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Faço transição de carreira ou entro no doutorado?

Sou nutricionista, tenho 28 anos, mestrado concluído em 2024 e atualmente participo de um processo seletivo para doutorado na Espanha.

Entrei na Nutrição já com o objetivo de seguir carreira acadêmica e me tornar professora. Por isso, durante a graduação, me envolvi em iniciação científica, projetos de extensão, monitorias e permaneci por cinco anos no mesmo grupo de pesquisa. Nunca tive muito interesse em atuar diretamente como nutricionista clínica; meu foco sempre foi pesquisa e docência.

Depois da defesa do mestrado, passei por um período extremamente difícil com meu antigo orientador. Ele havia sinalizado a possibilidade de se vincular a outro Programa de Pós-Graduação, que seria mais estratégico para mim. Combinei com ele que o aguardaria e que usaria minha reserva financeira para lidar com esta transição por seis meses. No fim, esperei oito meses, sem respostas claras, até perceber que isso não aconteceria.

Além disso, a relação com ele era muito desgastante. Era uma orientação bastante controladora, com exigência de dedicação quase exclusiva e acúmulo de subprojetos que muitas vezes não tinham relação direta com a pesquisa principal. O resultado era um ambiente em que praticamente todos os alunos atrasavam suas defesas e muitos enfrentavam problemas de saúde mental.

Ao final desses oito meses, desisti de fazer o doutorado sob a supervisão dele. Foi uma decisão difícil, mas eu estava esgotada, desmotivada e começando a questionar todas as minhas escolhas profissionais.

Hoje, estou tentando ressignificar minha trajetória. A possibilidade de fazer o doutorado na Espanha surgiu não apenas como uma continuidade acadêmica, mas também como uma chance de viver em outro país e reconstruir minha relação com a pesquisa e com a docência. Mesmo assim, tenho me perguntado se vale a pena insistir na carreira acadêmica. Eu amo educar, amo dar aula, mas tenho odiado a lógica da vida acadêmica. Isso faz sentido?

Paralelamente, sempre gostei muito de estatística e análise de dados, área em que me aprofundei durante o mestrado. Tenho domínio de R e, enquanto aguardo o resultado do processo seletivo do doutorado, venho estudando SQL e Python. A ideia é usar essas ferramentas tanto nos projetos acadêmicos quanto como uma possível transição de carreira, caso o doutorado não dê certo.

Queria compartilhar esse relato e ouvir experiências parecidas. 2025 foi, definitivamente, o ano mais desafiador da minha vida.

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u/SeaOpportunity211 — 3 days ago