u/sam_alexy

Eu sugeri uma coisa estranha pro barbeiro e ele aceitou por cansaço

Eu fui cortar o cabelo no fim do dia.

E quando eu digo fim do dia, eu quero dizer FIM mesmo.

A barbearia já tava naquele clima triste de encerramento. Cabelo no chão, cheiro de álcool, pano jogado no ombro da cadeira e um barbeiro com olhar de veterano de guerra.

Eu quase pedi desculpa só por entrar.

Mas já tava lá.

— Último cliente, graças a Deus — ele falou.

— Prometo não dar trabalho.

Mentira.

Dei trabalho pra caralho.

Meu cabelo simplesmente não cooperava.

Tem gente que nasce com cabelo liso, alinhado, comportado.

O meu parece que foi montado às pressas.

Tem redemoinho dos dois lados, fio crescendo torto e um pezinho que aparentemente desafiava as leis da geometria.

No começo o barbeiro tava tranquilo.

Mas conforme o corte avançava, eu percebia ele ficando lentamente irritado comigo sem eu ter feito absolutamente nada.

Ele cortava.

Olhava.

Arrumava.

Dava dois passos pra trás.

Franzia a testa.

Voltava.

Teve uma hora que ele ficou me encarando pelo espelho em silêncio absoluto.

Eu pensei:

"Pronto. Ele perdeu o cu na minha cara."

Mas não.

Era só meu cabelo dando trabalho.

Aí finalmente chegou no acabamento.

O famoso pezinho.

E ali começou o sofrimento de verdade.

Porque ele alinhava... e ficava torto.

Afastava... torto.

Tentava de novo... torto.

O homem entrou num ciclo mental perigoso.

A barbearia já tinha fechado.

Ele trancou a porta, desligou a placa luminosa e falou:

— Meu brother, eu não vou deixar você sair daqui assim.

Eu respondi:

— Ok.

Mas por dentro eu já tava pensando: "Talvez seja melhor aceitar o torto."

Só que agora aquilo tinha virado uma questão pessoal pra ele.

O barbeiro já não tava mais cortando cabelo.

Ele tava lutando contra o destino.

Aí ele falou:

— O pezinho tá muito difícil.

E eu, na maior inocência do mundo, respondi:

— Mas é porque você tá muito longe pra enxergar.

Ele me olhou estranho.

— Como assim muito longe?

— Sei lá. É uma área pequena.

Ele voltou pro espelho, tentando entender.

E foi aí que meu cérebro produziu uma idéia

Porque eu realmente achei genial naquele momento.

— Pode sentar em cima da minha cadeira. Vai ficar mais perto.

Silêncio.

O barbeiro lentamente virou a cabeça pra mim.

Depois pra cadeira.

Depois pra mim de novo.

— Mas você tá sentado nela.

— Relaxa. Ninguém tá vendo. E você não quer passar mais meia hora tentando acertar isso, né? — respondi

Ele respirou fundo.

Passou a mão no rosto.

Olhou pra porta fechada.

Olhou pro relógio.

Olhou pra própria vida.

E eu vi EXATAMENTE o momento em que o cansaço venceu a dignidade.

quando ele soltou:

— Ok... mas sem viadagem.

E aí aconteceu a pior decisão coletiva entre dois homens cansados da história da humanidade.

O barbeiro realmente veio.

Se ajeitou estranho na cadeira.

Tentou equilibrar o braço.

Ligou a máquina.

Pec tec.

Pec tec.

E nós dois fingindo MUITO que aquilo era um procedimento profissional normal.

Só que não era.

Não era normal em absolutamente nenhum contexto.

O silêncio começou a ficar pesado.

Eu olhando reto pro espelho.

Ele concentrado no acabamento como se uma bomba fosse explodir caso errasse a linha.

A máquina vibrando.

O ventilador fazendo barulho.

E a consciência dos dois tentando fugir do ambiente.

Aí aconteceu.

Uma coisa.

Uma sensação.

Um leve...

Não sei explicar.

Só sei que imediatamente o barbeiro travou.

TRAVOU.

A máquina parou no ar.

O corpo dele endureceu.

E naquele instante meu cérebro entrou em pânico porque eu percebi exatamente o que ele provavelmente tinha pensado.

Então, no desespero absoluto, eu falei:

— Desculpa, meu brother...

Silêncio.

Ele imóvel.

Aí eu piorei tudo.

— Foi sem querer.

E ele respondeu:

SEM QUERER O QUE? IRMÃO

Na mesma hora eu percebi que aquela era provavelmente a pior frase já dita numa barbearia desde a invenção da máquina zero.

O barbeiro desligou a máquina lentamente.

Ficou olhando pro espelho sem expressão nenhuma.

Eu fiquei quieto.

Ele ficou quieto.

A barbearia inteira ficou quieta.

A única coisa funcionando naquele lugar era o ventilador e o arrependimento.

Ele terminou meu corte em silêncio absoluto.

Nem olhava mais pra mim.

Quando acabou, eu levantei da cadeira parecendo um homem que acabou de voltar da guerra.

Paguei.

Agradeci.

E fui embora.

Mas eu ainda lembro da cara daquele barbeiro depois do "foi sem querer".

Porque eu tenho quase certeza que aquele homem terminou o expediente questionando todas as decisões que levaram ele até aquela profissão.

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u/sam_alexy — 2 days ago
▲ 141 r/Copicola+1 crossposts

ACHEI QUE TINHAM GOZADO NA CARA DA MINHA NAMORADA NO FORT ATACADISTA

EU PENSEI QUE TINHAM GOZADO NA CARA DA MINHA NAMORADA NO MERCADO

eu só fui no mercado pra comprar duas coisas: pão de queijo congelado e um refri.

coisa simples.

dia tranquilo.

minha namorada trabalhava num mercado de bairro desses que parecem cenário de caos organizado. tinha rádio interna, promoção de ovo gritada no microfone e senhoras que tratavam bandeja de ovo como se fosse ouro em tempos de guerra.

quando eu entrei, já senti que o ambiente tava errado.

tqva aquele calor de feira coberta, um cheiro misturado de detergente, cebola e frango congelado, e uma fila de gente com carrinho travado no meio do corredor como se fosse acidente de trânsito.

eu dei de cara com o setor de ovos e vi em minha frente a pior cena da minha vida.

a minha namorada tava parada no corredor do hortifruti, toda endurecida, com a cara branca e uma gosma escorrendo do rosto até o pescoço.

na frente dela tinha um cara com regata do Batman, chinelo molhado e expressão de quem já tinha perdido a dignidade antes mesmo de sair de casa.

ele tava tremendo e repetindo, alto demais:

— MOÇA, EU JURO POR DEUS QUE É OVO!

eu olhei aquilo e meu cérebro fez o que qualquer cérebro faria numa cena dessas: fiquei de xereca.

pq, vamos ser sinceros, a cena não ajudava nem um pouco.

minha namorada com a cara melada.

um desconhecido desesperado.

uma bandeja destruída no chão.

e um monte de gente olhando como se fosse novela das sete.

na mesma hora meu sangue ferveu.

eu larguei o cestinho no chão. Um iogurte estourou.

aí eu só pensei: acabou.

se ele fez o que eu tô pensando, ele vai apanhar aqui mesmo, no meio do corredor do alho.

eu me aproximei e falei com aquela calma falsa de quem tá prestes a cometer um crime:

— que pORRA foi esSA?

O cara me olhou com os olhos arregalados e começou a falar ao mesmo tempo que eu:

— NÃO, NÃO É ISSO! FOI UM OVO!

— ELA TOMOU NA CARA SEM QUERER!

— FOI ACIDENTE!

eu fiquei mais puto ainda de ter que ouvir aquilo

porque em qualquer outra situação “tomou na cara” já é uma frase horrível.

e naquele cenário então, ficou parecendo a pior coisa possível.

a minha namorada tentou falar, mas ela tava engasgando de vergonha e limpando a cara com papel toalha fino de mercado, daqueles que rasgam só de olhar.

q clara já tava agarrando no cabelo dela e eu vi uma gota escorrendo na orelha dela e pensei: eu já vi essa cena tantas vezes...

aí uma senhora que tava escolhendo tomate ouviu só metade da conversa e surtou:

— JESUS, O QUE TÁ ACONTECENDO AQUI?

outra senhora respondeu sem nem saber:

— EU NÃO SEI, MAS EU FALEI QUE ESSE MERCADO TINHA PUTARIA!

foi quando chegou o segurança.

e, claro, o infeliz se chamava Roberto.

porque segurança de mercado ou se chama Roberto ou César.

o Roberto chegou com aquela cara de quem já viu briga por morango, desabamento de caixa de leite e criança lambendo freezer.

ele olhou o chão, olhou o cara da regata, olhou minha namorada e perguntou, com a tranquilidade de um delegado de interior:

— Quem foi o responsável pela ejaculação?

porra meu nobre, EJACULAÇÃO?

minha namorada poderia estar ejaculada,

porém era da minha cara que estavam gozando

o mercado inteiro congelou.

congelou de verdade.

até a música do ambiente pareceu dar uma engasgada.

eu ouvi uma criança chorar em algum lugar perto das prateleiras de nugget.

minha namorada fechou os olhos com força.

o cara da regata levou a mão na testa como se quisesse desaparecer.

eu olhei pro Roberto e falei:

— O quê?

ele repetiu, sem mudar a expressão:

— Eu perguntei quem foi o responsável pela ejaculação.

aí foi o fim.

uma senhora no corredor do tomate fez o sinal da cruz.

alguém derrubou uma caixa de banana.

e eu, que até aquele momento tava preparado pra sair no soco, comecei a entender que talvez eu estivesse defendendo a pessoa errada da situação errada.

o cara da regata tentou explicar outra vez, gesticulando como louco:

— FOI OVOS! OVOS! EU TAVA LEVANDO DUAS BANDEJAS, A CRIANÇA BATEU EM MIM, ESCAPOU TUDO, VOOU OVOS POR TODO LADO!

ele apontou pro chão.

tinha gema. tinha clara. tinha casca. tinha uma cena de crime alimentar.

so que, sinceramente?

Naquele estado de nervos, eu não tava processando nada.

o que me convenceu de vez foi quando minha namorada, com o rosto ainda grudando de clara, só apontou pro cara e falou:

— amor... foi ovo.

eu fiquei parado.

sabe quando o cérebro dá aquela travada completa e você percebe que passou vergonha em alta definição?

então.

eu olhei de novo.

vi a bandeja quebrada.

vi um ovo cru escorrendo pelo balcão.

vi outra senhora passando um pano com cara de nojo.

vi o Roberto já desistindo da humanidade.

e então, pra piorar tudo, o cara da regata decidiu provar a inocência do jeito mais idiota possível: pegou outro ovo na bandeja e quebrou na própria testa.

só que não era ovo cru.

era ovo cozido.

o ovo explodiu na testa dele com um som seco de merenda escolar.

ele ficou imóvel.

a testa ficou suja.

a dignidade saiu andando pela porta dos fundos.

por um segundo, ninguém reagiu.

sepois a senhora do tomate soltou um:

— ai, meu Deus do céu...

eu olhei pra minha namorada.

ela olhou pra mim.

qí os dois começaram a rir.

rir de nervoso, rir de vergonha, rir porque já tinha passado do ponto de ser sério.

o Roberto só balançou a cabeça e falou:

— vou fingir que não vi isso.

aí foi todo mundo se desfazendo.

o cara da regata pediu desculpa umas quinze vezes, a minha namorada foi até o banheiro lavar o rosto, e eu fiquei sozinho no corredor pensando que tinha quase brigado com um homem por causa de uma mistura de ovos, calor e interpretação completamente errada da realidade.

no fim, eu ainda levei o pão de queijo e o refri.

mas saí do mercado com uma história que eu nunca vou poder contar com dignidade.

e minha namorada, toda vez que lembra, só fala:

— você ficou com ciúmes de um ovo.

e, infelizmente, ela não tá errada.

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u/Beautiful-Ask6460 — 2 days ago

I read a very specific book about 3 years ago and I can't remember the title for the life of me. It's set in a society of humanoid animals with a strict species hierarchy. Rabbits are among the lowest classes.

Key details I remember:

The protagonist is a rabbit who lives in an isolated part of the city with his father and younger brother.

The father is an alcoholic ex-military general (or soldier) who amputated his own arm.

The mother ran away with a lover before the events of the story.

The protagonist just wanted to help his dad.

At some point, while the father is away, the younger brother is killed by a "shadow creature" or a beast from the forest.

It has a very grim/dark fantasy tone.

Does anyone know what this is?

(translated by ai)

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u/sam_alexy — 19 days ago
▲ 4 r/Livros

Há uns três anos, eu li um livro bem específico que nunca mais saiu da minha cabeça. A história se passava em uma sociedade formada por animais humanóides, organizada por uma rígida hierarquia entre as espécies (não lembro de todas, mas sei que os coelhos estavam entre as classes mais baixas). O protagonista era um coelho que vivia com o irmão e o pai em um lugar isolado da cidade. O pai era um ex-militar que havia amputado o próprio braço. Em certo ponto da trama, o irmão do protagonista é morto por uma criatura da floresta enquanto o pai estava ausente.

Depois de lembrar disso, comecei a vasculhar a internet inteira, Google, ChatGPT, tudo. A única pista que encontrei foi um usuário aqui perguntando exatamente sobre esse mesmo livro... também sem resposta. Gostaria muito de reler ele novamente. o reddit é minha única esperança.

segue abaixo o que o usuário que eu achei falou:

me ajudem a achar o nome do livro

Gente, minha namorada descreveu uns acontecimentos de um livro que ela leu, mas ela não lembra o nome

Tem uma família de coelhos que o pai é um general militar alcoólatra e que cortou o próprio braço

E ela diz que o final a mãe foge com um amante e o filho dele só queria ajudar o pai E o irmão mais novo é morto por um ser das sombras

Me ajudem a achar o nome.

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u/sam_alexy — 19 days ago

basicamente, quando fiz 18 anos, minha mãe me pediu para fazer um esquema com o Bradesco, o qual liberava uma conta prime pra mim (cartão Black e essas paradas) descobri 2 anos depois, por acaso, que meu nome já estava negativado, minha mãe tinha usado essa minha conta (a qual ela disse que ia fazer investimentos) para fazer empréstimos e compras sem eu saber, a dívida chegou a 50 mil e eu nem tinha começado minha vida ainda, tentei entender e resolver mas ainda sai como vilão. hoje tenho o nome sujo por causa dela.

moral da história: nunca emprestem dinheiro pra ninguém, nem para a sua mãe.

u/sam_alexy — 19 days ago