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Por que psicólogos atrapalham tanto a nossa vida?

Uma das coisas que me tira do sério é psicólogo dando pitaco em coisa que não entende, o que não é raro. Caso ilustrativo de hoje, mas que é relativamente comum na prática: paciente com TAG moderado, fiz psicoeducação, indiquei TCC, iniciei monoterapia farmacológica. Paciente volta dizendo que nem começou a medicação porque a psicólogia de abordagem humanista disse que era um remédio muito forte, que a paciente ia ficar dependente daquilo pela vida toda e que foi imprudência do médico passar uma coisa tão forte. A medicação em questão era escitalopram!!!!

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u/anonymous_fkcr — 3 days ago

Romantização da psiquiatria

Olá, colegas. Sou psiquiatra há 6 anos e decidi fazer esse post não desestimulando sobre a carreira da psiquiatria, mas alertando sobre alguns pontos que parecem às vezes negligenciados na escolha da especialidade que vem se tornando uma das mais concorridas. 

Não acho que seja uma especialidade ruim, muito pelo contrário, amo o que faço, mas é preciso entender que não é só essa maravilha toda que nos vendem de consultório bem sucedido instantâneo em horário comercial, qualidade de vida e ganhos altíssimos. 

Atualmente minha rotina envolve consultório particular, CAPS-II e preceptoria do internato de uma faculdade de medicina. Trabalho em média 30 a 40h semanais e faço aproximadamente 25 a 30 mil reais líquidos mensais, o que considero justo pelo meu ritmo de trabalho. A expectativa, com o tempo, é diminuir CAPS e consolidar o consultório, permitindo aumento da renda. 

Julgo que meu ritmo de trabalho é tranquilo comparado a de colegas de especialidades cirúrgicas ou com muito plantão noturno e sobreavisos, porém eles em geral ganham mais do que eu, e semelhante a de outros colegas de especialidades clínicas, com remuneração semelhante. Porém alguns pontos na psiquiatria merecem destaque e uma reflexão profunda se isso é mesmo algo que você está disposto a lidar: 

Demanda emocional:

É conhecido hoje que basicamente todos os transtornos mentais são multifatoriais, tendo uma carga neurobiológica no seu surgimento, assim como fatores externos, ambientais, sociais, traumas, violência, então naturalmente você vai sim lidar com todo tipo de história dos pacientes que acabam tendo como consequência algum transtorno e chegam até você para tratamento. Em alguns momentos, eu me sinto até um pouco hipócrita, pois vejo histórias que, se fosse eu no lugar daquele paciente, tendo passado por tudo aquilo, provalvemente cometeria auto-extermínio, mesmo sendo a minoria dos casos. Você tem que saber separar muito bem o trabalho da sua vida pessoal. Sua saúde mental tem que estar muito boa mesmo para conseguir trazer algum conforto e ajuda para os seus pacientes.

Pós-graduação:

Hoje ainda não percebo uma influencia negativa em demanda e mercado por conta dos pós-graduados, mas frequentemente recebo pacientes que já foram com algum colega tendo diagnósticos errados, associações farmacológicas bizarras. Com isso, é comum que os pacientes apresentem algum grau de desconfiança inicial com o tratamento por conta de suas experiências prévias negativas, o que exige todo um jogo de cintura e trabalho de relação médico-paciente para adesão, ficar convencendo da necessidade de determinado tratamento, o que, apesar de ser plenamente possível de fazer, não é exatamente a melhor parte da profissão pra não dizer chato. Penso, porém, que pode existir um impacto de mercado nos próximos anos, já que tá chegando a hora do pessoal da pós-graduação obter seu RQE por meio da prova de título, ainda mais com a ABP sendo uma frouxa que no último edital retirou a necessidade de carga horária mínima semanal para prestar a prova. A partir daí, não existirá diferença nenhuma ética-legal e de divulgação e marketing entre o psiquiatra formado na USP e o cara que fez uma pós EaD. E sim, existe um abismo técnico-científico enorme entre o cara que fez uma residência média pra boa e o cara que fez uma pós online ou presencial aos finais de semana e conseguiu RQE por tempo de serviço.

WhatsApp:

Talvez não seja como pediatria, mas é um problema e não dá pra negar. Para atender no particular, infelizmente hoje em dia não basta você ser bom tecnicamente. Você tem que oferecer quase que uma experiência de vendas para seu paciente. E parte disso é oferecer um "acesso facilitado" para eventuais dúvidas.  E mesmo tendo um número separado para isso, tendo um serviço de pós-consulta bem estruturado, orientando e pactuando que existe um horário específico para respostas, que urgência = hospital, isso ainda pode tirar sua paz. As pessoas são imediatistas e na psiquiatria esse traço pode ser mais marcante ainda. Não é incomum mensagens repetidas à noite ou aos finais de semana de paciente pedindo renovação de receita porque ficou sem remédio ou se queixando de qualquer efeito adverso mínimo e não grave após início de medicação ou ajuste de dose apesar de ter sido orientado durante a consulta. Por incrível que pareça, tenho a percepção de que o paciente do SUS é mais autossuficiente, enquanto o do particular, muitas vezes, parece que precisa de um babá. 

Médico como emissor de documentos e laudos:

Se você não gosta da mãe na UPA exigindo amoxicilina e radiografia para a criança com IVAS, você pode ter um sério problema na psiquiatria. Não é incomum receber pacientes que se deram algum diagnóstico qualquer após ver na internet, geralmente TEA e TDAH, e chegam na consulta querendo "oficializar" o diagnóstico e com um ar de que têm esse direito e você tem que acatar, já que estão pagando. Pior ainda é o paciente que já chega com um relatório neuropsicológico atestando algum diagnóstico feito por algum psicólogo que claramente não sabe o que tá fazendo ou até sabe mas quer tirar dinheiro das pessoas e, infelizmente, a formação da maioria dos psicólogos deixa a desejar. É uma tarefa muito difícil desconstruir um diagnóstico e como na psiquiatria não existem exames laboratoriais ou de imagem para definir algo, não é raro o paciente ficar pulando de médico em médico até encontrar aquele que o convém e nessas horas o cara da pós se dá bem. 

Transtorno de personalidade borderline:

Botei um tópico específco para este que, pra mim, é o pior transtorno mental que existe. São esses pacientes que passam em dezenas de médicos e tomam dezenas de psicofármacos diferentes sem melhora, que negam o diagnóstico e querem ter algum outro, geralmente TAB, que não querem fazer psicoterapia, que são os mais carentes e demandantes no whatsapp, que fazem barraco na recepção do consultório e xingam a secretária gratuitamente. Um preceptor costumava dizer até que uma contratransferência negativa ou ficar com raiva do paciente é uma ótima pista diagnóstica para TPB kkk. O que esses pacientes realmente precisam é de psicoterapia, especialmente na modalidade de terapia comportamental dialética, o que infelizmente em cidades de médio porte são poucos psicólogos que fazem, já que poucos profissionais querem lidar com esse perfil de paciente. 

O ponto principal não é fazer ninguém desistir da especialidade. Eu não faria outra diferente. Mas é importante estar ciente sobre onde você está entrando e que também tem seu lado desafiador, como qualquer área. Fico aberto a dúvidas caso queiram perguntar algo.

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u/anonymous_fkcr — 16 days ago

Negligência na UTI

Ontem, minha tia saiu arrasada da visita na UTI. Ela estava tentando entender o que estava acontecendo com um familiar, que estava internado, e os médicos começaram a falar de medidas de conforto, desprescrição e etc.

Foi difícil, porque ela não entendia como alguém poderia simplesmente desistir de um paciente. No final, ela saiu meio conformada, mas claramente sem ter entendido direito.

Aí HOJE, ela veio conversar comigo. Eu sou estudante do 3º semestre e expliquei pra ela que aquilo não fazia sentido. O paciente estava usando vários medicamentos e eles simplesmente estavam retirando tudo. Ainda falei que talvez fosse o caso de tentar um antibiótico mais forte, porque não dava pra saber se ele ainda poderia melhorar.

Disse pra ela questionar a equipe e pedir uma segunda opinião, porque às vezes as pessoas da intensiva acabam se acostumando com casos graves e podem perder a esperança cedo demais.

Agora a situação ficou um clima horrível. Na passagem de boletim, a equipe ficou incomodada com os questionamentos da minha tia e deu a entender que eu estava atrapalhando.

Não sei o que será agora na visita da tarde, nem amanhã e nem depois. Mas que as coisas ficaram estranhas, ficaram.

E sinceramente, eu só queria ajudar minha família. Afinal, mesmo estando no 3º semestre, já tivemos duas aulas de microbiologia e uma de farmacologia.

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u/anonymous_fkcr — 19 days ago

Rádio pra farmar grana rápido

o que vocês acham da ideia de fazer radio pra farmar dinheiro o mais rápido possível? trabalhar feito maluco em 10 anos, juntar o máximo de dinheiro possível pra ficar confortável e diminuir o ritmo quando a IA tomar conta de tudo

da também pra investir em negócios paralelos tipo posto de gasolina, motel ou farmácia, até pq a medicina vai acabar e outras carreiras tradicionais como clínica e cirurgia levam tempo pra se consolidar no mercado, tempo esse que já vai tá tudo acabado e as pós tomaram conta

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u/anonymous_fkcr — 20 days ago

Segundo este sub, existe alguma especialidade que presta?

Colegas, peço vossa opinião sincera: para vocês ainda existe alguma especialidade que presta? Porque toda que vez que tocam nesse assunto, sempre alguém vai apontar aspectos negativos que invalidam a especialidade, mesmo aquelas mais desejadas e concorridas nas provas e que parecem equilibrar ganho x qualidade de vida. Exemplos:

- Dermato: "vai concorrer com dentista"

- Oftalmo: "se não for filho de oftalmo não dá"

- Psiquiatria: "pós vai tomar conta e pacientes difíceis, demandantes e agressivos"

- Otorrino: "vai depender de plano de saúde"

- Radio: "laudo de tomografia pagando 10 reais e IA"

- Anestesio: "o Lula ameaçou"

Então ainda existe alguma especialidade que presta? Se não, qual o sentido de buscar tanto a residência médica e o RQE? Não seria mais estratégico focar em algum concurso, como legista, perito ou até mesmo fora da medicina, que pelo menos proporciona alguma segurança a longo prazo?

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u/anonymous_fkcr — 21 days ago

O dilema do POCUS em cenários eletivos/ambulatoriais

Já fiz algumas formações em POCUS e entendo e apoio sua aplicabilidade em cenários de emergência, como no auxílio para inserção de acesso central, protocolo FAST, protocolo BLUE, detecção de TVP... Ou seja, coisas bem pontuais e protocolares, que geralmente servem para responder objetivamente uma pergunta clínica de "sim" ou "não", e não para fazer descrições e medições detalhadas de qualquer coisa.

No entanto, algo que vejo por aí são médicos de cenários eletivos querendo utilizar o USG ultraportátil/POCUS como uma "extensão do exame físico", seja para insonar o abdome do paciente lá na hora da consulta por qualquer motivo, ver o bebê na consulta de pré natal de rotina e isso me causa um estranhamento.

Primeiro porque não existe recomendação de USG de qualquer segmento para rastreio universal de qualquer coisa para população geral.

Segundo porque no exemplo do pré-natal, isso não isenta (ou não deveria) a paciente de fazer seus USG obstétricos regulares com um radiologista capacitado.

Terceiro porque existem limitações do próprio aparelho. Não dá para equiparar a qualidade de um aparelho convencional com um butterfly de 20k.

Quarto porque existem limitações do próprio operador. Algo que percebi nesses cursos de curta duração para protocolos bem específicos é que existe quase que uma ciência de como insonar. Variações mínimas da posição ou pressão exercida pela mão podem gerar imagens totalmente diferentes. Então imagino que um aparelho sub-ótimo nas mãos de um operador inexperiente pode causar vários falso-negativos e a falsa sensação de segurança, tanto no paciente, quanto no médico.

Algum radiologista ou residente para comentar a respeito? Algum não radiologista que usa POCUS na sua rotina para se defender e dizer que estou falando besteira (e justificando, é claro)?

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u/anonymous_fkcr — 24 days ago

Opções de concurso para começar estudar

Inspirado no caso do neurologista que passou no concurso da sefaz resolvi começar pesquisar e entender um pouco mais sobre esse mundo. Sei que é difícil e pode levar alguns anos para passar, mas a medicina também tem suas dificuldades.

Atualmente sou concursado de prefeitura aleatória do interior ganhando menos do que mereço em ubs, com progressão salarial porca e não quero me prostituir em residência pra depois ficar me prostituindo no instagram pra captar paciente particular que exige o que bem quer.

O problema é que após 6 anos de medicina meu cérebro foi derretido e eu não sei nada além de medicina e sou totalmente leigo no mundo dos concursos.

Então por onde vocês recomendam ficar de olho em bons concursos ou quais são os principais órgãos públicos com bons salários para mamar nas tetas do governo e abandonar a medicina?

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u/anonymous_fkcr — 25 days ago

Relato de 6 meses sendo "picareta"

Vi o post do colega que optou por não fazer residência por causa de concurso e decidi compartilhar um pouco da minha jornada até aqui sendo o que muitos chamam de "picareta".

Para contextualizar um pouco, estou formado há 1 ano e meio e durante o internato vi um fenômeno bem comum que eram os preceptores excelentes tecnicamente, que sabiam tudo de medicina, mas têm obesidade sarcopênica, vivem trabalhando, workaholics, virando noite em plantão, vida conjugal e familiar por um fio e vendo tudo isso decidi que não ia seguir essa manada, essa corrida dos ratos de se formar -> se matar na residência -> se matar trabalhando depois -> estar careca e com circunferência abdominal aumentada aos 35 anos.

Pois bem, me formei, fui fazer o que todo recém formado beta tem que fazer -- dar plantão em UPA cu de baixo, mas já traçando estratégias para sair dessa vida. Me inscrevi em uma pós de nutrologia online e perto do fim já comecei atender em uma sala alugada de um colega. No começo prescrevia as canetas comerciais e dpois fui transicionando para o manipulado vendido por mim mesmo. Fui implementando também a soroterapia e implantes hormonais na minha prática com ótimos resultados, sempre fazendo cursos e tentando me manter atualizado nas áreas, e já consegui mudar para um espaço maior.

Meu faturamento bruto com essa parte ao longo desses meses foi aproximadamente:

1º mês: 8k

2º mês: 15k

3º mês: 24k

4º mês: 28k

5º mês: 36k

6º mês: 45k

Ainda continuo dando um plantão por semana porque esse mercado é volátil e não consigo ter certeza de que isso vai se sustentar pra sempre e se um dia acabar e eu quiser fazer uma residência tranquila posso ir despreocupado e com uma reserva milionária, oq não vai demorar.

Uma coisa que me impressiona nisso é que os próprios pacientes QUEREM e GOSTAM disso. Muitas vezes eles vem pedindo coisas já absurdas mesmo, tipo ozonioterapia e enema de café pq viram na internet. É super comum também paciente que antes acompanhava com algum cara super gabaritado formado em grandes serviços, principalmente endocrinologistas, que vieram acompanhar comigo pq ofereço um tratamento "mais completo".

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u/anonymous_fkcr — 28 days ago

Especialidade para vencer a inflação

Pessoal, o que vocês recomendam de especialidade/carreira não cirúrgica para tentar vencer a inflação a longo prazo? Tinha interesse em radio, mas mesmo que o salário continuasse igual hoje ao longo dos anos, o que é improvável já que o valor dos laudos está diminuíndo, o poder de compra diminuiria por conta da inflação. Entendo que as especialidades que vivem de plantão também tem esse problema. Então teria alguma forma de escapar disso para tentar pelo menor manter o poder de compra atual? Concurso público seria uma saída?

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u/anonymous_fkcr — 2 months ago