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Vocês também lembram do "choque" que foi a transição da Lei Cidade Limpa entre 2006 e 2007? (O sumiço dos muros pintados e grandes fachadas tradicionais)

Fala, pessoal de Sampa, beleza?

Esses dias parei para pensar em uma virada de chave histórica que a nossa cidade viveu e que mudou completamente a nossa experiência visual nas ruas, mas que a gente raramente para para debater: a transição da Lei Cidade Limpa, especificamente entre o final de 2006 e o início de 2007.

Quem era criança ou adolescente na época (ou já cruzava a cidade para trabalhar/estudar) deve se lembrar do impacto quase psicológico que foi ver a cidade ser "apagada" da noite para o dia.

Eu me lembro perfeitamente de entrar em uma espécie de desespero na metade final de 2006 ao ver os muros do meu bairro (COHAB José Bonifácio), que antes eram cheios de cores, anúncios de shows, marcas e aquelas pinturas geométricas clássicas de propaganda eleitoral, sendo cobertos às pressas por aquela tinta cinza escura da prefeitura. Parecia que a cidade estava perdendo a identidade, ficando melancólica e fria de uma hora para a outra.

Logo depois, no início de 2007, o prazo para os comércios acabou. No meu trajeto para o colégio, eu via todo santo dia letreiros gigantes sendo arrancados, desmontados ou quebrados pelas equipes de fiscalização (o famoso "rapa" da prefeitura) ou pelos próprios donos desesperados com as multas que começavam em R$ 10.000.

Perto da minha casa, tem uma padaria tradicionalíssima que ostentava aquela clássica fachada dos anos 80/90: uma estrutura de ripas com letras coloridas de plástico/caixa encaixadas. Era a marca registrada do comércio de bairro paulistano. Eles arrancaram tudo em 2007 e, bizarramente, nunca mais colocaram uma fachada nova até hoje. O comércio ficou "careca", no cimento e na pintura pura, como aconteceu com centenas de lojas que pegaram trauma dos fiscais ou não tinham grana para se adequar ao padrão rígido da lei.

Hoje, olhando para trás, a gente entende o benefício urbanístico (São Paulo era soterrada por poluição visual, outdoors que tapavam o horizonte e um mercado de rua totalmente descontrolado). A lei virou referência internacional, foi copiada no mundo todo e até a Justiça Eleitoral acabou proibindo a pintura de muros para sempre no Brasil inteiro anos depois. O ganho em espaço urbano é inegável.

Mas fica aqui a minha dúvida e o meu momento nostalgia: mais alguém aqui sentiu esse "baque" na época? Vocês também guardam na memória o visual dessas grandes fachadas antigas e o visual caótico (mas muito colorido) que as campanhas eleitorais davam para os muros da sua quebrada ou do seu bairro?

O que mudou para melhor e o que vocês acham que a cidade perdeu de "alma" e de identidade analógica nesse tranco de 2006/2007?

Bora conversar!

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u/ImportantAsk7284 — 3 days ago

O excesso de "minutos de silêncio" nas partidas no Rio de Janeiro

Pessoal, queria abrir uma discussão sobre algo que tem me incomodado bastante nas transmissões e nos estádios aí do Rio.

Eu acompanho muito futebol (inclusive fora do eixo Rio-SP), e notei que nos jogos de Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo como mandantes, virou regra ter um minuto de silêncio para uma lista enorme de pessoas em todos os jogos. Torcedores ilustres falecidos, como sempre. Beneméritos, filhos de dirigentes, sócios, funcionário de algum lugar... Putz! Não para nunca! Todo dia é isso.

Eu entendo a importância de homenagear figuras históricas, mas a frequência está tão alta que o rito parece ter perdido o peso. Para muitos torcedores que buscam no futebol um refúgio ou um momento de lazer, ser lembrado de perdas e luto antes de cada 90 minutos — jogo após jogo — acaba sendo exaustivo e, para alguns, um gatilho bem complicado. Pior ainda, o telão do Maracanã mostrando fotos de falecidos, que jamais saberei a causa do óbito e pelo ângulo da TV que temos entre os dois telões, da pra ver as fotos deles.

Parece que não existe mais um critério claro, e o que deveria ser uma exceção solene virou uma parte obrigatória e pesada do protocolo. Mais alguém sente que isso está exagerado ou que o futebol deveria preservar mais esse espaço de entretenimento e 'vida'?"

Por mim, torcedores anônimos, ilustres deveriam ser homenageados no primeiro jogo oficial. Se é todo dia, eu penso que alguém tão conhecido da mídia morreu. E sempre fico com medo. Eu tenho TEA e sofro muito de obsessões com mortes, e TOC.

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u/ImportantAsk7284 — 4 days ago

Preciso desabafar porque estou no meu limite

Minha mãe acredita que muito do meu TOC/TOD e do jeito que fiquei assistindo futebol começou quando minha rotina foi destruída. Eu passava praticamente todos os dias na casa da minha avó materna. Eu quase não ficava em casa. Nos últimos tempos, eu levava minha Claro Box TV, assistia meus jogos, meus canais, minhas assinaturas e aquilo fazia parte da minha vida.

Minha avó era meu porto seguro. Eu fazia carinho nela, sentia o cheiro da cabeça dela, pedia comida e me sentia acolhido. Ela carregou um câncer por décadas, piorou, foi para o hospital e nunca mais voltou.

Desde então, eu praticamente fiquei preso em casa. Vieram pensamentos cada vez mais pesados, medo da morte, perdas recentes na família, mortes de celebridades que mexeram comigo, algumas mortes alheias que mexeram comigo, e até coisas que eu amava, como futebol, ficaram difíceis. Hoje sinto que perdi meu lugar no mundo.

Também me sinto abandonado pelo tratamento. Não tenho mais convênio, sinto que não estou conseguindo ajuda e estou muito cansado. Estou sendo vítima do lento SUS, pra piorar, não consegui mais me adaptar com os últimos psicólogos que passei, fui muito mal entendido, ninguém mais soube o que eu tenho. Desde que eu perdi meu psicólogo de confiança, tudo com o tempo foi desmoronando, até não poder mais.

Minha vida acabou. E ainda tô tendo que lidar e enfrentar sozinho os problemas. Não consigo mais ser feliz assistindo futebol. Não consigo nem voltar mais. Estou perdido, parado, brigando muito com minha mãe para que ela consiga alguma coisa pra mim.

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u/ImportantAsk7284 — 5 days ago

Alguém mais se perdeu na Bienal do Livro de 2004? (A confusão Ibirapuera vs. Imigrantes)

Pessoal, batendo um papo aqui, me veio uma memória de 20 anos atrás que ainda me deixa inconformado.

Em 2004, peguei o rumo do Parque do Ibirapuera crente que ia encontrar a Bienal do Livro. Chegando no Pavilhão da Bienal, em vez de pilhas de livros e autógrafos, dei de cara com... uma feira de casamentos! Vestidos de noiva por todo lado.

Aí descobri que aquela edição (a 18ª) foi inventar de acontecer lá no Centro de Exposições Imigrantes. Um funcionário até tentou me salvar, dizendo para eu pegar o Metrô para descer em Jabaquara, que tinha ônibus gratuito para lá, mas já estava escurecendo e a logística parecia impossível naquela hora. Acabei desistindo.

Alguém aqui chegou a ir nessa edição lá na Imigrantes? Ou, melhor ainda, mais alguém cometeu o erro clássico de ir pro Ibirapuera por puro instinto e deu de cara com os vestidos de noiva?

Fico pensando que hoje, com GPS no celular, isso seria resolvido em dois segundos, mas na época que não tinha GPS e muita gente não tinha acesso à internet e só dependia da TV pra saber, foi um "perdi a viagem" épico.

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u/ImportantAsk7284 — 5 days ago