A quem o demônio mais persegue?

A quem o demônio mais persegue?

>Meus caros amigos, nós somos umas coisas pobres, e por isso deveríamos contar muito pouco com nossas próprias resoluções.

>Cuidado se você não sofre tentações!

>A quem o demônio mais persegue? Talvez você ache que as pessoas que são mais tentadas, são indubitavelmente, os beberrões, os provocadores de escândalos, as pessoas imodestas e sem vergonha que deitam e rolam na sujeira e na miséria do pecado mortal, que se enveredam por toda espécie de maus caminhos. Não, meu caro irmão! Não são essas pessoas! Ao contrário, o demônio os deixa de lado, ou seja ele se apóia nelas enquanto elas vivem, porque do contrário ele não teria tanto tempo para fazer o mal. Isso porque, quanto mais tempo essas pessoas viverem, mais seus maus exemplos arrastarão outras almas para o Inferno. De fato, se o demônio tivesse perseguido esse velho companheiro obsceno e sem vergonha, ele teria encurtado a duração de sua vida em 15 ou 20 anos, de forma que ele não teria destruído a virgindade daquela garota ali, seduzindo-a para a inominável mira de suas indecências. Ele não teria novamente seduzido aquela mulher casada e nem ensinado suas más lições àqueles rapazinhos, que talvez as continue a praticar até o final de suas vidas. Se o demônio tivesse incitado a este ladrão ali na frente, a roubar em tudo quanto é ocasião, ele teria ido acabar na forca e não teria tempo pra induzir seu vizinho a seguir seu mau exemplo. Se o demônio tivesse encorajado esse beberrão ali, a se embebedar incessantemente com o vinho, ele já teria morrido a muito tempo atrás nas suas libertinagens, e não teria tempo de fazer com que outros seguissem seu mesmo caminho. Se o demônio tivesse tirado a vida deste músico ali, ou daquele organizador de bailes, ou daquele dono de cabaré, em algum tipo de tumulto ou assalto, ou em qualquer outra ocasião, quantas almas não seriam poupadas da danação eterna! Santo Agostinho nos ensina que o demônio não importuna muito essas pessoas; pelo contrário, ele até as despreza e cospe sobre elas. Assim, você me perguntaria: então quem são as pessoas mais tentadas? São estas meus caros amigos, observem-nas atentamente. As pessoas mais tentadas são aquelas que estão prontas, com a graça de Deus, a sacrificar tudo pela salvação de suas pobres almas, que renunciam a todas as coisas que a maioria das pessoas buscam ansiosamente. E não é um demônio só que as tenta, mas milhões de demônios procuram armar-lhes ciladas.

>Uma vez, São Francisco de Assis e todos os seus religiosos estavam reunidos numa área plana e aberta, onde eles tinham erguido algumas choupanas de palha. Buscando um meio de fazer com que todos fizessem penitências extraordinárias, São Francisco ordenou que fossem trazidos todos os instrumentos de penitência, e seus religiosos os trouxeram aos feixes. Nesse momento, havia um jovem homem a quem Deus concedeu a graça de poder ver o seu Anjo da Guarda. De um lado, ele viu todos esses bons religiosos que buscavam satisfazer sua sede por mais penitências e do outro, o Anjo permitiu lhe ver uma legião de 18 mil demônios, que estavam se reunindo em conselho para ver de que modo eles poderiam subverter esses religiosos pela tentação. Um dos demônios disse: "Vocês não percebem mesmo! Esses religiosos são tão humildes; Ah! que virtude espantosa! são tão desapegados de si próprios, tão apegados a Deus! Eles possuem um superior que os guia, de forma que é impossível ser bem sucedido em qualquer ataque que façamos a eles. Vamos esperar até que o superior deles morra e então introduziremos entre eles jovens sem nenhuma vocação que trarão um certo relaxamento de espírito para a ordem, e aí sim, nós os venceremos."

>Mais tarde, quando esse homem entrou na cidade, ele viu um demônio sentado sozinho no portão de entrada da cidade e que tinha a tarefa de tentar todos os habitantes daquele lugar. Esse santo perguntou ao seu Anjo da Guarda porque motivo, para tentar apenas aquele grupo de religiosos, haviam tantos demônios, ao passo que para toda aquela cidade havia apenas um sentado à sua entrada. Seu bom Anjo respondeu-lhe então, que aquelas pessoas não precisavam de tentação, uma vez que já estavam entregues aos seus próprios pecados, ao passo que aqueles religiosos buscavam fazer tudo que era bom, apesar de todas as ciladas que os demônios podiam armar para eles.

Sermões de São João Maria Vianney, o Cura D'Ars.

u/kentowho1 — 1 month ago

O segredo das crianças

Nos Evangelhos, Cristo afirma solenemente que, se os homens não se converterem e não se fizerem como crianças, não entrarão no Reino dos Céus. Em outra ocasião, ao receber as crianças que lhe eram apresentadas, declarou: "Delas é o Reino dos Céus". Essas palavras, embora simples à primeira vista, possuem um profundo significado espiritual e moral.

Ao longo dos séculos, os Padres da Igreja e os Doutores escolásticos procuraram esclarecer o verdadeiro sentido dessas passagens. A interpretação constante da tradição católica ensina que Cristo não propõe uma regressão à infância biológica nem uma atitude de ingenuidade ou ignorância. Pelo contrário, Ele apresenta a criança como modelo de determinadas virtudes que devem caracterizar a alma cristã. Compreender essas virtudes é essencial para entender o caminho da santidade indicado pelas Sagradas Escrituras.

O contexto imediato da passagem em que Cristo coloca uma criança no meio dos Apóstolos ajuda a compreender seu ensinamento. Os discípulos discutiam entre si quem seria o maior no Reino dos Céus. Em resposta, Jesus chama uma criança e declara que somente aqueles que se fizerem como ela poderão entrar no Reino. O ensinamento é, antes de tudo, uma condenação do orgulho e da ambição desordenada.

Por isso, a principal característica simbolizada pela criança é a humildade. A criança reconhece naturalmente sua dependência dos adultos para viver, crescer e aprender. De modo semelhante, o cristão deve reconhecer sua dependência absoluta de Deus. A humildade não consiste em desprezar a si mesmo, mas em reconhecer que todos os dons, capacidades e méritos procedem, em última instância, do Criador. O homem humilde sabe que nada possui que não tenha recebido.

Outra virtude destacada pela tradição é a confiança filial. A criança deposita sua segurança nos pais, acreditando em suas palavras e buscando proteção em sua autoridade. Assim também o cristão é chamado a confiar na providência divina. Essa confiança não elimina a razão nem a prudência, mas leva a alma a abandonar-se serenamente à vontade de Deus, mesmo quando não compreende plenamente seus desígnios.

simplicidade de coração constitui outro aspecto importante da infância espiritual. A criança, em geral, não age movida por cálculos complexos de interesse pessoal nem por intenções ocultas. Os mestres espirituais sempre viram nessa simplicidade uma imagem da retidão interior que deve caracterizar o discípulo de Cristo. A alma simples busca a verdade, ama a sinceridade e evita a duplicidade.

docilidade também é uma qualidade própria da criança que possui grande valor espiritual. A criança reconhece que precisa aprender. Ela escuta, recebe ensinamentos e aceita orientação. Da mesma forma, o cristão deve manter um espírito dócil diante de Deus, da verdade revelada e dos ensinamentos da Igreja. O orgulho intelectual, que leva o homem a acreditar que não necessita de correção ou aprendizado, é incompatível com o espírito de infância recomendado por Cristo.

Os autores tradicionais também destacam a ausência de rancor como característica frequentemente observada nas crianças. Embora possam se desentender momentaneamente, costumam reconciliar-se com facilidade. A alma cristã deve cultivar essa disposição, evitando guardar ódio, ressentimento ou desejo de vingança. O perdão sincero é uma manifestação concreta da humildade e da caridade.

Entretanto, é importante compreender aquilo que Cristo não pretende ensinar. A infância espiritual não significa ignorância, falta de discernimento ou imaturidade emocional. A própria Escritura exorta os fiéis a serem adultos no entendimento e firmes na razão. A tradição católica sempre valorizou o estudo, a sabedoria, a prudência e o uso correto da inteligência. O ideal cristão não é o infantilismo, mas a união entre a maturidade da razão e a humildade da alma.

Nesse sentido, os grandes teólogos católicos, especialmente Santo Tomás de Aquino, ensinam que a perfeição cristã consiste em possuir a inteligência e a prudência de um adulto, conservando ao mesmo tempo a humildade, a confiança e a simplicidade próprias de uma criança. A verdadeira infância espiritual é uma virtude elevada, fruto da graça e do esforço moral, e não uma simples característica natural da idade.

Quando Cristo afirma que devemos nos tornar como crianças para entrar no Reino dos Céus, Ele não nos convida a abandonar a maturidade, mas a purificar nosso coração das deformações produzidas pelo orgulho, pela ambição e pela autossuficiência.

Assim, o ensinamento de Cristo permanece atual para todas as épocas: o caminho para o Reino dos Céus não passa pela exaltação de si mesmo, mas pela humildade daqueles que, como crianças, confiam inteiramente em Deus e se deixam conduzir por sua graça.

u/kentowho1 — 2 months ago
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A correção fraterna como obra de caridade

A vida cristã não é vivida em isolamento. Quem segue Cristo é chamado a caminhar com os irmãos, a rezar com eles, a sofrer com eles e também a ajudá-los quando se afastam do bem. Nesse contexto, a correção fraterna ocupa um lugar muito importante, embora muitas vezes seja mal compreendida. Corrigir um irmão não é um gesto de dureza, nem um ato de superioridade moral. Antes, é uma forma concreta de caridade, pela qual se deseja o bem espiritual da pessoa corrigida.

No entanto, nem sempre é fácil saber quando corrigir, como corrigir e até mesmo se é necessário corrigir. Por isso, a reflexão de São Tomás de Aquino sobre esse tema é tão preciosa. Ao tratar da correção fraterna, ele mostra que o cristão precisa unir verdade e caridade, prudência e firmeza, humildade e zelo. A Suma Teológica ajuda a compreender que nem toda omissão da correção é culpa, assim como nem toda correção é virtuosa. Tudo depende da intenção, das circunstâncias e do fim buscado.

A correção fraterna, portanto, deve ser entendida dentro da lógica do amor cristão. Ela não existe para ferir, mas para curar; não existe para humilhar, mas para levantar; não existe para vencer uma disputa, mas para salvar um irmão do pecado e reconduzi-lo à amizade com Deus.

1. O fundamento da correção fraterna.

A correção fraterna nasce da caridade. Se o amor cristão deseja o verdadeiro bem do outro, então não pode permanecer indiferente quando esse irmão está em perigo espiritual. Amar, nesse caso, é mais do que sentir afeto ou ter boas intenções: é querer a salvação do próximo e agir em favor dela.

Por isso, a correção fraterna não é um conselho opcional em sentido absoluto. Em muitas situações, ela se torna um dever. Quando alguém percebe que o irmão está em pecado, que se afasta gravemente da verdade ou que caminha para um mal espiritual mais sério, calar por comodismo ou medo pode ser uma falta contra a caridade. O amor verdadeiro não é omisso. Ele sabe advertir, porque sabe que o pecado destrói interiormente.

Contudo, esse dever não é mecânico. O cristão não corrige de qualquer modo, nem em qualquer ocasião. O objetivo não é descarregar indignação, mas ajudar de fato. A correção fraterna só é cristã quando brota do desejo sincero de edificar o outro.

2. A prudência no modo de corrigir.

São Tomás distingue com precisão os diversos modos pelos quais a correção fraterna pode ser omitida e essa distinção é decisiva para compreender a gravidade moral do tema. Em certos casos, a omissão pode ser legítima por caridade, quando corrigir naquele momento poderia causar mais dano do que bem. Em outros, pode haver omissão por temor, quando a pessoa receia um mal grave e, por isso, deixa de agir. Mas há também situações em que a omissão se torna moralmente muito séria, chegando inclusive ao pecado mortal, quando alguém percebe a necessidade da correção e, mesmo assim, se cala por apego desordenado a bens inferiores, como o respeito humano, a conveniência pessoal ou o medo de contrariar o próximo.

O pecado não está simplesmente em não corrigir, mas em deixar de fazê-lo quando a omissão nasce de uma caridade enfraquecida ou de uma vontade desordenada. Se a pessoa sabe que poderia livrar o irmão do pecado ou impedir-lhe um mal espiritual grave, e ainda assim não o faz por negligência ou por uma cobiça do coração, a omissão deixa de ser neutra e pode se tornar gravemente culpável. Nesse caso, o silêncio não é prudência, mas falta de amor.

Ao mesmo tempo, São Tomás também ensina que nem toda omissão é pecado grave. Pode haver circunstâncias em que o temor de um mal sério ou a previsão de que a correção naquele momento causaria mais desordem justificam a espera. A diferença está na intenção e no juízo prudente sobre o bem possível. Assim, a virtude cristã não exige uma correção impulsiva, mas também não permite que o medo ou o apego pessoal silenciem a caridade quando esta reclama ação.

Por isso, a prudência no modo de corrigir não significa apenas escolher a melhor forma de falar, mas também discernir quando o silêncio é caridade e quando é omissão culpável. A correção fraterna deve ser exercida com sabedoria, mas nunca ao preço da negligência espiritual. O cristão precisa perguntar-se não só se deve falar, mas por que está calado: se por amor verdadeiro, por temor justificado ou por uma resistência interior que já o afasta da caridade.

3. A verdade dita com amor.

Um dos grandes perigos na prática da correção fraterna é transformar a verdade em arma. Muitas vezes, alguém corrige com palavras corretas, mas com espírito errado. Pode haver sinceridade, mas faltar mansidão; pode haver clareza, mas faltar humildade; pode haver zelo, mas faltar amor.

A correção fraterna nunca deve ser uma ocasião para humilhar o outro. Quando isso acontece, deixa de ser correção e passa a ser agressão moral. O irmão não é um adversário a ser derrotado, mas alguém a ser ajudado. A verdade, para ser realmente cristã, precisa ser dita com caridade. E a caridade, para ser autêntica, precisa apoiar-se na verdade.

O Evangelho apresenta um caminho muito equilibrado. Jesus ensina que, se o irmão pecar, deve ser corrigido primeiro em particular. Se não ouvir, então se pode buscar outra etapa, sempre com o objetivo de ganhar o irmão, não de expô-lo publicamente. Há aqui uma pedagogia espiritual muito profunda: a correção deve proteger a dignidade da pessoa e preservar, sempre que possível, a sua honra.

Quem corrige deve perguntar-se: estou buscando a conversão do irmão ou apenas aliviando minha irritação? Quero salvar ou quero vencer? Quero servir ou quero aparecer? Essas perguntas são essenciais para purificar a intenção.

4. O interior de quem corrige.

Por último, antes de corrigir o outro, o cristão precisa olhar para si mesmo. A correção fraterna exige humildade porque ninguém corrige bem quando se julga sem pecado, superior ou impecável. Ao contrário, quem reconhece a própria fragilidade corrige com mais misericórdia e mais verdade.

Por isso, a oração é indispensável. Corrigir não é apenas um ato humano de comunicação; é também um gesto espiritual. É necessário pedir luz a Deus para encontrar o momento oportuno, as palavras certas e a atitude adequada. Sem isso, a correção pode se tornar dura, confusa ou inútil.

Além disso, quem corrige deve estar disposto a ser corrigido. A mesma humildade que leva a advertir o irmão precisa levar também a acolher advertências. A correção fraterna não é um movimento de mão única. Ela faz parte da vida de comunhão da Igreja, na qual todos aprendem a se converter.

u/kentowho1 — 1 month ago
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A Guarda do Papa

Por volta de 1505, o Papa Júlio II solicitou ao governante da Suíça o envio de um destacamento para sua guarda pessoal. Em 22 de janeiro de 1506, 150 suíços, sob o comando do capitão Kaspar von Silenen e escolhidos entre os mais fortes, corpulentos e nobres representantes dos cantões de Uri, Zurique e Lucerna, entraram no Vaticano e atravessaram a Praça do Povo, onde receberam a bênção daquele Pontífice.

Designados para proteger o Papa, enfrentaram em 6 de maio de 1527 a mais sangrenta das lutas, quando Roma foi invadida por cerca de dezoito mil soldados do exército de Carlos V, que guerreava contra Francisco I. Naquele dia, um pelotão de mil atacantes confrontou a Guarda Pontifícia em frente à Basílica de São Pedro. Os suíços combateram com bravura e 108 deles caíram, enquanto, para atestar sua coragem e dedicação, 800 dos mil invasores pereceram. Além disso, formaram um cordão protetor ao redor do Papa Clemente VII e o conduziram em segurança até o Castelo de Santo Ângelo.

Essa é a missão da Guarda Suíça Pontifícia:, se preciso for, entregar a própria vida para resguardar o Sumo Pontífice. Assim, é claro que a admissão exige um rigoroso processo seletivo. Os principais requisitos são:

  1. Ser católico: dado que a pessoa a ser protegida é ninguém menos que a autoridade máxima temporal da Igreja Católica Apostólica. Além disso, é dever do Guarda Suíço velar pelos peregrinos católicos, pela Cúria Romana e pelo próprio Túmulo do Príncipe dos Apóstolos. Por fim, ele deve participar cotidianamente das diversas celebrações litúrgicas no Vaticano. Nada mais justo, portanto, que professe a fé católica.
  2. Ter cidadania suíça: em honra aos 108 suíços que tombaram gloriosamente na batalha ocorrida em 1527, somente são admitidos homens dessa nacionalidade no corpo de segurança pontifício.
  3. Ter boa saúde: os candidatos passam por uma rigorosa bateria de exames físicos e psicológicos.
  4. Ser solteiro: exceção feita somente aos oficiais, sargentos e cabos. É proibido que durmam fora do Vaticano.
  5. Ter concluído o curso básico de preparação: ministrado pelo exército suíço. Além disso, devem obter um certificado de aptidão.
  6. Ter boa conduta: como a pessoa irá servir diretamente ao Papa, deve ter uma conduta irreprovável.
  7. Ter formação profissional: é desejável que o candidato tenha uma boa formação, além da vontade e eficiência. É esperado que ele demonstre capacidade de aprendizagem e um certo nível de maturidade.
  8. Para ser admitido, o candidato deve ter entre 19 e 30 anos de idade.

A Guarda Suíça desempenha diversas funções, entre elas: oferecer segurança às autoridades estrangeiras que visitam oficialmente o Vaticano, acompanhar o Papa em suas viagens apostólicas e protegê‑lo em aparições públicas na Praça de São Pedro. Por esse motivo, nem sempre usam o uniforme tradicional: frequentemente atuam à paisana como guarda‑costas, misturando‑se à multidão e empregando equipamentos de segurança de última geração, tudo para garantir a proteção do Pontífice. Atualmente é composta por 109 membros: cinco oficiais, 26 sargentos e cabos, e 78 soldados.

O uniforme é outro traço marcante da Guarda Suíça. Atribui‑se o desenho original a Michelangelo, embora o modelo atual tenha sido redesenhado por Jules Répond, então capitão da guarda. Confeccionado em malha de cetim nas cores azul‑real, amarelo‑ouro e vermelho‑sangue, é composto por meias que se ajustam às pernas e são presas na altura do joelho por uma liga dourada; a parte superior também apresenta um corte inusitado. O capacete traz uma pluma vermelha e as luvas são brancas.

Trata‑se de um uniforme bastante elegante, que simboliza a nobreza e o orgulho de servir ao Sumo Pontífice. Embora curioso para os tempos atuais, chama a atenção dos peregrinos que visitam o Vaticano.

No dia 06 de maio de 2006, o Papa Emérito Bento XVI, presidiu uma Missa Solene celebrando os 500 anos da Guarda Suíça Pontíficia. Em sua homilia afirmou:

>Entre as numerosas expressões da presença dos leigos na Igreja católica, encontra-se também a da Guarda Suíça Pontíficia, que é muito singular porque se trata de jovens que, motivados pelo amor a Cristo e à Igreja, se põem ao serviço do Sucessor de Pedro.
Para alguns deles a pertença a este Corpo de Guarda limita-se a um período de tempo, para outros prolonga-se até se tornar opção para toda a vida. Para alguns, e digo-o com profundo prazer, o serviço no Vaticano contribuiu para maturar a resposta à vocação sacerdotal ou religiosa. Mas para todos, ser Guardas Suíços significa aderir sem limites a Cristo e à Igreja, prontos por isso a dar a vida. O serviço efetivo pode terminar, mas dentro permanece-se sempre Guardas Suíços.

u/flowey_the_flower18 — 3 months ago

Em que sentido Maria é sempre Virgem?

“Na fulgidíssima coroa da maternidade divina”, escreve um insígne mariólogo, “posta por Deus sobre a cabeça de Maria, refulgem muitas e delicadas pedras preciosas; mas a principal delas, que resplandece mais do que todas as outras, é a pérola da virgindade”.

Mas o que, afinal, deseja ensinar a Igreja Católica ao chamar Maria Santíssima de “a sempre Virgem”?

1. Virgindade corporal. — O primeiro ensinamento contido nesse dogma, um dos mais sublimes privilégios marianos, refere-se à virgindade física, também denominada virginitas corporis, de Nossa Senhora. Trata-se de um milagre operado por Deus no corpo de Maria, pelo qual ela permaneceu perfeita e perpetuamente virgem antes, durante e depois do nascimento de Cristo, sem jamais perder a integridade corporal. Essa preservação milagrosa da pureza física da Mãe de Deus é também sinal de um mistério ainda mais elevado: a Encarnação do Verbo divino.

a) Antes do parto. — Dizer que Maria permaneceu virgem antes do parto significa afirmar que Cristo foi concebido sem participação de homem algum, isto é, sem relação conjugal, mas unicamente pela ação do Espírito Santo, pelo poder de Deus, “para quem nenhuma coisa é impossível” (cf. Lc 1, 37). A concepção virginal manifesta de forma claríssima a divindade de Cristo. Pois, se Maria, enquanto Mãe, demonstra que Jesus é verdadeiramente homem como nós, o fato de ser simultaneamente Mãe e Virgem comprova que Ele é também verdadeiro Deus.

b) Durante o parto. — A Igreja Católica ensina ainda que Maria permaneceu virgem no próprio ato do parto, enquanto dava à luz o Salvador em Belém. Essa verdade é confirmada pelo Magistério, testemunhada pelos Padres da Igreja e celebrada pela Liturgia, além de harmonizar-se plenamente com a razão iluminada pela fé. De fato, seria incompatível com a bondade divina imaginar que Aquele que veio libertar o homem da corrupção do pecado tivesse causado corrupção à integridade virginal de sua própria Mãe. Além disso, a preservação da virgindade de Maria perderia seu valor como sinal visível da divindade de Cristo se ela deixasse de ser virgem após o nascimento do Senhor.

c) Depois do parto. — A Igreja ensina também que Maria permaneceu virgem após o parto, isto é, que nunca teve relações conjugais nem outros filhos além de Jesus. Negar essa verdade seria não apenas contrariar as Escrituras, que em nenhum momento favorecem interpretação oposta ao dogma católico, mas também ofender profundamente: a Cristo, que sendo o Filho unigênito do Pai convinha ser igualmente o único Filho da Mãe; ao Espírito Santo, que santificou o ventre virginal de Maria como um santuário reservado exclusivamente a Deus; à própria Nossa Senhora, como se ela não tivesse se contentado com um Filho tão perfeito quanto Cristo e tivesse destruído a virgindade milagrosamente conservada; e também a São José, que jamais teria ousado tocar naquela em cujo seio, conforme a revelação do Anjo, encarnara o Filho do Altíssimo (cf. S. Tomás de Aquino, STh III 28, 3 c.).

2. Virgindade dos sentidos. — Além da virgindade corporal, os cristãos creem que Nossa Senhora conservou também perfeita pureza em seus afetos e desejos, chamada pelos teólogos de virginitas sensus. Por ser Imaculada, Maria foi preservada das consequências do pecado original, entre as quais está a desordem das paixões e da vontade humana. Isso quer dizer que ela jamais experimentou qualquer pensamento, desejo ou inclinação, mesmo involuntária, que fosse indigno de sua excelsa dignidade de Mãe de Deus. Tudo nela era plenamente ordenado ao amor divino, porque nela não existia a inclinação desordenada para o mal que a tradição teológica denomina fomes peccati.

3. Virgindade da alma. — Por fim, Maria possuía também uma virgindade espiritual perpétua, chamada virginitas mentis. Essa pureza compreende, de um lado, a firme disposição de renunciar a todo prazer venéreo para consagrar-se de modo mais perfeito a Deus — aspecto em que sua virgindade espiritual se assemelha à das demais virgens consagradas que honram a Igreja com sua entrega total a Cristo —; e, de outro lado, uma pureza interior absoluta, que fazia de seu Imaculado Coração uma fonte singular e incomparável de amor a Deus, sem qualquer sombra de imperfeição. Esta é a dimensão mais profunda e essencial da virgindade de Nossa Senhora, porque, sem ela, a mera integridade física teria pouco ou nenhum valor em si mesma.

Para concluir, convém recordar dois testemunhos do Magistério eclesiástico que confirmam claramente a fé da Igreja na virgindade perpétua de Maria. O Concílio de Latrão, celebrado em 649, declara no cânon n. 3 (DH 503): “Se alguém não professa […] que depois do parto permaneceu inviolada a sua [de Maria] virgindade, seja condenado”. E o Papa Paulo IV, na bula “Cum quorumdam hominum” (DH 1880), de 1555, ao condenar a seita dos unitários, que afirmavam explicitamente que “a beatíssima Virgem Maria não permaneceu sempre na integridade virginal, a saber: antes do parto, no parto e perpetuamente depois do parto”.

u/kentowho1 — 3 months ago

Ninguém pode servir a dois senhores

Meu filho, quão trágico é a vida daqueles que querem seguir os caminhos do mundo sem, no entanto deixarem de ser filhos de Deus! Vamos um pouquinho mais adiante e vocês serão capazes de compreender mais claramente e ver com os seus próprios olhos o quão estúpido esse estilo de vida pode ser. Num determinado momento você chegará a ouvir tais pessoas rezando ou fazendo um ato de contrição. Pouco depois se alguma coisa acontece, do modo contrário ao que eles esperavam, você poderá ouvi-los fazendo imprecações e até mesmo usando o Santo Nome de Deus em vão. Pela manhã você talvez os encontre na Missa cantando ou louvando a Deus. E no mesmíssimo dia você poderá ouvi-los espalhando aos quatro ventos as conversas mais escandalosas.

Ao entrar na Igreja, eles molham as suas mãos na água benta pedindo a Deus que os purifique dos seus pecados. Um pouco mais adiante estará usando essas mesmas mãos em atos impuros contra eles próprios ou contra o seu próximo. Os mesmos olhos que pela manhã derramavam lágrimas de emoção ao contemplar Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento, durante o resto do dia se concentrarão em observar as cenas mais imodestas. Ontem você viu um determinado homem fazendo um ato de caridade ou prestando um serviço ao seu próximo, hoje esse mesmo homem dá o melhor de si para trair seu vizinho, buscando seu próprio lucro. Há poucos momentos atrás, aquela mãe desejava todo o tipo de bênçãos para seus filhos, e agora, só porque eles a aborrecem com suas travessuras, ela roga uma verdadeira chuva de pragas sobre eles: diz que desejaria nunca mais vê-los em sua presença e acaba até os mandando para o Diabo! Num dado momento, ela os envia para a Missa ou para a Confissão, já em outro momento, ela os envia para os bailes, ou pelo menos faz de contas que não sabe que eles se encontram lá, ou até mesmo se chegar a proibir, sempre o fará com um sorriso nos lábios, deixando perceber que mais aprova do que condena. Numa determinada ocasião, essa mesma mãe dirá à sua filha para ser recatada e não se misturar com as más companhias e dali a pouco, estará permitindo que sua filha passe horas a sós com um rapaz sem dizer uma só palavra. Não preciso dizer mais nada, minha pobre mãe! Vê-se claramente que você está do lado do mundo! Você até acha que está servindo a Deus por causa das práticas exteriores de religiosidade que você pratica. Mas você está enganada; você pertence àquela classe de gente da qual o próprio Jesus Cristo disse: "Ai do mundo!...”.

Observe bem essas pessoas que pensam estar servindo a Deus, mas que estão vivendo verdadeiramente segundo as máximas do mundo. Elas não têm o menor escrúpulo em tomar as coisas do seu vizinho, quer seja alguns pedaços de lenha ou frutas, ou mesmo milhares de outras coisas. Sempre que forem lisonjeadas ou elogiadas pelo que fazem em termos de religião, sentirão um grande orgulho por suas ações. Tais pessoas são sempre muito entusiasmadas em dar bons conselhos aos outros. Mas deixe que elas sejam submetidas a algum contratempo ou calúnia e vocês verão como elas se comportam por terem sido tratadas de tal modo! Ontem estavam dispostas a fazer todo o bem desse mundo àquele que as ofendeu, hoje mal conseguem tolerar tal pessoa e freqüentemente não conseguem sequer vê-la ou falar com ela.

(...)

Continuem assim, filhos deste mundo! Continuem nessa rotina; vocês vão ver um dia aquilo que jamais desejariam ver! Eu sei que vocês gostariam de repartir seus corações em dois! Mas não tem jeito, meus amigos: ou é tudo pra Deus ou é tudo para o mundo.

Dos Sermões de São João Maria Vianney.

u/kentowho1 — 3 months ago

O caminho da santidade ensinado por Dom Bosco

Ainda muito jovem, com apenas nove anos, Dom Bosco teve um sonho marcante no qual Nossa Senhora lhe apareceu. Nesse sonho, alguns meninos ofendiam a Deus e faziam coisas muito erradas. Dom Bosco, que tinha um temperamento forte, tentou fazê-los parar usando tapas, chutes e socos. Então a Virgem Maria apareceu e lhe ensinou que aquele não era o caminho. Ela disse: “Você deve conquistá-los mostrando a beleza da virtude e a tristeza do pecado.” Esse conselho acompanhou Dom Bosco por toda a vida.

Quando um pai ensina uma criança pequena sobre o certo e o errado, ele normalmente não usa palavras difíceis como “isso é correto” ou “isso é verdadeiro”. Em vez disso, fala de maneira simples: “Que bonito! Assim o papai fica feliz!” ou “Que feio! Assim o papai fica triste!”. Foi dessa forma que Dom Bosco educou os jovens que estavam sob seus cuidados. Com o grande amor que aprendeu de Nossa Senhora, ele conseguiu controlar seu jeito impulsivo e passou a guiá-los com carinho e ternura, ajudando-os a enxergar a beleza da virtude.

Dom Bosco também ensinava os jovens a respeitar o sacerdote, porque entendia que, por meio dele, eles poderiam se aproximar de Deus e abandonar o pecado. Quando necessário, falava sobre o Inferno, mas o maior medo que queria despertar neles não era o castigo, e sim a tristeza de ofender o coração de Deus. Assim, os jovens aprendiam cada vez mais a obedecer aos Mandamentos e a amar verdadeiramente a Deus.

Seguidor de São Francisco de Sales, Dom Bosco mostrou desde cedo que todos somos chamados à santidade. Ele ensinava que não basta apenas ser “uma pessoa boa”, mas que devemos buscar ser santos de verdade. Isso começa pela obediência aos Mandamentos, pelo amor à virtude, pela rejeição ao pecado e pela entrega generosa da própria vida a Deus, como fez o santo.

u/kentowho1 — 3 months ago

A necessidade da devoção aos anjos da guarda

>Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”.
(Mt 18, 1-5.10)

O Evangelho nos recorda uma verdade muito importante: os anjos contemplam Deus face a face no Céu.

Esse detalhe nos ajuda a compreender algo profundo. Existem ao nosso redor anjos bons e anjos maus, mas apenas os anjos fiéis contemplam a Deus diretamente. A tradição teológica ensina que, quando Deus criou os anjos, não Se manifestou imediatamente em toda a Sua glória. Antes disso, quis que eles O amassem livremente, pela fé.

Podemos compreender isso porque, quando Deus Se revela plenamente a uma criatura, Sua beleza e perfeição são tão infinitas que já não há espaço para rejeitá-Lo. Diante da visão direta de Deus, a vontade encontra seu descanso definitivo.

Assim, houve um momento em que os anjos viveram pela fé. Não sabemos quanto tempo isso durou, pois o modo de existir dos anjos é diferente do nosso. O que sabemos é que, sustentados pela graça, muitos deles escolheram amar a Deus e permanecer fiéis. Outros, porém, liderados por Satanás, recusaram Seu amor e se afastaram para sempre d’Ele. Por isso, nunca contemplaram a face divina.

Os demônios, que procuram nos afastar de Deus, permanecem limitados justamente por não terem visto a plenitude da sabedoria divina. Embora sejam mais inteligentes do que os homens, não possuem a verdadeira sabedoria dos santos anjos, que conhecem, segundo a vontade de Deus, o melhor caminho para cada um de nós.

Há também uma diferença importante entre o demônio e o anjo da guarda. O demônio age como um invasor: tenta entrar em nossa vida sem ser chamado. Já o anjo da guarda, por respeito à liberdade que Deus nos deu, age como um servidor fiel, esperando nossa abertura e confiança.

Por isso, a devoção aos anjos da guarda é tão necessária. Eles estão constantemente ao nosso lado para nos proteger, inspirar e conduzir para Deus. E, justamente por serem mais sábios e fortes do que nós, é prudente recorrer a eles com humildade e confiança: “Meu Santo anjo da guarda, eu reverencio a tua presença e agradeço o teu auxílio. Abro-me aos teus cuidados e aos teus conselhos”

Alguns teólogos modernos irão afirmar que toda a ação atribuída aos anjos seria realizada diretamente por Deus através do Espírito Santo e, por isso, os anjos seriam apenas símbolos ou figuras piedosas. Entretanto, a Revelação confirma claramente a existência dos anjos da guarda. O próprio Evangelho fala deles, assim como diversas passagens das Escrituras, especialmente nos Atos dos Apóstolos. Além disso, muitos santos testemunharam sua presença e auxílio. Padre Pio, por exemplo, aconselhava frequentemente seus filhos espirituais: “Não deixem seus anjos da guarda ociosos; deem tarefas a eles.”

Quanto mais cultivamos devoção e reverência pelos nossos anjos da guarda, mais nos aproximamos da vontade de Deus. Eles existem para nos conduzir ao Céu e jamais perdem de vista essa missão. O demônio deseja nos afastar de Deus; o anjo da guarda, ao contrário, trabalha incessantemente para nos unir ao Senhor.

Muitas vezes somos nós que esquecemos que esta vida é passageira e que nosso destino final é o Céu. Por isso, peçamos constantemente o auxílio dos nossos santos anjos e agradeçamos a Deus por ter colocado ao nosso lado esses fiéis guardiões de Sua glória.

u/kentowho1 — 3 months ago

O que a vida de São Francisco nos ensina?

Numa época em que a Igreja Católica moldava toda a cultura, São Francisco de Assis percebeu claramente o principal problema da Igreja: muitos católicos haviam se tornado cristãos apenas “de carteirinha”, contentando-se em fazer o mínimo necessário.

Esse espírito de acomodação acabou levando a Igreja ao declínio, especialmente entre os membros do clero, que não procuravam a santidade de forma nenhuma. Ou seja, quando a locomotiva que puxa o trem não acelera, o trem inteiro começa a parar.

Foi nesse contexto que São Francisco apareceu diante do Papa pedindo a aprovação de sua Regra. Ele desejava viver o Evangelho “sine glosa”, isto é, sem suavizações ou interpretações que diminuíssem suas exigências. Queria seguir radicalmente o exemplo de Cristo, inclusive na pobreza.

Os membros da Cúria romana logo reagiram, dizendo, em essência, que o Evangelho não deveria ser vivido dessa forma tão literal. Ainda assim, Francisco pediu humildemente ao Papa autorização para abraçar plenamente essa radicalidade.

Aqui aparece a diferença entre quem deseja apenas “cumprir tabela” para se salvar e quem realmente busca a santidade. O santo não se limita ao mínimo exigido pelos Mandamentos; ele procura oferecer generosamente a Deus até aquilo que não lhe é obrigatório.

Francisco sabia que não era obrigado a viver na pobreza absoluta, permanecer casto ou praticar uma obediência heroica. Mesmo assim, escolheu livremente oferecer tudo isso a Deus. Para ele, a santidade consistia justamente nisso: com a ajuda da graça divina, entregar toda a vida em sacrifício de amor ao Criador.

Essa era também a vocação original do homem no paraíso. Adão vivia em harmonia com a criação, dominando-a e oferecendo tudo a Deus. Porém, com sua rebeldia, essa ordem foi rompida.

Por isso, São Francisco continua sendo um exemplo luminoso. Sua verdadeira “ecologia” não era apenas amor à natureza, mas a restauração da ordem correta: toda a criação submetida ao homem, e o homem submetido a Deus, oferecendo tudo ao Senhor em amor, entrega e sacrifício.

u/kentowho1 — 3 months ago

O testamento de um Rei santo para seu filho

Confira a carta que São Luís IX da França deixou a seu filho e descubra a maior glória que um Rei pode possuir neste mundo: ser servo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

"Filho dileto, começo por querer ensinar-te a amar o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com todas as tuas forças; pois sem isto não há salvação.

Filho, deves evitar tudo quanto sabes desagradar a Deus, quer dizer, todo pecado mortal, de tal forma que prefiras ser atormentado por toda sorte de martírios a cometer um pecado mortal.

Ademais, se o Senhor permitir que te advenha alguma tribulação, deves suportá-la com serenidade e ação de graças. Considera suceder tal coisa em teu proveito e que talvez a tenhas merecido. Além disto, se o Senhor te conceder a prosperidade, tens de agradecer-lhe humildemente, tomando cuidado para que nesta circunstância não te tornes pior, por vanglória ou outro modo qualquer, porque não deves ir contra Deus ou ofendê-lo valendo-te dos seus dons.

Ouve com boa disposição e piedade o ofício da Igreja e enquanto estiveres no templo, cuides de não vagueares os olhos ao redor, de não falar sem necessidade; mas roga ao Senhor devotamente, quer pelos lábios, quer pela meditação do coração.

Guarda o coração compassivo para com os pobres, infelizes e aflitos, e quando puderes, auxilia-os e consola-os. Por todos os benefícios que te foram dados por Deus, rende-lhe graças para te tornares digno de receber maiores. Em relação a teus súditos, sê justo até o extremo da justiça, sem te desviares nem para a direita nem para a esquerda; põe-te sempre de preferência da parte do pobre mais do que do rico, até estares bem certo da verdade. Procura com empenho que todos os teus súditos sejam protegidos pela justiça e pela paz, principalmente as pessoas eclesiásticas e religiosas.

Sê dedicado e obediente à nossa mãe, a Igreja Romana, e ao Sumo Pontífice como pai espiritual. Esforça-te por remover de teu país todo pecado, sobretudo o de blasfêmia e a heresia.

Ó filho muito amado, dou-te enfim toda a benção que um pai pode dar ao filho; e toda a Trindade e todos os santos te guardem do mal. Que o Senhor te conceda a graça de fazer sua vontade de forma a ser servido e honrado por ti. E assim, depois desta vida, iremos juntos vê-lo, amá-lo e louvá-lo sem fim. Amém."

u/kentowho1 — 3 months ago

Novo servidor católico no Discord

Inspirados pelo Oratório de São João Bosco, queremos reunir jovens católicos em um ambiente de amizade, estudos, oração e verdadeira fraternidade.

Buscamos a alegria simples de São Felipe Néri, que sabia unir santidade e bom humor, como também o exemplo de São Domingos Sávio, que levava a vida cristã muito a sério, mesmo sendo tão jovem.

Se você deseja um ambiente católico tradicional, acolhedor e fiel à fé, seja bem-vindo à União Sacrossanta!

discord.gg
u/kentowho1 — 3 months ago