r/Escrevendominhavida

▲ 4 r/Escrevendominhavida+1 crossposts

1º rascunho - sinopse

Quando eu tinha 12 anos, comecei a escrever uma história de viagem no tempo genérica chamada "Corra! Que há pouco tempo!"

Hoje em dia, ela é meu projeto literário do meu coração - muito mais que viagem no tempo. Mas, achei o 1º rascunho da sinopse e... vejam por vocês:

1º rascunho:

Você já teve o desejo de consertar algo por puro arrependimento?

Tudo o que Alex queria era deixar seus pais orgulhosos. Mas ao roubar um livro secreto de seu professor, descobre que o tempo não perdoa e que o passado nunca muda como se espera.

De realidades quebradas a guerras impossíveis, ele enfrentará seus medos mais profundos enquanto confronta uma organização que vai muito além da dominação mundial.

No fim, talvez a única saída seja correr.

Porque há pouco tempo.

 

Versão atual:

Você já quis consertar o maior erro da sua vida, mesmo que isso custasse tudo?

Alex é mais um jovem brasileiro de vinte anos – fácil de ignorar, difícil de salvar.

Entre aulas na universidade, turnos exaustivos no mercado e contas impossíveis, ele arrasta os dias na esmagadora São Paulo apenas para repetir o ciclo.

Alex acorda todo dia tentando se convencer que merece existir. Tudo por uma mentira que destruiu sua família há oito anos.

Não pode mais ser assim.

Consumido pela culpa, Alex decide cometer o pior crime da própria vida para desfazer o primeiro. Apenas para chamar papai e mamãe de novo.

Além de assassino, agora ele é um ladrão – que rouba o artefato capaz de abrir fendas no tempo. É a sua última chance.

Mas o tempo não perdoa erros.

Alex descobre que salvar o passado é um jogo violento, onde o menor gesto pode destruir o presente. Ele não é o único capaz de rasgar as linhas temporais.

Conforme atravessa o tempo, Alex encontra outras pessoas tentando consertar o que as destruiu. Pessoas que também só queriam que alguém voltasse.

Alex perceberá que o sacrifício é inevitável.

E no fim, talvez a única saída seja correr.

Porque há pouco tempo.

 

"Eu só queria que eles voltassem." (frase de contacapa)

Agradecimentos, Alex :)

reddit.com
u/Alex-Oliveira-Moscon — 5 days ago
▲ 10 r/Escrevendominhavida+6 crossposts

Corra! Que há pouco tempo! - Capítulo 1, cena 1

1

 

O despertador gritou.

Há oito anos o despertador gritava sozinho.

Aquela musiquinha infernal tocava em um velho celular, acompanhada de uma luz azul piscando “4:30”.

Alex acordou.

Levantou a mão na frente da boca e assoprou. Bafo. Balançou a mão.

Acendeu a luz. Os olhos arderam. Cheiro de gordura velha e mofo.

Arrastou-se até a pia do banheiro.

No espelho, um estranho: espinhas inflamadas nas bochechas, cabelo preto arrepiado e um bigode fino que não impressionava nem ele mesmo.

Desviou sua visão para a torneira e a ligou.

A água gelada bateu em seu rosto, molhando o tubo de pasta de dente. Desligou a torneira. Encarou o tubo por um longo tempo.

Suspirou e espremeu o plástico molhado.

Nada saiu.

Lançou-o no lixo e saiu do banheiro.

Vestiu o uniforme – surrado e amassado. Ainda não tinha lavado. Passou desodorante por cima da roupa e esticou o braço em direção à geladeira: arroz da semana passada e três ovos.

Enfiou tudo em um pote e colocou dentro da mochila. Agora eram dois ovos. Mais dois dias.

Conferiu os materiais. Provas amassadas, com notas em vermelho. Passou os olhos rapidamente pela foto na cômoda.

Alex agarrou as provas e colocou no fundo da pasta.

Jogou a pasta no fundo da mochila e fechou o zíper.

reddit.com
u/Alex-Oliveira-Moscon — 7 days ago
▲ 5 r/Escrevendominhavida+3 crossposts

Corra! Que há pouco tempo! (sinopse)

Olá, estou escrevendo um drama psicológico baseado na minha vida (com elementos de ficção científica e suspense) e gostaria de vos apresentar a sinopse para uma análise crítica, tudo bem?

Perdão alguma coisa e...

Agradecimentos, Alex :)

Você já sentiu o desejo de consertar algo por puro arrependimento, mesmo que isso custasse tudo?

Alex é mais um jovem brasileiro de vinte anos – fácil de ignorar, difícil de salvar. Ele carrega esse desejo todos os dias. Seus pais, que só queriam uma família feliz, morreram há oito anos por uma mentira.

Entre as aulas e os turnos no mercado, ele arrasta os dias em São Paulo apenas para chegar em casa, dormir e repetir o ciclo.

Movido por uma obsessão perigosa, ele tenta reverter seu erro roubando um livro proibido. Entre as páginas, um artefato capaz de abrir fendas no tempo. É sua última chance de redenção.

Mas o milagre dura pouco.

Ao cruzar para uma nova realidade, Alex descobre que salvar o passado é um jogo violento, onde o menor soco pode destruir o presente. Ele não é o único capaz de rasgar as linhas temporais. Agora cada segundo é uma fuga.

O que deveria ser uma tentativa de corrigir uma tragédia logo arrasta outras pessoas para o caos.

Gabriella, a única que enxergava Alex além de um escravo cansado, decide procurá-lo e desaparece. Carlos, seu melhor amigo desde a infância e o elo que o mantém vivo, parte em busca dos dois.

A mente dos seus amigos oscila entre situações presentes que só pioram e os seus segredos passados trancafiados no fundo de suas consciências.

Obrigado a escolher entre a batalha e o cano frio e metálico, Alex perceberá que o tempo não perdoa erros. Para impedir que a loucura de uma força mais do que ancestral apague tudo, o sacrifício se tornará necessário. Em uma realidade prestes a colapsar, a memória pode ser a única coisa que restará.

No fim, talvez a única saída seja correr.

Porque há pouco tempo.

 

reddit.com
u/Alex-Oliveira-Moscon — 10 days ago
▲ 5 r/Escrevendominhavida+3 crossposts

Mostre, não diga (show, don't tell) - fator essencial da escrita criativa

Carlos e Gabriella (meus amigos) estavam lendo o manuscrito da minha história, e me perguntaram uma coisa (pergunta reformulada para esclarecimento):

"Eu não sei como, mas porque parece que esse trecho revela tanto sobre você (o personagem)?"

(eis o trecho do meu livro)

"[...] um cheiro químico-doce. Observou ao lado e viu alguém fum@ndo vap# (reddit não gosta de palavras mais "pesadas") e oferecendo aos outros.

Alex encarou por alguns segundos, abaixou a cabeça para os seus pés e continuou [...]"

A resposta é mostre, não diga.

Por isso, gostaria de compartilhar o conteúdo de show, don't tell mostre, não diga aqui. (Sem mais delongas)

1. Definição do Google: " 'Mostre, não conte' (Show, don't tell) é a regra de ouro da escrita criativa. Em vez de declarar um fato de forma direta e sem emoção, essa técnica usa ações, detalhes sensoriais e diálogos para fazer com que o leitor vivencie a história. Ela substitui explicações vazias por cenas imersivas."

2. Explicação: Ou seja, exemplificando com o filme "Divertidamente 2" (um exemplo bobo e sem muito nexo com o filme), se essa história fosse escrita, eu até poderia dizer "Riley teve uma crise de ansiedade. Dentro de sua mente, a ansiedade apertava vários botões em desespero" mas eu não SINTO ela em ansiedade, eu não fica desesperado com ela. Eu só recebo a informação.

No entanto, se eu escrever: "Riley sentiu o suor frio atrás da nuca. Olhou para as suas mãos - trêmulas. Começou a respirar mais rápido, e o coração explodiu. Dentro de sua mente, a Ansiedade empurrou as outras emoções, assumiu o painel e começou a girar a roleta freneticamente. Respiração tensa. Olhos arregalados."

Mesmo que seja um exemplo genérico, o 2º trecho ficou melhor, porque não só temos a informação dela em ansiedade, mas também sentimos junto com ela. Mais imersão, tensão e até qualidade em si (até o fato do autor confiar ou não no leitor).

Voltando ao meu livro, podemos perceber que esse simples olhar pode ser interpretativo e indicar diversas coisas - mesmo que disse explicitamente sobre o vap#. Afinal, devemos mostrar e dizer no momento certo; infelizmente não tem a fórmula das vezes que você tem que dizer ou não, mas você pode tentar reconhecer os momentos certos. Sigamos com outro exemplo do meu manuscrito:

"[...]

Alex acordou.

Levantou a mão na frente da boca e assoprou. Bafo. Balançou a mão.

[...]

Encarou o tubo por um longo tempo.

Suspirou e espremeu o plástico molhado.

Nada saiu.

Lançou-o no lixo e saiu do banheiro."

O primeiro trechinho DIZ e MOSTRA bastante. Eu poderia falar dos olhos abrindo e da claridade entrando, ou da aversão ao cheiro do bafo - mas isso iria ferir outro ponto crucial de qualquer narrativa: ritmo. A frase iria ficar muito longa, e não seria utilizado para absolutamente nada: não daria mais tensão ou imersão, não passa uma informação no sub-texto e é só enrolação.

Ainda assim, o primeiro trechinho não fala: mau hálito. Ele mostra a ação e só depois explica o que é: um mostrar funcional, que torna o resto eficiente. Já mostro com outro exemplo como, às vezes, um "dizer" eficiente (e muito bom e bem colocado) é superior ao "mostrar".

No segundo trechinho, eu não digo que o tubo (de pasta de dente) estava vazio. Porque é um detalhe importante para o futuro das cenas. E não afeta o ritmo.

Não estou falando que sou o King, estou tentando ajudar autores novos para escrever suas histórias incríveis - assim como eu sou.

Enfim, chegou a hora do "dizer bem":

"[...] Alex desceu e caminhou pela calçada por cinco minutos até chegar à UTABC – Universidade Tecnológica do ABC. [...]"

Ao invés de uma cena longa, eu disse e fui direto ao que importava: não é necessário eu falar dos passos e das pessoas (sendo que já fiz o negócio do vap#)

"Há oito anos o despertador gritava sozinho."

Em teoria, eu disse sobre a minha (e a do personagem) solidão (a princípio) em uma linha. Mas eu disse, não mostrei um flashback.

"O irmão ainda jazia trancado no quarto."

Eu resumi sobre um tempo do tal "irmão" trancado no quarto. Eu disse. Porque mostrar não é relevante para mim.

3. Conclusão: a grande virada de chave para nós, escritores iniciantes, é entender que mostrar e não dizer não significa destruir o "dizer" da sua história.

Se você tentar mostrar absolutamente tudo, seu livro fica mais longo que os 66 da bíblia (no 1º capítulo).

O segredo é o equilíbrio e o seu objetivo como autor em cada linha:Q

Resumindo o conceito (tem mais coisas, mas recomendarei um canal de escrita brasileiro no final): quando a cena carregar peso emocional, revelação de personagem, mistério ou alta tensão, mostre; quando precisar controlar o ritmo, passar o tempo de forma eficiente ou resumir fatos de fundo que o leitor só precisa estar ciente para avançar, diga.

Ao dominar isso, você para de subestimar a inteligência do seu leitor. Você não precisa explicar cada sentimento. Dê imagens e sensações com o "mostrar", mas o "dizer", muitas vezes, é o motor da sua história.

Equilibre e seja feliz vendo sua história sair do berço.

(Canal do Youtube: Olivia Lober)

Falow, perdão alguma coisa e...

Agradecimentos, Alex :)

reddit.com
u/Alex-Oliveira-Moscon — 13 days ago