
Os óculos salvaram me a vida, as cenouras fizeram o resto. E o eclipse?
Hoje, no dia do tão aguardado eclipse, preparava-me para testemunhar o fenómeno astronómico com um bem precioso: uns óculos especiais para eclipse, cuja aquisição tinha sido uma verdadeira missão, depois de terem esgotado por todo o lado.
Finalmente, com os óculos devidamente assegurados, saí mais cedo do trabalho, chego a casa a horas, vou à varanda e estava tudo pronto.
Até que fui à cozinha buscar amendoins.
Abri o armário de cima, tirei uma taça, enchia e, distraidamente, voltei para buscar outra. Só que a porta do armário ficara aberta.
E então aconteceu.
Fui violentamente contra a esquina da ports do armário superior.
Os preciosos óculos de eclipse, adquiridos a custo (gratuito) e provavelmente destinados a contemplar o cosmos, tiveram naquele momento uma função muito mais terrena:
Salvar-me a vida.
Sem eles “quinava”.
Ainda assim abri um lenho na testa e precisava de gelo para a cabeça, e descobriu que não havia gelo em casa.
Havia, porém, um saco de cenouras congeladas.
E assim, poucas horas depois de ter conseguido finalmente os raríssimos óculos necessários para observar o eclipse. Eu estava na varanda do meu apartamento com os óculos especiais postos e um saco de cenouras congeladas encostado à cabeça, contemplando o fenómeno astronómico.
Os vizinhos, ao espreitarem pela janela, terão certamente pensado:
“Aquele maluco passou o dia inteiro à procura de óculos para ver o eclipse e agora está a ver o eclipse através de um saco de cenouras.”
E, no fundo, não estavam completamente errados.
Os óculos que eram para salvar a visão salvaram-lhe a vida.
As cenouras que eram para acompanhar o jantar acabaram como tratamento de emergência.
🤣