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O Poder Moderador não é um defeito do Segundo Reinado: é a única resposta inteligente à estrutura social brasileira
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O Poder Moderador não é um defeito do Segundo Reinado: é a única resposta inteligente à estrutura social brasileira

Tenho visto crescer aqui uma corrente de monarquistas jovens fascinados pela estética medievalista católica, pelo Carlismo, pela ideia dos "corpos intermediários" e que tratam o liberalismo de Bonifácio e Constant como traição ao verdadeiro monarquismo.

Preciso ser direto: isso é alienação histórica com fantasia estética.

O Brasil não foi fundado no vácuo. Foi fundado sobre uma estrutura neo-feudal já consolidada: clãs familiares que controlavam regiões inteiras, senhores de engenho, fazendeiros, coronéis: cada um com sua clientela, sua milícia informal, seu poder local. Esses "corpos intermediários" que a Monarquia Tradicional Católica romantiza já existiam aqui, e se chamavam oligarquia.

Nesse contexto, o Poder Moderador não era uma concessão ao liberalismo inglês era um mecanismo de arbitragem entre elites que, sem freio, se destruiriam mutuamente e destruiriam o Estado junto. Constant desenvolveu o Quarto Poder precisamente contra Westminster, não como derivação dele. Bonifácio entendeu isso melhor do que qualquer teórico importado de uma Europa que não conhecia o Brasil.

O resultado? 66 anos de estabilidade institucional num país que a República transformou em caos oligárquico em menos de uma geração.

Monarquismo sem leitura histórica séria vira LARP medievalista. Estudem o Segundo Reinado antes de descartá-lo.

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u/frogfucious — 3 days ago

Sorocaba apagou seu brasão histórico feito por Taunay em uma mudança sem debate

Pouca gente sabe, mas Sorocaba mudou recentemente seu brasão de armas aquele símbolo que aparece em documentos oficiais, prédios públicos, etc. E acreditem: foi uma mudança feita por lei, sem consulta pública, alterando um desenho que estava em uso desde 1925. Ou seja, o brasão é centenário!

O brasão original foi criado pelo historiador Affonso Taunay, então diretor do Museu do Ipiranga, com execução artística de Wasth Rodrigues, um dos maiores ilustradores heráldicos do Brasil. Esse brasão fazia parte da identidade visual da cidade há 101 anos e ainda hoje está no acervo oficial do Museu Paulista, como exemplo clássico da heráldica municipal paulista.

A nova versão foi aprovada pela câmara com base na ideia de “corrigir erros” técnicos. Mas a própria literatura heráldica mostra que o brasão antigo não era errado ele seguia regras básicas como simplicidade, harmonia e símbolos históricos relevantes. Pior, o argumento técnico se utiliza da lei da República Portuguesa sobre brasões municipais (!!) sendo que o Brasil é independente há mais de 200 anos!

O que aconteceu foi mais uma mudança de estilo do que uma necessidade técnica. E pior: com acréscimos estéticos questionáveis (como uma locomotiva desenhada no morro) que contrariam os princípios clássicos da heráldica, como a regra da estilização e do equilíbrio visual.

Além disso, essa troca vai gerar custo público: novas placas, uniformes, materiais gráficos. Tudo isso sem que a população tivesse voz.

Algumas pessoas tentaram denunciar ao Ministério Público, mas a manifestação foi arquivada. Outros cogitam entrar com projeto de lei para revogar a mudança e restaurar o brasão clássico.

Se você é de Sorocaba ou se preocupa com memória e patrimônio público, vale conhecer essa história. Independente de gostar do brasão antigo ou novo, o que está em jogo é respeito à tradição e à identidade coletiva da cidade.

u/frogfucious — 10 days ago