u/Right_Pineapple4667

Eu sou a funcionária das Lojas Americanas do Metrô Tatuapé. Eu era quem perseguia ele!

Antes de qualquer coisa: meu nome é Rafaela, tenho 26 anos, trabalho na Americanas do Tatuapé há 3 anos e meu nariz é, clinicamente, um problema. Minha mãe sempre disse que eu devia ter sido sommelier ou cadela farejadora. Sinto cheiros que ninguém sente. Isso não é dom. Isso é uma maldição com carteira assinada.

A história do homem que peidava nos corredores? Eu li o post dele ontem à noite. Fiquei olhando a tela por cinco minutos em silêncio, lendo os comentários e respostas. Depois liguei para ele e disse: minha amiga Bruna e disse: "Eu preciso contar a minha versão pro Brasil."

Então aqui vai.

Era uma terça-feira comum de março de 2023. Eu estava organizando o corredor de papelaria quando senti. Não vi nada. Não ouvi nada. Senti. Um odor de alcance estratégico. Quente. Com notas de feijão e algo que eu só consigo descrever como "arrependimento".

Olhei pro corredor. Tinha um homem andando devagar, de terno social cinza, olhando uma fita durex de 5 metros com uma concentração que nenhum ser humano deveria dedicar a uma fita durex. Ele saiu. O cheiro ficou.

Na quarta, mesmo horário. Mesmo homem. Mesmo corredor. Desta vez perto dos porta-retratos. Minha teoria inicial: problema de saúde. Dei benefício da dúvida. Sou gente boa.

Na quinta, ele voltou. Desta vez foi no corredor de utilidades domésticas. Entre os rodos e as bacias. Eu estava no corredor ao lado e, juro pelos meus orixás, o ar-condicionado lateral transportou aquela experiência olfativa até mim com uma nitidez que eu não mereço.

Foi aí que percebi: ele estava fazendo isso de propósito.

Eu falei pro meu gerente, o Seu Marcos. Ele me olhou como quem olha uma pessoa louca e disse: "Rafa, você não pode acusar cliente de peidar na loja." — "Seu Marcos, ele volta todo dia!" — "Rafa, todo mundo peida." — "Seu Marcos, não todo dia no mesmo corredor com o mesmo horário e a mesma trajetória—" Ele foi buscar um café e não voltou na conversa.

Então eu decidi agir sozinha.

Semana 2: comecei a mapear. Toda vez que ele entrava — e eu sabia quando ele entrava porque meu nariz avisava antes dos olhos — eu pegava meu celular, fingia checar o estoque e anotava o corredor, o horário, a duração da passagem. Criei uma planilha. No Google Sheets. Com abas. Uma aba por semana.

Semana 3: já tinha identificado o padrão. Ele entrava sempre entre 13h40 e 13h55. Começava em papelaria (carga leve), migrava pra utilidades (carga média/pesada) e nunca, jamais, ia no corredor de brinquedos. Isso eu anotei como "sujeito tem princípios".

Semana 5: mostrei a planilha pra Bruna, que trabalha no caixa. Ela ficou em silêncio por um tempo e disse: "Rafa, você precisa de férias." Eu disse: "Bruna, eu preciso de JUSTIÇA."

Mês 2: o projeto de análise comportamental chegou na loja. Uma startup parceira ia instalar câmeras adicionais e um sistema de rastreamento de fluxo de clientes. Quando o pessoal de TI veio instalar, eu — com minha planilha aberta no celular — disse pro rapaz da startup, sem rodeios: "Tem um sujeito que vem aqui todo dia útil entre 13h40 e 13h55 percorrer um trajeto específico para liberar gases intestinais. Eu tenho três meses de dados. Você quer?"

O rapaz me olhou. Abriu o notebook. Disse: "Me mostra essa planilha."

Naquele dia, eu me tornei consultora não-oficial do projeto. Sem salário extra, é claro, porque o capitalismo não remunera gênios intuitivos.

Mês 3: com as câmeras novas, confirmamos tudo. O sujeito tinha 99,7% de previsibilidade de rota. O algoritmo deles nunca tinha visto nada igual. O rapaz da startup disse que era "um achado científico". Eu disse que era "um pesadelo olfativo com CPF."

No dia que a gente foi confrontá-lo, eu estava nervosa. Tinha imaginado esse momento muitas vezes. Peguei a câmera, me posicionei na saída do corredor de utilidades e esperei.

Ele entrou. Ficou entre os rodos e as bacias. E então realizou o que, pelos dados, era um evento fora da curva normal — uma anomalia estatística de 4 desvios-padrão segundo o sistema deles, que eu entendi como: meu Deus do céu esse homem almoçou dobradinha.

Quando ele se virou, eu estava lá, câmera na cara, sorrindo.

E então aconteceu o negócio que eu não contei pra ninguém até hoje.

Quando ele me viu, ficou branco. Aí olhou pra câmera. Aí olhou pra mim de novo. E disse, com a voz de quem acabou de ver um fantasma:

"Rafaela?"

Eu não entendia. "Como você sabe meu nome?"

Ele apontou pro crachá na minha blusa. Ok, justo.

Aí ele passou a mão no rosto e disse:

"Você é a Rafa do 11° B. Eu sentei atrás de você no colégio Objetivo por três anos."

Eu fitei aquele homem. O terno cinza. O cabelo um pouco diferente. Dez anos mais velho.

Era o Gustavo Henrique. O menino mais bonito da minha sala no ensino médio. O cara pelo qual eu fui apaixonada dos 15 aos 17 anos sem ele nunca saber.

Eu abaixei a câmera.

O Seu Marcos chegou atrás de mim com o segurança.

Eu disse: "Pode deixar, Seu Marcos. Eu conheço ele."

O Gustavo me olhou com cara de "você vai me prender ou não?"

Eu olhei pra ele. Pra câmera. Pra planilha no meu celular. Três meses de investigação. Centenas de horas de monitoramento. O case de sucesso da startup. A apresentação em São Paulo.

E disse:

"A gente pode tomar um café?"
A gente tomou café. No mesmo shopping. Ele ficou mortinho de vergonha. Eu fingi que não sabia de nada por uns vinte minutos até ele contar tudo espontaneamente, com as orelhas vermelhas, segurando um copo de água com as duas mãos.

Foi a coisa mais engraçada e mais adorável que eu já vi.

Isso foi em outubro do ano passado.

Em fevereiro, a gente começou a namorar.

No mês passado, ele foi na loja me buscar depois do trabalho e o Seu Marcos olhou pra ele, olhou pra mim, e disse apenas: "É o peidador?" Eu disse: "É o peidador." Seu Marcos apertou a mão dele com muita solenidade e disse: "Respeito."

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u/Right_Pineapple4667 — 2 days ago

Peidei nas Lojas Americanas por 8 meses seguidos e acabei virando case de sucesso numa startup de inteligência artificial sem saber, com minha chefe na plateia.

Tudo começou no início de 2023 quando ganhei um emprego novo pertinho do Shopping Metrô Tatuapé. Todo dia eu descia pra almoçar lá. Descobri rapidinho que o self-service do praça de alimentação do terceiro andar era... digamos... quimicamente agressivo ao meu intestino. Feijão, couve refogada e frango temperado com o quê, eu não sei, mas o resultado chegava uns 40 minutos depois com pontualidade de trem bala.
O problema: meu escritório era aqui em cima, aberto, sem privacidade nenhuma. Não dava. Aí eu comecei a fazer um trajeto estratégico antes de voltar ao trabalho. Subia a escada rolante, passava pela Lojas Americanas do piso 2, dava uma volta no corredor de papelaria, e… liberava o gás com discreção de operação militar. Uma carga por corredor. Distribuído. Difuso. Perfeito.
Virou ritual. Segunda a sexta. 8 meses sem falhar. Eu já tinha mapeado cada corredor por velocidade de dispersão do ar-condicionado: papelaria = fraco, bom pra cargas leves. Utilidades domésticas = ventilação lateral, ideal pra situações mais urgentes. Brinquedos = nunca. Tem câmera virada pra balcão e eu tenho honra.
Desenvolvi até uma técnica: andava devagar, olhava pras prateleiras como se estivesse comprando alguma coisa, e ia soltando em caminhada, o que eu carinhosamente chamei de "o rastilho". Nunca parado. Nunca em corredor vazio (ecoava). Sempre com outras pessoas nas proximidades pra diluir a autoria.
Um dia, lá pelo sétimo mês, percebi que uma funcionária da Americanas (uniforme vermelho, cabelo preso, nariz apuradíssimo) sempre aparecia nos corredores que eu visitava. Ela me olhava. Eu fingia olhar o preço de um durex de 5 metros. Ela saía. Eu achei que era coincidência.
Não era.
No oitavo mês, numa quinta-feira, entrei na Americanas depois de um almoço que incluiu dobradinha com feijão preto. Situação crítica. Fui direto pra utilidades domésticas, me posicionei entre os rodos e as bacias, e executei o que eu só posso descrever como a obra-prima da minha carreira.
Quando me virei pra sair, tinha uma câmera na minha cara. Não câmera de segurança. Câmera de vídeo. E a funcionária, sorrindo.
"A gente te observa faz três meses. Você é o décimo segundo suspeito que a gente vinha monitorando. Mas você é o único que voltou todo santo dia."
Ela chamou o gerente. O gerente chamou o segurança. O segurança (Deus me perdoe) chamou a imprensa. Porque a Americanas do Tatuapé estava participando de um projeto piloto de uma startup de análise comportamental de clientes, e eu, sem saber, tinha me tornado o perfil de estudo número 1 por ser o cliente de comportamento mais consistente que o algoritmo tinha visto em meses.
Me pediram pra assinar um termo de uso de imagem.
Eu assinei. Não li.
Três semanas depois, num evento de tecnologia em São Paulo, eles apresentaram o case: "O Cliente Perfeito: como identificar padrões de visita por meio de comportamento não-verbal." O slide 14 era um gráfico de calor do meu caminho pelos corredores durante 8 meses. Minha rota era tão consistente que o algoritmo tinha 99,7% de previsibilidade do meu próximo corredor.
Me chamaram de "o cliente mais previsível já registrado no varejo brasileiro."
Minha chefe foi nesse evento.
Ela me reconheceu pelo jeito de andar.
Não me demitiram, mas até hoje, quando tem reunião de equipe, alguém sempre pergunta se eu almocei no shopping.

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u/Right_Pineapple4667 — 4 days ago

MEU NAMORADO ACHOU QUE LEVEI UMA GOZADA NA CARA

MEU NAMORADO ACHOU QUE LEVEI UMA GOZADA NA CARA NO MERCADO POR CAUSA DE UMA PROMOÇÃO DE OVOS

Eu trabalho num mercado de bairro daqueles que têm rádio própria anunciando promoção de coxa e sobrecoxa às 15h da tarde como se fosse plantão de guerra.

Na semana passada teve promoção de ovo.
Mas promoção MESMO.
Tipo senhoras se empurrando de carrinho.
Uma velha mordeu meu braço porque achou que eu tava pegando a última bandeja de jumbo.
Até aí normal.
O problema começou quando apareceu um cara muito estranho perto do hortifruti.
Ele usava regata do Batman, chinelo molhado e tinha um olho meio fechado como quem perdeu uma discussão pro ventilador.
Ele tava carregando DUAS bandejas de ovo e berrando no celular:
— MÃE EU CONSEGUI OS BRANCOS GRANDES
Nisso uma criança passou correndo, bateu nele e aconteceu em câmera lenta.
A bandeja virou.
Os ovos voaram.
E UM OVO CRU EXPLODIU DIRETO NA MINHA CARA.
Mas não foi “ai caiu um ovinho”.
Não.
Foi uma quantidade industrial de clara escorrendo da minha testa até o pescoço.
Eu fiquei imóvel igual uma santa chorando gosma.
O cara olhou pra mim desesperado e falou:
— MOÇA EU JURO POR DEUS QUE É OVO
E ESSA FOI A PIOR FRASE POSSÍVEL PRA SE DIZER.
Porque meu namorado tinha acabado de entrar no corredor.
Ele me viu parada.
Coberta de clara branca.
Com um homem de regata tremendo na minha frente dizendo “EU JURO QUE É OVO”.
O semblante dele mudou na hora.
Parecia que ele tinha visto a facada do Bolsonaro.
Ele soltou o cestinho no chão.
Um Danone explodiu no piso.
E perguntou baixinho:
— Que porra é essa?
O cara da regata começou a entrar em pânico:
— NÃO É ISSO QUE VOCÊ TÁ PENSANDO
— FOI O OVO
— ELA TOMOU NA CARA SEM QUERER
PIOROU.
PIOROU MUITO.
Uma senhora que tava escolhendo tomate ouviu só “tomou na cara” e começou a gritar:
— JESUS MISERICÓRDIA DENTRO DO FORT ATACADISTA???
Meu namorado já tava vermelho igual peru de Natal.
E eu tentando limpar a cara com papel toalha enquanto a clara ia cozinhando na minha franja por causa do calor do mercado.
Nisso o segurança chegou.
E adivinha o nome do segurança?
ROBERTO.
Todo segurança de mercado chama Roberto ou César.
O Roberto olhou a cena inteira e perguntou:
— Quem ejaculou?
EU JURO POR DEUS.
O mercado inteiro ficou em silêncio.
Uma criança começou a chorar perto do freezer de nuggets.
O cara da regata tava SUANDO.
Meu namorado falou:
— EU SABIA
— EU FALEI QUE ESSE NEGÓCIO DE VIR NO MERCADO ARRUMADA DEMAIS IA DAR MERDA
Eu tava literalmente fedendo a gema.
Aí pra provar que era ovo, o cara simplesmente pegou outro ovo da bandeja e QUEBROU NA PRÓPRIA TESTA.
Só que o ovo tava cozido.
Ele ficou parado.
Com um ovo cozido amassado na testa.
Sem reação.
A senhora do tomate começou a rezar um Pai Nosso.
Meu namorado foi embora a pé.
E o pior é que até hoje ele conta pros amigos que “me pegou numa situação estranha no mercado”.
Situação estranha é o caralho.
Eu só queria comprar alho e saí parecendo atriz de filme adulto patrocinado pela Granja Mantiqueira.

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u/Right_Pineapple4667 — 4 days ago