u/Imaginary_Term_3937

What are your thoughts on Shared Desired Reality?

I've been practicing shifting for a few years, but I've never had the experience of going to a Shared Reality. I talked to some other experienced shifters here, and a large portion said they don't believe in it, saying that shifting is something internal. Is this a matter of their belief, or is Shared Reality simply not a consensus within the community?

reddit.com
u/Imaginary_Term_3937 — 15 days ago

Uma mulher brasileira, que nem sequer é negra pelos critérios raciais brasileiros, casa com um americano branco. E a reação de uma grande parcela dos compatriotas dele é: "Por que você não conseguiu encontrar uma mulher branca americana?", "Espero que ela não engravide porque eu odeio crianças interraciais", "Seus filhos serão mestiços nojentos." Releia.

Esse vocabulário não é acidental. Ele vem de algum lugar. Ele tem história e uma tem raiz com uma tradição intelectual. E a tradição intelectual de onde ele vem se chama supremacia branca, que não é uma ideologia marginal nos Estados Unidos. É a BASE da sociedade.

Os Estados Unidos foram fundados por homens que escreveram "*todos os homens são criados iguais*" enquanto, literalmente no mesmo dia, voltavam para casa e eram servidos por pessoas que eles possuíam como propriedade. Thomas Jefferson, o pai fundador,o autor da Declaração de Independência, tinha mais de seiscentos escravos ao longo da vida. Seiscentos. E estuprava Sally Hemings, uma mulher escravizada que, detalhe, era meia-irmã da própria esposa dele. Esse é o pai fundador.

O racismo americano não é uma questão de "ignorância" ou de "preconceito individual". Não é o Billy Bob do Alabama que não leu livro suficiente. Isso é idealismo liberal da pior espécie, a ideia de que racismo é um problema de mentalidade que se resolve com educação e boa vontade. Não. Racismo nos Estados Unidos é a BASE da sociedade.

A escravidão americana não foi algo que ficou no passado. Foi o motor econômico que transformou os Estados Unidos na potência que eles são. O algodão colhido por mãos escravizadas alimentou a revolução industrial. Não só a americana, a inglesa também. Liverpool, Manchester, toda a indústria têxtil britânica rodava com algodão americano, colhido sob um regime de tortura regime que durou duzentos e cinquenta anos. Os historiadores econômicos já calcularam: o valor do trabalho escravo nos Estados Unidos, é superior ao PIB combinado de todas as indústrias americanas do século XIX. A riqueza não foi construída apesar da escravidão. Foi construída por causa dela. Cada banco de Wall Street, cada ferrovia, cada universidade da Ivy League tem, em algum ponto da sua cadeia financeira, tem dinheiro de escravidão.

O objetivo da Guerra Civil nunca foi a liberdade dos negros. Foi a hegemonia econômica do Norte industrial sobre o Sul agrário. Uma vez que essa hegemonia estava garantida, foda-se o negro. Ele já tinha cumprido sua função narrativa.

E aí vêm as leis Jim Crow. Quase cem anos, de 1877 até 1965, de segregação racial legalizada. Banheiros separados. Escolas separadas. Restaurantes separados. E se você, pessoa negra, ousasse transgredir esses ilimites, era linchamento. Entre 1877 e 1950, estima-se que mais de quatro mil pessoas negras foram linchadas nos Estados Unidos. Linchadas. Enforcadas em árvores, queimadas vivas, mutiladas... As famílias brancas levavam os filhos para assistir.

O conceito de "linhagem" que aqueles comentários usam, tem um nome técnico: é a "one-drop rule". A regra de uma gota. Surgiu no período escravocrata e foi formalizada em lei em vários estados americanos no início do século XX. O princípio é o seguinte: se você tem uma gota de sangue negro, você é negro. Um bisavô. Uma tataravó. Não importa sua aparência, não importa sua pele, não importa nada. Uma gota contamina. E essa palavra, "contamina", não é minha. É deles. A lógica é explicitamente a da pureza racial. É a mesma lógica que os nazistas usaram. E, pasmem, os nazistas estudaram a legislação racial americana quando estavam elaborando as Leis de Nuremberg. Isso é documentado. O jurista James Whitman escreveu um livro inteiro sobre isso, "Hitler's American Model". Os nazistas olharam para os Estados Unidos e pensaram: "Esses caras são bons nisso." Em alguns pontos, os nazistas acharam a legislação americana radical demais. Os nazistas. Acharam os americanos. Radicais demais. Na questão racial.

Du Bois, o grande sociólogo negro americano, descreveu isso: ao trabalhador branco pobre foi oferecido o que ele chamou de "salário psicológico da branquitude." Você pode ser miserável, pode morar num trailer, pode não ter plano de saúde, pode estar endividado até o pescoço, mas pelo menos você não é negro. E isso funciona há quatrocentos anos. O pobre branco americano não se identifica com o pobre negro americano, que é seu irmão de classe. Ele se identifica com o patrão branco, que é seu explorador. E aí ele vai para a internet e despeja o ódio dele não no bilionário que paga a ele um salário de fome, mas na brasileira que casou com um compatriota dele, porque ela representa, na economia libidinal do racismo, a violação da única coisa que ele tem: a branquitude.

E é isso que esses comentários são, no fundo. Não são expressão de superioridade. É o despero de uma classe trabalhadora branca que foi despojada de tudo, absolutamente tudo, saúde, educação, estabilidade, futuro, e a quem só restou uma coisa: a ilusão de superioridade racial. E quando alguém ameaça essa ilusão, a reação é a violência. Porque se a branquitude não vale mais nada, o que sobra?

u/Imaginary_Term_3937 — 16 days ago

Os EUA não são racistas APESAR de serem potência. São potência PORQUE são racistas. Mudem minha opinião.

Uma mulher brasileira, que nem sequer é negra pelos critérios raciais brasileiros, casa com um americano branco. E a reação de uma grande parcela dos compatriotas dele é: "Por que você não conseguiu encontrar uma mulher branca americana?", "Espero que ela não engravide porque eu odeio crianças interraciais", "Seus filhos serão mestiços nojentos." Releia.

Esse vocabulário não é acidental. Ele vem de algum lugar. Ele tem história e uma tem raiz com uma tradição intelectual. E a tradição intelectual de onde ele vem se chama supremacia branca, que não é uma ideologia marginal nos Estados Unidos. É a BASE da sociedade.

Os Estados Unidos foram fundados por homens que escreveram "todos os homens são criados iguais" enquanto, literalmente no mesmo dia, voltavam para casa e eram servidos por pessoas que eles possuíam como propriedade. Thomas Jefferson, o pai fundador,o autor da Declaração de Independência, tinha mais de seiscentos escravos ao longo da vida. Seiscentos. E estuprava Sally Hemings, uma mulher escravizada que, detalhe, era meia-irmã da própria esposa dele. Esse é o pai fundador.

O racismo americano não é uma questão de "ignorância" ou de "preconceito individual". Não é o Billy Bob do Alabama que não leu livro suficiente. Isso é idealismo liberal da pior espécie, a ideia de que racismo é um problema de mentalidade que se resolve com educação e boa vontade. Não. Racismo nos Estados Unidos é a BASE da sociedade.

A escravidão americana não foi algo que ficou no passado. Foi o motor econômico que transformou os Estados Unidos na potência que eles são. O algodão colhido por mãos escravizadas alimentou a revolução industrial. Não só a americana, a inglesa também. Liverpool, Manchester, toda a indústria têxtil britânica rodava com algodão americano, colhido sob um regime de tortura regime que durou duzentos e cinquenta anos. Os historiadores econômicos já calcularam: o valor do trabalho escravo nos Estados Unidos, é superior ao PIB combinado de todas as indústrias americanas do século XIX. A riqueza não foi construída apesar da escravidão. Foi construída por causa dela. Cada banco de Wall Street, cada ferrovia, cada universidade da Ivy League tem, em algum ponto da sua cadeia financeira, tem dinheiro de escravidão.

O objetivo da Guerra Civil nunca foi a liberdade dos negros. Foi a hegemonia econômica do Norte industrial sobre o Sul agrário. Uma vez que essa hegemonia estava garantida, foda-se o negro. Ele já tinha cumprido sua função narrativa.

E aí vêm as leis Jim Crow. Quase cem anos, de 1877 até 1965, de segregação racial legalizada. Banheiros separados. Escolas separadas. Restaurantes separados. E se você, pessoa negra, ousasse transgredir esses ilimites, era linchamento. Entre 1877 e 1950, estima-se que mais de quatro mil pessoas negras foram linchadas nos Estados Unidos. Linchadas. Enforcadas em árvores, queimadas vivas, mutiladas... As famílias brancas levavam os filhos para assistir.

O conceito de "linhagem" que aqueles comentários usam, tem um nome técnico: é a "one-drop rule". A regra de uma gota. Surgiu no período escravocrata e foi formalizada em lei em vários estados americanos no início do século XX. O princípio é o seguinte: se você tem uma gota de sangue negro, você é negro. Um bisavô. Uma tataravó. Não importa sua aparência, não importa sua pele, não importa nada. Uma gota contamina. E essa palavra, "contamina", não é minha. É deles. A lógica é explicitamente a da pureza racial. É a mesma lógica que os nazistas usaram. E, pasmem, os nazistas estudaram a legislação racial americana quando estavam elaborando as Leis de Nuremberg. Isso é documentado. O jurista James Whitman escreveu um livro inteiro sobre isso, "Hitler's American Model". Os nazistas olharam para os Estados Unidos e pensaram: "Esses caras são bons nisso." Em alguns pontos, os nazistas acharam a legislação americana radical demais. Os nazistas. Acharam os americanos. Radicais demais. Na questão racial.

Du Bois, o grande sociólogo negro americano, descreveu isso: ao trabalhador branco pobre foi oferecido o que ele chamou de "salário psicológico da branquitude." Você pode ser miserável, pode morar num trailer, pode não ter plano de saúde, pode estar endividado até o pescoço, mas pelo menos você não é negro. E isso funciona há quatrocentos anos. O pobre branco americano não se identifica com o pobre negro americano, que é seu irmão de classe. Ele se identifica com o patrão branco, que é seu explorador. E aí ele vai para a internet e despeja o ódio dele não no bilionário que paga a ele um salário de fome, mas na brasileira que casou com um compatriota dele, porque ela representa, na economia libidinal do racismo, a violação da única coisa que ele tem: a branquitude.

E é isso que esses comentários são, no fundo. Não são expressão de superioridade. É o despero de uma classe trabalhadora branca que foi despojada de tudo, absolutamente tudo, saúde, educação, estabilidade, futuro, e a quem só restou uma coisa: a ilusão de superioridade racial. E quando alguém ameaça essa ilusão, a reação é a violência. Porque se a branquitude não vale mais nada, o que sobra?

u/Imaginary_Term_3937 — 16 days ago