A margem extravasando.
Nu pelos pelos passeiam meus dedos, deslizando lábios provocando salivas. Acordando nascentes brincando em leitos. Transando arte em transe. Colocando em coma um quarto fantasiado de galeria, desenho em você nu, nuvens sem forma como barro cru. É de tato sob a pele da cor dele, decorando arrepios que acordamos. Riscando traços invisíveis de trilhas onde nos perderemos, até que o sono nos leve fracos, dormindo na cama encharcada como lençóis freáticos.
Dois quentes sóis lunáticos. Dois caracóis enrolados. Temos nosso próprio rio é só boiar. Fodemos bem melhor que o amor daremos no mar.
E o corpo já não é corpo é infiltração lenta. É umidade sem nome. É quando você escorre em mim sem saber onde termina.
E eu já não procuro rosto, nem gesto, nem palavra.
Apenas esse resto morno que insiste entre o antes do toque e o depois de já não sermos