A aparentemente insuperável discrepância entre o ideal feminista de homem e o tipo de homem predominantemente aceito.
Eu pareceria muito desesperado se dissesse isso para minha crush
Vamos considerar isso de forma respeitosa; estou aberto a mudar de opinião.
Estive pensando, o homem romântico virou uma persona non grata no mundo contemporâneo, e isso em ambientes de debate onde pregam que homens devem sim expor seus sentimentos e ser vulneráveis como todo ser humano, que também podem e devem chorar, que homens grossos, rudes, fechados são tóxicos, retrógrados e perigosos.
Eis um paradoxo: Na grande mídia e redes sociais muitas pessoas expõem um ideal de homem sincero, emocional sem agressividade, direto, é um ideal próximo de um homem romântico medieval que, quando não falava com a boca, falava apor cartas e trovas. Algumas vertentes vão ainda mais longe e flertam com o ideal de um homem que não exala testosterona, mas não vamos para esse lado agora.
Acontece que se um homem dissesse a uma mulher "se você me ama, me deixa saber...", provavelmente receberia dela uma fisionomia de estranhamento, desgosto e até vergonha alheia, a coisa parece tão melosa, tão piegas, tão patética que chega a ser broxante para muita gente. "Affs, que frescura é essa!"
Aí fica o contraditório. Há pessoas que - ao menos em teoria - creem que ao masculino também cabe as tarefas domésticas, e ao mesmo tempo reagiriam com menos interesse se vissem seu parceiro de avental lavando a louça, se havia tesão agora só há frigidez. Etc etc etc. Okay, isso é só um exemplo, não generalizo, mas ilustra o que penso sobre isso.
Como um filósofo polêmico disse tempos atrás, algumas pautas - não todas, notem - do feminismo simplesmente não cabem debaixo dos lençóis (não foram essas palavras exatas, mas ele deu a entender isso).
Dentro de quatro paredes pouca gente - dos que convivem com parceiro romântico - se importa com a barulheira das avenidas e seus mantras identitários e políticos, não ligam para o que as celebridades falam, muitas dessas coisas simplesmente não têm importância na vida banal cotidiana. Elas podem até concordar, mas grande parte disso não conseguem colocar em prática.
Pode ser que no final das contas muitas pessoas nem sequer levem a sério as pautas que gritam, não por desprezo pela causa em si, mas por pura ignorância quanto ao que consideram homem ideal, mulher ideal, coisa ideal, ideal ideal, sistema ideal, etc etc.