u/holmesbrazuca

(DISCUSSÃO) - A Paixão Segundo GH, de Clarice Lispector - 6 Semana.

"(...) à minha queda, despessoal, sem voz própria, finalmente sem mim - eis que tudo o que não tenho é que é meu. Desisto e quanto menos sou mais viva."

A via-crucis de GH continua...num itinerário místico existencial de autoconhecimento e desconstrução do seu eu. Sua solidão confrontou-a com o vazio de sua vida e de sua identidade socialmente construída. Há uma preocupada insistência da narradora em se colocar diante da vida e diante de si mesma. Indagando-se e, ao mesmo tempo, tentando responder suas indagações. Contudo, a pergunta parece mais importante que obter uma resposta. As incompreensões começam a tornar relevante a partir do momento em que GH tem a revelação da ruptura e do desequilíbrio existencial. A incomunicabilidade coroa o conflito interior, abrindo-se o abismo. " (...)o indizível só me poderá ser dado através do fracasso da minha linguagem".

A jornada de GH revela a verdade sobre o amor, a morte, a vida e o divino. "(...)e o homem amado repousando, e o amor parado, era feriado e o silêncio no voo dos mosquitos...era amor delicado". Para a narradora o verdadeiro amor nu e primário exige superações da dualidade eu-outro. É uma força que assusta pois amar o essencial (inclusive o inseto asqueroso) exige se reconhecer no outro e perder sua individualidade separatista.

"Dá-me tua mão, não me abandones"(...) e para falar com Deus deve juntar sílabas desconexas." O divino não se encontra na moralidade humana ou em dogmas religiosos, mas na imanência da própria realidade. Deus é força bruta do cosmos, o Neutro e o Infinito. Encarar o rosto de Deus é aterrorizante para GH, pois revela que o reino de Deus é a própria excelência nua e crua do presente, isso destrói o conforto ilusório que ela tinha de si. Sua vida era uma crosta superficial feita de papéis sociais, rótulos e linguagem. A vida crua é atemporal e pertence à natureza. GH reconhece, agora, que viver de forma autêntica exige abandonar a rigidez cotidiana para habitar o mistério do presente. Para isso a morte não é o fim, mas um processo contínuo de transformação. A morte de GH ocorre quando ela perde suas máscaras e defesas. Morrer nessa perspectiva é esvaziar-se da falsa identidade para permitir o nascimento de uma nova consciência.

Ser humano e inseto enfrentam-se. A Paixão processa-se e é descrita como uma náusea e uma vertigem. Em um estado de transe e de extrema objeção GH engole a massa branca e viva da barata, união entre humano e não humano. A matéria viva permite a GH seguir rumo ao Tudo. Num momento de ausência...a redução do Nada do indivíduo e absorção do Tudo.

A redenção de GH corresponde ao deseroização e esvaziamento do eu, levando-a a aceitar a vida crua, transcendendo e libertando-se. "A vida se me é, e eu não entendo o que digo"_ _ _ _

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u/holmesbrazuca — 4 days ago

AVISO: Leitura Relâmpago - Era uma vez, de Nadine Gordimer - Segunda, 01 de junho.

Olá, pessoal! Bem-vindos à mais uma Leitura Relâmpago. Nadine Gordimer (1923 - 2014) foi uma escritora e ativista sul-africana. Sua voz contra o apartheid e ecoou pelo mundo e sua prosa retrata as profundas feridas sociais, políticas e morais do seu país. " Nada factual que eu escreva ou diga terá tanta verdade como minha ficção."

O conto "Era uma uma vez" está disponível no link abaixo:

https://www.redalyc.org/pdf/5124/512451672020.pdf Boa leitura!😉

u/holmesbrazuca — 1 month ago