Entendendo PGBL e VGBL

Há alguns anos atrás, fui apresentado ao mundo dos fundos de previdência. Logo fiquei maravilhado pensando que poderia "ganhar mais dinheiro". A real é que quando fui pesquisar mais a fundo, me embananei horrores, e depois de muito ler de diferentes fontes comecei a entender um pouco mais. Ontem fui revisitar esse tema para minha carteira, e decidi também escrever algumas poucas linhas para compartilhar com vocês.

Se me perguntassem qual a "grande pegadinha", diria que o mais importante é entender que ao escolher entre PGBL e VGBL, o ponto central não é apenas “qual rende mais”, mas sim qual produto se encaixa melhor na forma como a pessoa é tributada no Imposto de Renda.

O PGBL costuma fazer mais sentido para quem tem renda tributável relevante, contribui para a previdência oficial e faz a declaração completa do IR. Isso porque os aportes em PGBL podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto, respeitado o limite de 12% dos rendimentos tributáveis anuais. A Receita Federal também diferencia que PGBL é dedutível, enquanto VGBL não é.

Para uma pessoa CLT que recebe salário, contribui ao INSS e usa a declaração completa (ou seja, ganha pelo menos R$ 5K+/mês), o PGBL pode ser eficiente até esse limite de 12%. Na prática, ele permite postergar parte do imposto: a pessoa reduz a base tributável hoje, mas pagará IR no futuro, quando resgatar ou receber renda do plano. Por isso, o PGBL tende a ser mais adequado para quem de fato paga IR relevante na pessoa física e consegue aproveitar a dedução.

Já para quem trabalha como PJ, por exemplo, ou autônomo, a análise muda. Pegando o exemplo daqueles que ganham por distribuição de lucros (p. ex., médicos, empresários, desenvolvedores e os PJ com benefícios), em muitos casos, a maior parte da renda vem por distribuição de lucros, que não entra como rendimento tributável da pessoa física. O pró-labore, por outro lado, é rendimento tributável e normalmente serve de base para INSS e IRPF. Assim, se o PJ tem pró-labore baixo, por exemplo próximo a um salário mínimo, o benefício do PGBL tende a ser pequeno ou inexistente, porque o limite de dedução de 12% incide apenas sobre a renda tributável, não sobre todo o faturamento da empresa.

Nesses casos, o VGBL costuma ser mais adequado para os aportes de longo prazo que não geram benefício fiscal no PGBL. A diferença tributária é importante: no VGBL, o IR incide apenas sobre os rendimentos; no PGBL, incide sobre o valor total resgatado ou recebido como renda. Portanto, aportar em PGBL sem conseguir usar a dedução pode ser ineficiente, pois a pessoa abre mão do benefício atual e ainda aceita uma tributação futura sobre o montante total. Inclusive acho que esse é um exercício que pode ser bem legal de ser feito, apesar de eu estar sem tempo agora para isso. Fica de sugestão u/fgtoni ou u/2AcesRoth rsrs

Ah, u/Plokeer_, tá muito complexo. Beleza, a regra prática é simples: para CLT com renda tributável relevante e declaração completa, PGBL pode fazer sentido até 12% da renda tributável anual; para valores acima disso, ou para quem usa declaração simplificada, VGBL tende a ser mais apropriado. Para PJ, o PGBL só deve ser considerado sobre a parcela de renda tributável da pessoa física, como o pró-labore. Se o pró-labore for baixo, o VGBL geralmente será mais coerente para previdência privada.

DITO ISSO, previdência privada é apenas UM de vários tipos de investimentos. É claro que é importante/fundamental separar previdência privada dos outros tipos, como Tesouro Direto, CDB, LCI etc. O VGBL pode ter vantagens em planejamento de longo prazo, portabilidade entre fundos e organização sucessória, mas pode ter taxas maiores e menor transparência dependendo do produto. O Tesouro Direto, por outro lado, costuma ser uma alternativa simples, barata e direta para acumulação patrimonial, embora siga regras próprias de tributação e não tenha as mesmas características de um plano previdenciário. Na minha opinião, três grandes benefícios do PGBL/VGBL são: (1) imposto menor depois do período mínimo e (2) facilidade sucessória, (3) em muitas empresas, elas contribuem um percentual do que você contribuir (logo fazendo seu investimento ser o dobro do que seria, na realidade). Pode ser que faça sentido pro seu caso, pode ser que não. Como renda variável, vareia.

Em resumo: PGBL vira quase que uma ferramenta fiscal, sendo mais interessante quando há imposto a deduzir. VGBL é mais indicado quando não há benefício fiscal no PGBL, como em muitos casos de PJ com pró-labore baixo ou de pessoas que usam a declaração simplificada. Para quem trabalha como CLT e declara pelo modelo completo, o PGBL pode ser uma boa estratégia até o limite permitido; para quem trabalha como PJ, a decisão depende principalmente do tamanho do pró-labore e da renda tributável na pessoa física.

Eu aportei em PGBL enquanto trabalhei para uma empresa que tinha um plano de match de até 7% das contribuições (ou seja, eu basicamente ganha 7% do meu salário anual de aporte "de graça", porque eu decidia aportar também). Claro que ela não faz isso "porque é boazinha", mas aí são outros 500. Hoje, continuo aportando em PGBL, mas por conta própria.

Um tema que eu não entrei muito é a questão dos fundos de previdência privada. Contudo o buraco é mais embaixo. Existem várias regrinhas, e é difícil achar bons fundos, na minha humilde opinião. Um dia talvez valesse a pena fazer uma análise a partir dos dados de CVM/Anbima.

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u/Plokeer_ — 2 days ago

Verdades sobre investir num mercado de ATH

Esses dias o Ben Felix postou um vídeo muito interessante sobre concepções que costumamos ter (e eu me incluo nessa brincadeira!) sobre mercado na hora de investir em momento de ATH. Achei muito interessante, e ele foi bem direto ao ponto. Quem quiser ver, link aqui.

No caso desse post, vou tentar trazer as ideias do vídeo para a comunidade. Tentei complementar as ideias com um dos últimos episódois do podcast Rational Reminder onde ele trazer convidados para falar sobre finanças e investimento (inclusive, recomendo muuuito!).

O resumo do episódio enquadra a discussão em torno da história do mercado, da psicologia do investidor, do market timing, da diversificação, da volatilidade versus risco e do motivo pelo qual investidores são tentados a tentar acertar o momento do mercado. Aprofundando abaixo....

Segundo Ben, uma máxima histórica do mercado acionário não é um sinal de alerta, mas sim o estado normal de uma classe de ativos com retornos esperados positivos. Se empresas, lucros, produtividade, inflação e capital reinvestido se acumulam ao longo do tempo, os índices amplos de ações devem atingir novas máximas repetidamente. A RBC GAM observa que, desde 1950, o mercado acionário amplo dos EUA registrou 1.325 máximas históricas, uma média de mais de 17 por ano, ou seja, não é como se estivéssemos "vivendo algo úinco", como muitos ficam com medo.

Sobre esse medo, super faz sentido (e digo por experiência própria rs). No final das contas, me parece que o medo intuitivo é: “Nunca esteve tão caro antes, então devo estar chegando tarde.” Só que, na realidade, nível de preço, por si só, não é valuation. Uma máxima do mercado diz onde o preço está em relação ao passado, não se os retornos futuros esperados são negativos. Para isso, seria necessário conhecer os fluxos de caixa futuros, as taxas de desconto, a inflação, o crescimento dos lucros e o apetite por risco... tudo isso que, obviamente, vai muito além de apenas "olhar o preço". “Alto” é uma estatística de trajetória, não um sinal de investimento.

O ponto que o Ben tentou trazer sobre investir nas máximas históricas é de que o tradeoff não é “comprar caro ou esperar”, mas sim prêmio de risco das ações versus custo de oportunidade de ficar em caixa. Ações têm retornos esperados maiores do que caixa porque são arriscadas. Se você espera em caixa por um ponto de entrada melhor, está fazendo uma previsão ativa de que o mercado cairá o suficiente, e rápido o suficiente, para compensar o retorno esperado que você deixou de ganhar. A pesquisa da Vanguard mostra que investir tudo de uma vez superou estratégias comuns de aportes graduais em cerca de dois terços das vezes, embora também observe que o investimento gradual possa ajudar investidores muito avessos a perdas a evitar ficar totalmente em caixa. (corporate.vanguard.com)

Portanto, a versão mais limpa do argumento de Ben é: não deixe “máxima histórica” substituir sua alocação de ativos. Sua alocação deve ser definida pelo seu horizonte de investimento, necessidade de liquidez, capital humano, tolerância ao risco e capacidade de seguir o plano durante uma queda. O resumo do Rational Reminder enfatiza explicitamente diversificação, autoconhecimento, objetivos pessoais, capacidade de lidar com perdas e a diferença entre volatilidade e risco. (pwlcapital.com)

De maneira geral, podemos pensar da seguinte forma: se o dinheiro é para objetivos de longo prazo, invista de acordo com seu portfólio-alvo. Se uma grande quantia investida de uma só vez aumenta muito a chance de arrependimento ou venda em pânico, use um cronograma curto e pré-definido de aportes graduais. Contudo, precisamos ter em mente (e acho que aqui está um pouco o pulo do gato) que não vai vir uma bola de cristal mágina nos informando quando é o melhor momento. Logo, esperar uma correção ainda é market timing, e market timing exige acertar duas vezes: quando esperar e quando entrar.

Mas vejam: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Ele não está dizendo “ações não podem cair depois de uma máxima histórica.”; elas podem. Uma máxima histórica, em algum momento, será a máxima anterior a uma queda. O ponto dele é que você não consegue identificar essa máxima com antecedência, e historicamente máximas históricas muitas vezes foram seguidas por novas máximas. Ben Carlson também observa que novas máximas são comuns, tendem a se concentrar em bull markets e são “perfeitamente normais” para investidores de longo prazo. (awealthofcommonsense.com)

No final, fica o ditado "time in the market beats timing the market".

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u/Plokeer_ — 3 days ago

Vamos falar sobre debêntures incentivadas?

Não vou negar: debênture sempre foi um negócio que eu mais ou menos entendia. Pra mim, era tipo um CDB para empresas, sem proteção do FGC. Há alguns anos eu escuto sobre debênture incentivada, mas sempre ignorei. Pra mim, o análogo é o tal do "consórcio com lance embutido".

Sou meio vanilla com renda fixa, mas tava com tempo livre e fui pesquisar o que é. Minha conclusão é que parece ter virado o novo "CDI gourmet" que os assessores adoram enfiar goela abaixo (~que meu grande amigo que virou assessor não me leia~). Pois bem, vamos lá. Vou dar um contexto maior e depois trazer alguns pontos pra discussão....

Conversando com esse meu brother corretor, ele comentou que seus clientes cada vez mais migram de Tesouro Selic/CDB para debêntures incentivadas, FI-Infra e crédito privado indexado ao IPCA. Ele está há uns 7 meses tentando me convencer com uma narrativa, não vou negar, que parece muito boa: retorno real alto, isenção de IR, financiamento de infraestrutura e proteção contra inflação.

Mas eu sou cético... será que o investidor brasileiro está de fato amadurecendo na alocação de capital? Para mim isso poderia perfeitamente ser trocar 6 por meia dúzia. Me explico: ou seria apensa trocar o “risco governo” por um risco privado que eles ainda não sabem precificar? *eles = o assessor e o pobre do investidor "malandrão".

Abaixo, alguns pontos que me fazem achar que o fenômeno é mais complexo do que parece. Caso não queira ler, resumo: (1) isenção de IR é psicológico; (2) brasileiro está associando RF = sem risco; (3) infra vai além de "empresa grande"; (4) valores do TD IPCA+ estão jogando crédito privado pro alto... tudo isso para se esquecer que compraram um título privado de longo prazo, com risco e que pode cair feio. Allez:

  1. Sobre a isenção de IR virar prêmio psicológico, não apenas tributário

A grande vantagem das debêntures incentivadas é (ou talvez parece?) óbvia: para pessoa física, o rendimento é isento de imposto de renda. Isso muda bastante a conta líquida quando comparado com CDBs, LCIs, LCAs, Tesouro IPCA+ e fundos tradicionais.

Daí o mais letrado, SAGAZ, vai lá e vê “IPCA + 7% isento”. Claro, ele frequentemente compara com “IPCA + 6% tributado” e conclui que encontrou uma arbitragem quase óbvia (duhh). Mas já dizia o ditado: todo dia saem duas pessoas de casa.... essa diferença não vem de graça. Ela embute risco de crédito, risco de liquidez, risco regulatório, risco de projeto e risco de marcação a mercado.

A isenção de IR, na prática, pode estar funcionando como uma anestesia. O investidor olha para o benefício fiscal e sente que está sendo remunerado acima do mercado, quando talvez esteja apenas sendo compensado por riscos que ainda não entendeu completamente. Alguém que adora falar de sharpe é o u/2AcesRoth

  1. Sobre o brasileiro confundir CDI renda fixa com ausência de risco

Por muitos anos, o CDI alto criou uma mentalidade peculiar no Brasil: a ideia de que renda fixa é uma classe onde o investidor “ganha sem sofrer”.

Isso fazia algum sentido quando a escolha era entre Tesouro Selic, CDB de bancão e fundos DI, mas não acho que se aplica automaticamente a debêntures longas, especialmente indexadas ao IPCA.

Uma debênture incentivada longa pode oscilar bastante antes do vencimento. E por n fatores: se a curva real abre, o preço cai; se o spread de crédito abre, o preço cai; se o emissor passa por estresse, o preço cai; se todo mundo tenta sair ao mesmo tempo, a liquidez some.

Ou seja: o investidor compra algo com nome de renda fixa, mas com comportamento de ativo de risco. Eu ouvi gritarem FII do fundo da sala? rsrs brincadeirinha, falo disso outro dia

O ponto cego é esse: no Brasil, “renda fixa” virou uma categoria emocional, não econômica, e isso porque estamos num fórum de investimentos, focado em texto escrito, com um viés absurdo... pra muitos (minha mãe inclusive!) ainda se fala de poupança. Logo, pra muita gente, qualquer ativo que paga cupom ou carrega indexador parece conservador. Mas galera.... duration longa + crédito privado + baixa liquidez não é conservador. Poderíamos começar a falar isso para as outras pessoas tb!

  1. Sobre infra ir além de “empresa grande emitindo dívida”

Outro erro comum é tratar debênture incentivada como se fosse simplesmente dívida de uma companhia conhecida, quando na real infra tem uma natureza própria. Não vou entrar no juridiquez ou financês (será que essas duas palavras existem?) da coisa, mas muitas vezes envolve concessões, contratos de longo prazo, tarifas reguladas, capex pesado, dependência de demanda, decisões políticas e risco jurídico. Po... envolve isso tudo, não é possível que seja o mesmo risco de comprar um CDB de banco grande ou um título soberano... e em teoria não é mesmo! MAs ainda assim, há uma das pessoas que saiu de casa dizendo que tá ganhando IPCA+7 isento....

O investidor que entra nessa brincadeira financiará estradas, energia, saneamento, transmissão, logística, mobilidade... setores essenciais, mas que não são livres de problema. E, no caso, a realidade é outra (ou vai me dizer que tudo isso aí pra você não tem problema?): são setores onde a fronteira entre economia, política e regulação é muuuuito tênue.

Beleza... por um lado temos a tese otimista de que isso ajuda o Brasil a financiar investimento produtivo fora do orçamento público. Mas não podemos esquecer que por outro lado temos a tese cética de que estamos transferindo para o investidor pessoa física um pedaço do risco de infraestrutura que antes ficava mais concentrado em bancos, BNDES, fundos especializados e investidores institucionais. Sinceramente, esse não é o tipo de pepino que eu quero pra mim (particularmente prefiro sunomono!).

  1. Sobre o TD IPCA+ virar régua e crédito privado ser obrigado pagar caro

Todo investimento, ou melhor, quase toda decisão financeira na vida tem um ponto central: o custo de oportunidade. Para debêntures incentivadas, consequentemente, não seria diferente.

Quando o próprio governo brasileiro paga uma taxa real elevada em títulos IPCA+, todo o resto da economia precisa se ajustar a essa régua. Leia de novo, sério. Às vezes parece óbvio, mas esquecemos. Se o soberano paga muito, o privado precisa pagar ainda mais, ou então oferecer algum outro atrativo, como isenção fiscal.

Isso cria uma distorção interessante: a debênture incentivada parece barata para o emissor por causa do benefício tributário, mas pode parecer cara para o investidor quando comparada ao Tesouro IPCA+ ajustado por risco (a la o risco de novo aparecendo na brincadeira).

Só que tá tudo ótimo no momento das vacas gordas... e quando chegamos numa época de vacas magras? Isto é, em um cenário de stress, o investidor vai lembrar que comprou crédito privado de longo prazo ou vai... ficar frustrado (pra ser bem gentil) porque achava que tinha comprado “renda fixa isenta”?

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Por um lado debênture incentivada me parece algo interessante a depender de quanta plata você tem ou seu nível de investimento, mas quase sempre diria que os meros sardinhas como nós deveríamos ficar de fora. Minha leitura é que o crescimento das debêntures incentivadas é um sinal de maturidade do mercado de capitais brasileiro, mas com uma fragilidade enorme embutida, e que o average joe não sabe precificar.

Por um lado, o lado positivo é claro: o Brasil precisa financiar infraestrutura, e depender exclusivamente de orçamento público, bancos públicos ou crédito bancário tradicional é insuficiente. Levar poupança privada para projetos de longo prazo é saudável. Por outro lado, esse processo acontece em um país onde a educação financeira ainda é muito baseada em produto e não em risco. A pergunta dominante ainda é “quanto rende?”, quando deveria ser “qual risco estou carregando para ganhar isso?” (u/2AcesRoth até ficou feliz)

Em resumo: talvez as debêntures incentivadas sejam uma ótima inovação financeira, mas também consigo ver o cenário (e que eu diria razoavelmente provável) em que elas estão a viraro novo “CDI gourmet”, ou seja, um ativo vendido como conservador, comprado como oportunidade tributária e entendido como risco somente depois da primeira grande marcação a mercado negativa, que aí geral entra em pânico

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u/Plokeer_ — 5 days ago

Sneakers simples pra pés grandes

Fala galera

Calço 46/47 e obviamente nao consigo achar sapato razoavelmente bonito pra venda nos marketplaces. Lá fora até tem meu tamanho, mas vou pouco pra fora.

Os srs. tem recomendação de lojas pra esses tamanhos?

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u/Plokeer_ — 8 days ago

Celulares pouco conhecidos que batem com linha A5X da Samsung

Fala queridos,

É o que está no título.

Os senhores possuem recomendação de celulares menos conhecidos (provavelmente chineses) que se comparem em preço e performance aos Samsung Galaxy A5X? Ou o Galaxy A5X é o melhor da categoria?

Contexto: sou bem tech, mas meu trabalho não pode ser feito em celular (uso um macbook air). Não consigo justificar um gasto elevado num celular que uso pouco e não ligo pra câmera. Logo, ele não travando, tendo bateria boa, uma tela razoável e durando alguns bons anos é mais do que suficiente para mim.

Obrigado!

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u/Plokeer_ — 14 days ago
▲ 1 r/carros

Opiniões sobre Jeep Compass 21 de conhecido

Fala meus caros,

Atualmente tenho um Mitsubishi véin muito maltratado, de 2010. Cerca de 160 mil km. Revisões em dia, mas problemas aparecendo... Não sinto confiança no carro, tanto que na última viagem que fiz optei por alugar um.

Eis que me surge a oportunidade: um conhecido meu comprou um Song Pro e está pensando em pegar outro elétrico. Assim, venderia o seu Jeep Compass 2021. O carro é único dono, cerca de 40 mil KM. Depois que ele comprou o BYD, quase não usa, tá na garagem mofando. Disse que me venderia num preço amigável (suponho oq? 90-100% da FIPE?

Estou entrando mais no mundo dos carros aos poucos. Andei vendo diversas opções, desde assinatura por 18 meses pra ver a experiência, até comprar um zero (olhei desde fiat argo, pulse... até dolphin, dolphin mini, etc.

Minha esposa prefere carros pequenos (o sonho dela seria um Nissan March, porém saiu de linha)... eu gostaria de um SUV compacto, porém me parece que teria uma oportunidade de pegar um carro legal num preço amigável?

E aí, qual opinião? O que eu deveria olhar melhor?

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u/Plokeer_ — 17 days ago

Estudos de Mercado | O valor do financiamento imobiliário

Fala senhores,

É um tema que venho estudando há um tempo. Decidi que chegou a hora de começar a botar no papel (ou melhor, na tela, rs) algumas ideias, compartilhar e, de retorno, aprender.

Se tem uma informação que quero fazer você guardar ao final do post é: muito provavelmente você não pagará 3x pelo financiamento, mas sim 1,5x a valor presente. Note o muito provavelmente.

A frase "no financiamento você paga 3x" é uma das mais repetidas em conteúdo de finanças pessoais no Brasil, e é também uma das que mais confunde. Não porque seja errada, até porque ela responde a uma pergunta específica corretamente, mas porque é frequentemente usada para responder a uma outra pergunta, para a qual a resposta correta é diferente. Vale separar as duas perguntas e mostrar como o número muda dependendo de qual você está fazendo.

Receber R$ 4.498,95 hoje não é a mesma coisa que receber R$ 4.498,95 daqui a 30 anos. Para comparar valores no tempo, o ideal é trazer tudo para uma única data — geralmente "hoje" — usando uma taxa de desconto. A escolha dessa taxa não é neutra: ela define quanto vale, hoje, um pagamento futuro. Vamos avaliar com um caso fictício, porém tangível

Variável Valor
Imóvel R$ 500.000,00
Taxa Nominal 10% a.a. + TR (~10,8% a.a.)
Sistema PRICE 360 meses
Parcela R$ 4.498,95
Soma nominal R$ 1.619.622 (3,24x)
Valor presente a 6% a.a. (IPCA histórico) R$ 763.348 (1,53x)

Se for o caso, posso entrar no detalhe de como essas contas foram feitas, basta pedirem. A ideia é usar matemática financeira básica (PMT e VP). O ponto é: os dois números estão matematicamente corretos. Contudo, eles respondem a perguntas diferentes:

  • "Quanto sai do meu bolso ao longo de 30 anos?" R: R$ 1.619.622 nominal
  • "Quanto valeria hoje a soma desses pagamentos futuros, se eu pudesse aplicar a 6% a.a. hoje?" R: R$ 763.348

A frase "paga 3x" responde mal à segunda pergunta, mas responde bem à primeira. Logo, é trivial notar que não é que ela esteja "errada", só é incompleta/responde outra coisa.

Ainda assim, a escolha da taxa de desconto não é neutra. A escolha "6% a.a. = IPCA histórico" não é a única razoável. Para um leitor financeiramente educado, escolhas alternativas levam a respostas diferentes:

Taxa de Desconto VP da soma das parcelas Múltiplo do Imóvel
6% a.a. (IPCA hist.) R$ 763 K 1,53x
8% a.a. (CDI líq. típico) R$ 612 K 1,22x
10% a.a. (SELIC 2024) R$ 519 K 1,04x
11% a.a. (IPCA + 5% líq ) R$ 478 K 0,96x
13% a.a. (SELIC abr/26) R$ 430 K 0,86x

Lendo a tabela:

  • Quanto maior a taxa de desconto (= melhor o investimento alternativo que você teria), menor a soma do valor presente (VP) de parcelas, logo o financiamento "parece mais barato".
  • Quanto menor a taxa, maior o VP, logo o financiamento "parece caro".

A taxa correta para você é aquela que reflete o retorno líquido que você de fato consegue investindo o dinheiro alternativo, descontados IR, custos e inflação. DE NOVO, Não existe uma resposta única.

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Adendo importante aqui - o exemplo acima assume TR de 0,72% a.a. (média 10 anos 2013-2023). Em ciclo de Selic alta (caso atual), realista é assumir banda 0,5-1,5%. Em 2023 isolado, foi 1,76%. Se quiser ser muito pessimista, pode elevá-la até 2,5% (afinal, o excel aceita tudo!). Como a TR muda, a "soma nominal" muda proporcionalmente, e consequentemente o VP também. Para projeções de 30 anos, assumir TR média captura a tendência geral (o que é bom para uma noção direcional de investimentos, que é o que estamos fazendo hoje) mas você inevitavelmente perderá a sensibilidade a ciclos.

Só que assim... o custo do dinheiro é diferente do custo da decisão de financiar. Pra mim, esse é o ponto que precisa ficar explícito: o cálculo acima mede o custo do dinheiro do banco, não o custo total de financiar um imóvel. O custo total inevitavlemente incluirá mais coisas, como por exemplo:

  • Equivalência de capitais (VP do nominal), coberto aqui.
  • Custo de oportunidade do equity preso — o dinheiro da entrada (e o que vai amortizando ao longo dos anos) deixa de render (não coloquei pra fins de simplificação nesse primeiro momento).
  • Custos de propriedade (IPTU, condomínio, manutenção, seguro) — somam tipicamente 1,5-2,5% a.a. para casa, 3-4% a.a. para apto. Não está aqui (também estou simplificando).
  • Custos de transação (compra ~5-10%, venda ~6-8%). Não está aqui (também estou simplificando).
  • Valorização do imóvel ao longo dos 30 anos. Não está aqui (também estou simplificando - isso aqui é um buraco negro por si só que merece um post separado só para falar sobre kk).
  • Comparação com alugar e investir a diferença. Não está aqui (idem ao ponto de cima).

Brincando de agir como um profissional de investimentos, podemos então chegar à seguinte tese financeira honesta: 1,53x é o custo do dinheiro do banco em valor presente. AGORA, para decidir se vale a pena financiar, esse número precisa ser somado ao custo de propriedade, comparado ao custo de alugar e ponderado contra o custo de oportunidade de investir o equity em alternativas.

Em outras palavras: este post resolve um dos componentes da conta. Os outros vão em posts próprios.

Aproveitando que ficou enorme: dois pontos do Ben Felix que ajudam aqui

  1. Mental accounting bias ("Mortgage Debt and Asset Allocation"): tratar o financiamento e a sua carteira como caixinhas separadas é um erro de concepção do problema. Ter R$ 500 mil em renda fixa enquanto carrega R$ 500 mil em financiamento é estar simultaneamente comprado e vendido em renda fixa. O exemplo dele mostra que "R$ 900k em portfólio 50/50 + mortgage de R$ 400k" e "R$ 500k em portfólio 95/5 sem mortgage" têm relação risco- retorno equivalenteshttps://youtu.be/AKc01jo1qLw
  2. Retorno asset-class é diferente de retorno individual ("Housing: The Best Investment In History (On Paper)"): dados Federal Reserve SF 1870-2015 mostram housing global rendendo 7,05% real, mas esse retorno requer diversificação por continente, gestão de inquilinos, escala. Tudo inacessível para quem tem 1 imóvel residencial. A "valorização" do seu imóvel tem variância muito maior que a média histórica. https://youtu.be/7rvY2rIxdsA

E mais um, sobre a equivalência de capitais especificamente: "Renting vs. Buying: What People Get Wrong". Nesse aqui, o Ben discute o paradoxo de pessoas reclamarem dos juros do financiamento ignorando o custo de oportunidade do equity. Convergente (gosto de acreditar, rs) com o ponto deste post. https://youtu.be/j4H9LL7A-nQ

Por fim, queria elencar algumas decisões que impactam a decisão e o porquê:

  1. Sistema (PRICE vs SAC): muda a soma nominal e o perfil das parcelas.
  2. Taxa nominal contratada: 9-12% a.a. depende do banco e do seu perfil.
  3. TR projetada: sensibilidade significativa em janelas longas.
  4. Taxa de desconto (VP): já mostrada acima.
  5. Amortização antecipada: reduz tanto soma nominal quanto VP.

E obviamente, respeitando o começo do post... sem fixar essas cinco variáveis, "quanto se paga pelo financiamento" não tem resposta única. Consequentemente, a decisão (financiar, alugar, consórcio, o raio que o parta) é zero trivial e pode ser abordada por diversos ângulos.

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u/Plokeer_ — 26 days ago

Small Caps são de fato assimétricas?

fala galeize,

Eu estava pensando esses dias sobre esse tema e decidi trazer a disccusão pra mesa: para aqueles que querem fazer stock picking de verdade, deveriam focar em small/micro cap.

Ah, u/Plokeer_, mas por quê? Simples: o investidor institucional não consegue entrar em Small ou Micro Caps sem distorcer o preço. O sardinha, digo, investidor PF, tem a única vantagem competitiva real de poder comprar empresas minúsculas com avenidas de crescimento interessantes e valuation subvalorizado por pura falta de cobertura dos grandes bancos.

Agora, pensando em jogar o jogo do longo prazo. No curto prazo, pode ser absurdamente imprevisível, dado nosso belo mercado e momento que vivemos.

Apesar disso, a maioria esmagadora da PF só compra as top 10 do índice.

Qual a Small/Micro cap atual que vocês acham que tem a tese mais assimétrica e que o mercado está ignorando completamente? Seria legal se explicassem o porquê para além do ticker...

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u/Plokeer_ — 1 month ago

Se todos seguem a mesma tendência, por que não escolher o maior?

Fala meus caros,

Trazendo uma discussão legal que vi em outro sub e queria saber da visão de vocês do ponto de vista BR.

O gráfico acima é a variação de preço de longo prazo (2000 - 2026) de alguns dos fundos e ETFs mais populares do mercado global. Achei interessante a seguinte provocação: ​se todos esses ativos parecem seguir exatamente a mesma tendência de mercado, variando apenas na magnitude, por que o investidor não deveria simplesmente alocar 100% no ativo de maior magnitude (QQQ)?

​Para nivelar conhecimento, pensei em dar um contexto básico sobre cada ativo:

  • ​QQQ (Invesco QQQ Trust): Replica as 100 maiores empresas não financeiras da Nasdaq, sendo ultra concentrado em tecnologia e inovação americana. (Taxa: 0,20% a.a.)
  • ​VOO (Vanguard S&P 500 ETF): Segue as 500 maiores empresas de capital aberto dos EUA, cobrindo cerca de 80% da capitalização do mercado americano. (Taxa: 0,03% a.a.)
  • ​VTSAX (Vanguard Total Stock Market Index Fund): Fundo mútuo que busca replicar o mercado total americano (cerca de 4.000 ações de grande, médio e pequeno porte). (Taxa: 0,04% a.a.)
  • ​VT (Vanguard Total World Stock ETF): Oferece exposição ao mercado global de ações, investindo em mais de 9.000 empresas de países desenvolvidos e emergentes. (Taxa: 0,07% a.a.)
  • ​VTIAX (Vanguard Total International Stock Index Fund): Fundo mútuo focado exclusivamente em ações do resto do mundo, excluindo totalmente os EUA. (Taxa: 0,11% a.a.)

Para mim, vejo duas gdandes hipóteses:

  1. ​Viés de Sobrevivência: Olhando o gráfico a partir de 2010, o QQQ esmaga a concorrência devido ao rali histórico das Big Techs. Mas reparem no período de 2000 a 2010: quem comprou QQQ no topo da bolha pontocom levou quase 15 anos para recuperar o principal, enquanto o VTIAX (Internacional) e o mercado geral performaram melhor ou sofreram menos. O futuro repetirá os últimos 15 anos ou os primeiros 10 deste século?
  2. ​Correlação vs. Causalidade: Eles parecem andar juntos porque o mercado americano hoje dita o ritmo do mundo e as gigantes de tecnologia dominam o próprio S&P 500. Mas a magnitude maior do QQQ veio acompanhada de um drawsown absurdo em momentos de crise. Estômago para esse tipo de volatilidade não se encontra em qualquer lugar, ainda mais no país do rentismo...

​Por mais que retorno passado nao seja preditor de performance futura no mundo das ações, acho que no final das contas fica a grande pergunta: será que essa porrada tech continua pelos próximos, digamos... 15, 20, 25 anos?

u/Plokeer_ — 1 month ago

Os porquês de não entrar no IPO da SpaceX

Fala meus bonitos!

Queria falar um pouco sobre o IPO da SpaceX, inspirado no post do ilustre u/fgtoni mais cedo. Para mim, a tese é simples: é, essencialmente, uma armadilha financeira preparada para nós sardinhas, digo, investidores de varejo. Para mim a... "bomba" (posto de maneira bem gentil, rs) se deve por alguns motivos, que vou passar logo mais. Eu acho que o buraco é muito embaixo.

Antes, lembrando que não é recomendação de investimento, e sugiro fortemente que cada um estude sobre a empresa para chegar à sua própria opinião -- meu objetivo aqui é só compartilhar a minha visão com os senhores, obtido lendo o material do IPO e notícias. Dito isso, simbora para as razões:

1. Estão vendendo um Frankenstein

Não me leve a mal, adoro o livro e os filmes que surgirma. Mas não como empresa. Ainda mais quando o Frankenstein não é coeso. A SpaceX, além do nome sugestivo a uma empresa de foguetes, é, na realidade, um conglomerado de três negócios distintos com perfis de risco muito diferentes:

  • Foguetes: É o setor original, mas que representa apenas cerca de 25% da receita. Cresceu ~15% em receita de 2023 a 2025, e parece que a receita pode cair razoavelmente no 1T26. Além disso, estão torrando uma grana em P&D, e deve vir uma porrada disso daí também. Me parece que o prejuízo operacional de 1T26 vai ser maior do que todo o prejuízo de 2025 (sim, eu não escrevi errado!)
  • xAI: Sinceramente... me faltam palavras aqui. Vou ser bem educado. Vc há de convir comigo que uma aquisição de US$ 250 bilhões que queima ~USD 1 BILHÃO por MÊS e precisa de reconstrução total (segundo tweet, digo, xweet (?) do próprio tio Musk) é um negócio no mínimo curioso. Vai contra qualquer bom senso, além dos múltiplos estarem... vai, altos, rs. A empresa fatura ~USD 1 BI, com quase USD 8 BI de capex previsto pra 1T26 e com o valuation que tem.
  • Starlink: O verdadeiro filé mignon do IPO... uma operação de internet via satélite em rápido crescimento e alta eficiência, revolucionário, e que já tem cobertura quase no mundo inteiro. Além dos financials super sólidos. Pra mim, é uma verdadeira vaca leiteira

Então, vejam: temos um negócio de foguetes que demanda investimento pra caramba (o que é super fair, e eu acho que vale até a provocação de ser algo tão difícil de se lidar quanto, por exemplo, uma empresa aérea), um lab de AI misturado com rede social que, sinceramente, tá mais perdido que cego em tiroteio, e um negócio excelente. Na minha humilde opinião, não acho que um dos negócios carrega os outros dois nas costas, como não tem conseguido, dado que dão prejuízo.

2. Criaram demanda artificialmente via NASDAQ

Imagino que poucos saibam, mas a NASDAQ alterou regras fundamentais para facilitar a entrada da SpaceX no índice NASDAQ 100, o que forçaria fundos de índice passivos a comprar a ação automaticamente. Curioso, não? Eles alteraram 3 pontos:

  • Regra de Entrada Rápida: O período de espera de 3 meses para entrar no índice foi reduzido para apenas 15 dias úteis
  • Remoção de requisitos de free float: A exigência de que pelo menos 10% das ações estivessem disponíveis ao público foi eliminada, permitindo que a SpaceX liste apenas 4-5%
  • Adicoonaram um "multiplicador artificial": A NASDAQ tratará o float reduzido como se fosse três vezes maior do que é, forçando ETFs a comprarem o papel em volumes desproporcionais (leia-se, grandes fundos que operam de forma sistemática comprarão mais, mesmo que o valor não represente o verdadeiro percentual da empresa no mercado).

Há quem diga, inclusive, que isso é um jogo da NASDAQ para incentivar essas empressa supre valorizadas de tech (sim, essas que usamos para sermos 10x mais produtivos /s) a abrirem capital lá e isso tudo na conta do varejinho que compra fundo de índice passivo.

3. Querem usar o sardinha como liquidez de saída pros fundos de capital de risco

O IPO foi desenhado para que o pequeno investidor e o seu 401k (fundo de previdência americano, "similar" ao PGBL/VGBL, mas específico dos EUA) absorvam as ações vendidas pelos investidores iniciais (que detêm ações a preços muito mais baixos, óbviamente, e ILÍQUIDAS no cenário atual) no pico de valuation de USD 1,5T. Não sei se é oficial já, mas li uns tweets, digo, xweets, afirmando que a empresa objetiva uma alocação de 30% para investidores de varejo (o normal é 5-10%) sob o argumento de dar mais aos leais súditos, digo, apoiadores do Musk, digo SpaceX... sinceramente, não acho que isso seja uma homenagem à lealdade dos fãs, digo, investidores, mas sim uma estratégia para distribuir o risco da oferta.

Dito isso tudo, é CLARO que a SpaceX pode ir à lua (sim, foi de propósito rs) e todo esse frenesi de valuation, que sinceramente me deixa de cabelo em pé, continuar. Mas me parece que olhando de um ponto de vista puramente lógico e contábil isso é bait. Não acho razoável (apesar de não achar impossível, dado o mercado que vivemos hoje) o valuation de 1,5T... pra mim, para isso ser verdade, todas as próximas tacadas da empresa precisam dar certo (Starship, os data centers no espa~ço, o lab de AI etc), o que considero improvável.

Perdoa o tom do post, fico boladao quando paro para pensar sobre certas coisas, mas juro que é de coração. E os senhores, o que acham?

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u/Plokeer_ — 1 month ago

Custos de investir em ETFs no exterior vs. via B3

oba oba meus consagrados,

Inspirado no post recente do Working, quis revisitar minhas análises nesse tema e trazer a conversa pra esse sub.

Imagino que ainda há alguma dúvida sobre como avaliar entre investir na B3, Avenue ou no exterior. Tentei trazer um cálculo simples e objetivo, com base nos custos entre investir pelas diferentes plataformas, para te dar um norte de quanto tempo você precisaria manter investido para ter o retorno. A comparação é sempre de fora para B3.

De antemão, vale o aviso: pelas contas que fiz e pelo que já li, hoje a diferença financeira em 30 anos entre investir lá fora ou aqui é bem menor comparado a anteriormente, quando havia isenção de IR para vendas no exterior até 35K/mês. Logo, a decisão pode até ser financeira, mas os outros fatores, imagino eu, pesam mais (p. ex.: medo de confisco, facilidade caso mude de país etc).

A lógica é simples: é uma conta de divisão. Custos totais adicionais ÷ Economia anual.

A economia anual (isto é, o denominador) é a diferença entre taxas de compra + taxas de adm. + taxas de manutenção de conta, caso haja:
- ∆taxas adm. = 0,30% (taxa global dos fundos da Invesco)
- taxas de compra = 0,03% * 2 (compra e venda)
- demais custos = 0,05% (complemento do caro u/WorkingQuarter3416
- Para fins de simplificação, considero que não há taxas de manutenção de conta.
- Total aproximado: 0,30% + 0,06% + 0,05% = 0,41%

Os custos de mandar o dinheiro para fora pode ser definido em 3 grandes categorias, em 2 momentos, com dados de hoje (março/2026):

Entrada:
- IOF para investimento: 1,1% (de acordo com o decreto 12499/2025)
- Spread no câmbio: ~1% (supondo esse valor considerando as diversas opções - pode ser muito mais, i.e., até 2,5% pelo que li, ou um pouco menos, i.e., 0,7%)
- Taxa de corretagem*: ~0,2% (arredondando 1,70 USD em um aporte de 1000 USD vide IBKR)
* Considerei corretagem pois há várias opções com taxa zero no Brasil atualmente.
- Total aproximado: 1,1% + 1% + 0,2% = 2,3%

Saída:
- IOF para investimento: 0,38% (de acordo com o decreto 12499/2025)
- Spread no câmbio: ~1%
- Taxa de corretagem*: ~0,2%
- Total aproximado: 0,38% + 1% + 0,2% = 1,58%

Então temos: tempo_payback_ibkr = (2,3% + 1,58%) / 0,41% = 9,4 anos.

Ou seja, caso escolha investir pela IBKR ao invés da B3, você deveria segurar o investimento por no mínimo ~10 anos até os custos se igualarem.

Caso escolha a Avenue, por exemplo, pode ser ainda mais tempo caso escolha o spread deles, dado que seu spread varia de 1 a 1,95% etem taxa de corretagem também (pois nosso foco seria ETFs irlandeses), taxa de manutenção de conta caso inativa (vide aqui). Contudo, caso prefira, é possível receber wire ou ach diretamente na conta da avenue em dólares. Assim, a mesma solução que vale para IBKR também vale para Avenue.

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Um ponto importante é: esse ~0,41% de economia anual não se traduz em aumento do seu retorno depois do período de "breakeven". Isso se deve porque pode ter taxas de retirada, como na Avenue, que cobra 25 USD para cada wire doméstico de retirada, mudanças na estrutura de custos ou aumento do IOF que surja ao longo do tempo. Isso faz com que, no final das contas, fique quase elas por elas financeiramente, logo outros fatores devem pesar mais.

Se eu tiver errado alguma conta, desconsiderado algum ponto relevante, por favor, me digam. Mais do que à disposição para arrumar.

Bons investimentos!

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u/Plokeer_ — 2 months ago
▲ 3 r/Livros

E aí, qual a opinião dos senhores sobre?

Foi a primeira série que li. Lembro como simplesmente nao conseguia parar de ler. Esses dias fui comprar a série para ter na minha biblioteca, mas está uma fortuna cada livro...

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u/Plokeer_ — 2 months ago

Se fosse pegar um notebook, que nao fosse macbook air/mini importado, o que olharia de spec?

Jogos leves, uso em programação, e streaming. Usaria maior parte do tempo fixado à mesa, mas não penso em PC pela flexibilidade.

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u/Plokeer_ — 2 months ago

Sabemos que muitos investidores estão migrando para ETFs. E não queria tanto focar a discussão nos prós ou contras do porquê ETFs ou não... isso pode ficar para outro tópico. Queria focar mais no processo de escolha dos ETFs.

Eu tenho a sensação que muitos que querem seguir com ETFs compram achando que a estratégia se resume a "comprar o mercado e esquecer" para fugir das altas taxas dos fundos tradicionais. E, de fasto, isso funciona se você seguir uma abordagem Boglehead à la "VT and Chill". Mas estamos num sub de ativos financeiros, e a proposta é pensar como poderíamos avaliar esses ativos. Minha hipótese é que muita gente está cometendo erros básicos, pagando custos ocultos ou fazendo stock picking disfarçado (pra não dizer que tenho certeza nessa aqui rs).

Ao analisar a fundo como os ETFs funcionam, fica claro que a escolha vai muito além da taxa de administração (o Total Expense Ratio, TER). Quais critérios vocês realmente usam? Pensei em trazer a provocação iniciando com 5 pontos (que eu julgo) críticos na seleção de um ETF: (1) stock picking disfarçado, (2) custo total, (3) liquidez e tamanho do fundo, (4) sobreposição de ativos, e (5) riscos estruturais. Vamos lá:

1. Stock picking disfarçado

Comprar ETFs setoriais ou temáticos vai contra a filosofia básica de diversificação ampla (como o método Boglehead). Na prática, tentar adivinhar qual setor vai performar melhor é apenas fazer stock picking usando ETFs, o que aumenta o risco não-sistemático sem garantia de retorno, além de geralmente envolver taxas mais altas. Daria para aprofundar aqui, e acho que o Ben Felix traz bons vídeos no tema, recomendo dar uma pesquisada...

2. Custo Total

A taxa de administração importa porque os custos têm um efeito cascata negativo no longo prazo. No entanto, ela é apenas a ponta do iceberg. Dois ETFs com a mesma taxa podem ter resultados diferentes devido ao Tracking Error (o quanto o fundo descola do índice real) e ao "custo de impacto no mercado" (tentei botar um nome fofo para o spread). Fatores como o giro da carteira, impostos e a eficiência da gestão afetam o custo real da sua cota. No Brasil, ainda temos uma questão que a Invesco replica ETFs e temos muito menos acesso a ETFs diversos que nem em outras bolsas.

3. Liquidez e o Tamanho do Fundo

Tem gente comprando ETF com pouca negociação e ignorando o Bid-Ask Spread (diferença entre o preço de compra e venda). A baixa liquidez significa que o formador de mercado vai cobrar um spread maior, comendo parte da sua rentabilidade na entrada e na saída. Além disso, uma regra de bolso interessante citada por alguns investidores é evitar ETFs com menos de USD 1B em patrimônio, para fugir do risco de baixa liquidez crônica ou até do fechamento do fundo.

4. Sobreposição de ativos

Ter 5 ETFs diferentes na carteira não significa necessariamente estar diversificado. Se você tem um ETF global que contempla empresas de todos os tamanho (como o WRLD11) e resolve comprar um global que contempla apenas empresas maiores, i.e., não considera small caps (como o VWRA11) ou focado em tecnologia, você está comprando as mesmas gigantes de tecnologia de novo e de novo. Essa sobreposição (overlap) destrói a diversificação, aumenta o risco de concentração da carteira e ainda faz você pagar taxas de administração duplicadas pela mesma exposição.

Uma outra analogia é quem pensa em aportar em WRLD11, composto ~60% por ações americanas e aporta mais um percentual em S&P500 porque, você sabe, né, never bet against America... o que você está fazendo na verdade é ter muito mais do que 60% concentrado em EUA. É isso mesmo que queres? Fica a reflexào

5. Riscos estruturais do ETF

Muitos ignoram como o ETF de fato replica o índice. E a réplica pode ser de duas maneiras:

  • Física: O gestor realmente "compra" as ações. Entre aspas porque na verdade o que muitos fundos fazem é o securities lending (empréstimo desses ativos para terceiros operarem a descoberto) para gerar receita extra e abater taxas. Isso é ótimo para a rentabilidade, mas embute um risco caso o tomador dê calote.
  • Sintética: O ETF usa contratos de derivativos (swaps) com um banco para entregar o retorno do índice. Permite acesso a mercados difíceis e tem baixo tracking error, mas traz o chamado risco de contraparte.

Aqui tem mais coisa para aprofundar, mas tentei ser sucinto e quero tb trazer o debate pro grupo... Dito isso, trago a provocação. Ao escolher um ETF, vocês já pararam para analisar o spread, o tamanho do patrimônio ou a sobreposição das empresas antes de adicionar um ETF na carteira? Quais são os critérios que usam na hora de escolher?

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u/Plokeer_ — 2 months ago