Image 1 — Quem já foi votar? Pela primeira vez o comprovante veio no meu nome <3
Image 2 — Quem já foi votar? Pela primeira vez o comprovante veio no meu nome <3
▲ 110 r/transbr

Quem já foi votar? Pela primeira vez o comprovante veio no meu nome <3

Eu retifiquei o nome e sexo no final de 2024 e mudei tudo na Receita Federal em 2025.

Em algum momento do ano passado eu recebi uma mensagem do TSE pedindo para eu atualizar meu título de eleitor. Achei curioso que eu nem tive que ir atrás, eles que me chamaram. Fui aqui do lado de casa, a moça tirou uma nova foto e atualizou meu cadastro. Ai hoje pela primeira vez eu recebi o comprovante com meu nome, fiquei muito feliz.

Quem já foi votar? Espero que mesmo em casos extremos de mudança de governo, a gente consiga manter nossos direitos.

Beijinhos.

u/LecaTransGal — 11 days ago

13 going to 38! IT FEELS LIKE YESTERDAY. Time keeps moving, and trans people keep surviving. This is a story about resilience.

I like to joke that when I was born, the doctor didn't pull me out of my mom. He opened the curtains, and I came out ready to put on a show. Then he kicked my closet away and said,
"This one doesn't get a closet to hide in. That's life, kid. Start crawling."

😂

By the time I was three, I was already wearing my diaper like a thong and happily waddling around shaking my little butt lol according to my aunt.

At five, I went to school and sat exactly the way I still sit today. The adults looked at me and said,

"You can't sit like that. That's how little girls sit."

I answered,

"But... that's just how I sit."

They listened to my voice and laughed.

"Yeah...you're little girl."

That was the beginning of survival. From that moment on, I lost the privilege of being treated like "one of the boys." At seven, I learned something even harder. If a boy started beating me, it was more likely that other boys would join in than step in to help.

That was the age I developed the hypervigilance many trans people know all too well:

"Why are those boys walking toward me?"

"Why is that man pointing at me?"

"Why is that guy chasing me with a knife?"

People say the streets aren't safe for anyone. That's true. But not everyone fears being killed simply for existing.

Thankfully, home was different. My parents were incredibly progressive for their time. I never heard: "Talk like a man." "Walk like a man." "Boys don't do that."

If I wanted dolls, they bought me dolls. If I wanted action figures, they bought me those too. They let me be myself.

The only warning they ever gave me was: "Inside this house you're loved. Outside, people won't always treat you the same way."

And they were right. I never had male socialization. The boys never accepted me.

The girls did. They'd ask
"Why don't the boys want to be friends with you? You're just like us."

I'd answer,
"Exactly. I think maybe they see me the same way you do, one of you..."

At 13 I came out to my parents. They already knew. They warned me life would be harder.

But honestly? It already was.

By 15 I'd already survived multiple murder attempts, including a man trying to push me off a moving bus while screaming that I was "NO MAN, I WAS A WOMAN". Probably because the way I was moving my hands while talking to my little brother and he made my little brother watch.

I spent years trying to understand why I couldn't hide it. I tried making my voice deeper. I tried acting differently.

None of it worked. I was simply... me, my natural nature I guess.

But heyy look at me, I'm alive. After like 34 years of surviving being completely different I'm a alive.

Today I'm almost 39.
I work in 3D animation and motion design for advertising. I've spent three years at the same Brazil/UK agency.

I've been promoted. I've won awards. I have a career I love.
People at work joke that I'm the one who somehow performs miracles and delivers impossible deadlines lol.

For someone who spent childhood hearing "You'll never become anything."

I think I've done alright.

I'm not going to pretend being trans is easy. It isn't.
But difficult doesn't mean impossible.

Today I have my own apartment.
A job.
Friends.
A messy love life.
My body, my story
And, most importantly...

My freedom (but thats one thing I always had).

People often ask where my courage came from.

The truth is...
Courage was never a choice for me.
It was a requirement for survival.

Let's keep resisting.
Let's keep surviving.

❤️

u/LecaTransGal — 3 months ago
▲ 185 r/transbr

PARECE QUE FOI ONTEM. O tempo passa, o tempo voa e pessoas trans continuam resistindo e sobrevivendo. É sobre resiliência.

Eu brinco que quando eu nasci, o médico ele não me puxou da minha mãe. Ele abriu as cortinas e eu já saí dando meu show. Nessa hora ele olhou pra mim, chutou meu armário pra longe e disse:

- Esse bebê aqui não vai ter direito a armário pra se esconder não. Essa é a vida, bebê, engatinha pra ela ai.

Com 3 anos de idade, tem uma conhecida da minha família que me contou que eu já fazia fio dental com a fralda e saia andando rebolando.

Com 5 anos de idade nada mudou. Eu cheguei na escola e sentei do jeitinho que eu sento até hoje, nada mudou rs. Os adultos olharam pra mim:

- Não, não! Você não pode sentar assim, quem senta assim é menininha!

Foi quando eu dei a minha primeira resposta:

- Mas esse é o meu jeito de sentar!

Finalmente eles ouviram a minha voz, riram e concordaram:

- É, menininha! Você é menininha!

Foi quando começou a sobrevivência e todas as punições, tiraram meus direitos, meus privilégios, meu respeito.

Com 7 anos eu percebi que também não ia ter nem segurança e nem proteção social, por exemplo, se um menino tivesse me batendo, era e é mais fácil outros entrarem pra me bater do que pra proteger ou me defender. Foi a idade que eu comecei a ter aquela famosa hipervigilância que nós travestis e pessoas trans criamos ao longo do tempo: Por que que aqueles meninos tão vindo pra cima de mim? Por que que aquele homem tá apontando pra mim e rindo com os amigos? Por que que aquele cara tá vindo com uma faca na minha direção?

E é uma bosta quem sabe do que eu to falando sabe do que eu to falando. Eu não consigo lembrar de nenhum momento na minha vida onde eu andei nas ruas com tranquilidade (às vezes a gente não tem isso nem em casa, pelo menos não foi o meu caso, mas essa parte vai chegar). Podem até falar que a rua não é um ambiente tranquilo pra ninguém, violência existe de várias formas. Pois é, mas com pesos diferentes. O medo aqui é da lampadada na Paulista, é dos Carecas do ABC te jogarem na frente de um trem (quem lembra desse caso?). Assalto? É o mais leve dos medos, no assalto SÓ QUEREM SUA CARTEIRA, no assalto ninguém quer te matar por existir. Mas com a idade parece que você vai adquirindo estratégias pra amenizar esse medo.

Por outro lado na minha casa foi muito sossegado pra época, imagina? Era final dos anos 90 e começo dos 2000. Meus pais eram intelectuais ex-hippies fugidos da ditadura e que depois viraram jornalistas da Globo, então eles eram muitoooo modernos. Eu vivo repetindo isso aqui, nunca teve em casa aquele momento que a gente conhece "Fala grosso, anda igual homem, menino não brinca com isso". Pelo contrário, eles me deram boneca quando eu pedi, eu pude usar a roupa que eu quisesse, mas eles sempre deixaram claro que uma coisa era a aceitação e o suporte deles, na rua ia ser diferente. Nunca foi nenhuma novidade pra mim, eu já sofria tudo quanto era preconceito.

Eu acho que eu fui todos os INHAS: Bonequinha, menininha, mulherzinha, mariquinha, bailarininha, delicadinha, fofurinha, mariazinha... Eu nunca tive uma socialização masculina, nunca tive uma validação como "menino", eu nunca fui do grupo dos meninos, nunca nem me deixaram. Quem me acolheu mesmo foram as meninas, elas falavam:

- Ué os meninos não querem fazer amizade com você? Você é igual a gente!

E eu:

- Justamente, porque talvez eles me vejam igual a vocês e não igual a eles...

Com 13 anos foi a idade que eu comecei a dormir na casa das minhas amigas e os pais delas me tratavam como a melhor amiga, ninguém nem se importava que eu dormia no mesmo quarto. Meio "são duas meninas dormindo no mesmo quarto, não tem porque se preocupar".

Com 13 anos também foi a idade que eu me abri pros meus pais, eles já estavam esperando, só não sabiam que eu ia fazer isso tão nova. Obviamente tiveram os conselhos de que tudo ia ser mais difícil, oportunidades, iam me negar empregos, ia ser complicado na questão do amor, a violência, que iam me bater e etc. Mas assim, já me batiam mesmo, já passava por tudo, não tinha nada a perder. Ai eu comecei a pintar a unha, usar maquiagem e inclusive eu acho que eu encaretei com o tempo, porque com 15 anos eu usava muito mais lingerie e salto alto do hoje em dia.

Agora só pra não me alongar, vamos pular pra parte adulta? E oportunidades? E empregos? Posso perder meu emprego? Pode, não pode, se perder acontece, as coisas acontecem. A gente se prepara pra isso. É mais complicado? É, não vou mentir, nem sempre é estudo, nem sempre é conhecimento na área, geralmente é sorte e aquela coisa "água mole em pedra dura tanto bate até que fura", muita dedicação e nunca desistir.

Hoje em dia por exemplo eu trabalho com 3D e animação pra publicidade, tô há 3 anos contratada numa agência Brasil/Inglaterra, já ganhei uns prêmios pra agência, fui promovida, ganho bem, tenho benefícios de CLT, todo mundo me respeita e me trata como uma salvadora da pátria. Eu sou conhecida como "a que faz milagres e consegue entregar tudo no último segundo".

Pra quem ouviu desde os 5 anos que não ia ser nada na vida, que nunca ia chegar em lugar nenhum por ter esse jeito e nascido "diferente", eu acho que sou uma das provas aqui de alguém que tá chegando cada vez mais longe e do jeitinho que eu sou e que eu sempre fui.

Eu sei que esse relato está longo mas talvez sirva de esperança pra muita gente, principalmente mais velha, que eu vejo se questionando aqui sobre ser trans e identidade etc.

Eu não vou vender a falsa ideia de que é um mar de rosas, de que é um conto de fadas, não é. Mas isso não significa que não tenha final feliz, olha aqui eu quase 39 anos, sobrevivente, tenho meu apartamento, meu emprego, minha saúde, minhas amizades, meus rolos românticos, meus peitos, minha cintura, meu cabelo, a voz e o jeito eu sempre tive e principalmente a minha liberdade.

Lembra quando eu digo que eu não tinha nada a perder? Foi porque desde os meus 5 anos eu sempre tive a coisa mais preciosa: a liberdade de ser quem eu sou e a felicidade de ser alguém que nunca pediu licença ou desculpa por existir.

Vamos seguir resistindo e sobrevivendo.
Beijinhos.

u/LecaTransGal — 3 months ago

Celebrating 1 year and 10 months on HRT! Am I getting closer to passing? Do I come across as more feminine?

Today marks 1 year and 10 months on HRT, although I've always lived as myself.

I live in Brazil, and most people here naturally refer to me as "she," "miss," "young lady," or "woman." This happens especially in situations where people need to address customers quickly, like at street markets or Brazilian steakhouses.

When it comes to my mannerisms, I don't think I have much to worry about. Society has been calling me a "little girl" since I was about five years old. I naturally have a soft voice, and people generally perceive my mannerisms as feminine.

But since I didn't start hormone therapy until I was 36, I'm curious to know how my appearance reads to other people. Do I come across as feminine? Am I getting closer to passing?

u/LecaTransGal — 3 months ago

Celebrating 1 year and 10 months on HRT! Am I getting closer to passing? Do I come across as more feminine?

Today marks 1 year and 10 months on HRT, although I've always lived as myself.

I live in Brazil, and most people here naturally refer to me as "she," "miss," "young lady," or "woman." This happens especially in situations where people need to address customers quickly, like at street markets or Brazilian steakhouses.

When it comes to my mannerisms, I don't think I have much to worry about. Society has been calling me a "little girl" since I was about five years old. I naturally have a soft voice, and people generally perceive my mannerisms as feminine.

But since I didn't start hormone therapy until I was 36, I'm curious to know how my appearance reads to other people. Do I come across as feminine? Am I getting closer to passing?

u/LecaTransGal — 3 months ago

OLHAA QUEMM VOLTOO!! Rs, o bico mais famoso do sub. Então vamos lá? Eu estou completando 1 ano e 9 meses de Terapia Hormonal e 3 em 3 meses eu faço um compilado pra perguntar se: TÁ DANDO RESULTADO? TÁ MUDANDO? ETC? Podem mandar brasa, não tem tempo ruim. Pro final tem desde o começo. FOR THE HORDE!

u/LecaTransGal — 4 months ago
▲ 244 r/transfem

1 year and 9 months on HRT, how am I doing? Am I at least leaning more to femme?

I live in Brazil, and here everyone addresses me with female pronouns and titles (she, miss, girl, ma'am). I don’t think people do it merely out of politeness, but maybe that plays a part in it.

Ever since I was a child, I never really received masculine validation. It was always “the gestures, the voice, the look, the way I dressed.” I never truly had to “self-identify” as a woman, society kind of did that for me when I was 5 years old, and by the time I was 7, I was already fighting for my existence.

Still, I only decided to start HRT at 36. Now that I’m approaching almost 2 years on HRT, I’d genuinely love to hear your opinion:

Would you read me as feminine?

HRT protocol:
I use Estradiol spray "Lenzetto" (2 pumps in the morning, 2 pumps at night).
I was on CPA for a few months, but now that my testosterone is completely suppressed, I have switched from CPA to progesterone.
I also take Minoxidil (2.5 mg) and Finasteride (1 mg) daily, along with Vitamin B12 and Vitamin D supplements.

u/LecaTransGal — 4 months ago
▲ 247 r/transbr

Comemorando 1 ano e 9 meses de TH em 7 dias.

Compartilhando um pouco das fotos que eu tirei nesse último mês pra vocês. Que consiga inundar de esperança em todos os corações.

Apesar de eu ter me entendido muito cedinho, com 5 eu já me tratavam com diferença. Com 7 eu já tinha que fugir de homem e lutar pela minha existência e com 15 já era considerada uma das meninas mais bonitas da escola, eu só resolvi começar a TERAPIA HORMONAL mesmo aos 36 anos. Eu não tenho nem como explicar a euforia que é ir na feira sem maquiagem, praticamente de pijama e ser tratada pelos moleques que vendem ovo como:
MoçA vai querer quantos ovos? ( PARECE PIADA PRONTA, MAS NÃO É hahahaha)
Dá uma sacolinha pra ELA levar esses 60 ovos hahahahahaha. Enfim...

Nunca é tarde, galere. Tenham esperança e lutem por quem vocês são <3

u/LecaTransGal — 4 months ago

Olhaaaaa quem volteiii: A MUSA DO BICO DOURADO (só não disse qual dos bicos heh). To pra completar 1 ano e 9 meses de TERAPIA HORMONAL e gostaria de opiniões sinceras. E ai? Tá rolando? To ficando uma bela travesti? Tá dando? Jogarias comigo? Dá pra melhorar? Vocês sabem qual é a pergunta...

u/LecaTransGal — 5 months ago

1 year and 9 months on HRT, how am I doing? Am I at least leaning more to femme?

I live in Brazil, and here everyone addresses me with female pronouns and titles (she, miss, girl, ma'am). I don’t think people do it merely out of politeness, but maybe that plays a part in it.

Ever since I was a child, I never really received masculine validation. It was always “the gestures, the voice, the look, the way I dressed.” I never truly had to “self-identify” as a woman, society kind of did that for me when I was 5 years old, and by the time I was 7, I was already fighting for my existence.

Still, I only decided to start HRT at 36. Now that I’m approaching almost 2 years on HRT, I’d genuinely love to hear your opinion:

Would you read me as feminine?

u/LecaTransGal — 5 months ago