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Sou babaca por estar cansada?

Sou casada a 4 anos e meio. Eu (F29) e meu marido (H30), nos conhecemos em 2016, viramos amigos e, com o tempo, o sentimento de amizade evoluiu até que decidimos namorar em 2018.
Por termos sido amigos, eu sabia de muitas coisas e de sua criação, sua realidade, porém ele sempre se demonstrou bastante apaixonado e me fazia sentir segura. Em 2022 casamos, após um noivado um tanto quanto turbulento por conta da pandemia. Durante o namoro eu sempre tentava explicar minha forma de entender o amor sempre foi diferente da dele, enquanto para ele o toque era importante, eu gostaria de receber mais presentes, e sempre deixei claro que não precisavam ser presentes caros, e sim mini coisas. Mas sua desculpa sempre foi a questão financeira, afinal ele ajudava em casa e ainda tinha suas despesas quando queria vir me ver (Ele morava em uma cidade próxima a minha e pegava o carro emprestado com o pai aos finais de semana ou vinha de trem até a minha casa, de carro levava em torno de 1h30 e de trem + metrô 2h30/3h). Então eu sempre busquei ver a forma que ele demonstrava amor por mim, do jeito dele.

Quando nos casamos,eu tive burnout nos meses seguintes que se seguiram do casamento. Não foi fácil, precisei iniciar medicação, fazer terapia e precisei me desligar da empresa onde trabalhava. Ele me apoiou e me fez sentir segura, segurou a barra nos meses que se seguiram (como fui mandada embora, consegui auxílio desemprego por 6 meses, o que ajudou muito em casa tbm) e nunca fui de comprar coisas para mim ou gastar de forma ‘adoidada’. Assim que vi que o seguro desemprego chegaria ao fim, busquei emprego. Consegui um mês após, e apesar de ser um ambiente bastante complicado eu não quis sair por conta das preocupações financeiras, morria de medo de sem a minha renda não conseguirmos dar conta de tudo. Meu marido sempre parecia ser bastante tranquilo com isso, ele tinha os seus gastos e não abria mão deles, sempre voltado para os seus hobbies.

Vou tentar ao máximo não me prolongar, mas entre tudo isso, ele tb teve um burnout, fez tratamento por um mês e disse que queria pedir demissão. Eu obviamente o apoiei, mas como eu não ganhava mais do que ele pedi que ele se tratasse, reduzíssemos alguns gastos para podermos nos organizar. No mês que se seguiu vi ele sentar no sofá e jogar todos os dias, durante todo o dia. Eu trabalhava, tinha que cuidar da casa, da roupa e da comida. Ele enviava alguns currículos, 5 minutos por dia e depois se sentava para jogar. Eu me abri com ele, pedi ajudava com as coisas do lar e tive que ouvir que ele sentia que eu olhava com ‘nojo’ para ele. Ele ficou sem trabalhar por uns dois meses, até que uma empresa o abordou pela rede social corporativa e ele conseguiu o emprego. Logo no primeiro mês ele chegou em casa com 1 baixo e 1 guitarra, eu deixei de fazer minha sobrancelha ou cuidados que eu considerava banais para conseguirmos fechar as contas. Antes que perguntem, nos tínhamos uma pequena reserva que foi absolutamente drenada por um carro que ele decidiu comprar, e ele só quebrava.

Isso foi o nosso primeiro ano de casados. O segundo ano que sucedeu foi ainda mais angustiante, entramos no juros rotativos do cartão, pois ele sempre precisava de coisas, eu acabava ficando muito cansada do trabalho e todas as preocupações que eu tinha, caíamos no ifood. Nesse meio tempo ele comprou mais uma guitarra, comprou um ps5, chegando a um ponto que ele não tinha mais cartão por estar com o nome sujo, então ele precisava usar o meu. Ele passava duas noites jogando com os amigos on-line, eu tentava dormir com as minha lágrimas e preocupações.

Foram muitas conversas, brigas onde tudo que eu pedia era ajuda, apoio e menos jogo porque eu gostaria de me sentir mais amada e vista por ele. Nunca cobrei presentes ou dates caros, pois eu mesma sabia da nossa situação. O que eu sempre ouvia dele era ‘nunca nada está bom para vc, eu não sei o que fazer’. Para ele, o meu trabalho era um problema e ele costumava reclamar muito do tamanho do nosso apartamento pois precisávamos de mais espaço ou porque ele foi criado em casa e não estava se adaptando ao apartamento. Eu estava satisfeita com tudo que sempre tivemos, o que eu queria não eram coisas.

No terceiro ano, ele me deu de presente de aniversários um celular novo. Alguns acontecimentos em sua família me levaram a pedir que ele buscasse ajuda profissional, pois eu conseguia ver que ele usava o jogo como forma de fuga. Ele decidiu vender o ps5 e eu achei que as coisas iam melhorar. Ele vendeu algumas de suas guitarras para pagarmos algumas dívidas e ele concordou em fazermos terapia de casal. Eu vi muitas coisas que eu precisava melhorar, outras coisas que eu precisava deixar para lá. Mas logo depois que terminamos os meses de terapia, ele comprou um pc gamer. Instalou em nosso quarto (importante nesse po to da história colocar que ambos trabalhávamos 100% home office em um apartamento de 50m2 com um quarto para ser nosso dormitório e também espaço de trabalho). Muitas noites eu tentava dormir, mas ele sempre ficava jogando e gritando com os amigos e eu buscava relevar pois era ‘apenas no final de semana’.

Eu sempre sentava e fazia contas antes de fazer uma mísera sobrancelha ou comprar um creme para o meu cabelo. Para mim nunca existiram desejos e sim necessidades, e minhas necessidades precisavam ser atendidas com pouco, pois precisávamos pagar as contas e sobreviver. Ele sempre me dizia que meu problema era não ter um hobbie. E ele também sempre disse que eu podia fazer minhas coisas, comprar o que eu queria, ele nunca me disse ‘não’. Mas sempre juntamos os nossos salários para pagar tudo, e eu sabia que não existia condições parar determinadas coisas.

Quando ele recebeu um a oferta de emprego, que mudaria a gente de cidade, mas seria um mudança grande com a possibilidade dele ganhar mais e prosperar na carreira, eu tive bastante resistência em aceitar. Sair do meu apartamento, da minha cidade, de perto da minha família e dos meus amigos, parecia um passo muito grande pra mim. Mas, depois de algumas sessões de terapia individual, eu entendi que eu precisava me abrir para essa tentativa. Isso tudo veio junto com uma transição de carreira também do meu lado.

Começamos a procurar lugar para morar, meu único pedido é que fosse apartamento pois nunca morei em casa e tenho medo, e a exigência dele foi que tivesse uma churrasqueira e 2 banheiros. A churrasqueira encarecia um pouco o que estávamos buscando, mas ele bateu o pé. Encontramos um bom lugar, apesar de salgado para o nosso bolso.

Eu saí do meu trabalho, nos mudamos, e logo após dois meses de mudança eu consegui um emprego na área que estava buscando. Com a casa maior, um custo de vida mais alto, pelo menos conseguimos ter cada um seu próprio espaço para escritório.

Estamos a 6 meses aqui, e desde então, eu tive que buscar ajuda de medicamentos devido a crise de ansiedades intensas. Estou aprendendo um trabalho novo, onde existe bastante cobrança e um tempo de entrega curto, estou buscando fazer novas amizades e cuidar de um espaço que tem o dobro de tamanho do lugar que morávamos.Enquanto isso, meu marido se limita a continuar com a mesma tarefa que ele tinha em nosso pequeno apartamento, que era lavar a louça. Quando ele instalou seu pc gamer em seu escritório, ouvi ele dizer para os amigos que ele tinha tudo que ele sempre queria, um quarto só pra ele com o pc. O seu trabalho, não deu certo nos primeiros 6 meses, seu chefe propôs uma mudança de cadeira, que não permite que ele ganhe mais como esperávamos, e seu dia a dia consiste em acordar próximos do horário de trabalhar, verificar se existe alguma demanda, deixar o pc da empresa ligado e ficar o dia todo jogando. Toda vez que levanto, entre uma reunião e outra para aproveitar o tempo e limpar algo, colocar uma roupa para lavar, aspirar a casa, vejo ele jogando. E muitas noites volto a dormir sozinha.

Hoje o que eu ganho continua sendo necessário para sobrevivermos, mas eu continuo não podendo comprar coisas para mim ou para a casa. Eu disse a ele que esse próximo mês eu gostaria de comprar algumas cadeiras de plásticos para nossa família poder vir nos visitar e comerem com conforto (hoje só temos 4 e sei que não conseguimos comprar cadeiras muito chiques) e que também meus produtos de cabelo estavam acabando, então precisava comprar pelo menos um bom creme. Ele disse, ok, e depois veio me mostrar que fez um compra de alguns itens que ele queria. Eu perguntei a ele se ele tinha visto na planilha (pois temos uma planilha de controle de gasto, para nos ajudar) e ele disse que não, mas aquele dinheiro não iria fazer falta.

Quando perguntei a ele qual seria a nossa comemoração de 5 anos de casados, no próximo ano, ele disse que não sabia e me pediu para decidir. eu só gostaria de ser supreendida, mesmo que fosse um almoço simples ou um jantar.

Gostaria de mais cuidado por parte dele, gostaria que ele se preocupasse com as nossas necessidades, pois a única coisa que ele se preocupa é o horário de jogo marcado com os amigos e o que ele quer comprar no mercado livre. Hoje não sinto mais que ele é apaixonado por mim e não sinto segurança.

Sou a babaca por estar cansada dessa situação?

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u/Rich-Subject4367 — 11 days ago