Minha mãe morreu
Olá, caro leitor (se alguém ler). Sou o Mike, tenho 27 anos. Faz um mês que minha mãe faleceu em decorrência de DPOC, guarde essa informação. Ela era uma mulher incrível, bondosa, engraçada e muito amorosa. Mas infelizmente fumava muito...
No último mês de vida dela, ela começou a sofrer com crises de falta de ar intensas. Sempre na hora do banho. Ela era teimosa e se recusou a ir ao hospital todas as vezes que nós queríamos levar ela. Então comecei a cuidar de todas as funções da casa. Até que em um domingo, 4 dias antes de falecer, ela aceitou ir (depois de ter tido uma crise intensa) Meu padrasto a levou na emergência de um hospital público. Fizeram alguns exames e o diagnóstico foi: Crise de ansiedade... Eu tento não pensar em como seria se ela tivesse tido um diagnóstico correto, mas é impossível! Ela ainda estaria aqui com a gente! Ela voltou para casa, e fez piada sobre a situação, dizendo "Viu? Tô ótima, ainda vou viver bastante" Infelizmente ela estava muito errada.
Na quarta-feira, por volta das 18h, ela me disse que estava com vontade de comer um bolo, e me perguntou se eu podia fazer a massa pré pronta que estava no armário. Eu disse a ela, claro, só vou terminar de estudar e já faço. Ela então foi tomar banho. Quando ela saia, já esperava a ver com dificuldade de respirar, mas ela se sentava e logo ficava bem. Porém dessa vez, foi muito pior. Eu estava no meu quarto com a minha irmã de dez anos, parei de estudar para distrair ela. Meu padrasto estava na sala com a minha mãe, falando para ela se acalmar. Até que minha mãe soltou um grito "Deus me ajuda por favor" então se fez um silêncio e meu padrasto me pediu ajuda. Olhei para a minha irmã e disse "fica aqui, vai ficar tudo bem" e ela fechou os olhos e tampou os ouvidos. Corri para a sala e minha mãe estava convulsionando no sofá, os dentes travaram e ela perdeu a consciência. Eu não sabia o que fazer, só pedia para ela se acalmar. Até que ela parou, a cabeça caiu para trás e um som horrível de "suspiro" saiu da sua boca. Procurei sinais vitais e não senti nada, meu padrasto gritava. Eu pensei rápido e lembrei da aula de primeiros socorros, comecei a fazer massagem cardíaca nela. Depois de alguns minutos ela voltou a respirar, mas ainda inconsciente. Logo meu padrasto chamou a vizinha enfermeira e vieram ajudar. Ela retomou a consciência e parecia bem para quem acabou de parar de respirar!
Chamamos o SAMU, porém a espera era de 40 minutos, decidimos levar ela de carro, foi extremamente difícil sair com ela de casa por conta da escada. A cada degrau eu dava um beijo nas mãos dela e dizia para ela ser forte. Coloquei ela no carro, meu padrasto e a vizinha iriam a levar. Eu disse para ele a levar no convênio, mas ela não queria pois segundo ela '"Vão me transferir para outra cidade, não quero" e eles seguiram para o AMA próximo de casa, e eu fiquei em casa cuidando da minha irmã que estava assustada...
Agora o que mais me revoltou, não deram nem sequer uma maca para ela, nem oxigênio ela recebeu após ter uma parada cardiorrespiratória! Meu padrasto mandou uma foto dela sentada apoiando a cabeça na parede que me doeu na alma! Em menos de 2 horas liberaram ela... Sem observação, sem medicação...
Eles então retornaram pra casa, e eu fiquei bravo dizendo que ela precisava ficar em observação! Ela então desceu do carro e tentou subir as escadas, mas não tinha forças 😭. Ela se sentou no primeiro degrau e deitou no chão frio. Eu dizia a ela "mãe, volta pro carro e vai para o convênio, me escuta uma vez na vida" e ela dizia que queria deitar na cama dela. Então eu enganei ela, disse para sentar no carro pelo menos até recuperar o fôlego, e ela foi. Quando entrou no carro eu disse a ela "Você é a melhor mãe do mundo, eu te amo muito" e ela apertou forte a minha mãe e me olhou com aqueles olhinhos cansados... Meu padrasto não queria levar ela, segundo ele, ela só precisava dormir e ele estava com fome... Briguei com ele e o fiz levar até o convênio.
Meu irmão encontrou com eles no hospital do convênio. Minha mãe foi bem atendida, levada direto para um leito e recebeu oxigênio. Depois de muitos exames, o diagnóstico de DPOC. Entraram com medicações e a deixaram repousando. Ela fez brincadeiras com as enfermeiras e até tentou arranjar uma namorada para o meu irmão. Já era de manhã quando ela precisou fazer um exame, e ao levantar da maca, teve outra parada respiratória. Perdeu a consciência e os médicos tentaram a trazer de volta. Mas dessa vez ela foi e não voltou.
Enquanto ela partia, eu acordei e fui ao banheiro e retornando a cama, senti um frio absurdo, eu me tremia todo e batia os dentes. Então mandei mensagem para o meu irmão, e ele disse "Ela partiu". Meu mundo caiu, mas me segurei. Fui até a minha irmãzinha, segurei nas mãos dela e disse " Eu sempre te prometi que iria te proteger de todo mal desse mundo, né? Mas infelizmente tem coisas que eu não consigo evitar, mas eu sempre vou estar aqui para te ajudar a enfrentar tudo. A mamãe lutou muito, mas infelizmente ela não aguentou e foi para o céu" Os olhos dela encheram de lágrimas e começamos a chorar juntos.
Agora estou responsável por ela, e todos os dias tento fazer o meu melhor por ela. Mas a verdade é que me sinto como uma criança assustada, sabe quando a gente se perdia no mercado? Me sinto assim.
Agradeço quem leu até aqui, e peço que me desejem sorte. Eu prometo continuar pela memória da minha mãe, e pela vida da minha irmãzinha.