From Brazil to India!

Olá/Namaskar! I am a Literature professor from Brazil. This month I started a storytelling project: Around the World in Eighty Stories. I would love to exchange a postcard of the Taj Mahal for one from southern Brazil, Paraná. Thank you!

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u/holmesbrazuca — 11 days ago

(DISCUSSÃO) - O Alienista, Machado de Assis - Semana 2: Do capítulo VI ao XIII.

Boa noite, leitores! Bem-vindos a segunda e última semana da obra machadiana O Alienista.

"_Nada tenho que ver com a ciência; mas, se tantos homens em quem supomos juízo são reclusos por dementes, quem nos afirma que o alienado não é o alienista?(...) _Mas deveras estariam eles doidos, e foram curados por mim, ou o que pareceu cura não foi maus do que a descoberta do perfeito desequilíbrio do cérebro?"

Sob a liderança do barbeiro Porfírio, os moradores de Itaguaí se revoltam contra o despotismo científico do Dr. Bacamarte e a construção da Casa Verde, segundo denominação do cabeça do movimento "Bastilha da razão humana". A rebelião ficou conhecida como a "Revolta dos Canjicas". O alienista não se abalou diante dos revoltosos..."Não dou razão de meus atos de Alienista a ninguém, salvo aos mestres e a Deus". Impressionados com a postura do Dr. Bacamarte os rebeldes desistiram de agredi-lo. O barbeiro passa a ter poder político e mantém a Casa Verde funcionando. A tropa policial, "os dragões", marcham para dispersar a multidão enfurecida, mas o barbeiro convence a todos com um discurso inflamado. Parte dos dragões se solidariza, garantindo a vitória dos Canjicas. Porfírio assume o governo da Vila e se torna o seu protetor em nome de Sua Majestade e do povo.

Porfírio alia-se ao Alienista. O poder político e o poder científico passam a trabalhar juntos para manter o sistema de internações da Casa Verde. Dr. Bacamarte concluí que cometeu um erro científico. Como resultado decide soltar os internos. Para ele as virtudes (a modéstia, a coragem, a lealdade) são encontradas nos pacientes e provam que eles são perfeitamente sãos. O médico passa agora a considerar louco, apenas quem não demonstrasse nenhuma paixão, ou que age com total equilíbrio. Deste modo, ele interna todos os cidadãos que eram considerados exemplos de retidão e virtude. João Pina, outro barbeiro confrontou Porfírio acusandou-o de "vendido ao ouro de Simão Bacamarte". Este por sua vez expede dois mandatos fechando a Casa Verde e exilando o Alienista. O resultado desse ato é imediato: João Pina assume o governo de Itaguaí, enquanto Porfírio, e seus seguidores, são levados para Casa Verde. O Alienista também internou o boticário Crispim, que num movimento de total terror aderiu à rebelião dos Canjicas. Para o médico o terror também é pai da loucura. A esposa do Dr. Bacamarte, D. Evarista também foi recolhida na Casa Verde. Motivo: "mania santuária". Tão grave era sua demência que ela queria propor a fazer anualmente um vestido para a imagem de Nossa Senhora da Matriz. Contudo, a história da Casa Verde em Itaguaí tem uma reviravolta. A Casa de Orates é esvaziada e, logo, preenchida pelos homens de bem, que não cometem falhas e são equilibrados.

Percebendo que sua teoria não fazia sentido e que as pessoas consideradas "sãs" são aquelas com defeitos. O Dr. Simão chega a seguinte conclusão: que ninguém tinha uma personalidade perfeita, exceto ele próprio. Concluí também ser o único normal e decide trancar-se na Casa Verde. Lá o alienista entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Os boatos correram pela cidade: houve outro louco além do alienista? Boatos...O Dr. Simão Bacamarte expirou meses depois e foi enterrado com pompa e solenidade em Itaguaí.

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u/holmesbrazuca — 25 days ago

O Alienista: E se o louco for você?

A loucura em Itaguaí é uma categoria fluída, usada para marginalizar, controlar e domesticar comportamentos. Machado, em sua novela, traça o perfil do poder travestido de razão, e de razão que se transforma em loucura. Em tempos de algoritmos e patologização a obra ganha significados. Com base em que critérios? Até que ponto estamos seguros de nossa sanidade?

Leitores, a segunda semana de O Alienista será 25/07. Venha ler conosco este clássico.

u/holmesbrazuca — 28 days ago

VOCÊ SABIA????

Em 1981, Isabel Allende sentou para escrever uma carta de despedida ao avô de 99 anos à beira da morte. O texto foi a gênesis de A Casa dos Espíritos, seu romance inaugural. "Tradição do 8 de janeiro"...o sucesso estrondoso deu início a famosa tradição da autora. Ela sempre começa um novo livro no dia 8 de janeiro.

Desejo a vocês uma ótima leitura!😁

u/holmesbrazuca — 1 month ago

(DISCUSSÃO) A Casa dos Espíritos, Isabel Allende - Semana 1 - Capítulos 1 e 2.

Boa noite, leitores(as)! Bem-vindos à nossa segunda leitura deste mês de julho.

"A veces tengo la impresión de que ya he vivido esto y que yo misma escribí estas mismas palabras, pero me doy cuenta de que no soy yo, sino otra mujer que las escribió em sus cuadernos para que yo los usara."

A história da família Del Valle e Trueba, em A Casa dos Espíritos, é narrada em duas perspectivas principais: pelo patriarca Esteban Trueba, com suas lembranças amargas e apaixonadas e por sua neta Alba (que conheceremos só futuramente) que reconstrói essa história por meio dos diários e das memórias da família deixados por sua avó Clara Del Valle. Alba decide registrar e recontar a saga de quatro gerações para que as dores do passado não sejam esquecidas. A obra mescla o realismo fantástico e mágico, alternando entre uma alegoria atemporal mítica e um contexto histórico de um país fictício latino-americano.

Cap. 1 - Rosa, a Bela.

A história inicia-se com a apresentação da chegada de Barrabás, um filhote de cachorro. Mais tarde temos conhecimento que pertencia ao tio Marcos. Alguns acreditavam que não era verdadeiramente um cão, mas um animal exótico. A narradora de posse dos diários de Clara busca reconstituir as origens da família Del Valle, mostrando-os nesse ambiente místico. Os Del Valle era composto por Severo, um homem com aspirações a político e sua esposa Nívea que fora abençoada com 15 filhos (11 estavam vivos).

Clara a mais jovem possuía poderes sobrenaturais de mover objetos, anunciar tremores de terra e antecipar tragédias. A mais velha, Rosa, tinha uma beleza rara de sereia com longos cabelos verdes e olhos amarelos. Ela estava noiva de Esteban Trueba, um jovem trabalhador e ambicioso que partira para as minas de ouro a fim de enriquecer. Conhecido por sua excentricidade e espírito aventureiro, temos tio Marcos (irmão de Nívea). Ele introduz Clara no mundo do ocultismo e misticismo..."os dois vestiam túnicas da cor dos homens da luz" e davam consultas. Depois de muitas aventuras Marcos não sobrevive a uma peste africana e seu corpo, seus pertences e Barrabás foram enviados para sua família.

Clara tem uma premonição: haveria um morto, por equívoco, na casa. Nessa noite, a irmã Rosa passa mal e acaba morrendo. O doutor Cuevas suspeita de envenamento: o aguardente que Severo recebera. A pequena Clara mergulha num silêncio e somente volta a falar nove anos depois, anunciado que iria se casar.

Cap. 2 - Las Tres Marías.

Férula, irmã de Esteban, envia-lhe um telegrama contando sobre a morte de Rosa. O jovem chega para o funeral, mas não se conforma com o destino cruel. Ele abandona as minas e parte em busca de outra vida numa fazenda da família.

A 11 km da aldeia de San Lucas, Esteban chega numa casa que cheirava a túmulo, coberta por erva, pó e folhas secas. Contudo, o lugar antes abandonado se transforma em uma propriedade próspera. Esteban governa os camponeses com violência e mão de ferro. Guardando ressentimentos pela perda de Rosa, ele busca consolo. Mas acabava abusando das mulheres locais. Com a jovem Pancha García tem um filho, o pequeno Esteban Garcia. Sua fama de valentão espalhou-se, porém a violência o mantinha impune de suas atrocidades e autoritarismo. Se alguma mulher chegava diante dele reivindicando o sobrenome de seu filho, ele entregava algum dinheiro, mas ameaçava caso voltasse a importuná-lo. E muitos outros pagaram com a própria vida.

A propriedade prosperava e ele conseguia enviar caixas de alimentos para a mãe e a irmã. Férula dedicou sua juventude a cuidar da mãe Dona Ester, que estava cada vez mais debilitada pela artrite. Em Las Tres Marías Pedro Segundo, seu capataz, suportava as cólera, as ordens e a prepotência do patrão. Obedecia e não se queixava. Esteban julgou ver um "brilho assassino" em seus olhos, mas não ousou falar nada. Uma nova carta de Férula chega a fazenda. Sua mãe estava morrendo e chamava pelo filho. Esteban obrigou-se a voltar para casa, mesmo sabendo que teria que enfrentar seus pesadelos de infância. Esteban entrega a administração de Las Tres Marías a Pedro Segundo García e parte para capital.

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u/holmesbrazuca — 1 month ago

Procura-se encartes...O Navio de Teseu, Doug Dorst e J.J. Abrams.

Olá, pessoal! Ganhei recentemente o livro O Navio de Teseu, uma obra do autor fictício V. M. Straka. Infelizmente, o livro veio com apenas 2 encartes( pág. 87 e 417) e existem mais 21. Se alguém tem a obra, em português, e puder compartilhar esse material; eu agradeceria muito. Ou souber onde posso encontrá-lo.

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u/holmesbrazuca — 1 month ago

(DISCUSSÃO) - A Paixão Segundo GH, de Clarice Lispector - 6 Semana.

"(...) à minha queda, despessoal, sem voz própria, finalmente sem mim - eis que tudo o que não tenho é que é meu. Desisto e quanto menos sou mais viva."

A via-crucis de GH continua...num itinerário místico existencial de autoconhecimento e desconstrução do seu eu. Sua solidão confrontou-a com o vazio de sua vida e de sua identidade socialmente construída. Há uma preocupada insistência da narradora em se colocar diante da vida e diante de si mesma. Indagando-se e, ao mesmo tempo, tentando responder suas indagações. Contudo, a pergunta parece mais importante que obter uma resposta. As incompreensões começam a tornar relevante a partir do momento em que GH tem a revelação da ruptura e do desequilíbrio existencial. A incomunicabilidade coroa o conflito interior, abrindo-se o abismo. " (...)o indizível só me poderá ser dado através do fracasso da minha linguagem".

A jornada de GH revela a verdade sobre o amor, a morte, a vida e o divino. "(...)e o homem amado repousando, e o amor parado, era feriado e o silêncio no voo dos mosquitos...era amor delicado". Para a narradora o verdadeiro amor nu e primário exige superações da dualidade eu-outro. É uma força que assusta pois amar o essencial (inclusive o inseto asqueroso) exige se reconhecer no outro e perder sua individualidade separatista.

"Dá-me tua mão, não me abandones"(...) e para falar com Deus deve juntar sílabas desconexas." O divino não se encontra na moralidade humana ou em dogmas religiosos, mas na imanência da própria realidade. Deus é força bruta do cosmos, o Neutro e o Infinito. Encarar o rosto de Deus é aterrorizante para GH, pois revela que o reino de Deus é a própria excelência nua e crua do presente, isso destrói o conforto ilusório que ela tinha de si. Sua vida era uma crosta superficial feita de papéis sociais, rótulos e linguagem. A vida crua é atemporal e pertence à natureza. GH reconhece, agora, que viver de forma autêntica exige abandonar a rigidez cotidiana para habitar o mistério do presente. Para isso a morte não é o fim, mas um processo contínuo de transformação. A morte de GH ocorre quando ela perde suas máscaras e defesas. Morrer nessa perspectiva é esvaziar-se da falsa identidade para permitir o nascimento de uma nova consciência.

Ser humano e inseto enfrentam-se. A Paixão processa-se e é descrita como uma náusea e uma vertigem. Em um estado de transe e de extrema objeção GH engole a massa branca e viva da barata, união entre humano e não humano. A matéria viva permite a GH seguir rumo ao Tudo. Num momento de ausência...a redução do Nada do indivíduo e absorção do Tudo.

A redenção de GH corresponde ao deseroização e esvaziamento do eu, levando-a a aceitar a vida crua, transcendendo e libertando-se. "A vida se me é, e eu não entendo o que digo"_ _ _ _

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u/holmesbrazuca — 2 months ago

AVISO: Leitura Relâmpago - Era uma vez, de Nadine Gordimer - Segunda, 01 de junho.

Olá, pessoal! Bem-vindos à mais uma Leitura Relâmpago. Nadine Gordimer (1923 - 2014) foi uma escritora e ativista sul-africana. Sua voz contra o apartheid e ecoou pelo mundo e sua prosa retrata as profundas feridas sociais, políticas e morais do seu país. " Nada factual que eu escreva ou diga terá tanta verdade como minha ficção."

O conto "Era uma uma vez" está disponível no link abaixo:

https://www.redalyc.org/pdf/5124/512451672020.pdf Boa leitura!😉

u/holmesbrazuca — 3 months ago