u/Phoebe-Buffay-Porto

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Como é que acabei a cuspir nas mãos num chiquíssimo cocktail da empresa?

Disclaimer: Esta história desenrola-se em ambiente corporativo, o que torna tudo muito pior. Como é que acabei desenfreadamente a cuspir nas mãos num elegante cocktail?

Comecemos por um breve contexto inicial: Decorria o ano de 2025 e a empresa onde trabalho tinha acabado de mudar de escritório. Agora o meu novo local de trabalho era um novíssimo prédio de 14 andares, todo moderno e sofisticado. Já trabalhava naquele novo local há algumas semanas mas a cerimónia de inauguração ainda não tinha decorrido. Eis que chega o dia da inauguração: um pequeno discurso do country manager, seguido de uns aperitivos. Até aqui tudo bem. E se assim tivesse continuado, esta história não estava aqui (certo, Vasco?).

Eu e os meus colegas não tínhamos lanchado para guardar todo o apetite para este momento. Começam a passar os senhores do catering com bandejas e eis que avistamos pequenos bocadinhos gourmet de sabe-se lá o quê nas bandejas (seriam rissois? Já não me recordo, porque o que ficou na memória foi outra coisa…). Começamos a retirar alguns rissois e eis que me apercebo que os rissois estão pousados em cima de uma camada de amendoins! E eu adoro amendoins! Por isso retiro uma mão cheia de amendoins e meto-a na boca (porque se está na bandeja é para se comer, certo? Certo?)

ERRADO

Quando meto a mão cheia de amendoins na boca, algo está estranho. Quando começo a tentar mastigar quase parto os dentes. Não quero dar parte fraca por isso fico ali uns segundos a tentar perceber o que está a acontecer (porque raio é que os amendoins estão tão duros?). Volto a olhar para a bandeja, que neste momento já vai longe, e agora, com atenção redobrada, é que me apercebo:

ACABEI DE METER UMA MÃO CHEIA DE FEIJÕES CRUS NA BOCA. CRUS!

Parece que é alguma moda chique servir os rissois em camadas de feijões crus que apenas servem para enfeitar. (Sabiam desta moda? Sou só eu que nunca tinha visto tal coisa?)

Voltando ao meu drama: estou num cocktail empresarial, rodeada de gente elegante e séria e tenho uma quantidade enorme de feijões crus na boca que não consigo processar. Porquê que tive que ser tão gulosa? Porquê que não meti delicadamente apenas um amendoim na boca? Fui uma alarve paguei por isso.

Continuando: neste momento, os meus colegas repararam que algo se passa. Tenho a boca cheia tipo esquilo, não consigo falar, nem quase respirar. Olho para eles, eles olham para mim. Começa-me a dar um ataque de riso enquanto tento sussurrar “SÃO FEIJÕES, SÃO FEIJÕES”. No meio das palavras que tentei proferir, um feijão sai disparado da minha boca. Se os meus colegas ainda não tinham percebido o que se passava, acho que aqui ficou claro.

Não sei o que fazer. Não consigo mastigar aquela quantidade gigante de feijões crus. Não os consigo engolir também. Não tenho um singelo lenço onde possa cuspir.

Só consigo pensar: faz-te mulher e mastiga isso, antes que algum chefe se aproxime para fazer conversa contigo. E é neste momento que tudo piora. Não é um chefe que se aproxima para fazer conversa. É UM FOTÓGRAFO. Relembro que neste momento tenho bochechas de esquilo, acho que adquiri a cor de um tomate e também acho que me estou a babar um pouco (por tentar falar com a boca tão cheia). Lá conseguimos evitar o fotografo e fugir à foto, movendo-nos para um pequeno canto da sala. Mas nada está resolvido. Continuo com 3 quilos de feijões crus na boca e sem esperança.

Depois de ter conseguido parar de rir, um colega meu, heroicamente, lança-se na busca de guardanapos. Problema: subestimou a quantidade de feijões que eu tinha na boca e trouxe apenas um pequeno e muito finoooo guardanapo. Entrega-me o guardanapo e eu só penso: bem vai ter que ser, vou ter que cuspir tudo aquilo que tenho na boca, neste ambiente extremamente sério e corporativo. Cuspo tudo aquilo que consigo (porque até hoje sinto que ainda ficaram partes de feijões crus enfiados nos dentes) mas o guardanapo era tão pequeno e fino que está tudo a escorrer-me para as mãos: quer feijões semi mastigados, quer baba que acumulei na boca. As cuspidelas têm que ser várias para conseguir tirar a maior parte daquilo da boca, enquanto tento evitar os olhares dos meus colegas. O guardanapo, neste momento, é uma sombra do que em tempos foi: está roto e cheio de cuspo (lamento isto estar a ser tão gráfico).

Não tenho outro remédio senão furar aquela multidão, com as duas mãos em concha, onde jaze um guardanapo e uma quantidade absurda de feijões crus mastigados. Baixo a cabeça e caminho, quase correndo. Safei-me sem ser interceptada e consigo chegar à casa de banho.
O ALÍVIOOOO.

Consigo limpar as mãos, a boca e o que resta da minha dignidade. Junto-me de volta aos meus colegas - que acho que estão até hoje a rir. Já nem os rissois quis comer.

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Se esta peripécia chegar à mesa de trabalho do Nuno, espero que ele mande um beijinho para os meus pais, Vitor e Susana, os maiores fãs desta rubrica! Pai, mãe, a maior vergonha que passei na vida valeu a pena!!

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u/Phoebe-Buffay-Porto — 12 days ago