O Brasil precisa de uma identidade política própria, não de modelos importados dos EUA.

O Brasil precisa de uma identidade política própria, não de modelos importados dos EUA.

Antes de tudo, não me considero liberal, comunista ou fascista. Eu vejo essas três correntes como respostas que pertencem ao mundo moderno e que, hoje, apresentam limitações diferentes.

O liberalismo venceu historicamente. Não porque eliminou todas as outras ideologias, mas porque passou a moldar praticamente todas as instituições ocidentais. Mesmo quem se diz conservador muitas vezes aceita seus pressupostos fundamentais: individualismo, economia centrada no mercado e a ideia de que progresso material é o principal indicador de sucesso desse mundo.

O problema é que o capitalismo, por si só, não possui um princípio moral. Ele é extremamente eficiente em produzir riqueza, inovação e crescimento, mas tende a transformar tudo em mercadoria. O trabalho deixa de ser uma vocação ou um dever para com a comunidade e passa a ser apenas uma variável de produtividade. A lógica da eficiência, da técnica, do 'homem técnico', invade cultura, educação e a nossas relações humanas. Essas coisas estão acima da técnica, do 'mercado', da eficiência, da produção em massa.

Mas, eu também não considero o marxismo-leninismo, ou qualquer denominação comunista popular, como uma alternativa viável para o século 21, junto com o fascismo histórico. No caso do marxismo-leninismo, raramente encontro uma explicação convincente de como uma revolução dessa natureza poderia ocorrer nas sociedades atuais, altamente urbanizadas, tecnologicamente integradas e inseridas numa economia global. Na maior parte das vezes, a resposta permanece abstrata ou depende de pressupostos difíceis de demonstrar na prática. Já o fascismo histórico, esse eu não preciso elaborar tanto o porque é inviável. Está profundamente ligado ao contexto político, econômico e social da Europa do entreguerras, coisa de quase 100 anos atrás. Além de carregar um legado de autoritarismo, violência e expansionismo, tudo aquilo que é demonizado hoje em dia, isso torna ele uma alternativa igualmente inviável. Ambos pertencem a circunstâncias históricas específicas e não oferecem uma resposta adequada aos desafios do século XXI.

Então, qual é minha preocupação? Ela é simples, que tipo de civilização queremos construir? Que legado queremos deixar para as próximas gerações? Eu tenho a impressão de que nossa sociedade discute constantemente crescimento econômico, consumo, tecnologia e direitos individuais, mas raramente se pergunta qual é o projeto de longo prazo da civilização que estamos construindo. Que valores queremos transmitir? Que identidade queremos preservar? Que tipo de povo queremos formar daqui a 50 ou 100 anos? As últimas décadas, pautas progressistas ganharam muito espaço em universidades, meios de comunicação, empresas e na cultura popular. Isso pode fazer com que alguma parte da Geração Z busque posições mais "conservadoras" ou antiliberais como forma de contracultura. Não me surpreende ver tantos jovens de direita hoje em dia, talvez estejamos assistindo ao início de um movimento pendular, comum em diferentes momentos da história. Então, quais países eu admiro hoje em dia? Eu admiro bastante países que preservam sua identidade nacional e conseguem pensar décadas à frente. A China e a Rússia em alguns aspectos institucionais, não porque sejam perfeitos(longe de eu considerar isso), mas porque demonstram maior continuidade do Estado do que muitas democracias ocidentais. Não defendo copiar nenhum país totalmente. Eu Defendo que um Estado deve servir à sua própria civilização, à sua cultura, ao seu povo, e não se orientar apenas pelos interesses do capitalismo global ou por ciclos eleitorais cada vez mais marcados por populismo e welfare state para garantir apoio político..

Mas e o Brasil? No caso do Brasil, sinto que ele, o Brasil que temos de hoje, a República nasceu profundamente influenciada por ideias estrangeiras do final do século XIX. Desde então, frequentemente importamos modelos políticos, econômicos e culturais em vez de desenvolver instituições enraizadas na nossa própria história. Onde está o Brasil, Deus? Onde está o Brasil dos bandeirantes, dos gaúchos, da cultura caipira, dos sertanejos, dos tropeiros, das inúmeras tradições que deram forma à nossa identidade? Onde está o sentimento de pertencimento a uma civilização brasileira, construída por séculos de história? Nosso próprio governo passou a nos retratar como um povo de caricaturas, da mais baixa forma. O cachorro vira-lata, a coxinha, o guaraná, o futebol, carnaval e praia. Uma nação continental, com uma das histórias mais ricas e diversas do mundo, ser resumida a estereótipos da pior cultura que nosso país produzi-o, o retrato que vejo hoje é o de um Brasil que odeio. Não porque odeie sua história, sua cultura ou suas tradições. Jamais. Eu odeio aquilo em que ela foi transformada. Odeio um Brasil que parece ter rompido com a própria alma, que troca suas raízes por modismos e sua identidade por caricaturas, estereótipos de uma imagem vendida a fora para nós rebaixaram. Que esse Brasil sucumba às covas dos leões. Que seja despedaçado, para que das suas ruínas possa surgir um Brasil que volte a honrar sua história. O Brasil de hoje, pra mim, é um desrespeito à memória daqueles que o construíram e um legado indigno para aqueles que ainda virão.

u/BolsonaroHipotetico — 10 days ago