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A monumental obra jesuíta: Commentaria in Scripturam Sacram

Commentaria in Scripturam Sacram foi uma obra escrita pelo Cornelius a Lapide, um monge católico exegeta jesuíta (1567-1637). Chama-la de extensa, seria de fato um eufemismo, a magnitude desse trabalho é expressa em, pasmem, 26 volumes (21 volumes principais de comentários, 3 volumes de suplementos e 2 volumes de índices). Com cada um desses tomos contendo aproximadamente 500 a 950 páginas, o que totaliza um montante de impressionantes e aproximadas 17.000 páginas na edição clássica mais famosa em latim (publicada pela editora Ludovicus Vivès em Paris).

A formação de Cornélio a Lápide iniciou-se nos colégios jesuítas de Maastricht e Colônia, com foco em humanidades e retórica. Posteriormente, graduou-se em Filosofia e Teologia na Universidade de Lovaina e complementou seus estudos exegéticos nas universidades de Paris e Valenciennes. Sua preparação incluiu o aprendizado do latim, hebraico, grego e aramaico para fins de análise textual. No âmbito da atuação acadêmica, iniciou a docência lecionando Filosofia por dois anos na Universidade de Lovaina, onde em 1596 assumiu a cátedra de Sagrada Escritura e Hebraico, permanecendo na função por vinte anos. Em 1616, foi transferido para o Colégio Romano, na Itália, instituição onde ocupou a cátedra de Sagrada Escritura até 1637, dedicando-se ao ensino de teólogos e à redação de seus comentários bíblicos.

A sua obra visava comentar TODA a Bíblia (não o fez com a exceção apenas dos Livros de Tobias e Judite). Ele não apenas citava os autores, mas os organizava para responder às dúvidas textuais, doutrinárias e morais de cada versículo. O que faz muito sentido dado que ele fazia tal ato em meio a reforma protestante e foi um importante autor da contra reforma.

O grande diferencial e o principal tema metodológico da obra é a análise dos versículos sob a perspectiva dos quatro sentidos da Escritura, uma tradição da exegese medieval e patrística. O sentido literal e histórico foca na filologia dos idiomas originais, no contexto cultural da Terra Santa e no confronto de traduções da Vulgata com versões antigas. O sentido alegórico aborda a teologia e o dogmatismo católico no cenário da Contrarreforma, destacando o cristocentrismo e compilando ensinamentos da patrística. O sentido trópico ou moral traz a aplicação prática para a conduta cristã por meio de virtudes, vícios e direção espiritual. Por fim, o sentido anagógico desenvolve reflexões místicas e escatológicas sobre o fim dos tempos e a união divina. Além dessa estrutura exegética, a obra possui um foco homilético subjacente, servindo como ferramenta prática para que pregadores extraiam argumentos e metáforas para seus sermões. Então não seria exagero dizer que ele comentou a Bíblia 4 vezes.

Os comentários eram feitos usando autores patrísticos, filósofos, teólogos, historiadores e o que mais se tivesse direito. O objetivo principal da obra era fornecer uma exposição exaustiva da Bíblia para fundamentar a doutrina católica e guiar a pregação, principalmente dado o cenário da reforma protestante, como eu já havia mencionado. Inclusive ele já defendia a imaculada conceição de Nossa Senhora antes mesmo de ser proclamado dogma pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854, por meio da bula pontifícia Ineffabilis Deus.

A obra teve recepção imediata e profunda nas paróquias e na formação do clero da época, impulsionada pela publicação gradual de seus tomos. Nas paróquias, os Commentaria tornaram-se ferramentas pastorais indispensáveis. Nos seminários e universidades católicas, a obra padronizou o ensino bíblico, tornando-se o principal livro-texto de exegese por mais de dois séculos. Esse estudo garantiu a modelagem intelectual e linguística do clero, que aprendia teologia escolástica, patrística, hebraico e grego. Por fim, esse forte viés prático e apologético foi determinante na formação de missionários enviados para conter a Reforma na Europa e evangelizar as Américas e a Ásia.

Segue aqui todos os Tomos:

Antigo Testamento (Tomos 1 a 14)

  • Tomo 1: Gênesis e Êxodo (In Pentateuchum Moysis Commentaria - Pars I).
  • Tomo 2: Levítico, Números e Deuteronômio (In Pentateuchum Moysis Commentaria - Pars II).
  • Tomo 3: Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, e I Reis (In libros Josue, Judicum, Ruth et Regum I-III).
  • Tomo 4: II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Ester e Macabeus (In libros Regum IV, Paralipomenon, Esdrae, Nehemiae, Esther et Machabaeorum).
  • Tomo 5: Provérbios de Salomão - Parte 1 (In Proverbia Salomonis - Pars I).
  • Tomo 6: Provérbios de Salomão - Parte 2 (In Proverbia Salomonis - Pars II).
  • Tomo 7: Eclesiastes e Cântico dos Cânticos (In Ecclesiasten et Canticum Canticorum).
  • Tomo 8: Livro da Sabedoria e Eclesiástico (In libros Sapientiae et Ecclesiastici).
  • Tomo 9: Profeta Isaías (In Isaiam Prophetam).
  • Tomo 10: Profetas Jeremias, Lamentações e Baruc (In Jeremiam Prophetam, Threnos et Baruch).
  • Tomo 11: Profeta Ezequiel (In Ezechielem Prophetam).
  • Tomo 12: Profeta Daniel (In Danielem Prophetam).
  • Tomo 13: Os Doze Profetas Menores - Parte 1 (In XII Prophetas Minores - Pars I).
  • Tomo 14: Os Doze Profetas Menores - Parte 2 (In XII Prophetas Minores - Pars II). [1, 2, 3, 4, 5]

Novo Testamento (Tomos 15 a 21)

  • Tomo 15: Santos Evangelhos segundo São Mateus e São Marcos - Parte 1 (In SS. Matthaeum et Marcum - Pars I). [1, 2]
  • Tomo 16: Santos Evangelhos segundo São Mateus e São Marcos - Parte 2 (In SS. Matthaeum et Marcum - Pars II). [1]
  • Tomo 17: Santo Evangelho segundo São Lucas (In Sanctum Lucam). [1, 2]
  • Tomo 18: Santo Evangelho segundo São João (In Sanctum Joannem). [1]
  • Tomo 19: Atos dos Apóstolos, Epístolas de São Paulo aos Romanos e I Coríntios (In Acta Apostolorum, ad Romanos et I Corinthios). [1, 2]
  • Tomo 20: Epístolas de São Paulo (II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, Tessalonicenses, Timóteo, Tito, Filêmon e Hebreus) (In ceteras Epistolas divi Pauli).
  • Tomo 21: Epístolas Católicas (São Tiago, São Pedro, São João, São Judas) e o Apocalipse de São João (In Epistolas Catholicas et Apocalypsim).

Suplementos (Tomos 22 a 24)

(Adicionados à coleção clássica para cobrir os textos que Lápide não comentou originalmente ou expandir a obra) [1, 2]

  • Tomo 22: Explicação dos Salmos - Parte 1 (Por São Roberto Belarmino) (Roberti Bellarmini Explanatio in Psalmos - Pars I).
  • Tomo 23: Explicação dos Salmos - Parte 2 (Por São Roberto Belarmino) (Roberti Bellarmini Explanatio in Psalmos - Pars II).
  • Tomo 24: Comentários ao Livro de Jó (Por Balthasar Corderius) (Balthasaris Corderi Commentaria in librum Job). [1, 2]

Índices Gerais (Tomos 25 e 26)

  • Tomo 25: Índice Geral de Assuntos e Conceitos - Letras A a K (Index Generalis Rerum et Verborum - Pars I).
  • Tomo 26: Índice Geral de Assuntos e Conceitos - Letras L a Z (Index Generalis Rerum et Verborum - Pars II).
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u/TomboyLover-01 — 5 days ago

Faculdades e afins

Eu fiz um curso profissionalizante no Senai de eletricista de manutenção eletroeletrônica durante 2 anos (eu vou terminar ele daqui a uns 4 meses), não é técnico nem tecnólogo, então não posso assinar projetos e outras coisas que pessoas com ensino superior poderiam. Planejo seguir na área e estou cobiçando a possibilidade de passar em uma faculdade (tenho 18 anos), mas conversando com pessoas da carreira eu fiquei meio em dúvida sobre como prosseguir.

Minhas opções são:

1-) fazer uma faculdade de engenharia elétrica particular aqui da região, conseguindo uma bolsa de uns 40% e pagar 900 reais semestralmente, 3 aulas presenciais e 2 EAD (provas são presenciais) durante 5 anos.

2-) fazer IF, não pagar nada, mas são 5 aulas presenciais, 6 anos de faculdade, no entanto, com uma dificuldade infernal (os professores lá tem umas 2-5 pós graduações para vocês entenderem o nível) que me fariam gastar uns 1-2 anos a mais, a parte ruim é que eu não me formaria em engenharia elétrica, mas sim em engenheiro de automação e máquinas, basicamente uma engenharia elétrica nichada, o que me impediria de assinar tantos projetos quanto um engenheiro elétrico "geral". Talvez na prática nem mude tanto, se eu conseguir emprego na área, eu acho.

3-) fazer um técnico ou um tecnólogo na área, mais rápido, teria que pagar (não sei quanto), ironicamente, isso já é o suficiente para, de acordo com a legislação, conseguir assinar mais tipos de projeto do que eu conseguiria me formando no IF daqui.

Fico em dúvida porque dizem que só com o CAI (tipo de curso que eu fiz) não será tão fácil arrumar emprego na área, coisa que eu estou contando com para pagar melhor a faculdade e ter um pingo de dignidade financeira. No curso que eu fiz eu vi tudo, CLP, eletrônica, elétrica predial e etc. Então eu realmente queria achar alguma coisa na área, em especial comandos em máquinas e áreas industriais.

Enfim, me deem um norte aí.

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u/TomboyLover-01 — 12 days ago