Um trauma de término pode levar à assexualidade/arromantismo?
Olá, gente, td bem? Primeiramente gostaria de deixar claro que não desejo banalizar a assexualidade/arromantismo (pois conversei com um amigo e ele sugeriu que eu podia estar fazendo isso), mas apenas entender melhor a minha situação. Gostaria de compartilhar minha experiência e ouvir a opinião de pessoas que de fato pertencem ao espectro. Não desejo obter um "veredito", pois creio que não seja assim tão simples, mas apenas um direcionamento já seria de grande ajuda.
Um breve contexto: Hoje tenho 29 anos, conheci uma pessoa quando tinha 10, e durante quase uma década tive um relacionamento com ela, e nesse tempo eu sentia tanto atração romântica quanto sexual pela minha parceira (ao meu ver), e minha vida afetiva e sexual parecia completamente natural para mim. No entanto, o relacionamento terminou de forma extremamente dolorosa e traumática. Depois disso, entrei de cabeça na terapia, e com o tempo percebi mudanças bem significativas em mim.
Desde o término (que ocorreu há 4 anos) eu não tive mais interesse em iniciar relacionamentos, e até a perspectiva futura de entrar em um me deixa meio desconfortável. Interagi com várias pessoas ao longo destes anos, mas em momento algum senti interesse por elas (seja sexual ou romântico), ainda que tenha mantido libido em algum nível. Eu trouxe essa questão para a minha terapeuta, que sugeriu poder se tratar de eu ainda estar de alguma forma machucado devido ao término, ou de eu poder me enquadrar no espectro ace/aro.
Logo no início eu recusei essa sugestão dela, pois antigamente eu já havia tido sentimentos românticos não apenas pela última pessoa com quem me relacionei, mas outras antes dela, assim como também. Porém, em outro momento eu voltei a pensar na sugestão da minha terapeuta, e pesquisando sobre o assunto, encontrei alguns posts e relatos de pessoas dizendo que traumas podem, em alguns casos, levar alguém a se identificar como assexual e/ou arromântico. No entanto, também encontrei opiniões dizendo que isso não acontece, ou que o trauma apenas revela uma orientação que já existia. Isso acabou me deixando bastante confuso.
Minha dúvida é justamente essa: essa mudança pode ser apenas uma consequência psicológica do trauma do término? Existe a possibilidade de um trauma realmente causar uma mudança duradoura na forma como uma pessoa vivencia atração sexual e romântica? E, caso isso seja possível, como posso diferenciar se eu de fato "mudei de orientação", ou se apenas "ainda estou machucado"?
Alguém aqui já passou por algo parecido ou conhece estudos, relatos ou materiais confiáveis sobre esse tema?