Um momento de reflexão sobre os nosso colegas de profissão.
Muitos companheiros de profissão reclamam das condições de trabalho, dos salários e da situação em sala de aula.
Segundo alguns — não todos —, o bom professor tem que colocar ordem em sala de aula, fazer com que todos os 25, 30 ou 45 alunos fiquem calados, escutando durante 50 minutos algum tema que, para eles, não é nada interessante.
Esses mesmos garotos estão em fase de crescimento, com os hormônios à flor da pele, doidos para sair correndo pelo pátio, subir em árvores e aproveitar a escola.
Eles esquecem que também passaram por isso. E, se não passaram porque lhes tiraram essa fase da infância, talvez queiram fazer o mesmo hoje como uma espécie de vingança inconsciente contra as novas gerações.
Às vezes, na minha insignificância e com minha pouca experiência na área, fico me perguntando: será que eles entendem que foram eles mesmos que educaram os pais e as mães da geração para a qual estão dando aula neste exato momento?
Será que eles realmente acreditam que uma sala completamente quieta gera, necessariamente, bons resultados de aprendizagem?
Será que um aluno desinteressado, sentado em uma cadeira de plástico dura, em uma sala sucateada e convivendo com problemas em casa realmente prestaria atenção à aula?
Será mesmo que é o PROFESSOR o único culpado por não conseguir controlar toda a gritaria e a falta de organização em sala de aula?
Se o professor não está conseguindo organizar a turma sozinho, será que a equipe gestora não deveria auxiliá-lo para que isso acontecesse?
Os professores mais experientes não deveriam ajudar os professores mais novos diante dessa realidade?
Também fico me perguntando: se os professores mais velhos reclamam tanto dos mais novos, será que eles não lecionaram para duas ou três gerações? Será que não têm, também, parte da responsabilidade pelo cenário atual?
Enfim...
Venho de outras profissões e percebo que a classe dos professores é uma das mais desunidas do Brasil.
Uma salva de palmas para aqueles que um dia já foram referência e que hoje são apenas uma sombra do que foram.
Uma sombra de professores ainda mais antigos, que muitas vezes não tinham um décimo do conhecimento pedagógico e científico disponível atualmente. Mesmo assim, continuam escolhendo tê-los como o suprassumo da educação, enquanto desvalorizam aqueles que estudam, se atualizam e tentam fazer diferente.