Me ajudem, por gentileza.
Sou uma mulher de 28 anos desprovida de habilidades sociais. Não saio de casa desde a adolescência (dá pra contar nos dedos as vezes que saí desde então), e dependo financeiramente do meu pai. É ele quem provê o que preciso no cotidiano, pois não consigo sair nem para realizar uma tarefa tão simples como comprar pão. Só de cogitar interagir minimamente fico apavorada, como se meu coração fosse sair pela boca. Contextualizando: tive uma infância dita normal, era o total oposto do que me tornei na adolescência e apenas regredi de modo geral durante esses anos, embora do ano passado pra cá eu tenha tido pequenas conquistas como criar minha primeira conta bancária e cuidar parcialmente da minha saúde física (a mental perdura pendente). Após anos de tentativas frustradas, meu pai e minha irmã mais velha finalmente me convenceram a aceitar ajuda, solicitando que assistentes sociais viessem em casa. Não consegui me abrir muito mesmo os tendo recebido, mas consegui relatar determinados incomodos, e graças ao doutor e a enfermeira que vieram, fiz um exame na garganta, pois estou com rouquidão crônica. A enfermeira inclusive foi uma querida e me levou. Isso foi um grande avanço, fiquei tremendo apavorada, mas no fim deu tudo certo, voltei pra casa, tomei um banho e fui dormir. Ainda preciso fazer outros exames, mas estou enrolando por conta da minha fobia social.
Fora a criação da conta bancária e cuidar parcialmente da saúde, não tive outros progressos todos esses anos. Eu basicamente sobrevivo no automático. Passo a maior parte do tempo dormindo, embora gradativamente esteja trabalhando nisso tentando ser mais otimista e não me forçar a dormir para me isentar do sofrimento. Eu diria que estou "despertando pra vida" somente agora, sabe? Mas é assustador pelo fato de reconhecer muito bem minhas limitações e receios... Me preocupo com o futuro. Eu nem sei se de fato sou autista, foi minha irmã que me sugeriu averiguar, pois ela tem uma amiga que é e nota similaridades entre nós.
Ouvi falar que quando não se tem prejuízos desde a infância, o autismo nem é uma probabilidade. Procede? Eu fui uma menina alegre, sociável e destemida. Durante a adolescência, sofri muito bullying na escola e acredito que tenha me fechado pra vida por conta disso, mas não tenho certeza se foi o que de fato me deixou assim. Meus pais sempre foram superprotetores e me davam tudo na mão. Vocês acham que a junção do bullying com a superproteção pode ser a resposta ou devo considerar buscar um diagnóstico? Sou acometida por questões sensoriais intensas como incomodo com barulhos considerados razoáveis à terceiros, cheiros e coisas grudando na minha pele. Um exemplo é após o banho, quando o cabelo gruda na nuca e nas costas e a sensação da água evaporando do meu corpo... ME INCOMODA IMENSURAVELMENTE! Também tenho agonia de encostar os pulsos em qualquer coisa, sinto como se meus ossos fossem atravessar a pele. Se passo muito tempo sentada no sofá ou deitada na cama na mesma posição e o corpo esquenta, a sensação da pele grudando me deixa agoniada e alterno para não sentir. Não sei se expliquei de modo compreensível, mas obrigada por lerem até aqui.