O cigarro mais caro da minha vida.
Olá, Nuno e equipa do Homem que Mordeu o Cão!
Quero partilhar convosco uma história verídica, fresca e absolutamente desesperante que me aconteceu no passado dia 29 de junho, no Aeroporto de Manchester.
Para contextualizar o meu nível de desespero: eu sofro de ataques de pânico, tenho um pânico terrível de andar de avião e já não voava há uns impressionantes 25 anos! Ou seja, aquela viagem já era, por si só, o meu maior teste de sobrevivência das últimas duas décadas.
Cheguei ao aeroporto pelas 15h30, terminal 2. Passei o controlo e, quando fui ver as portas de embarque, o stress bateu com força: o meu voo era às 18h10 e eu já estava sem fumar há horas. Perguntei a um segurança onde era a zona de fumadores e a resposta caiu como uma bomba: não existia. Não se podia fumar em lado nenhum dentro do aeroporto.
A partir daí, misturando o medo de voar após 25 anos, a falta de nicotina e a minha ansiedade, comecei a entrar em colapso. Para piorar o cenário, os painéis começam a piscar com a pior notícia possível: o voo estava atrasado uma hora. Depois, mais outra hora de atraso. O voo das 18h10 passou para as 19h00, depois para as 19h30. Eu já contava os minutos, a suar frio, a antecipar o pesadelo que seria o voo real que ainda tinha pela frente.
Finalmente, a porta de embarque abriu. Fomos encaminhados pela rua, a caminhar mesmo pela pista em direção ao avião. O ar fresco da rua bateu-me na cara, o meu cérebro em pânico absoluto desligou o filtro do bom senso e eu só pensei: "É agora ou não aguento o voo. Só preciso de dar dois bafos".
Saquei do cigarro e acendi-o em plena pista de aviação, mesmo ao lado do avião.
Nuno, parecia que tinha acionado o alarme de segurança nacional! Em segundos, surgiram quatro seguranças vindos do nada, em pânico absoluto. Arrancaram-me o cigarro da boca e começaram a berrar comigo. E eu? Eu não sei falar uma única palavra de inglês!
No meio daqueles gritos todos e dos meus gestos, percebi o veredito: eu estava proibida de entrar naquele avião. Ia com dois familiares e, no meio do meu pânico, implorei-lhes que embarcassem e me deixassem ali, assumindo eu a responsabilidade pelo meu erro. Eles lá foram e eu fiquei em Manchester.
Fui escoltada pelos seguranças até à polícia, revistaram-me o passaporte e o bilhete e mandaram-me de volta para a zona das chegadas, só estava autorizada a viajar no dia seguinte com a compra de outro bilhete. Eu,sozinha no aeroporto, a gerir o meu transtorno de pânico, sem saber falar inglês, completamente sozinha. Logo eu, que não voava há um quarto de século!
Hoje já me rio da imagem mental de quatro seguranças ingleses a correr em pânico por causa de uma portuguesa a acender um cigarro na pista, mas fica o aviso: o tabaco, o medo de voar e aeroportos não combinam!
Um abraço a todos!