Coincidência bizarra na infância.
Isso foi em outubro de 2007.
Eu tinha 9 anos.
Eu estudava de manhã na zona leste de Manaus em uma escola estadual.
Eu costumava chegar cedo, umas 6:20, a aula começava às 7:00. E enquanto a escola não abria o portão, eu ficava na resenha com os colegas do outro lado da rua, éramos uns 6 contando comigo.
No outro lado da rua tinha uma banca que vendia doces e a gente comprava aqueles doces que vinham com uma pazinha, quase todo dia.
Um certo dia, a gente estava do outro lado da rua esperando a escola abrir como sempre, e um dos meus colegas cortou o dedo tentando dançar break na calçada. Daí ele limpou o dedo no portão de um açougue que tinha na frente da escola. É um daqueles portões de aço que enrolam para cima para abrir.
Outro dos meus colegas disse que ele não deveria limpar o sangue na porta de um local, se não alguém da lá iria morrer. Tava todo mundo brincando e ele meteu essa serião do nada, com a voz séria, eu tinha achado bizarro mas ninguém tinha ligado.
Umas 2 semanas depois, mais ou menos, a gente já tinha esquecido, estávamos de novo no outro lado da rua resenhando e tinha um pouco de sangue meio grosso passando por debaixo dessa porta, absolutamente nenhum de nós se importou, já que era um açougue. Achamos que era carne que tava lá vazando sangue de alguma forma e continuamos brincando.
Fomos para a aula, e quando deu 11h da manhã chegou o diretor na nossa sala falando que quando fossemos liberados para casa, para não ficarmos parados no tumulto que tava na frente da escola, se ele visse alguém lá, ia suspender direto. Ele estava passando de sala em sala avisando.
Quando saímos, tinha uma multidão de curiosos e carros de polícia na frente do açougue.
O que aconteceu era que um cara estava lá morto e enforcado e parece que a corda ou fio rasgou o pescoço dele de alguma forma e ele estava lá mais de um dia.
Não lembro de detalhes, mas saímos da escola pálidos, cada um olhando na cara do outro sem falar nada. Nenhum de nós parou pra ver de tanto medo. O dono da loja de doces tinha visto e falou que tava muito feio.
Cheguei em casa primeiro e eu não tava com coragem de esperar dentro de casa minha mãe e meu irmão chegarem, fiquei esperando eles na rua.