u/housedosus

A doce amarga integralidade

Uma das coisas mais satisfatórias na medicina de família é conseguir resolver a maior parte das demandas ambulatoriais, 80% pelo que dizem, trazidas pelo paciente, independente de órgão, sistema, idade, gênero. É algo intelectualmente recompensador, mas, ao mesmo tempo é o ponto que mais me gera um amargor na especialidade.

O outro lado de resolver quase tudo é o paciente com múltiplas demandas, eufemismo para o termo pejorativo e já não recomendado "poliqueixoso". Muitos fatores contribuem para isso: anos de adoecimento orgânico e mental associado a contextos socioeconômicos contribuintes, dificuldade de acesso ao profissional, baixa autossuficiência em saúde... As demandas se acumulam mesmo. Na oportunidade de ver o médico que enxerga a pessoa como um todo, é obvio que vamos tentar sugar o máximo dele.

Hoje, por exemplo, atendi um retorno, após meses fazendo os exames necessários, de uma paciente para avaliar 3 situações diferentes e ela já trazia 3 novas situações diferentes. Como lidar com isso, na teoria, pelo menos? Técnicas de comunicação e longitudinalidade: estabelecer o que é prioritário, pactuar o que abordar nesse momento, deixar outras situações para serem abordadas e detalhadas ao longo do acompanhamento, até porque a ESF permite essa proximidade do médico com a comunidade.

Parece ótimo, mas, na vida real, para conseguir uma nova consulta comigo é pelo menos 1 mês. Pode até existir uma proximidade geográfica, mas ainda não há uma proximidade de acesso. A longitudinalidade, na prática, não pode ser exercida da forma que é idealizada.

O resultado é que o paciente se sente enrolado e, talvez, eu realmente esteja enrolando, mesmo que inconscientemente, mas porque é o que o sistema me obriga a fazer implicitamente ao estabelecer uma agenda de consultas de 15 minutos ou uma população mal dimensionada que impossibilita retornos precoces pela alta demanda. E tudo isso cansa. De fato talvez resolvamos 80% das situações em saúde, mas 1 ou 2 de cada vez. Não dá para resolver 80% do adoecimento acumulado por anos em 15 minutos.

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u/housedosus — 3 days ago

DSM-6: uma esperança?

A medicina está em constante evolução e uma discussão frequente atual é o TEA, seja aqui no sub, seja na vida real, seja no roda viva, seja nas implicações práticas que isso traz (cotas, por exemplo)... Uns falam da inclusão, outros dos critérios permissivos, do sobrediagnóstico, da banalização do diagnóstico (talvez eu esteja mais nesse polo do espectro).

Uma possível revisão de critérios diagnósticos em um futuro DSM-6 poderia minimizar essa problemática? A tendência seria os critérios se tornarem mais restritos e específicos? Isso é um futuro distante ou próximo? Em casos que já têm diagnóstico/laudo e que não sejam contemplados por eventuais critérios futuros, esse diagnóstico/laudo prévio se torna inválido?

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u/housedosus — 9 days ago

Sou R3 de anestesio e dou plantões de UTI para complementar a renda. O hospital tem vinculo com uma uniesquina e de vez em quando mandam alunos pra lá. Ja tive experiências ruins com alunos folgados e ontem chegou um grupo super mal educado, não deram nem boa noite ou se apresentaram, só foram chegando achando que UTI é deles, fazendo barulho, atrapalhando os profissionais de lá. Por sorte o plantão tava meio parado entao o prejuízo não foi tão grande, mas obviamente não ia tolerar esses tipo de comportamento de mandei eles irem procurar outra coisa pra fazer no hospital

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u/housedosus — 24 days ago