Sermão escondido de saudades.
Me encontrei nos teus sermões.
Em cada olhar repreensivo, em cada conselho que eu fingia ignorar, mas guardava comigo por dias. Havia cuidado nas suas palavras, mesmo quando vinham duras. Havia carinho nas suas correções, mesmo quando eu não queria admiti-lo.
E, às vezes, me pergunto: e se eu te perder de vez?
Acho que sentiria sua falta todos os dias. Em cada manhã distraída, em cada pensamento solto, em cada pequena coisa que eu teria vontade de te contar. Sentiria falta da sua voz, das suas observações, da forma como você me enxergava quando eu mesma não conseguia me entender.
Não era amor de casal. Nunca foi.
Era algo diferente. Algo construído na convivência, na confiança e na presença constante. Um amor de companheiro. Daquele tipo raro que não exige promessas, mas deixa raízes.
E hoje afirmo, sem vergonha e sem receio: eu amo você com toda a força do meu corpo.
Talvez seja por isso que exista em mim uma tristeza silenciosa. Porque sei que nada é permanente. Porque sei que um dia o tempo cobrará o que sempre cobra de todos nós.
E, ainda assim, a verdade mais estranha é esta:
Eu já sinto sua falta.
Mesmo tendo você comigo.
Porque algumas pessoas se tornam tão importantes que o simples pensamento de um dia perdê-las já cria uma ausência. Como se a saudade chegasse antes da despedida. Como se o amor, ao reconhecer o seu tamanho, passasse a caminhar de mãos dadas com o medo.
E talvez seja justamente isso que torna tudo tão precioso. O fato de você ainda estar aqui, enquanto eu ainda posso dizer que te amo.