A avaliação neuropsicológica pode falhar em identificar tdah se o examinado tiver hiperfoco nos testes e pensar em voz alta durante eles?
M31.
Gostei muito de fazer os testes relativos ao tdah a ponto de muitas vezes eu me referir a eles como "joguinhos" em vez de testes. Com exceção de um teste que eu deveria lembrar de sequências de números que me causou desconforto, eu me senti positivamente estimulada com os demais. Eu saía do consultório refletindo sobre eles e às vezes isso ia intensamente até antes de dormir. Cheguei até a pesquisar um cubo Kohs pra comprar e apps de exercícios semelhantes para "jogar", mas não comprei/instalei ainda porque não queria que a minha experiência com eles como lazer interferisse na avaliação.
Outra coisa que aconteceu foi que eu perguntei à psicóloga se eu poderia "pensar alto" durante os testes porque tem sido um método que tô aplicando nos meus estudos do dia-a-dia para melhorar o foco (quando eu estudo eu tenho tendência a desviar do objetivo do estudo, me aprofundando em questões laterais ou até saindo completamente do tema). Geralmente eu tenho muitas linhas de raciocínio na minha mente e pensamento acelerado, mas se eu escolho a linha principal para falar alto eu consigo me manter um pouco mais nos trilhos. Quando estou pensando alto eu também posso "conversar" em voz alta com as linhas secundárias que estão na minha mente. Pois bem, a psicóloga disse que eu podia fazer os testes da forma que me sentisse mais confortável e assim o fiz.
Nos resultados deu que eu me saí muito bem, de forma geral, nos testes de atenção e memória: a maioria dos resultados foram "média superior" ou "superior". Por isso ela descartou tdah. (Nos testes que avaliavam autismo só indicou a possibilidade em um que foi uma autoavaliação. Ela também descartou essa possibilidade diagnóstica.) Mas o que mais me surpreendeu foi que no laudo ela escreveu que eu ouvia vozes (no sentido psicótico) 😳 Não tive a oportunidade de pedir esclarecimento sobre isso porque na consulta de devolutiva ela pontuou outras coisas e nem comentou isso, chegando em casa que eu li. Eu pedi uma consulta extra para esclarecimentos, mas ainda vai demorar. Bem, eu tenho 10 anos de psicoterapia e tratamento psiquiátrico para depressão, ninguém nunca levantou isso; eu tive um relacionamento com término recente que durou quase 8 anos e ele nunca levantou isso; tenho amizades de décadas que nunca levantaram isso; minha família, inclusive minha mãe que é psicóloga, nunca levantou isso; e eu nunca me vi numa situação em que eu achasse que estou interagindo com alguém que não está presente. Suponho que se eu tivesse psicose realmente talvez eu não tivesse insight para perceber, mas ninguém do meu convívio nunca reparou em comportamento estranho nesse sentido. Eu tenho uma tendência a me identificar com traços de vários transtornos (de toc a borderline), mas coisas que eu sempre descartei sem peso na consciência foram mania e psicose. Estou inclinada a pensar que ela esqueceu que eu estava "pensando alto" (algo que ela autorizou em um dos primeiros dias da avaliação) e entendeu que eu estava alucinando. O que me leva a duvidar bastante do resultado final da avaliação.