TRABALHO PARA UMA CRIADORA +18
Eu sou uma pessoa que nunca trabalhou no ramo adulto. Na verdade, sempre fui bem travada nesses assuntos. Minha formação é em moda, mas sempre atuei apenas na parte de design, nunca em estratégia ou conversão. Este ano resolvi me aprofundar de verdade nesse mercado. Tive a oportunidade de prestar uma assessoria de marketing para uma criadora e, aos poucos, fui assumindo as estratégias dela.
Criei uma persona completa para ela, já que ela não interagia no chat. Construí essa personalidade do zero e hoje sou eu quem conversa com todos os assinantes. Faço questão de manter uma interação humanizada, sem ficar empurrando vendas o tempo todo, porque percebi que as pessoas realmente não gostam disso. Tenho escuta ativa e tento ser empática, principalmente porque muitos assinantes estão em relacionamentos frustrados ou já passaram por situações difíceis.
Ainda assim, tenho minha parte comercial: ofereço vídeos personalizados, fotos personalizadas, avaliação de membro e sexting. Também penso em formas de atrair mais assinantes. Trabalho em várias plataformas ao mesmo tempo: Privacy free e VIP, Fanfever, Hotvips e Telegram. Como meu inglês não é avançado, evito forçar nas plataformas gringas, mesmo sabendo que a conversão em dólar seria interessante. Prefiro manter a interação constante nas plataformas que domino, e isso tem gerado uma taxa de conversão boa.
A criadora não usa Instagram, ela é bem reservada e não gosta de se exibir nas redes sociais. Isso acaba sendo um impasse, porque o Instagram seria um funil natural de vendas, mas respeito o perfil dela. Nas mensagens em massa, nunca uso inteligência artificial. Escrevo tudo de forma autêntica, com trocadilhos e piadas, tentando criar um nicho que não seja só sobre vício pornográfico. Sei que o site é para isso, mas acredito que vale a pena ter um olhar diferente para as pessoas que estão ali, porque muitas carregam problemas no dia a dia.
Mesclo conversas cotidianas com momentos mais picantes. Tenho desenvoltura para falar putaria de forma criativa, mesmo sendo travada no dia a dia. Consigo prender os assinantes misturando escuta ativa, compartilhamento de coisas do cotidiano e o lado mais safado. Nunca fico focada na questão monetária da pessoa, porque sei que ali eles podem mentir ou criar a história que quiserem.
No momento, essa é minha realidade: recebo uma porcentagem de todo o trabalho que faço nas plataformas. Não ganho rios de dinheiro, mas ganho o suficiente para me manter e, com certeza, mais do que muita gente que trabalha anos em CLT. Sou formada e pós-graduada, e mesmo com todos os meus estudos e cursos, não teria um salário equivalente ao que consigo hoje. Essa é a minha situação atual.