u/Plokeer_

Custos de investir em ETFs no exterior vs. via B3

oba oba meus consagrados,

Inspirado no post recente do Working, quis revisitar minhas análises nesse tema e trazer a conversa pra esse sub.

Imagino que ainda há alguma dúvida sobre como avaliar entre investir na B3, Avenue ou no exterior. Tentei trazer um cálculo simples e objetivo, com base nos custos entre investir pelas diferentes plataformas, para te dar um norte de quanto tempo você precisaria manter investido para ter o retorno. A comparação é sempre de fora para B3.

De antemão, vale o aviso: pelas contas que fiz e pelo que já li, hoje a diferença financeira em 30 anos entre investir lá fora ou aqui é bem menor comparado a anteriormente, quando havia isenção de IR para vendas no exterior até 35K/mês. Logo, a decisão pode até ser financeira, mas os outros fatores, imagino eu, pesam mais (p. ex.: medo de confisco, facilidade caso mude de país etc).

A lógica é simples: é uma conta de divisão. Custos totais adicionais ÷ Economia anual.

A economia anual (isto é, o denominador) é a diferença entre taxas de compra + taxas de adm. + taxas de manutenção de conta, caso haja:
- ∆taxas adm. = 0,30% (taxa global dos fundos da Invesco)
- taxas de compra = 0,03% * 2 (compra e venda)
- demais custos = 0,05% (complemento do caro u/WorkingQuarter3416
- Para fins de simplificação, considero que não há taxas de manutenção de conta.
- Total aproximado: 0,30% + 0,06% + 0,05% = 0,41%

Os custos de mandar o dinheiro para fora pode ser definido em 3 grandes categorias, em 2 momentos, com dados de hoje (março/2026):

Entrada:
- IOF para investimento: 1,1% (de acordo com o decreto 12499/2025)
- Spread no câmbio: ~1% (supondo esse valor considerando as diversas opções - pode ser muito mais, i.e., até 2,5% pelo que li, ou um pouco menos, i.e., 0,7%)
- Taxa de corretagem*: ~0,2% (arredondando 1,70 USD em um aporte de 1000 USD vide IBKR)
* Considerei corretagem pois há várias opções com taxa zero no Brasil atualmente.
- Total aproximado: 1,1% + 1% + 0,2% = 2,3%

Saída:
- IOF para investimento: 0,38% (de acordo com o decreto 12499/2025)
- Spread no câmbio: ~1%
- Taxa de corretagem*: ~0,2%
- Total aproximado: 0,38% + 1% + 0,2% = 1,58%

Então temos: tempo_payback_ibkr = (2,3% + 1,58%) / 0,41% = 9,4 anos.

Ou seja, caso escolha investir pela IBKR ao invés da B3, você deveria segurar o investimento por no mínimo ~10 anos até os custos se igualarem.

Caso escolha a Avenue, por exemplo, pode ser ainda mais tempo caso escolha o spread deles, dado que seu spread varia de 1 a 1,95% etem taxa de corretagem também (pois nosso foco seria ETFs irlandeses), taxa de manutenção de conta caso inativa (vide aqui). Contudo, caso prefira, é possível receber wire ou ach diretamente na conta da avenue em dólares. Assim, a mesma solução que vale para IBKR também vale para Avenue.

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Um ponto importante é: esse ~0,41% de economia anual não se traduz em aumento do seu retorno depois do período de "breakeven". Isso se deve porque pode ter taxas de retirada, como na Avenue, que cobra 25 USD para cada wire doméstico de retirada, mudanças na estrutura de custos ou aumento do IOF que surja ao longo do tempo. Isso faz com que, no final das contas, fique quase elas por elas financeiramente, logo outros fatores devem pesar mais.

Se eu tiver errado alguma conta, desconsiderado algum ponto relevante, por favor, me digam. Mais do que à disposição para arrumar.

Bons investimentos!

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u/Plokeer_ — 8 days ago
▲ 3 r/Livros

E aí, qual a opinião dos senhores sobre?

Foi a primeira série que li. Lembro como simplesmente nao conseguia parar de ler. Esses dias fui comprar a série para ter na minha biblioteca, mas está uma fortuna cada livro...

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u/Plokeer_ — 22 days ago

Se fosse pegar um notebook, que nao fosse macbook air/mini importado, o que olharia de spec?

Jogos leves, uso em programação, e streaming. Usaria maior parte do tempo fixado à mesa, mas não penso em PC pela flexibilidade.

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u/Plokeer_ — 23 days ago

Sabemos que muitos investidores estão migrando para ETFs. E não queria tanto focar a discussão nos prós ou contras do porquê ETFs ou não... isso pode ficar para outro tópico. Queria focar mais no processo de escolha dos ETFs.

Eu tenho a sensação que muitos que querem seguir com ETFs compram achando que a estratégia se resume a "comprar o mercado e esquecer" para fugir das altas taxas dos fundos tradicionais. E, de fasto, isso funciona se você seguir uma abordagem Boglehead à la "VT and Chill". Mas estamos num sub de ativos financeiros, e a proposta é pensar como poderíamos avaliar esses ativos. Minha hipótese é que muita gente está cometendo erros básicos, pagando custos ocultos ou fazendo stock picking disfarçado (pra não dizer que tenho certeza nessa aqui rs).

Ao analisar a fundo como os ETFs funcionam, fica claro que a escolha vai muito além da taxa de administração (o Total Expense Ratio, TER). Quais critérios vocês realmente usam? Pensei em trazer a provocação iniciando com 5 pontos (que eu julgo) críticos na seleção de um ETF: (1) stock picking disfarçado, (2) custo total, (3) liquidez e tamanho do fundo, (4) sobreposição de ativos, e (5) riscos estruturais. Vamos lá:

1. Stock picking disfarçado

Comprar ETFs setoriais ou temáticos vai contra a filosofia básica de diversificação ampla (como o método Boglehead). Na prática, tentar adivinhar qual setor vai performar melhor é apenas fazer stock picking usando ETFs, o que aumenta o risco não-sistemático sem garantia de retorno, além de geralmente envolver taxas mais altas. Daria para aprofundar aqui, e acho que o Ben Felix traz bons vídeos no tema, recomendo dar uma pesquisada...

2. Custo Total

A taxa de administração importa porque os custos têm um efeito cascata negativo no longo prazo. No entanto, ela é apenas a ponta do iceberg. Dois ETFs com a mesma taxa podem ter resultados diferentes devido ao Tracking Error (o quanto o fundo descola do índice real) e ao "custo de impacto no mercado" (tentei botar um nome fofo para o spread). Fatores como o giro da carteira, impostos e a eficiência da gestão afetam o custo real da sua cota. No Brasil, ainda temos uma questão que a Invesco replica ETFs e temos muito menos acesso a ETFs diversos que nem em outras bolsas.

3. Liquidez e o Tamanho do Fundo

Tem gente comprando ETF com pouca negociação e ignorando o Bid-Ask Spread (diferença entre o preço de compra e venda). A baixa liquidez significa que o formador de mercado vai cobrar um spread maior, comendo parte da sua rentabilidade na entrada e na saída. Além disso, uma regra de bolso interessante citada por alguns investidores é evitar ETFs com menos de USD 1B em patrimônio, para fugir do risco de baixa liquidez crônica ou até do fechamento do fundo.

4. Sobreposição de ativos

Ter 5 ETFs diferentes na carteira não significa necessariamente estar diversificado. Se você tem um ETF global que contempla empresas de todos os tamanho (como o WRLD11) e resolve comprar um global que contempla apenas empresas maiores, i.e., não considera small caps (como o VWRA11) ou focado em tecnologia, você está comprando as mesmas gigantes de tecnologia de novo e de novo. Essa sobreposição (overlap) destrói a diversificação, aumenta o risco de concentração da carteira e ainda faz você pagar taxas de administração duplicadas pela mesma exposição.

Uma outra analogia é quem pensa em aportar em WRLD11, composto ~60% por ações americanas e aporta mais um percentual em S&P500 porque, você sabe, né, never bet against America... o que você está fazendo na verdade é ter muito mais do que 60% concentrado em EUA. É isso mesmo que queres? Fica a reflexào

5. Riscos estruturais do ETF

Muitos ignoram como o ETF de fato replica o índice. E a réplica pode ser de duas maneiras:

  • Física: O gestor realmente "compra" as ações. Entre aspas porque na verdade o que muitos fundos fazem é o securities lending (empréstimo desses ativos para terceiros operarem a descoberto) para gerar receita extra e abater taxas. Isso é ótimo para a rentabilidade, mas embute um risco caso o tomador dê calote.
  • Sintética: O ETF usa contratos de derivativos (swaps) com um banco para entregar o retorno do índice. Permite acesso a mercados difíceis e tem baixo tracking error, mas traz o chamado risco de contraparte.

Aqui tem mais coisa para aprofundar, mas tentei ser sucinto e quero tb trazer o debate pro grupo... Dito isso, trago a provocação. Ao escolher um ETF, vocês já pararam para analisar o spread, o tamanho do patrimônio ou a sobreposição das empresas antes de adicionar um ETF na carteira? Quais são os critérios que usam na hora de escolher?

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u/Plokeer_ — 26 days ago