u/CronicaTugas

▲ 22 r/HQMC

Sobreviver à bricolage

A minha esposa, num daqueles acessos de organização que costumam ignorar a minha crónica preguiça, resolveu que a biblioteca cá de casa precisava de ordem e insistiu na colocação de uma prateleira. Depois de semanas de apelos sistematicamente atirados para o fundo da minha gaveta de prioridades, cedi; como verdadeiro macho latino — um Alfa auto-proclamado, mas munido do talento manual de uma foca amestrada —, assumi o desafio de entrar numa aventura para a qual não tenho o mínimo jeito. A coisa prometia simplicidade: um pedaço de contraplacado, quatro parafusos e um manual sem palavras, pensado para ser entendido por qualquer ser com polegar oponível, mas, meia hora depois, a sala parecia o cenário de um terramoto em escala reduzida e eu tentava perceber por que razão me sobravam três cavilhas e uma peça metálica parecida com um componente de um Boeing 747.

Imbuído de uma coragem digna de nota (e de uma recusa liminar em admitir a derrota perante a minha cara-metade e um folheto ilustrado), decidi aplicar a força bruta, resultando num estalo seco, num buraco na parede que agora me permite acenar ao vizinho do lado e numa estrutura com uma inclinação de trinta graus onde, se colocar lá um livro, me arrisco a provocar uma avalanche na sala. A patroa olhou para o desastre, suspirou fundo e abanou a cabeça perante o triste espetáculo, mas eu mantive a pose de líder da alcateia e soprei para o pó com um orgulho quase poético: a prateleira não ficou nivelada e os livros vão continuar empilhados no chão... mas, caramba, pelo menos a sala ganhou uma ventilação cruzada invejável!

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u/CronicaTugas — 5 days ago
▲ 0 r/HQMC

Os Dalton do hemiciclo

A vida política do nosso burgo tem o dom extraordinário de imitar a banda desenhada, transformando o hemiciclo parlamentar numa caricata versão do Oeste Americano. No centro do picadeiro, a bancada do Chega funciona como uma espécie de bando Dalton à portuguesa, onde o hiperactivo André Ventura encarna com mestria a figura de Joe Dalton: o líder baixinho, raivoso e em permanente estado de tensão, vocacionado para engendrar planos mirabolantes que, com admirável regularidade, terminam num redondo fracasso. Ao seu lado, a fiel quadrilha completa o figurino da desgraça: Pedro Pinto assume o papel do truculento Jack, sempre pronto a erguer a voz perante os microfones; Pedro Frazão encarna o entusiasta William, perito em tropeçar nas próprias palavras nas redes sociais; e Gabriel Mithá Ribeiro veste a pele do gigante Averell, distraído com devaneios teóricos enquanto o bando tenta assaltar o comboio da opinião pública. Por mais que esboce estratégias para derrubar o sistema ou subjugar as instituições, esta trupe de saloon parece condenada a um destino trágico de comédia, onde cada grande cartada política acaba invariavelmente por explodir nas mãos dos próprios executantes.

O mais recente e glorioso episódio deste folhetim circense teve como cenário os corredores da Assembleia da República, no já famoso e risível caso do pseudo-assalto ao gabinete do partido. Com a gravidade solene dos grandes dramas policiais, o bando apressou-se a denunciar uma conspiração de contornos obscuros, apontando o dedo às forças ocultas que ousaram violar o seu santuário ideológico. O problema é que a encenada tragédia rapidamente se transformou numa mixórdia digna de nota: entre fechaduras intactas e declarações inflamadas perante os jornalistas, o mistério do arrombamento ruiu com a mesma velocidade com que o cavalo Jolly Jumper galopa para o pôr do sol. Para rematar o espectáculo, a dita investigação parece ter ficado entregue à argúcia de um autêntico Rantanplan, o célebre cão de guarda da BD cujos raciocínios lentos e faro duvidoso garantem que a verdade permaneça enterrada sob camadas de puro absurdo. Perante tamanha mestria na arte do fiasco, resta ao espectador assistir ao espectáculo com uma ponta de ironia, aguardando com expectativa o próximo plano infalível desta imparável quadrilha, cuja única certeza é terminar mais uma vez a morder a poeira do ridículo.

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u/CronicaTugas — 5 days ago
▲ 7 r/HQMC

Até que a mulher os separe

Ao longo dos anos fazemos muitos planos para o futuro. Tenho a certeza que nenhum deles está relacionado com a morte ou a nossa última morada! Porém, tudo pode ser planeado! Em Guimarães, Amâncio Silva, toma conta do seu próprio jazigo. Já pôs o seu nome e fotografia, apesar de ainda estar vivo, para espanto dos que lá passam. O idoso (actualmente separado, mas não oficialmente) desconfia da mulher e teme que ela o ponha noutro lado quando morrer. Assim, com a foto e o nome, toda a gente sabe que o local está escolhido e reservado...

Inicialmente queria comprar uma campa única, mas já só havia um jazigo duplo. Assim, o sepulcro do lado está destinado à restante família. Como se não bastasse, deixou em testamento a vontade de ficar no local, que por coincidência, é ao lado do seu antigo chefe, entretanto falecido: «Eu ajudava-o numa quinta que ele tinha, e ensinou-me tudo o que eu sei hoje». Até à mudança definitiva cuida meticulosamente do seu jazigo, mas nada de flores! Até lá, a campa vai sendo motivo de conversa entre os locais.

In "As crónicas dos Tugas" (2014)

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u/CronicaTugas — 7 days ago
▲ 5 r/HQMC

O amarelo da minha humilhação

Quem já leu algum texto meu sabe que nem tudo é reclamação, mas o disparate é mais que garantido. Resolvi, por isso, partilhar uma recordação embaraçosa que ainda hoje me faz acordar com suores frios. Recuemos ao início da década de 90 — quando alguns de vós nem sequer estavam em projecto e a internet era uma miragem de ficção científica. O mundo rendia-se à Roménia de Gheorghe Hagi. Era um futebol tão criativo, tão cheio de "veneno" e geometria, que provou ao mundo que havia outra equipa de amarelo, além do Brasil, capaz de fazer magia com uma bola de couro. Seria de esperar que o equipamento romeno estivesse à venda em cada esquina, mas o comércio desportivo da altura decidiu ignorar a tendência. Mas a moda, quando quer pegar, não pede licença: passámos todos a acrescentar 'escu' aos nossos apelidos de família e a achar que tínhamos o destino da Europa de Leste nos pés. Eu, ciente de que até um apanha-bolas de Bucareste tinha mais talento que eu, mas determinado em parecer um profissional, massacrei a minha mãe durante semanas. O meu reino por uns calções amarelos. Farta de me ouvir — e provavelmente para evitar que eu entrasse num quadro de depressão profunda — ela operou o milagre na sua velha máquina de costura. Não eram oficiais, não tinham licença da FIFA, mas eram amarelos. E eram meus.

No dia seguinte, a praia era o meu estádio, o meu Camp Nou de areia e conchas. Nunca tive tanta vontade de mostrar aptidões que, na verdade, nunca possuí. Curiosamente, o efeito placebo dos calções funcionou durante uns minutos: a bola colava ao pé, o drible fluía com uma elegância suspeita e aquele amarelo berrante, que quase exigia o uso de óculos de sol para ser observado directamente, dava-me uma confiança perigosa. Eu, mestre da discrição, tinha agora uma vasta plateia de veraneantes. Sentia-me o próprio "Maradona dos Cárpatos", pronto para assinar contrato com um colosso europeu entre dois mergulhos. Mas a glória, como tudo o que é feito de poliéster caseiro, foi curta. Um grupo de belas adolescentes passa a poucos metros da minha exibição técnica. Perante a minha melhor pose de craque, peito inchado e bola controlada com o peito, uma delas para, olha-me de cima a baixo com um desdém olímpico e dispara, com a precisão de um ponta-de-lança: «Olha-me este... Mariconço!». O silêncio que se seguiu só foi interrompido pelo som das ondas e pelo estalo do meu ego a desfazer-se em mil pedaços. A minha carreira internacional terminou ali. Ainda tentei uma operação de salvamento, cosendo umas listas laterais verdes para parecer que era adepto da Austrália ou de um clube obscuro da terceira divisão, mas o trauma era demasiado profundo. Aqueles calções nunca mais voltaram a ver a luz do sol, ficando condenados ao fundo de uma gaveta, tal como o meu sonho de jogar num clube europeu.

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u/CronicaTugas — 11 days ago
▲ 8 r/HQMC

O pioneiro de Ramalde

Dois quilómetros. Não foi um engano no GPS, foi uma peregrinação. No Porto, onde a VCI é um parque de estacionamento pago com a sanidade dos condutores, este iluminado decidiu que o canal do Metro era a sua auto-estrada privada. Do alto dos seus 78 anos, o homem percebeu o que a Metro do Porto ainda não admitiu: as carruagens são lentas e o trânsito da cidade é um enfarte do miocárdio em câmara lenta. Entre a Senhora da Hora e Ramalde, o Toyota avançou impávido, galgando balastro como quem vai buscar o pão. E tem de ser um Toyota. Só o rigor japonês sobrevive a dois mil metros de carris sem que o cárter se desintegre ou o condutor perca a dentadura. É a fiabilidade mecânica ao serviço da demência geográfica. Enquanto nós, os cumpridores, derretemos a embraiagem na Rotunda da Boavista, este pioneiro do "chico-espertismo" seguia por ali fora, livre de semáforos e de prioridades pela direita…

A verdade é que a notícia causou mais inveja do que indignação. Ver aquele utilitário a serpentear por onde só deviam passar composições amarelas é o sonho húmido de qualquer portuense preso no nó de Francos às seis da tarde. O homem não estava perdido; estava a antecipar o futuro da mobilidade urbana. Com a cidade esburacada, o Metrobus que é um mito urbano e as obras da Linha Rosa a tornarem a Baixa num estaleiro a céu aberto, o canal do metro é a única via rápida que resta. Se calhar, o senhor só queria chegar a casa antes da próxima glaciação. No fundo, todos queríamos ser aquele Toyota: ignorar as balizas, subir o passeio da lógica e deixar a polícia a coçar a cabeça. Ontem, no Porto, houve milhares de condutores civilizados a chegar atrasados e um "maluco" num carro japonês que, por dois quilómetros, foi o único dono do tempo. No reino dos congestionados, quem tem tração às quatro e falta de juízo é rei.

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u/CronicaTugas — 14 days ago

O pioneiro de Ramalde

Dois quilómetros. Não foi um engano no GPS, foi uma peregrinação. No Porto, onde a VCI é um parque de estacionamento pago com a sanidade dos condutores, este iluminado decidiu que o canal do Metro era a sua auto-estrada privada. Do alto dos seus 78 anos, o homem percebeu o que a Metro do Porto ainda não admitiu: as carruagens são lentas e o trânsito da cidade é um enfarte do miocárdio em câmara lenta. Entre a Senhora da Hora e Ramalde, o Toyota avançou impávido, galgando balastro como quem vai buscar o pão. E tem de ser um Toyota. Só o rigor japonês sobrevive a dois mil metros de carris sem que o cárter se desintegre ou o condutor perca a dentadura. É a fiabilidade mecânica ao serviço da demência geográfica. Enquanto nós, os cumpridores, derretemos a embraiagem na Rotunda da Boavista, este pioneiro do "chico-espertismo" seguia por ali fora, livre de semáforos e de prioridades pela direita…

A verdade é que a notícia causou mais inveja do que indignação. Ver aquele utilitário a serpentear por onde só deviam passar composições amarelas é o sonho húmido de qualquer portuense preso no nó de Francos às seis da tarde. O homem não estava perdido; estava a antecipar o futuro da mobilidade urbana. Com a cidade esburacada, o Metrobus que é um mito urbano e as obras da Linha Rosa a tornarem a Baixa num estaleiro a céu aberto, o canal do metro é a única via rápida que resta. Se calhar, o senhor só queria chegar a casa antes da próxima glaciação. No fundo, todos queríamos ser aquele Toyota: ignorar as balizas, subir o passeio da lógica e deixar a polícia a coçar a cabeça. Ontem, no Porto, houve milhares de condutores civilizados a chegar atrasados e um "maluco" num carro japonês que, por dois quilómetros, foi o único dono do tempo. No reino dos congestionados, quem tem tração às quatro e falta de juízo é rei.

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u/CronicaTugas — 15 days ago
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O pioneiro de Ramalde

Dois quilómetros. Não foi um engano no GPS, foi uma peregrinação. No Porto, onde a VCI é um parque de estacionamento pago com a sanidade dos condutores, este iluminado decidiu que o canal do Metro era a sua auto-estrada privada. Do alto dos seus 78 anos, o homem percebeu o que a Metro do Porto ainda não admitiu: as carruagens são lentas e o trânsito da cidade é um enfarte do miocárdio em câmara lenta. Entre a Senhora da Hora e Ramalde, o Toyota avançou impávido, galgando balastro como quem vai buscar o pão. E tem de ser um Toyota. Só o rigor japonês sobrevive a dois mil metros de carris sem que o cárter se desintegre ou o condutor perca a dentadura. É a fiabilidade mecânica ao serviço da demência geográfica. Enquanto nós, os cumpridores, derretemos a embraiagem na Rotunda da Boavista, este pioneiro do "chico-espertismo" seguia por ali fora, livre de semáforos e de prioridades pela direita…

A verdade é que a notícia causou mais inveja do que indignação. Ver aquele utilitário a serpentear por onde só deviam passar composições amarelas é o sonho húmido de qualquer portuense preso no nó de Francos às seis da tarde. O homem não estava perdido; estava a antecipar o futuro da mobilidade urbana. Com a cidade esburacada, o Metrobus que é um mito urbano e as obras da Linha Rosa a tornarem a Baixa num estaleiro a céu aberto, o canal do metro é a única via rápida que resta. Se calhar, o senhor só queria chegar a casa antes da próxima glaciação. No fundo, todos queríamos ser aquele Toyota: ignorar as balizas, subir o passeio da lógica e deixar a polícia a coçar a cabeça. Ontem, no Porto, houve milhares de condutores civilizados a chegar atrasados e um "maluco" num carro japonês que, por dois quilómetros, foi o único dono do tempo. No reino dos congestionados, quem tem tração às quatro e falta de juízo é rei.

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u/CronicaTugas — 15 days ago
▲ 4 r/HQMC

A máquina de fazer frio

A malta de Matosinhos viu, com profunda tristeza e o estômago ainda meio revirado pela última dose de farturas, os carrosséis e as habituais atracções da festa partirem em busca de nova romaria e de outro santo padroeiro mais necessitado de milagres. Contudo, para os amantes do surrealismo quotidiano, não foi preciso esperar um ano inteiro para que, no mesmíssimo local, se instalasse um novo foco de atracção local. Não propriamente turística, concedo, mas de uma genialidade mecânica nunca antes vista na Invicta. Ora, precisamente onde outrora se erguia a mítica barraca das farturas com o seu óleo sagrado, alguém com demasiada iniciativa e manifesta falta de supervisão decidiu instalar um gerador monumental, equipado com dois tubos de dimensões tão colossais que seriam capazes de esconder, com assinalável conforto, vários prisioneiros em plena fuga de uma cadeia de alta segurança. A brilhante ideia por detrás daquela escultura industrial consistia, nada mais, nada menos, do que tentar resolver as crónicas maleitas do ar condicionado das composições do Metro do Porto, injectando ali uma monumental lufada de ar frio directamente nas entranhas das carruagens.

Mais do que discutir a duvidosa eficácia científica daquela engenhoca, sinto-me na estrita obrigação de reconhecer o esforço hercúleo do génio criativo que a engendrou, demonstrando uma capacidade quase divina para vender gelo a esquimós. Sim, porque para além da estupidez aparente do conceito, é preciso um mérito comercial inquestionável para conseguir convencer as altas patentes da empresa de transportes a abrir os cordões à bolsa e a suportar financeiramente esta monumental idiotice pública. No entanto, tal como os carrosséis do Senhor de Matosinhos a máquina já abandonou o recinto da festa após uma curtíssima temporada de testes sem sucesso, que apenas serviram para atrair a comunicação social em peso e arrancar algumas gargalhadas aos transeuntes. O problema do calor nas carruagens mantém-se rigorosamente na mesma, em busca de outra mente brilhante. Da minha parte, resta-me apenas a desilusão de ver o estaleiro vazio: é que a geringonça foi retirada antes mesmo que eu pudesse tentar a minha sorte e vender-lhes um stock de ventoinhas de papel que tenho guardadas na garagem.

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u/CronicaTugas — 18 days ago
▲ 3 r/HQMC

A primeira vez na cozinha

Os leitores com espírito mais ordinário vão ficar desiludidos antes do final desta frase. Lamento mas, tendo em conta o elevado nível de respeitabilidade deste trabalho, a única coisa a ser despida será o alho. Já lá vamos! Confesso que, talvez influenciado pelos diversos programas televisivos de culinária, perdi o receio e resolvi enfrentar o robot de cozinha que habita cá em casa. Mesmo sabendo que a apólice de seguro não cobre danos patrimoniais provocados pela minha aselhice, aproximei-me da “Bimby” (se algum representante da marca estiver a ler, agradeço o pagamento da publicidade) e, pela primeira vez, preparei uma refeição digna. Já tinha tentado ovos estrelados mas a casca é um obstáculo fortíssimo e, como tal, foi junto com o prato. Desta vez, com recurso aos avanços tecnológicos, consegui algo comestível sem qualquer vestígio de destruição patrimonial. Contudo, quero deixar claro que esta crónica não deve ser considerada um manifesto pró-homens na cozinha! O aviso “não façam isto em casa” ecoou na minha consciência durante todo o processo e mesmo assim não lhe liguei nenhum…

Depois de ultrapassar a terrível dificuldade de conseguir ligar a máquina, foi apenas necessário seguir as instruções no visor. Parece simples. Porém há termos melindrosos e artimanhas destinadas aos chef’s menos preparados. Começa logo pelos nomes técnicos dos acessórios: copo de medida, borboleta, varoma e outros. Absolutamente incrível! E depois há a questão da sensibilidade: não quero ser machista, mas aquilo foi concebido para o toque feminino. Errei sempre, por excesso, as gramagens indicadas. E ainda bem que tem incluída uma lâmina, porque seria fisicamente impossível conseguir tamanho grau de precisão depois de descascar alho (leiam lá outra vez!) à mão. Consegui introduzir o esparguete mas quase tive de lhe partir as pernas! Provavelmente a água estaria demasiado quente e o infeliz não achou ser uma morte digna. No final – e supervisionado pela minha esposa, claro – lá consegui expor o meu talento culinário numa travessa. Confesso estar orgulhoso por ter vencido este famigerado fantasma do passado. Infelizmente, a minha esposa queixa-se que, desde então, a máquina tem feito ruídos estranhos.

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u/CronicaTugas — 27 days ago