

Insegurança Alimentar em Manaus
Conterrâneos, hoje gostaria de fazer um desabafo e também um chamado. Moro em Manaus há mais de 22 anos da minha vida (cheguei aqui quando tinha 11 meses de idade) e vejo essa cidade como meu verdadeiro lar, porém há certas coisas que, infelizmente, por mais que eu ame essa cidade, não posso ignorar certos problemas, um deles é a dificuldade do acesso de uma alimentação saudável. Tá certo que a comida de verdade, especialmente frutas, legumes e verduras, parecem ser a cada dia que passa mais um privilégio do que um direito básico, mas aqui em Manaus o cenário é um caso excepcional, pois parece o que preço desses alimentos é quase o triplo da média do país, em comparação com as demais regiões. Vivi no centro-oste por um total de 3 anos em diferentes fases da minha vida, mas na última vez que estive lá percebi o quão barata o preço dos alimentos é em comparação a cidade. Sei que há muitos fatores que implicam no preço dos alimentos, mas no caso manauara esse problema é bem mais abaixo. Decidi explorar esse problema para meu projeto de TCC (faço nutrição) e descobri que a falta de abastecimento da cidade e a dependência de importação de alimentos se deve há uma combinação de fatores econômicos, estruturais, climáticos, geográficos, históricos e culturais. Atualmente, 80% dos alimentos consumidos aqui vêm de outros estados e até de outros países, além dos desafios logísticos, há pouca produção, pelo.menos suficiente, de alimentos para atender a capital. Não apenas isso, mas se fomos parar para pensar, nosso referencial de alimentação saudável é ligado a um modelo eurocentrado com alimentos que talvez não seja possíveis de cultivar aqui. - Faça uma pausa e tente listar todas as frutas, legumes, vegetais que você conhece e tente descobrir quantos são realmente daqui. E sabe o que é mais engraçado? Estamos justamente na região com maior biodiversidade de plantas do mundo, se as estimativas estiverem certas, se 10% da flora tem potencial alimentício, teríamos centenas, senão milhares de espécies na qual poderíamos estar consumindo no lugar de 20 poucas variedades que alimentam 80% da população do planeta. Vocês talvez estejam se perguntando se há solução para nosso caso, bem, não é tão simples... Precisamos, SIM, ter uma produção minima e suficientes que possa nos garantir uma segurança e soberania alimentar, mas uma produção que ser sustentável, suficiente e que seja harmoniosa com a natureza, ao contrário do que vem acontecendo nos estados vizinhos como Rondônia, Mato Grosso e Pará, com a devastação ambiental provocada pelo agrobusiness. Eu enxergo como possibilidade de atenuar essa situação com a agricultura urbana, onde se possa incentivar pessoas, coletivos a criar espaços destinados a cultivos e hortas de alimentos, e as políticas públicas já estão surgindo para dar apoio jurídico a essa causa, mas vejo que ainda falta iniciativa popular. Alguém aqui já tentou cultivar comidas em casa ou tem alguém que goste de plantar? Gostaria de tentar juntar uma galera para saber se seria possível criar uma iniciativa do mesmo modo como acontece em outros estados, como o projeto "cidades sem fome". Especialmente se for na zona sul. Desculpem o textão, mas um assunto complicado como esse não é possível expressar em poucas palavras.
Greetings from Brazil! Playing while I'm on vacation in Brazilian Amazon.
Registro de Pixirica (Clidemia hirta)
Ano passado fiz um post sobre o Buxixu, o Mirtilo Amazônico (Clidemia japurienses), irmã dessa variedade na foto. Estou cultivando há mais de 6 meses e finalmente está frutificando! Estive pesquisando e parece que ambas possuem uma boa presença de compostos antioxidantes, além de darem uma coloração bonita (eu adoro fazer vitamina azul ou roxa com elas!). São rústicas e fáceis de cultivar, adaptadas ao clima tropical, honestamente acho que poderíamos olhar melhor para nossas berries nacionais a ter de depender somente das blueberry, cranberry e outros frutos de clima frio que raramente são cultivadas no Brasil e que custam o olho da cara e vendidas como super alimento. E, sim, ela é uma PANC (Planta alimentícia não convencional).