Queria feedback mais sobre estilo/imersão do que gramática
Estou tentando trabalhar uma escrita mais sensorial e imersiva, focada mais na sensação física, atmosfera e fluxo mental do personagem do que numa narração totalmente objetiva.
Queria principalmente opiniões sobre:
• O texto consegue passar a sensação de desorientação e estranheza sem ficar confuso demais?
• As descrições parecem atmosféricas ou acabam abstratas/exageradas?
• O ritmo funciona ou fica cansativo?
• A narrativa prende ou parece floreada demais em alguns momentos?
• A cena fica visualizável ou vocês se perderam em certas imagens?
Não preciso muito de correção de português/gramática agora porque o foco maior é entender como a escrita “soa” e funciona emocionalmente.
Um tom rosado dilacera a minha visão através das pálpebras, uma luz que acerta todos os lugares errados da minha cabeça.
Tento virar o rosto para o lado, mas a luz segue junto, o meu braço levanta em direção à cortina, acertando só o ar, caindo contra o chão com uma vibração que atravessa da minha mão até a dor de cabeça.
O choque termina de repuxar meu rosto, contraindo o nariz e os olhos.
Isso parece uma faca…
Fincando em algo muito macio.
A boca se contrai com a secura da dor, um gosto seco que desliza pela boca e arrasta a pele ressecada dos lábios.
Quanto bebi ontem à noite?
Meus lábios racham um pouco enquanto uma mão sobe até o rosto.
O alívio do escuro solta as pálpebras lentamente antes de um verde borrado surgir; grama.
Fios verdes e úmidos colados na minha frente enquanto um cheiro de terra e talos esmagados atinge meu rosto.
Impulsiono-me para cima, afastando o rosto da grama num solavanco, mas não há para onde fugir.
O verde continua espalhado em todas as direções de grama e árvores.
Troncos altos demais, fechando-se em um círculo escuro que parece saído de um wallpaper antigo.
Meus dedos afundam na terra encharcada, deslizando pela grama amassada enquanto minhas unhas cravam numa lama fria que parece acumular-se sob minha pele, onde ganha peso e cede lentamente entre os dedos antes do formigamento subir até as pontas deles.
Uma delas afrouxa primeiro, os dedos se abrindo devagar enquanto terra e folhas esmagadas se arrastam junto antes de caírem pesados ao meu lado.
Mas a outra permanece fechada, e quanto mais tento abrir os dedos, mais algo rígido pressiona a minha palma — liso e frio.
Deslizo o polegar sobre a superfície úmida e sinto, entre os meus dedos, uma linha reta sob a terra grudada ali.
Madeira…
Não. Frio demais.
Continuo sem desviar o olhar enquanto puxo a mão para fora do barro, e entre a lama que escorre dos dedos surge uma lâmina.
A faca escorre lama pelo meu pulso enquanto o ar prende na minha garganta, que sai de mim num engasgo torto, perigosamente próximo de uma risada.
Não era um sonho.
Meu olhar corre pela terra remexida, procurando algo fora do lugar, algum detalhe que não deveria estar ali e que desmontasse tudo.
Mas nada desaparece. Nada muda.
A sensação da faca continua presa na minha palma. Porque ela continua ali fria contra a pele suja. Porque ainda consigo sentir o peso dela pressionando os meus dedos.
Porque isso não é ressaca.
Minha mandíbula trava por um instante — Que porra…
Forço o corpo para cima, tropeçando na própria falta de força enquanto, com a visão oscilando, ergo a faca para o alto, contra a luz do sol que atravessa as copas e escorre pela lâmina molhada em faixas claras. Num reflexo quase — etéreo.
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