bem mais comum do que pra mim.

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u/Own_Marzipan5005 — 12 days ago

O mercado é engraçado

O mercado é engraçado. Por que será algumas medicações ganham uma mídia a ponto da pessoa fazer um marketing inteiro sobre prescrever aquilo? "Prescritor de cannabis medicinal", "prescritor de mounjaro".

Não vejo ninguém se anunciando como prescritor de losartana, por exemplo

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u/Own_Marzipan5005 — 12 days ago

Teoria: radiologia é a melhor especialidade da medicina

Teoria: radiologia é a melhor especialidade da medicina

Justificativa: não vemos radiologistas desistindo da área ou reclamando tanto. Só quem desce o pau falando de IA e etc é a galera de fora.

Na mesma lógica, talvez a pior seja cirurgia geral sem sub ou que não conseguiu ainda a parcela de mercado da sub, pois é onde vemos mais gente reclamando

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u/Own_Marzipan5005 — 15 days ago

Me recuso a fazer residência por 3,6k de bolsa!

Sei que esse post vai enfurecer os tradicionalistas fãs de um regime de trabalho de semiescravidão, mas esquecem de entender que fazer residência é um privilégio que nem todos podem bancar.

Venho de uma família pobre, passei dificuldades ao longo de toda a minha formação e o meu objetivo sempre foi claro: dinheiro o suficiente para não passar perrengue todo mês. Moro em uma cidade do interior que não tem nenhuma especialidade que me interessa e me mudar para um grande centro recém formado nunca foi uma opção simplesmente porque não teria condições de me manter lá.

"Ah, mas pode dar plantão pra complementar a renda": todos sabem que isso não é mais garantia. o mercado saturou. Se vc quer se mudar para outra cidade sem ter uma rede de apoio (pais com grana para te bancar), vc tem que ter uma boa reserva financeira para isso.

Então fui para o caminho óbvio: trabalhar, dar plantões e acabei fazendo um concurso público para generalista em UBS, que é meu principal vínculo atual. Ele não me deixou e nem me deixará rico, mas é suficiente para ter um conforto que nunca tive na vida. Simplesmente não faz sentido algum abrir mão da estabilidade para ir trabalhar >60h/semana recebendo uma bolsa miserável de 3600 reais sem nenhuma garantia de estabilidade ou sucesso financeiro após a formação.

"Isso é conversa de quem não se garante passar na prova". Errado. Sempre fui bem em provas. Já fiz provas no final da faculdade e passei em processos seletivos para especialidade concorrida, alguns em primeiro lugar, alguns em SP inclusive, mas como dito não tinha condições financeiras de ir. A pobreza sempre foi um impeditivo, capacidade de passar em provas não, inclusive fui me testar com o enamed do ano passado para ver se estou enferrujado após basicamente 2 anos sem estudar nada para provas e acertei 86 questões. Vi que as notas de corte foram +90, mas com um preparo direcionado certamente não seria uma grande dificuldade chegar lá.

Enfim, por mais bonito que seja o discurso da meritocracia, precisamos entender que existem limitações para isso na vida real e que algumas pessoas simplesmente têm mais privilégios que outras.

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u/Own_Marzipan5005 — 29 days ago

Como o OVNI do Paraná influencia a medicina brasileira

Para quem ainda tá por fora, no dia 31/05, foi avistado no interior do Paraná um ovni com suspeita de ser uma nave alienígena. Alguns acreditam em um contato em um futuro próximo, outros se mantém céticos com relação a existência de seres extraterrestres. Partindo do princípio da veracidade dos vídeos, que foram bastante detalhados, surgem três cenários possíveis e os impactos que isso pode gerar para nós:

Cenário 1: os alienígenas pretendem fazer um contato hostil, dominar a terra e exterminar a humanidade. A escolha óbvia para nós é parar de estudar para a prova de residência, já que é um esforço em vão, considerando nossa possível extinção em breve.

Cenário 2: os alienígenas pretendem fazer um contato amistoso e estabelecer relações de cooperação interplanetária. Nesse caso, vale a pena buscar o maior grau de capacitação técnico-científica, já que poderíamos fazer intercâmbio e atuar em outros planetas. Aqui o RQE seria vantajoso, pois uma civilização avançada provavelmente iria valorizar a formação padrão ouro.

Cenário 3: eles não fazem contato conosco por enquanto. Aqui só muda nossa forma de interpretar alguns dados clínicos no dia a dia. Por exemplo, em pacientes outrora considerados psicóticos por relatarem contato com extraterrestres, o que pela medicina contemporânea pode ser considerado uma alucinação, não necessariamente devem ser considerados com algum transtorno mental por si só, já que provavelmente esses seres realmente existem e fizeram contato com algumas pessoas ao longo da história.

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u/Own_Marzipan5005 — 1 month ago

Prática da psiquiatria e casos judicialmente sensíveis

Aos psiquiatras do sub, é comum lidar na sua prática com situações complicadas do ponto de vista legal/judicial? Por exemplo, pacientes com algum transtorno que o leve a cometer crimes, como transtorno de personalidade antissocial, algumas parafilias (ped0), alguns casos de mania, psicose etc.

Imagino que quando vc é médico de uma unidade prisional e o paciente já está preso é bem mais simples, mas em um contexto civil, seja no consultório, ambulatórios, entre outros, se eventualmente o paciente fala de algum crime que cometeu e não foi descoberto, investigado e punido, ou se o paciente expressa a intenção de cometer algum crime no futuro, como vocês agem diante disso? Imagino que o sigilo pode ser quebrado no caso de risco a terceiros, mas como é feito todo o processo de comunicação ali na hora da consulta e o passo a passo da conduta subsequente?

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u/Own_Marzipan5005 — 1 month ago

Nutrologia sem picaretologia é possível?

É possível ter uma carreira boa e rentável na nutrologia sem práticas questionáveis? Ou seja, avaliar as indicações corretas dos agonistas de GLP-1 e o paciente comprar na farmácia, sem que precise necessariamente vender uma versão alternativa do remédio no consultorio junto com soroterapias e outras práticas "off-label" para agregar valor?

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u/Own_Marzipan5005 — 1 month ago

O que será do sub sem antiwoke?

Hoje, com muito pesar, antiwoke anunciou sua saída do sub para focar em projetos pessoais. Antiwoke foi uma figura pitoresca. Seus posts em sequência levantando inúmeras discussões, seu claro senso anti-socialista, seus longos textos frutos da experiência de décadas que culminou ao ápice do que a medicina pode oferecer: um salário de 100k como MFC.

Quem será nosso próximo grande ícone?

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u/Own_Marzipan5005 — 1 month ago

Psiquiatria VS. Neurologia: debate final

É isso aí galere. Opinem. Gosto das duas. Faria qualquer. Quero consultório medium to high ticket, mas sem mounjarologia ou picaretologia, e quero ganhar DINHEIRO. Deem sua opinião pensando em DINHEIRO.

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u/Own_Marzipan5005 — 1 month ago

A medicina me emburreceu

Quando criança, eu era meio que um pequeno "gênio" da matemática. Ganhei premiações em vários anos consecutivos em olimpíadas de matemática, a antiga OBMEP, e inclusive já conseguia ganhar um dinheirinho por conta das bolsas de estudos que dão aos premiados, que apesar de pouco, para uma criança já era legal, dava uma sensação de recompensa pelo estudo. Com isso, sempre quis fazer matemática, mas acabei vindo parar na medicina pois sempre fui pobre e queria ter a chance de ganhar dinheiro. Infelizmente não dá pra dizer que deu muito certo nesse ponto kkkk. De qualquer forma, a matemática me ajudou até nisso, já que consegui passar de primeira, porque a matemática do exame nacional do ensino médio era fichinha. Na minha preparação tive apenas que aprender fazer redação pra tirar 900+, o que também não é difícil com a preparação certa.

Enfim, o fato é que depois de viver só a medicina, parece que eu me tornei burro em todo o resto. Para calcular doses em pediatria, eu preciso usar a calculadora até para as contas absurdamente simples, por exemplo, uma criança de 10 kg que vai usar 50 mg/kg/dia de amoxicilina. Eu realmente vou digitar na calculadora 10 x 50 para chegar no resultado de 500 mg ao dia e depois vou fazer na calculadora também a regra de três pra saber quanto isso vai dar em ml.

Antes todo esse processo seria quase que inconsciene e automático no meu raciocínio e hoje, apesar de ainda fazer alguns cálculos mentalmente, o raciocínio é mais lento e sinto a necessidade de usar calculadora até pra não ter absolutamente nenhuma chance de eu estar errado. E geralmente repito o cálculo 3 vezes para realmente confirmar que prescrevi corretamente.

Tudo isso também deve ser um pouco de medo de ser motivo da próxima manchete: "médico não pediatra ASSASSINA criança por dose errada de dipirona"

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u/Own_Marzipan5005 — 1 month ago

Flashcards e plataformas de estudo (prisma, osler...)

Galera, tenho visto que a tendência atual na preparação para as provas são os flashcards, além da resolução de questões obviamente. Vejo alguns debates sobre comprar flashcards prontos vs. fazer os próprios, mas confesso que testei brevemente o anki e achei que fazer os próprios parece bem contraprodutivo.

Enfim, acompanho nas redes sociais aquele Pedro Martins que faz radio na USP e passou em várias instituições e ele fala bastante no estudo por flashcards. Ele se preparou usando Osler mas também desenvolveu a própria plataforma, Prisma, que tem banco de questões e flashcards com revisão espaçada direcionados de acordo os erros e acertos das questões.

A proposta me pareceu interessante, mas queria ver opinião de alguém sem o viés de vendedor. Alguém já testou alguma dessas plataformas? Acha que vale a pena? Ou nenhuma presta e tem que ralar fazendo os próprios cards mesmo?

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u/Own_Marzipan5005 — 2 months ago

Medicina de família e comunidade: especialista em tudo ou em nada?

Eu sei que esse post vai gerar uma reação dos MFC's do sub dizendo que eu não conheço a especialidade etc e tudo mais. Talvez seja mais um desabafo. Eu sou MFC formado em uma instituiçao média, não foi uma USP mas não foi um fundo de quintal no cu do mundo. Tive contato com APS, atenção domiciliar, CAPS de todas as modalidades, cuidados paliativos, ambulatórios de especialidades focais, procedimentos ambulatoriais dermatológicos, DIU e implanon e um breve contato com POCUS. Considero que tive uma formação satisfatória.

Li Starfield, McWhinney, Stewart, Carrió e obviamente o tratado, ou seja, conheço os princípios da minha especialidade e meu escopo de atuação. Sei que sou ferramenta de um território, que faço parte de uma rede de atenção com outros profissionais e médicos que eventualmente vão dar suporte na sua área de expertise e que sou capacitado para resolver maior parte dos problemas que chegam até mim, mas esse é exatamente o ponto que me gera algum grau de frustração. Sinto que domino tudo superficialmente e nada de forma aprofundada, que sou especialista no comum, no trivial e, consequentemente, especialista de verdade em nada.

Exemplos ilustrativos: na reumato, por exemplo, trato fibro, OA, AR em casos iniciais e menos complexos, mas vez ou outra chega algo que não consigo nem mesmo diagnosticar de forma assertiva. Esses dias chegou um paciente com uma artrite meio estranha, história de úlceras orais e genitais... Lembrei de Behçet, mas não consigo confirmar isso. O reumatologista que vai ser o médico "foda" que dá diagnóstico complexo e difícil. Isso acontece também em casos neurológicos, psiquiátricos, dermatológicos...

E mesmo nas condições comuns, se manter atualizado constantemente em tudo é impossível. Exemplo disso é que ainda não consegui ver o GINA recente, daí vem um pouco de culpa por tá postando aqui em vez de estudando, mas ao mesmo tempo se fosse se dedicar a estar sempre 100% atualizado teria que estudar 24/7 e talvez ainda não seria suficiente haha.

Enfim, talvez seja mais um desabafo e uma reflexão de que apesar de muita gente subestimar, MFC não é fácil.

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u/Own_Marzipan5005 — 2 months ago

Antiwoke sempre esteve certo!!!!

Sou MFC, graduação em universidade pública com bom conceito no enamed, 4 anos de experiência em APS contando com a residência e recentemente entrou na minha UBS, na outra ESF, um médico recém revalidado formado no PY de qualidade bastante questionável. Modéstia à parte, minhas condutas são bem melhores e mais resolutivas. O cidadão encaminha literalmente qualquer besteira para o especialista focal, pede uma caralhada de exame e não resolve nada. Só sobrecarrega o sistema e nem tenta oferecer uma resolutividade mínima esperada para a APS.

Onde entra o aniwoke nessa história? O colega ganha o mesmo salário que eu! Se isso não é socialismo, eu não sei o que é.

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u/Own_Marzipan5005 — 2 months ago

Esses dias vi um comentário aqui no sub que me chamou atenção, sobre os estudos científicos na psiquiatria serem de baixa qualidade e como provavelmente daqui 100 anos a psiquiatria será totalmente diferente de como é praticada hoje e isso me deixou curioso. O que dá embasamento para a psiquiatria como uma ciência?

Vejam bem, eu não quero ofender e nem diminuir a importância da especialidade, mas esclarecer uma dúvida genuína que me acompanha desde a graduação, inclusive como falei em post anterior cogito a psiq como especialidade, mas isso sempre me gerou dúvidas. Parece ser uma especialidade à parte de todo o resto da medicina em que até o raciocínio clínico e condutas são diferentes.

Minha impressão vendo de fora no internato é que muitos preceptores davam diagnóstico e conduta no feeling ou na tentativa e erro, já outros pareciam fazer check-list do DSM, enquanto áreas como cardio e nefro parece que eles sempre tem algum estudo clínico para explicar e justificar o que é feito no dia a dia, além de, talvez por ser algo orgânico, ser muito mais "palpável".

Outro ponto é o apreço de alguns psiquiatras por Freud e psicanálise, o que já vi diversas polêmicas sobre ser uma "pseudociência". ~ Reforço que não quero julgar e não cabe a mim categorizar assim, mas sim busco compreender essas questões.

Dessa forma, como os conceitos de MBE se aplicam na psiquiatria? É possível/comum realizar ensaios clínicos randomizados na área? Existe muita variabilidade interobservador nos diagnósticos, considerando que não existe um exame laboratorial ou de imagem que os "confirmem"? É possível falar, nos testes diagnósticos psiquiátricos, sobre conceitos como sensibilidade, especificidade, acurácia, likelihood ratio, VPP e VPN? Se sim, qual é o parâmetro de comparação, já que geralmente para estimar essas variáveis de um teste diagnóstico, o comparamos com o "padrão-ouro"?

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u/Own_Marzipan5005 — 2 months ago