u/AHopefulEntropy

Military enlistment and wartime conscription should be voluntary

This is not a matter of national duty toward the state. If the cause of a war is truly just, there will be no shortage of people willing to fight for it. Modern wars are, to a large extent, not in the interest of ordinary people; we are fighting to defend the interests of politicians and capitalists. Furthermore, wars driven by ambition and private interests would likely become less frequent without mandatory enlistment or conscription.

Those who do not go to war still contribute to society, as they must work to survive and sustain economic and social activities.

The end of mandatory enlistment and conscription would represent an important step toward gender equality. If a cause is genuinely in the people's interest, men and women will fight consciously and voluntarily. Likewise, people with responsibilities related to raising children, pregnant women, and individuals caring for elderly family members would naturally not go to the front lines.

A professional army composed of volunteers is far more consistent with the principles we claim to uphold today. At present, we are not fighting to defend what we love; we are fighting to defend politicians and capitalists, causing suffering to those we love.

Moreover, what is being done to Ukrainian and Russian men is extremely cruel. In Ukraine, there are documented cases of men being forced into vans by government agents for military mobilization under threats and violence. Meanwhile, family members and community members watch in despair, crying and mourning the likely loss of a loved one. I sympathize with Ukrainian citizens who are fleeing the country, with Russian and Ukrainian women who are moving abroad to care for their children or build new lives, and with those who are choosing not to have children in these countries.

It is often argued that women are equally capable of fighting, yet in many contexts they continue to be excluded from frontline combat roles. These differences in gender expectations during wartime end up legitimizing gender differences in peacetime and weakening the legitimate feminist argument for equality.

We urgently need to change global militarism: for dignity, equality between men and women, fewer wars, and the weakening of imperialism.

reddit.com
u/AHopefulEntropy — 3 days ago

Reflexão sobre Sexismo, discurso de progressista em tempos de guerra e em tragédias

É comum encontrar discursos em redes sociais de que as mulheres são privilegiadas por não irem para a guerra e de que a vida das mulheres vale mais do que a vida dos homens. Isso revela um descontentamento e uma desconexão com os discursos de igualdade de gênero, especialmente em contextos de guerra e tragédias. Também me incomoda a ideia de que a vida das mulheres seria mais importante do que a vida dos homens. Na mídia, fala-se frequentemente que mulheres e crianças estão morrendo em guerras, mas raramente se destaca que a maioria das vítimas fatais costuma ser composta por homens. Isso me levou a refletir sobre as diferentes formas de valorização da vida humana e sobre se essas percepções realmente significam que algumas vidas valem mais do que outras.

Devemos distinguir dois tipos de valorização que atribuímos às pessoas, para termos uma noção mais realista dessa diferenciação e, talvez, nos satisfazermos com ela. Existem dois tipos de valorização da vida do indivíduo: uma valorização humanista e empática e outra, uma valorização utilitarista e objetificante. Na primeira, a valorização se baseia na ideia de que todos somos iguais em dignidade, sonhos, desejos e moral, não importa seu sexo, “raça”, orientação sexual ou gênero. Na outra, é uma valorização egoísta; não é sobre você, mas sobre o que podem tirar de você. Aqui se atribuem valores diferentes a um indivíduo A do que a um indivíduo B, baseados no que se pode conseguir de A mais do que de B. A diferenciação de valor entre homens e mulheres cabe na valorização utilitária e objetificante: podemos tirar mais proveito das mulheres do que dos homens, protegendo-as e mandando os homens arriscarem a própria vida.

A valorização utilitarista é a que impera no contexto militar, político e econômico. Historicamente, as mulheres são vistas como menos eficientes na linha de frente em batalhas. Os homens, em geral, têm uma predisposição física maior do que as mulheres: força, agilidade, velocidade, resistência a impactos, capacidade cardiovascular... As mulheres, por outro lado, são um fator limitador da capacidade reprodutiva de um grupo: poucos homens podem ter filhos com várias mulheres, mas poucas mulheres limitam a capacidade reprodutiva masculina. A sociedade é socializada para crer que mulheres precisam de proteção, e homens são ensinados a proteger; confrontar isso em contexto de guerra é tratado como inconveniente.

Em contextos de resgates, catástrofes, valorização humana, proteção civil e direitos humanos, o que governa é a valorização humanista. Assumindo um grupo de pessoas inocentes, não há sentido em valorizar algumas mais do que outras porque são brancas ou negras, mulheres ou homens. Porém, quando não conseguimos agir sobre todas as pessoas em risco, devemos ponderar a minimização dos danos, do sofrimento e das perdas humanas. Nesse caso, as mulheres, comumente, são tidas como as mais vulneráveis. De fato, devido às diferenças físicas e às opressões históricas, as mulheres tendem a ser as mais vulneráveis fisicamente e psicologicamente. Pense em um bolsão de ar sendo preenchido por água dentro de um navio afundando. Um resgatista se depara com duas pessoas dentro da água: uma está com água até o nível do nariz e a outra com água até o nível do ombro. O resgatista vai preferir salvar a pessoa que está com água na altura do nariz, não porque sua vida vale mais, mas porque deseja minimizar as perdas. Na maioria das situações de risco, as mulheres se encontram como a pessoa com água na altura do nariz, enquanto o homem está com água na altura do ombro. Aqui não se trata de valorizar alguém mais do que outro, ou pelo menos não deveria ser; trata-se de minimizar os danos e as perdas.

Mas eu me oponho fortemente à valorização militarista vigente; acredito que ela se encontra obsoleta. Essa percepção de que preservar as mulheres para terem filhos permite a perpetuação de um “povo”, mas que, na verdade, trata-se de preservar visões de mundo, zonas de influência de corporações, ricos e poderosos, se frustra diante da realidade. Antigamente, essa estratégia poderia funcionar parcialmente porque as mulheres tinham seus corpos controlados, sua liberdade limitada e não tinham controle sobre a reprodução. Além disso, antigamente, os povos eram pequenos, isolados e intolerantes a outros povos. Hoje, vivemos em um mundo globalizado, onde apenas a existência de um povo não ameaça outros, onde podemos nos reproduzir com pessoas de outros países, onde as mulheres podem escolher não engravidar, onde os homens são cobrados para cuidarem dos filhos e onde podemos valorizar o afeto, a lealdade nas relações e as escolhas pessoais. Diante disso tudo, as mulheres podem simplesmente ir para outros países, escolher não ter filhos, frustrando os desejos políticos e econômicos. Os homens que voltarem podem, maioritariamente, formar uma família monogâmica e não ter filhos com várias mulheres. As mulheres não desejarão ser usadas apenas como chocadeiras para gestar os filhos; desejarão formar casais, amar verdadeiramente e ter um companheiro. Além disso, adotando por um instante a abordagem puramente populacional e animalesca, considerando o mundo globalizado, os homens tendem a ser melhores perpetuadores de legados, visões políticas, economias e culturas do que as mulheres, justamente porque eles podem sair do país e gerar vários filhos em diferentes locais, investindo minimamente na reprodução, enquanto as mulheres devem permanecer em um local devido a um maior investimento parental biológico inicial.

Sobre a valorização humanista, reconheço as ponderações que levam em consideração a minimização dos danos e perdas. Porém, não devemos ter uma visão viciada, onde os homens são, em todos os contextos, os inatingíveis, e as mulheres, sempre as vulneráveis. Homens podem ser considerados o sexo frágil quando se trata de doenças cardiovasculares, vulnerabilidade a vícios e propensão ao suicídio, certas doenças genéticas. Fico muito incomodado com o tratamento que os homens recebem em situações de violência sexual, em que eles são as vítimas. São considerados “frouxos”, “gays” (nada contra homossexuais, mas não podemos deixar de considerar que a sexualidade da pessoa é questionada aqui), são vítimas de chacota, porque um homem não deveria ser vítima, por exemplo, de uma mulher; afinal, ele é o forte e inabalável.

A instituição que mantém a obrigatoriedade do serviço militar e a conscrição em tempos de guerra para o sexo masculino deveria ser extinta. Falamos em igualdade de gênero, direitos e deveres iguais, mas apenas os homens são obrigados a ir para a guerra. O sexismo que existe em tempos de guerra, atribuindo distinções de expectativas entre homens e mulheres, dá sentido às diferenças de expectativas entre homens e mulheres em tempos de paz. Em tempos de paz, os homens ainda serão considerados os protetores potenciais, os provedores, e as mulheres, as vulneráveis. O discurso de igualdade se torna “hipócrita” se invisibilizar esse sexismo em tempos de guerra, que se propaga em tempos de paz. O exército deveria ser fortalecido, mas ser um exército voluntário. Não deveríamos ser obrigados a lutar por aquilo que não defendemos, por interesses de políticos, corporações e zonas de influência que não escolhemos. Fala-se em defender o povo ou defender quem amamos, mas isso é mentira. Estamos defendendo corporações e zonas de influência de governantes. A obrigação de guerrear põe em risco as pessoas que amamos. Se não houvesse a obrigatoriedade, perderíamos território para novos governantes, mas dificilmente colocaríamos em risco aquilo e aqueles que realmente valorizamos e que nos valorizam.

Dizem que “homens fazem guerras e as mulheres é que sofrem com elas”, parcialmente verdadeira. Porém, invisibiliza-se, assim, o sofrimento masculino, normaliza-se o sexismo e desvia-se a culpa dos verdadeiros autores. “A guerra é um lugar onde jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam por decisões de velhos que se conhecem e se odeiam, mas não se matam.” Apesar de ter se tornado um clichê, essa frase carrega um significado profundo e verdadeiro. Os verdadeiros autores das guerras são os governantes e as corporações. Na verdade, os poderosos fazem as guerras, e homens e mulheres comuns sofrem com elas.

Enfim, as mulheres não são mais valorizadas que os homens; trata-se de objetificação, narrativas midiáticas e políticas e estratégia militar. Devemos mudar a valorização militarista histórica que, por inércia, permanece em nossa sociedade. Precisamos fortalecer a valorização humanista, em que todas as vidas têm o mesmo valor intrínseco e o direito à vida, independentemente do sexo, “raça”, gênero, religião ou nacionalidade.

O que vocês acham dessas ideias? Estou aberto a críticas, discordâncias e contribuições que possam complementar, desafiar ou expandir o assunto.

reddit.com
u/AHopefulEntropy — 4 days ago

Reflexão sobre Sexismo, discurso de progressista em tempos de guerra e em tragédias

Permeia-se na sociedade o discurso de que as mulheres são privilegiadas por não irem para a guerra e de que a vida das mulheres vale mais do que a vida dos homens. Isso revela um descontentamento e uma desconexão com os discursos de igualdade de gênero, especialmente em contextos de guerra e tragédias. Também me incomoda a ideia de que a vida das mulheres seria mais importante do que a vida dos homens. Na mídia, fala-se frequentemente que mulheres e crianças estão morrendo em guerras, mas raramente se destaca que a maioria das vítimas fatais costuma ser composta por homens. Isso me levou a refletir sobre as diferentes formas de valorização da vida humana e sobre se essas percepções realmente significam que algumas vidas valem mais do que outras.

Devemos distinguir dois tipos de valorização que atribuímos às pessoas, para termos uma noção mais realista dessa diferenciação e, talvez, nos satisfazermos com ela. Existem dois tipos de valorização da vida do indivíduo: uma valorização humanista e empática e outra, uma valorização utilitarista e objetificante. Na primeira, a valorização se baseia na ideia de que todos somos iguais em dignidade, sonhos, desejos e moral, não importa seu sexo, “raça”, orientação sexual ou gênero. Na outra, é uma valorização egoísta; não é sobre você, mas sobre o que podem tirar de você. Aqui se atribuem valores diferentes a um indivíduo A do que a um indivíduo B, baseados no que se pode conseguir de A mais do que de B. A diferenciação de valor entre homens e mulheres cabe na valorização utilitária e objetificante: podemos tirar mais proveito das mulheres do que dos homens, protegendo-as e mandando os homens arriscarem a própria vida.

A valorização utilitarista é a que impera no contexto militar, político e econômico. Historicamente, as mulheres são vistas como menos eficientes na linha de frente em batalhas. Os homens, em geral, têm uma predisposição física maior do que as mulheres: força, agilidade, velocidade, resistência a impactos, capacidade cardiovascular... As mulheres, por outro lado, são um fator limitador da capacidade reprodutiva de um grupo: poucos homens podem ter filhos com várias mulheres, mas poucas mulheres limitam a capacidade masculina de ter filhos. A sociedade é socializada para crer que mulheres precisam de proteção, e homens são ensinados a proteger; confrontar isso em contexto de guerra é tratado como inconveniente.

Em contextos de resgates, catástrofes, valorização humana, proteção civil e direitos humanos, o que governa é a valorização humanista. Assumindo um grupo de pessoas inocentes, não há sentido em valorizar algumas mais do que outras porque são brancas ou negras, mulheres ou homens. Porém, quando não conseguimos agir sobre todas as pessoas em risco, devemos ponderar a minimização dos danos, do sofrimento e das perdas humanas. Nesse caso, as mulheres, comumente, são tidas como as mais vulneráveis. De fato, devido às diferenças físicas e às opressões históricas, as mulheres tendem a ser as mais vulneráveis fisicamente e psicologicamente. Pense em um bolsão de ar sendo preenchido por água dentro de um navio afundando. Um resgatista se depara com duas pessoas dentro da água: uma está com água até o nível do nariz e a outra com água até o nível do ombro. O resgatista vai preferir salvar a pessoa que está com água na altura do nariz, não porque sua vida vale mais, mas porque deseja minimizar as perdas. Na maioria das situações de risco, as mulheres se encontram como a pessoa com água na altura do nariz, enquanto o homem está com água na altura do ombro. Aqui não se trata de valorizar alguém mais do que outro, ou pelo menos não deveria ser; trata-se de minimizar os danos e as perdas.

Mas eu me oponho fortemente à valorização militarista vigente; acredito que ela se encontra obsoleta. Essa percepção de que preservar as mulheres para terem filhos permite a perpetuação de um “povo”, mas que, na verdade, trata-se de preservar visões de mundo, zonas de influência de corporações, ricos e poderosos, se frustra diante da realidade. Antigamente, essa estratégia poderia funcionar parcialmente, porque as mulheres tinham seus corpos controlados, sua liberdade limitada e não tinham controle sobre a reprodução. Além disso, antigamente, os povos eram pequenos, isolados e intolerantes a outros povos. Hoje, vivemos em um mundo globalizado, onde apenas a existência de um povo não ameaça outros, onde podemos nos reproduzir com pessoas de outros países, onde as mulheres podem escolher não engravidar, onde os homens são cobrados para cuidarem dos filhos e onde podemos valorizar o afeto, a lealdade nas relações e as escolhas pessoais. Diante disso tudo, as mulheres podem simplesmente ir para outros países, escolher não ter filhos, frustrando os desejos políticos e econômicos. Os homens que voltarem podem, maioritariamente, formar uma família monogâmica e não ter filhos com várias mulheres. As mulheres não desejarão ser usadas apenas como chocadeiras para gestar os filhos; desejarão formar casais, amar verdadeiramente e ter um companheiro. Além disso, adotando por um instante a abordagem puramente populacional e animalesca, considerando o mundo globalizado, os homens tendem a ser melhores perpetuadores de legados, visões políticas, economias e culturas do que as mulheres, justamente porque eles podem sair do país e gerar vários filhos em diferentes locais, investindo minimamente na reprodução, enquanto as mulheres devem permanecer em um local devido a um maior investimento parental biológico inicial.

Sobre a valorização humanista, reconheço as ponderações que levam em consideração a minimização dos danos e perdas. Porém, não devemos ter uma visão viciada, onde os homens são, em todos os contextos, os inatingíveis, e as mulheres, sempre as vulneráveis. Homens podem ser considerados o sexo frágil quando se trata de doenças cardiovasculares, vulnerabilidade a vícios e propensão ao suicídio, certas doenças genéticas. Fico muito incomodado com o tratamento que homens recebem em situações de violência sexual, onFico muito incomodado com o tratamento que os homens recebem em situações de violência sexual, em que eles são as vítimas.de eles são as vítimas. São considerados “frouxos”, “gays” (nada contra homossexuais, mas não podemos deixar de considerar que a sexualidade da pessoa é questionada aqui), são vítimas de chacota, porque um homem não deveria ser vítima, por exemplo, de uma mulher; afinal, ele é o forte e inabalável.

A instituição que mantém a obrigatoriedade do serviço militar e a conscrição em tempos de guerra para o sexo masculino deveria ser extinta. Falamos em igualdade de gênero, direitos e deveres iguais, mas apenas os homens são obrigados a ir para a guerra. O sexismo que existe em tempos de guerra, atribuindo distinções de expectativas entre homens e mulheres, dá sentido às diferenças de expectativas entre homens e mulheres em tempos de paz. Em tempos de paz, os homens ainda serão considerados os protetores potenciais, os provedores, e as mulheres, as vulneráveis. O discurso de igualdade se torna “hipócrita” se invisibilizar esse sexismo em tempos de guerra, que se propaga em tempos de paz. O exército deveria ser fortalecido, mas ser um exército voluntário. Não deveríamos ser obrigados a lutar por aquilo que não defendemos, por interesses de políticos, corporações e zonas de influência que não escolhemos. Fala-se em defender o povo ou defender quem amamos, mas isso é mentira. Estamos defendendo corporações e zonas de influência de governantes. A obrigação de guerrear põe em risco as pessoas que amamos. Se não houvesse a obrigatoriedade, perderíamos território para novos governantes, mas dificilmente colocaríamos em risco aquilo e aqueles que realmente valorizamos e que nos valorizam.

Dizem que “homens fazem guerras e as mulheres é que sofrem com elas”, parcialmente verdadeira. Porém, invisibiliza-se, assim, o sofrimento masculino, normaliza-se o sexismo e desvia-se a culpa dos verdadeiros autores. “A guerra é um lugar onde jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam por decisões de velhos que se conhecem e se odeiam, mas não se matam.” Apesar de ter se tornado um clichê, essa frase carrega um significado profundo e verdadeiro. Os verdadeiros autores das guerras são os governantes e as corporações. Na verdade, os poderosos fazem as guerras, e homens e mulheres comuns sofrem com elas.

Enfim, as mulheres não são mais valorizadas que os homens; trata-se de objetificação, narrativas midiáticas e políticas e estratégia militar. Devemos mudar a valorização militarista histórica que, por inércia, permanece em nossa sociedade. Precisamos fortalecer a valorização humanista, em que todas as vidas têm o mesmo valor intrínseco e o direito à vida, independentemente do sexo, “raça”, gênero, religião ou nacionalidade.

O que vocês acham dessas ideias? Estou aberto a críticas, discordâncias e contribuições que possam complementar, desafiar ou expandir minha percepção sobre o assunto que me incomoda, porém não acho outro lugar para discutir.

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u/AHopefulEntropy — 4 days ago

Problematização do ideias sexistas em discursos progressistas

Recentemente, vi alguns textos jornalísticos, acadêmicos e publicações em redes sociais sobre qual seria a utilidade dos homens, tentando construir um discurso de inutilidade e obsolescência masculina.

Os comentários que acompanhavam essas publicações eram, em sua maioria, de pessoas desconfortáveis com esse tipo de texto, desqualificando o feminismo e tentando evidenciar as "utilidades" dos homens na sociedade.

Acho que esse tipo de publicação prejudica o feminismo e a visão de uma sociedade mais igualitária que imagino.

Apoio o feminismo. Apoio a igualdade de direitos, de oportunidades e de dignidade entre homens e mulheres. Acredito que a emancipação das mulheres foi uma conquista social muito importante e benéfica para todos (homens e mulheres).

Mas justamente por isso me incomodam alguns discursos que, embora se apresentem como progressistas, acabam reproduzindo a mesma lógica que dizem combater.

Não falo do feminismo como um todo. Falo de certas colunistas, comentaristas e "ativistas" que recorrem a ideias como a "utilidade dos homens", a "obsolescência dos homens" ou a suposta necessidade de justificar a existência masculina por alguma função biológica, econômica ou social.

O problema não está em criticar privilégios, estruturas sociais ou papéis tradicionais. O problema está em tratar seres humanos como ferramentas.

Quando perguntamos qual é a utilidade de um grupo de pessoas, já aceitamos uma lógica perigosa: a de que o valor de alguém depende da função que desempenha. E essa lógica não emancipa ninguém. Ela apenas troca os instrumentos de lugar.

A mesma visão que reduziu mulheres à reprodução, ao cuidado e ao serviço doméstico é a visão que tenta reduzir homens à proteção, ao trabalho, à provisão ou a qualquer outra função. Em ambos os casos, pessoas deixam de ser indivíduos e passam a ser recursos.

E há uma ironia que raramente é percebida.

Quando alguém pergunta qual é a utilidade dos homens, geralmente imagina estar diminuindo os homens. Mas, se aceitarmos a lógica da utilidade até suas últimas consequências, podemos chegar à conclusão oposta.

Imagine uma narrativa puramente utilitarista.

Machos e fêmeas surgem. As fêmeas assumem os custos da reprodução: a gravidez, os riscos da gestação, o parto e os primeiros cuidados com os filhos. Os machos se deparam com a possibilidade de deixar descendentes sem carregar esses mesmos custos biológicos.

A partir daí, numa leitura estritamente utilitarista, a mulher passa a ser definida por sua função reprodutiva. O homem, por sua liberdade em relação a ela.

Enquanto a mulher gesta, amamenta e cuida, o homem explora, conquista, acumula riqueza, disputa poder, constrói instituições, cria impérios e deixa sua marca no mundo. Os filhos nascem dos corpos das mulheres, mas carregam também os nomes, os projetos, os patrimônios e as ambições dos homens.

Nessa narrativa, a mulher seria a utilidade? O homem seria o beneficiário da utilidade?

A mulher seria o meio? O homem seria o fim?

É uma narrativa profundamente desconfortável!

E justamente por ser desconfortável ela revela algo importante: quando passamos a enxergar seres humanos através da lente da utilidade, inevitavelmente começamos a perguntar quem serve e quem é servido, quem produz e quem se beneficia, quem é instrumento e quem é autor.

Não considero isso progresso. Considero uma continuação da mesma opressão sob uma nova linguagem.

Chamam os homens de inúteis como se isso fosse uma ofensa.

Eu digo: ótimo.

Ser útil é a condição das ferramentas. Martelos são úteis. Máquinas são úteis. Animais de carga são úteis. Tudo aquilo que existe para servir a um propósito definido por outro é útil.

Mas seres humanos não são ferramentas.

Durante séculos tentaram justificar a existência das pessoas por suas funções. Disseram que as mulheres existem para gerar e cuidar dos filhos. Disseram que os homens existem para proteger, prover e construir. Transformaram pessoas em instrumentos e chamaram isso de virtude.

Mas eu pergunto: útil para quê/quem?

Se as mulheres são úteis porque geram novos seres humanos, qual é a utilidade de gerar novos seres humanos? E qual é a utilidade desses novos seres humanos? E dos que vierem depois deles?

A cadeia da utilidade nunca termina. Ela apenas empurra a pergunta para a próxima inferência.

A verdade é mais simples e mais desconfortável: nenhum ser humano possui uma utilidade essencial que justifique sua existência.

E isso é uma das coisas mais belas sobre nós.

Os homens não precisam justificar sua existência por aquilo que constroem. As mulheres não precisam justificar sua existência pela gestação. Ninguém precisa provar que merece existir através de uma função.

Não somos parafusos de uma máquina cósmica. Não somos recursos da sociedade. Não somos propriedades da espécie.

Somos livres.

Livres para criar, destruir, explorar, amar, descobrir, inventar, fracassar e recomeçar. Livres para perseguir nossos próprios interesses, sonhos e projetos. Livres para dar significado ao mundo em vez de receber significado pronto.

Por isso, quando me dizem que homens são inúteis, não me sinto diminuído.

Se homens são inúteis e mulheres são inúteis, então ninguém nasceu para servir. Essa conclusão é ótima!

E se ninguém nasceu para servir, então todos nasceram livres para escolher, (claro diante das limitações que a sociedade em que vivemos nos impõe).

Não quero ter orgulho por ser útil.

Quero a liberdade de existir sem precisar justificar minha existência.

Prefiro ser inútil e livre do que útil e acorrentado ao peso de uma missão que não escolhi, crendo que ela justifica a minha existência.

Obs: texto produzido com auxílio do chatgpt.

Qual a opinião de vocês sobre esse assunto?

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u/AHopefulEntropy — 8 days ago