Senta que lá vem história…

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Meu filho tinha uns 2 ou 3 anos. Naquela época, o tanque ficava nos fundos da casa e a porta de entrada, na frente.

Um dia, eu disse:

— Fica aqui que a mãe vai lá fora e já volta.

Eu só ia colocar algumas roupas para bater. Coisa de poucos minutos.

Enquanto eu estava lá fora, no tanque, meu filho saiu para a rua.

Não deu nem cinco minutos e minha vizinha apareceu desesperada:

— Márcia, pelo amor de Deus! Vão roubar teu filho!

Ela estava saindo para trabalhar quando viu um carro parado na rua, com a porta aberta, e um homem chamando meu filho.

E ele estava indo.

Minha vizinha gritou com ele. Ele parou. O carro arrancou e foi embora com a porta aberta e tudo.

Eu fiquei com o coração na mão.

E meu filho?

Tranquilíssimo.

Não fazia a menor ideia do motivo de os adultos estarem desesperados.

Depois daquele dia, passei a trancar a porta quando precisava ir ao tanque. Só que aí descobri outro detalhe: o menino pulava a janela.

E olha que a casa nem tinha cerca ou portão na frente. Era tudo aberto.

Então, durante um tempo, enquanto éramos só nós dois, eu simplesmente parei de lavar roupa quando ele estava sozinho comigo. Só ia ao tanque quando o pai dele estava em casa.

Hoje eu consigo contar e até rir da parte do pequeno fugitivo. Mas naquele dia foi desesperador. Fiquei meses traumatizada, pensando no que poderia ter acontecido em questão de minutos.

E quanto mais o tempo passa, mais eu penso: foi Deus.

Porque minha vizinha poderia ter saído um minuto antes ou um minuto depois. Poderia não ter olhado. Poderia não ter percebido.

Mas ela estava ali.

Naquele dia, eu não vi apenas uma vizinha passando na hora certa.

Eu vi um livramento.

E algumas histórias que a gente conta anos depois ainda fazem o coração apertar.

Porque algumas lembranças não são apenas lembranças.

São testemunhos.

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u/MarciaWillemann — 11 days ago

2 homens, 2 anos e um varal

2 homens em casa. 2 anos pedindo um varal.

Hoje eu cansei de esperar e fiz eu mesma. O varal antigo ficava na garagem e era alto demais pra mim e como altura definitivamente não é o meu forte, eu precisava subir numa cadeira toda vez que queria estender roupa. Levei uns 5 minutos pra resolver um problema que estava esperando há 2 anos.

Às vezes a gente não precisa de ajuda. Precisa só de um pouco de raiva e vontade de resolver.

u/MarciaWillemann — 11 days ago
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Eu só queria viver coisas novas…

Há uns dias eu comentei que estava sentindo falta de viver coisas novas. Tenho um monte de histórias antigas, mas queria ter alguma novidade pra contar.

Pois então.

Hoje fui fazer compras com meu marido e, na volta, ele percebeu que tinha esquecido de abastecer o carro. O marcador de combustível está quebrado e, pouco depois, o carro simplesmente parou.

Numa curva, sem acostamento, depois das 19h.

Tentamos conseguir ajuda, mas ninguém que conhecíamos podia ir. Saímos do carro porque o lugar era perigoso e fomos até uma chácara próxima.

No fim, meu marido decidiu ir atrás de gasolina. Quando vi no Google Maps que o posto ficava a mais ou menos uma hora a pé, comecei a orar para ele conseguir uma carona.

E conseguiu.

Um motoqueiro passou, viu a situação e ofereceu carona. Ele conseguiu chegar ao posto, pegar gasolina e voltar.

Depois abastecemos o carro e finalmente fomos pra casa.

Quando entramos no carro, eu falei:

“Tá vendo? Eu estava reclamando que queria viver coisas novas.”

E ele respondeu:

“Me tira fora dessa.”

Então… pedido atendido, eu acho. Só não precisava ser desse jeito.

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u/MarciaWillemann — 23 days ago

A última vez que fomos "gatinha" na janela

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Eu devia ter uns 13 anos e tinha uma amiga um pouco mais nova, de 11. Ela morava em um sobrado, com um comércio embaixo e o apartamento em cima, bem em uma avenida movimentada de uma cidade pequena.

Quando os pais dela não estavam em casa, tínhamos um costume meio sem noção: ficávamos na janela mexendo com quem passava na rua.

Naquela noite, estávamos lá, tranquilas, brincando e chamando os rapazes de “gatinho” e coisas do tipo.

Até que passou um carro com dois homens.

Mexemos com eles.

Eles seguiram pela avenida, chegaram à esquina, fizeram a volta e passaram novamente.

Mexemos de novo.

Deram outra volta.

Passaram mais uma vez.

Até que, na terceira ou quarta vez, eles pararam o carro.

Os dois desceram.

Naquele instante, a brincadeira deixou de ser engraçada.

Nós duas tínhamos entre 11 e 13 anos, estávamos sozinhas em casa e era noite.

Apagamos a luz e nos abaixamos para que eles não nos vissem.

Só que eles não foram embora.

Entraram pela parte de baixo — que, para nossa sorte ou azar, estava destrancada — e começaram a subir a escada.

Quando ouvimos que estavam chegando à porta do apartamento, acho que nossas almas saíram do corpo.

Corremos para o quarto, dobramos os joelhos e começamos a orar.

Não lembro quanto tempo eles ficaram ali. Para nós, parecia uma eternidade.

Até que, finalmente, eles desceram e foram embora.

Naquela noite aprendemos uma lição que nenhuma mãe precisou ensinar:

nunca mais mexemos com desconhecidos pela janela.

Hoje eu consigo contar rindo, mas, pensando como adulta, dá até um arrepio imaginar o que poderia ter acontecido se aqueles homens tivessem conseguido entrar.

A gente era criança. Não fazia ideia do risco.

E aquela foi, definitivamente, a última noite da nossa carreira de “gatinha da janela”.

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u/MarciaWillemann — 29 days ago
▲ 26 r/30mais

(49) Na época em que as redes sociais eram cartas, tive um romance que terminou sem ninguém entender nada

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Na época em que as redes sociais eram cartas...

Eu devia ter uns 13 anos quando viajei com meus pais para Campina da Lagoa, no Paraná. Meus pais eram cantores evangélicos e tinham ido cantar em uma festa de igreja, na Assembleia de Deus.

Foi lá que conheci um menino.

Conversamos, trocamos uns beijinhos — bem inocentes, foi meu primeiro beijo — e, antes de cada um voltar para sua cidade, trocamos endereços.

Ele morava em Campina da Lagoa e eu em Ivaiporã, também no Paraná. Hoje descobri que são cerca de 165 a 200 quilômetros de distância por estrada. Naquela época, porém, distância não era um problema tão grande quanto parece hoje. A gente tinha as cartas.

E começamos a trocar correspondência.

Só que ele escrevia como se nós já fôssemos namorados.

Eu, com meus 13 anos, achava aquilo tudo muito curioso.

Até que, algum tempo depois, viajei novamente com meus pais. Dessa vez fomos cantar em outra igreja, em outra cidade.

No dia seguinte, minha amiga, que era minha vizinha, chegou e me disse:

— Teu namorado veio aqui...

Eu quase caí para trás.

Meu namorado?!

Eu nem sabia que ele levaria aquilo tão a sério a ponto de viajar para me procurar. E, para falar a verdade, nem tinha imaginado que ele apareceria.

Dias depois, chegou uma carta dele.

E não era uma carta romântica.

Era praticamente uma DR.

Ele estava bravo porque tinha ido até lá e, segundo ele, descoberto que eu tinha outro namorado naquela cidade. Alguém teria contado para ele.

O problema?

Eu não tinha namorado nenhum.

Até hoje eu não sei quem teria contado isso.

Às vezes penso que alguém realmente falou alguma coisa. Outras vezes penso que ele pode simplesmente ter entendido alguma situação errada. E existe ainda uma terceira possibilidade: talvez ele tenha inventado essa história.

Escrevi uma carta explicando tudo.

Mas nunca enviei.

Pensei comigo mesma:

“Não vou ficar me explicando. Ele pode nem acreditar em mim. Não vou perder meu tempo. E, além disso, ele poderia simplesmente ter avisado que viria. Se tivesse avisado, esse desencontro nem teria acontecido.”

E foi assim que terminou aquele romance de cartas.

Sem briga presencial, sem WhatsApp, sem áudio, sem bloquear ninguém.

Só uma carta que eu escrevi e não mandei.

E tem um detalhe que deixa tudo ainda mais engraçado:

eu nem lembro o nome dele.

Então, se por acaso esse rapaz estiver por aí hoje, provavelmente já adulto, talvez tenha passado a vida acreditando que uma menina de 13 anos de Ivaiporã o traiu.

E eu gostaria muito de esclarecer:

Moço, eu não tinha outro namorado!

Eu tinha 13 anos! E provavelmente meu pai nem teria permitido que eu tivesse um namorado oficialmente.

Mas isso eu nunca consegui explicar.

Porque a carta ficou sem enviar.

E o nome dele ficou perdido no tempo.

Se esse rapaz estiver por aí hoje: moço, eu não tinha outro namorado!

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u/MarciaWillemann — 1 month ago

Parte 2 — A cliente da capa de botijão voltou… mas dessa vez queria emprego

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Gente, eu não esperava que tanta gente fosse querer saber o final dessa história.

Então vamos lá.

Alguns dias depois de toda aquela história da capa de botijão, a mesma mulher apareceu querendo emprego comigo.

Sim.

A MESMA.

A mulher que tinha escolhido o modelo, escolhido a cor, recebido foto da peça pronta, recebido a encomenda, pago e depois dito que o modelo era feio e que não era o que ela tinha escolhido...

Agora estava ali, querendo trabalhar comigo.

Na hora eu reconheci.

E confesso que passou um filme na minha cabeça.

Eu poderia ter lembrado da capa.

Poderia ter falado alguma coisa.

Poderia ter aproveitado a oportunidade para dar aquela resposta bem dada que a gente ensaia mentalmente depois que a raiva passa.

Mas não.

Eu fui educada.

Ela perguntou sobre emprego e eu simplesmente respondi:

“No momento não tenho nenhuma vaga disponível.”

Só isso.

Sem discussão. Sem indireta. Sem humilhação.

Ela foi embora e eu fiquei pensando:

“Meu Deus… essa história realmente aconteceu.”

E foi aí que eu percebi que a minha tão esperada vingança era simplesmente...

não contratar a mulher.

Depois de devolver o dinheiro da encomenda e ainda pegar minha capa de volta, eu não ia colocar aquela pessoa para trabalhar comigo.

A capa eu posso dar para outra pessoa.

O dinheiro eu devolvi.

E a paz... essa eu fiquei. 😂

Então é isso, pessoal.

Vocês estavam esperando uma vingança cinematográfica, mas eu fui lá e usei a arma mais poderosa que existe:

educação + “não temos vagas no momento”.

EDIT: Gente, lembrei de mais uma

Depois que ela não conseguiu emprego comigo, acabou trabalhando na fábrica de uma amiga minha, que pegava marmitas no meu restaurante e pagava no fim do mês. No final do mês, ela foi questionar porque, segundo ela, tinha pegado menos marmitas do que eu estava cobrando. Ainda bem que eu tinha todos os pedidos salvos no WhatsApp. Conferimos tudo e estava tudo certinho.

Comecei a achar que o problema talvez não fosse só a capa de botijão…

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u/MarciaWillemann — 1 month ago

Minha cliente de crochê mudou de ideia depois que recebeu a encomenda. Dias depois, veio me pedir emprego.

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Eu faço crochê e, certa vez, uma cliente me encomendou uma capa para botijão de gás.

Ela me mandou a foto do modelo que queria, escolheu a cor, combinamos o preço e eu fiz exatamente como havíamos combinado.

Quando terminei, tirei foto da peça pronta e mandei para ela. Ela viu. Depois entreguei pessoalmente e ela pagou normalmente.

Até aí, tudo certo.

Só que alguns dias depois ela me mandou mensagem dizendo que aquela não era a capa que ela tinha escolhido.

Segundo ela, o modelo que eu tinha feito era feio, não era o que ela queria e ela não sabia o que fazer com aquilo.

Ela perguntou se eu devolveria o dinheiro.

Eu fiquei com um ódio que vocês não têm ideia.

Porque eu tinha a foto do modelo que ela mesma tinha escolhido, tinha feito a peça, tinha mandado foto antes da entrega e ela tinha recebido e pago.

Mas eu não queria ficar discutindo.

Devolvi o dinheiro.

Na hora, quase falei: “Pode ficar com a peça de presente.”

Mas pensei melhor.

Não.

Vou pegar minha peça de volta. Posso dar para outra pessoa, vender, usar como quiser. Mas de presente para ela, não.

Peguei a capa de volta e encerrei o assunto.

Alguns dias depois, a mesma mulher apareceu querendo emprego comigo.

E foi aí que eu pensei:

“Ah… então é você mesma?”

E foi nesse momento que chegou a hora da minha vingança.

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u/MarciaWillemann — 1 month ago