r/PastaPortuguesa

Carreguei a minha amiga bêbada durante 2km e acharam que a estava a raptar

São 2 da manhã. Este fim de semana alugamos uma casa para um grupo de 6 bons amigos. Tínhamos ido para o café e eles estão todos arrebentados. O grupo quer sair para a discoteca. Eu quero ir para casa. Uma amiga minha (vamos-lhe chamar Zeza) está a gregar-se toda no quarto de banho.

Zeza sai do quarto-de-banho e procede a adormecer na cadeira. Ótimo para mim porque estou com uma dor de barriga enorme que estava mesmo a ser o sismo antes do tsunami, mas praticamente sóbrio e prontíssimo para ir para casa. Surge o negócio: eu levo a Zeza para casa e o resto do pessoal vai-se embora para a discoteca.

O pessoal lá baza, eu tento chamar o táxi e pumba, telemóvel sem bateria. Foda-se. O café tinha fechado, ninguém na rua. Não me acredito. Vamos ter que ir a pé por uma nacional em Ponte de Lima (+-2km até chegar à casa). A Zeza procede a apagar completamente (regular dela sempre que bebe, +- 1h30 e ela volta a acordar e está tudo bem) e eu a ver a minha vida a andar para trás.

Decido fazer a decisão hercúlea: vamos meter a Zeza ao ombro e vamos levá-la até casa, porque ainda por cima está um briol enorme e nós de manga curta. Sorte a minha que ela é magrinha senão a escoliose esta semana tava ao rubro. Arrependo-me imediatamente mas olha, que solução tenho? E lá vamos nós pela nacional a andar pelo passeio.

Lá vamos nós.

Imaginem o que é verem um gajo de 1,85m, 90kg, a andar na rua, sem luz absolutamente nenhuma, com uma gaja ao ombro completamente K.O. Paravam e perguntavam o que estava a passar, certo?

Que foi exatamente o que aconteceu quando um grupo de 4 gajas passou por nós num Fiat 500. O carro passa, avança um bocadinho e faz marcha-atrás.

Condutora: está tudo bem?

Eu: sim, estou sem bateria no telemóvel e e ela ficou demasiado bêbada. A nossa casa é ao fundo da rua.

Elas: tens alguma prova de que a conheces? uma foto vossa ou assim?

Eu: não tenho nada, mas tranquilo, nós somos amigos de longa data

Elas: e como sabemos isso?

Eu, a ficar nervoso: não sabem.

Lá continuamos um bocadinho nisto para a frente e para trás até que lhes digo olhem, se quiserem posso fazer login no meu Instagram de algum telemóvel vosso e mostro-vos o Insta e conversas com ela. Elas dizem ok.

A cena é: eu NUNCA falo com ela por Instagram porque ela não usa, nem foto tem (algo que só me lembrei ao entrar na conta). A única mensagem que tenho é de 2022 e é nada mais, nada menos do que uma foto, que eu lhe enviei, dela a lamber o meu mamilo quando estava sem camisola numa festa (sim, nós somos muito bons amigos). Melhor ainda, a foto estava cortada de modo a que só aparecia a cara dela e o mamilo. Com zero texto e o chat apenas a dizer "visto". As gajas só ficam confusas. Uma diz "Isto só prova que és stalker". Outra diz "vou chamar a polícia". E eu a sentir a caganeira a desenvolver.

No meio disto tudo, eu estou com o cansaço da ressaca + carregá-la, a aturar 4 gajas que acham que a estava a raptar. O que é que acontece depois de 15 minutos a tentar convencê-las a não chamar a polícia?

A Zeza acorda.

Procede a gregar-se toda aos pés de uma das gajas. Uma das gajas, que vê a minha amiga a gregar, tem a mesma reação que ela mas dentro do carro. Ficou tudo um esterco.

Chega um carro com dois polícias a passar pela nacional. Boa noite e tal, o que é que se está a passar aqui. A Zeza, que acordou, só diz "aturar boiolas a estas horas". Procede a gregar outra vez no chão. A outra gaja que está dentro do carro vê aquilo e grega ainda mais lá dentro. Os polícias apercebem-se que acabaram de entrar no festival do grego. Eu peço à Zeza para lhes dizer qual era o meu nome e para confirmar que eu era amigo dela. Ela diz isto tudo meio de olhos fechados, voz arrastada e corpo leve e o pessoal lá se acredita em mim. As alegações não me cancelaram.

Polícias estão curiosos: porque é que o carro está todo gregado e estávamos parados na rua, assumindo que estávamos todos juntos. Estamos contar a história, mas entre eu me tentar defender como não-violador e a condutora que claramente está nervosa, eles não percebem nada.

Condutora está a falar de forma estranha e arrastada e polícia pede teste do balão. Condutora bufa e acusa 1.3. Começa lá uma discussão enorme, ela pede para fazer um teste qualquer todo xpto e lá vão eles. Nenhuma delas tinha carta e ficam a ponderar quem é que vai conduzir, onde é que vão ficar, etc. As amigas lá ligam à mãe da rapariga e combinam de ficar à espera, mas a mulher ia demorar 3h.

Eu peço ao polícia para me levar a mim e à Zeza e eles dizem que não são serviços de táxi.

Entretanto a Zeza lá começa a falar com uma delas, diz-lhe que sou um gajo tranquilo e tal e começo a falar com elas para as acalmar porque estavam stressadas com a situação. Eu também ficaria né, dado que a perspetiva delas era que acabaram de intercetar um violador e a amiga foi dentro.

No meio disto tudo, eu só estou exausto porque estou com uma caganeira enorme, carreguei a minha amiga durante 1 km e estive a tentar provar durante 45 min que não era um violador. Eu tenho mesmo que ir cagar por amor de deus. Proponho-lhes isto: eu levo o carro até lá a casa, elas podem ficar connosco à espera da mãe da amiga. Elas lá ligam à mãe da amiga e aceitam. Polícia obriga-me a bufar ao balão antes de entrar no carro mas tenho 0.0 e lá vamos os 5, comigo a conduzir o carro todo gregado com a autorização da mãe da rapariga.

Chegamos a casa e vou direto para o quarto-de-banho. Saio, vou lá fora ver como está a situação e a Zeza foi buscar shots. Ficamos à conversa até às 7 da manhã.

Aparecem os meus amigos retornados da noite.

"Foda-se mano engataste 3 gajas?"

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u/raffypng — 1 day ago

A minha mulher pediu-me novidades na cama

Eu e a minha mulher estamos casados há quase 4 anos. Recentemente, a nossa vida sexual tem vindo a estagnar um bocadinho. Disse-me que precisava de algumas novidades. Meti-me a pesquisar.

Basicamente, inscrevi-me na universidade metafórica do sexo. Andei aí a fazer pilates e kegels como se tivesse acabado de ter trigémeos, procurei lubrificantes novos, brinquedos e técnicas todas xpto. Neste momento era capaz de escrever uma tese de doutoramento sobre o que um dedo no cu faz a uma pessoa.

Ora, após semanas de pesquisa, descobri uma coisa maravilhosa: o Lelo Enigma Double Sonic. Apesar do nome que soa a cigano misterioso, vou explorar o site e meu deus.

Antes de começar a história, quero fazer aqui um apelo à população masculina: nós temos que ser melhores. Eu ouço outros homens a falar sobre preliminares, sexo oral de uma forma muito amadora e digo-vos que, comparado com isto, nós não temos hipótese. A competição apertou e o nosso game não é nada para elas. "Ah e tal mas eu sou bom na cama" - não és. A tua gaita não manda ondas ultrassónicas. Não tens 2 horas de durabilidade em modo peak. Tu não sabes o que é o A-spot, e por trás de um vibrador destes há anos e anos de estudo científico - tu nunca leste uma tese de doutoramento sobre orgasmos.

Um gajo aprende isto e dá uma nova visão da vida. Se são homens e estão de micropénis então comprem uma cena destas e finjam que são lésbicas. A vossa mulher vai agradecer.

Não vou mentir: a minha auto-estima ficou abalada. Nós lá começamos a usar brinquedos novos e às vezes era como se eu não existisse. Mas ela estava contente e para mim era-me igual, já estava satisfeito e já. Uns meses de experimentar coisas novas e estamos o melhor que já estivemos em todos os níveis da relação. Eu já ultrapassei o facto da minha gaita ser um Dacia e ela ter um Lamborghini, o que é interessa é o piloto.

Aniversário de casamento. Estamos num hotel spa, tudo arranjado e preparado para nós.

Antes de começar a contar esta parte da história, quero falar sobre o amor - porque um homem a sério faz de tudo para que a sua mulher esteja feliz. De TUDO. Não compras aquele jipe que queres. Começas a ir ao domingo àqueles baloiços panorâmicos para ela tirar uma foto para o Insta. E quando a tua mulher te dá uma prenda, tu aceitas com o maior gosto apesar de ela não ser tão boa ouvinte e comprar coisas meias estranhas.

E ela tem uma prenda para mim. Abro aquilo. Vejo uma cena em silicone com um formato todo marado que diz "tamanho pequeno".

Fico branco.

"Vais gostar" diz-me ela, enquanto explica que é para meter em orifícios nunca antes explorados.

"Que engraçado babe! Adoro!"

Estou a sentir níveis de ansiedade capazes de disparar alarmes de guerra. Estou a olhar freneticamente de um lado para o outro à procura de possíveis escapatórias do quarto de hotel.

Vamos com calma. Procuramos na net uns vídeos de como usar aquilo. Eu tenho a certeza que não vai caber e ela só me diz "vai vai". Oh caralho, eu não sei se consigo pegar de empurrão. O pessoal nos fóruns está a dizer que foi espectacular. Eu começo a pensar em cenas estranhas. E se me faz danos permanentes? E se isto me faz um condicionamento pavloviano e eu nunca mais chego lá a menos que tenha algo no cu?

Decido seguir em frente. Já saltei de penhascos e exigiu menos coragem.

Acabamos a nossa aventura.

Eu vou para os fóruns dizer que foi espectacular. Se preciso de explorar novas cavernas para chegar lá, que seja. Eu aceito. Sou um homem novo.

Passam-se meses de ótimas relações sexuais. Definimos um orçamento para brincadeiras e aquilo torna-se quase um hobby nosso. Estamos a ficar um bocadinho mais kinky a cada dia que passa. Exploramos coisas novas, cenários, brinquedos, sítios, tudo.

Num dos dias mais atrevidos que já tivemos reservamos um quarto num hotel de swingers. Nós ainda estamos numa de experimentar coisas. Pensamos porque não? Temos mente aberta e não somos ciumentos, vamos lá. Não deve ser assim tão mau.

Chegamos ao hotel e aquilo claramente não é nenhuma pousada da juventude - só existem casais de homens gays. Depois de uma secção "segura", uma parte do hotel, para a qual a vista do nosso quarto está direcionada, é a piscina para nudistas. Durante o dia, existem secções onde acontece o expectável num hotel para swingers. De resto, era um espaço normal, confortável e com boa comida - quem gosta de pinar na liga profissional também merece tratar-se bem.

Fomos para o quarto, que ficava ao lado da secção da piscina. No entanto, quando estamos a ir para o quarto, vemos que a piscina está encerrada para um "evento privado".

Passamos a noite inteira a ouvir um grupo de 15-20 homens a bater palmas uns aos outros. Ouvimos grunhidos que nunca ouvimos antes. A certo ponto, por curiosidade, estamos à janela a ver a situação toda a desenvolver-se. Era impossível parar de olhar e eu sabia que, no momento, algo estava a mudar em mim.

Após muitas horas a tentar dormir, lá adormecemos. No dia seguinte vamos tomar o pequeno-almoço. Não estamos a falar muito porque ainda estamos a processar o que vimos.

Um casal que estava sentado ao nosso lado começa a conversar connosco. Depois de uma pequena pausa a meio da conversa um deles diz, com um tom maroto: "o grupo é muito aberto, se se quiserem juntar".

Eu não sei como reagir. Que o grupo é muito aberto sei eu amigo. Eu nunca tinha visto tanto pêlo branco e suor de homens velhos num único sítio. Participar naquilo não seria muito diferente de tentar fazer uma massagem com óleo a um urso polar. Consigo entrar na vibe de grupo quando estou na festa da aldeia e temos que fazer o passinho da danza kuduro, mas isto não dá.

“Quando quiserem juntar-se… o pai está cá.” diz-me ele.

Fiquei mais pálido do que um vampiro gay no armário.Digo muito obrigado pela oferta mas temos coisas a fazer. Ficamos o dia inteiro no hotel a olhar para o teto. Fizemos check-out mais cedo e voltamos para casa.

Quando chegamos... nada. Eu não consigo parar de pensar naquilo. Estou traumatizado e ela também. Ela diz que foi mesmo estranho e que não o devíamos ter feito. Eu concordo. Temos andado só a dormir em conchinha e a dar uns abraços. O que interessa é o amor a partir de agora.

Há uns dias, recebemos uns brinquedos que tínhamos encomendado uns dias antes - uma cena para meter no cu.Nós ficamos a olhar para aquilo como uma influencer analfabeta a ler um livro: sem reação, sem perceber o porquê e a pensar que deveríamos ter feito algo quanto a isto mais cedo. Considerei enterrar aquilo no jardim, mas tenho medo que volte tipo a Annabelle ou uma coisa do género.

Fui demasiado longe. E agora paguei as consequências.

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u/ohmannotagaintwice — 1 day ago

Purtugês funéticu

Como tenho demasiado tempo livre, decidi criar uma forma escrita da língua portuguesa a que chamei «português fonético». Esta forma escrita pretende aproximar significativamente a escrita da fonética da língua, de maneira a que seja bastante mais fácil perceber como uma palavra se lê pela forma como a mesma palavra está escrita, à semelhança do que acontece na língua espanhola. Para mostrar como funciona, aqui vai este mesmo texto em português fonético:

Comu tanhu demaziadu tempu livre, desidi criar uma forma ejcrita da língua portugeza a qe xamei «purtugêj funéticu». Ejta forma ejcrita pretende aprosimar significativamente a ejcrita da funética da língua, de maneira a qe seja bajtante maij fásil perseber comu uma palavra se lê pela forma comu a mejma palavra ejtá ejcrita, à semelhansa du qe acontese na língua ejpanhola. Para mustrar comu funsiona, aqi vai ejte mejmu teijtu em purtugêj funéticu:

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u/raffypng — 2 days ago

A minha vizinha idosa é guna - parte 2

Prometemos e cumprimos, caralho.

Duas semanas depois lá estávamos nós outra vez a subir a estradinha da cabra que serve de acesso à aldeia, o carro carregado com enxadas, uma roçadora emprestada (meia fodida) e uma garrafa de água que já sabia a plástico quente de estar ao sol desde Espinho.

O terreno da Cleonice ficava mesmo ao lado do nosso. Um retângulo de mato tão denso que fazia lembrar a testa da vagina da ex namorada do meu amigo (segundo relatos dele).

Silvas do tamanho do monumento dos Descobrimentos, um poço tapado com uma chapa ferrugenta que gemia com o toque, e no meio de tudo aquilo, milagrosamente intacta, uma roseira.

"Cuidado com a puta da roseira!", berrou ela lá de cima da escada de pedra, sem sequer olhar para nós. "Essa fica. O resto é lenha, é ferro, é merda, vai tudo."

Ficou anotado. O frigorífico dos anos 80 que cheirava a qualquer coisa que morreu lá dentro em 1997, a bicicleta sem rodas meio enterrada como se tivesse sido sepultada com honras militares, três pneus e um cesto cheio de garrafas de vidro. Tudo isso ia direitinho para a fogueira dos pecados.

Ainda tentamos ligar à Resulima, mas a resposta foi a mesma "Isso é com a câmara".

E a câmara vai dizer que é com a Resulima. Foda-se.

Adiante.

Estávamos ali há vinte minutos, já cobertos de espinhos e daquele suor a pingar para o rego do cu, quando ouvimos um motor a subir a estrada. Um Opel Corsa cor de burro a fugir, escape mais rouco que a voz do Fernando Rocha num "ora ladies and gentlemen" ao público, e lá saiu um homem de boina, sorridente, com um garrafão de cinco litros debaixo do braço.

"Ah, vocês são os rapazes da casa velha! Já ouvi falar. Trago-vos aqui um vinhozito da minha adega! Provaide, não faz mal a ninguém."

Chamava-se Elísio. Descobrimos, ao fim de trinta segundos de conversa, que o vinho era só o aperitivo. O que ele queria mesmo vender era um terreno "com muito potencial", descrição que, traduzida do dialeto de Arcos de Valdevez, significa: ruína total, telhado inexistente e uma dívida ao fisco.

Recusámos com educação. Ele insistiu com a lábia de quem devia ter carreira feita a vender Calcitrin na TVI. A Cleonice, que entretanto tinha descido a escada com a agilidade de quem não tem ossos, resolveu o assunto em três segundos e meia dúzia de palavras.

"Elísio, vai foder a vida a outros, que estes rapazes trabalham para mim hoje."

O homem abanou a cabeça a medo e meteu-se no Corsa, desaparecendo estrada abaixo com o escape a cagar fumo. Ficámos ali a olhar um para o outro.

"Trabalham para mim." A puta da frase ecoava-nos na cabeça.

Nem sabíamos que tínhamos sido contratados. Mas é a Cleonice, e a verdade é só uma: não se discute com quem já ganhou processos em tribunal por desporto.

Voltámos ao trabalho. Foi nessa altura que descobrimos que o cagaço de vespas asiáticas do outro dia tinha, ao que parece, família alargada. Um ninho novo, ainda maior, escondido dentro do poço tapado, mesmo por baixo da chapa que estávamos prestes a levantar com um ferro a servir de alavanca.

O meu amigo levantou a chapa uns dez centímetros. O suficiente para as vespas perceberem que a hipoteca do território estava em disputa. Saiu de lá um exército aéreo com muita má vontade. Corremos, borrados, como quem foge de uma inspeção da Autoridade Tributária, aos gritos, a abanar os braços feito helicóptero avariado, mais rápidos que o Sócrates a fugir do tribunal, até nos atirarmos para dentro do carro com as portas fechadas e o coração a bater à moda do Kuduro.

De fora, ouvimos a Cleonice a rir-se. Não um riso qualquer. Uma gargalhada franca, das que vêm da alma e da certeza absoluta de que somos dois cabrões inúteis.

"Seus mariquinhas de cidade! Esperaide aí, caralho."

Saiu de casa com uma lata de spray sem rótulo e uma máscara de apicultor tão velha que já tinha direito a reforma antecipada. Aproximou-se do poço com o passo calmo de quem vai regar tomates, borrifou lá para dentro, recuou dois passos e ficou a ver o ninho a esvaziar-se.

"Pronto. Amanhã tiram de lá o ninho e tapam o poço com cimento."

Perguntámos-lhe o que raio era aquele spray. Ela encolheu os ombros.

"Um xiripiti que trouxe de França. E calou que esta merda é ilegal."

Decidimos não fazer mais perguntas. Há coisas que é melhor não saber, tipo o passado profissional exato do "ex-empregador" que lhe deixou o casarão em herança.

À tarde, já com menos mato e menos dignidade, sentámo-nos os três numa pedra a beber a água quente de plástico e um copo do vinho do Elísio que, para nossa surpresa, afinal não era mau de todo. A Cleonice começou a contar-nos, sem que ninguém tivesse pedido nada, o quarto processo em tribunal, aquele que ainda não nos tinha contado.

"Foi com uma vizinha que andou a dizer por aí que eu tinha vindo para cá com o dinheiro dos homens. Processei a puta. Ganhei. Agora atravessa a rua quando me vê, ai não."

Perguntámos, com todo o cuidado do mundo, se não achava que estava a ficar sem vizinhos para processar.

"Ainda tenho três", disse ela, muito séria "Esse Elísio qualquer dia também se fode".

A conversa tinha mais drama que uma manhã inteira do Dois às Dez da Cristina Ferreira, só que sem publicidade ranhosa a meio e com muito mais verdade.

Ao fim da tarde, quando já estávamos a arrumar as ferramentas, apareceu uma figura à distância que reconhecemos de imediato: o pastor. Vinha devagar, sem as ovelhas, mãos nos bolsos, ar de quem tinha ensaiado o discurso durante o caminho todo, provavelmente em voz alta, sozinho, como um maluco.

Parou a uns bons dez metros, distância de segurança validada por experiência anterior, e disse, quase a medo:

"Sobre o outro dia... Vim só dizer que… pronto. Não foi bem a minha melhor maneira de falar convosco."

Silêncio. A Cleonice, sentada na pedra, sem sequer se virar para ele, respondeu seca:

"Pediste desculpa a mim ou a estes dois?"

"A eles."

"Então falta a mim, seu paneleirote."

O homem hesitou, disse qualquer coisa entre os dentes, e lá se foi outra vez. A Cleonice voltou-se para nós, satisfeita como quem acaba de fechar um negócio milionário.

"Está a aprender. Devagarinho, o cabrão, mas está a aprender. Mansinho."

Já no carro, a caminho de casa, com o corpo a arder de picos de silva e o ego ainda a recuperar da corrida das vespas, o meu amigo resumiu a tarde numa frase:

"Vim para limpar um caralho de um terreno e levei um ensaio de como ser o rei desta merda toda"

Concordámos os dois.

Durante a viagem, afundámo-nos em conversa e íamos a combinar o próximo fim de semana, porque, ao que parece, agora "trabalhamos para a Cleonice".

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u/raffypng — 2 days ago

Troca de olhares no trabalho

Sou homem (gay) e há outro homem no trabalho (e mais alguns, mas particularmente este) que de vez em quando troca uns olhares “estranhos”.

Uma vez olhei de repente e apanhei-o a olhar para mim fixamente.

Admito que até o acho giro e se houvesse interesse que me envolvia. Mas como saber? Não o encontro nas apps do costume…

Opinião?

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u/raffypng — 7 days ago

Os putos da minha freguesia lambiam sapos

Tinha eu 6 anos. Estamos numa escola numa freguesia do norte ainda com telhas de amianto. A vida é boa. Só tenho dois grandes problemas: um medo incompreensível de sapos e um bully chamado Mota. 

O Mota não era um génio do mal a fazer planos maquiavélicos. Não me vou meter aqui com rodeios: era burro como uma porta. Apercebeu cedo que era mais alto do que a média e decidiu girar a sua personalidade inteira à volta disso. Dava-me porrada todos os intervalos. Odiava aquele gajo. 

Se já foram vítimas de bullying, sabem que há uma coisa que normalmente não é considerada: a qualidade dos insultos. Porque nem todos os insultos são iguais. Há uma diferença enorme entre chamarem-te "gordo" e "buraco negro de chocapics". Portanto, o sofrimento de uma jovem vítima pode ser redobrado quando o bully é pouco original. Não há uma nuancezinha, ou um vislumbre de inteligência do gajo que te está a dar cabo da cabeça. Com muita tristeza minha, o Mota não era um bully com qualidade.

Um dia estávamos a jogar à bola no recreio (aquele futebol caótico onde a bola é só um íman que atrai 20 crianças ao mesmo tempo). Eu estou a atacante e o Mota está a defesa, a partir-me a boca toda. Um puto chuta a bola para além da cerca e vai parar a um charco ao lado do campo, onde passava um pequeno riacho que vinha do campo de cima.  

Vamos lá buscar a bola e alguém repara: sentado e quieto, está lá um sapo, a viver a sua vida de sapo.

Oh caralho, penso eu. Eu, como vos disse, estou aterrorizado de sapos. Eu não estou nada a gostar da brincadeira mas os putos decidem-se todos aproximar do sapo enquanto eu fico cá atrás. Ficam todos muito curiosos. Não sei se foi um desafio ou se foi o próprio Mota a oferecer-se mas um minuto depois ele está agachado ao lado do charco, pega no sapo e lambe-o.

Nós ficámos ali, um grupo de crianças de 6 anos, em silêncio absoluto, a processar o que tínhamos acabado de testemunhar. Eu decido finalmente que este é o meu pior pesadelo. O Mota devolve o sapo ao charco, limpa a boca na manga, e volta a jogar à bola. Como se nada tivesse acontecido.  Eu respiro de alívio porque aquilo podia ter corrido muito mal para mim mas ok, já passou.

A cena é: ele voltou a jogar bem. Estava a jogar de defesa e nessa manhã meteu seis golos, a fazer dribles que nenhum de nós conseguia acompanhar, a marcar de calcanhar. Passava por mim e nem me empurrava, só fintava. O gajo celebrava os golos com aquela arrogância de quem sabe que é o melhor em campo. 

Eu estou fodido. Isto é o meu primeiro contacto com doping e nem sabia muito bem o que estava a acontecer. Achei uma injustiça. O meu bully descobriu uma vantagem sobre mim que todos podem ter exceto eu.

No intervalo seguinte, os putos estão todos a falar do quão bem ele jogou. Se o Mota lambeu um sapo e ficou bom a jogar à bola, a lógica é simples: os sapos dão super-poderes da bola. Os putos foram todos lá, lamberam o sapo, e ficaram ou todos energéticos ou com uma caganeira enorme. Os professores, auxiliares e pais ficaram todos confusos sobre o que teria causado, mas lá ignoraram. Coisas de putos, né?

Mas no dia seguinte o charco tinha lá os seus consumidores regulares. Começaram com teorias de que tinham que molhar o sapo na água, lamber 10x, etc. Como se fosse um culto.

Durante uns bons dias, aquele recreio transformou-se hipoteticamente no melhor campeonato de futebol da região Norte. Putos que normalmente nem acertavam na bola começaram a fazer jogadas de exibição. Um formigueiro na língua, um calor esquisito, uma vontade repentina de correr mais depressa do que o normal. Acharam todos que tinham descoberto o segredo mais bem guardado do desporto português. 

Isto durou até que o Sr. Hermínio apareceu.

O Sr. Hermínio era o dono do terreno ao lado da escola, um lavrador com a paciência tipicamente reduzida de quem passa o dia a lidar com miúdos como o Mota. Apareceu um dia à hora do intervalo, viu uma fila de crianças a lamber sapos e teve uma reação que, em retrospetiva, foi extremamente moderada dado o que estava a testemunhar.

"Ó putos, mas vocês estão a fazer o quê?"

Explicamos, com o orgulho de quem acabou de fazer uma descoberta científica: os sapos davam poderes de futebol.

O Sr. Hermínio ficou ali especado, a olhar para nós, e depois para o charco, e a fazer a ligação que nenhum de nós, evidentemente, tinha feito.

"PAREM JÁ COM ESSA MERDA! ISSO TEM PESTICIDA! "

Nós sabíamos lá o que era pesticida, mas o homem ficou tão chateado que saímos todos a correr.  No intervalo seguinte, estava lá uma funcionária da escola a impedir-nos de ir para lá.

Não sei ao certo o que estava naquele produto (não tive envolvido nas reuniões da escola, que envolveram muuuuuitos pais). Quem diria que nós não éramos atletas a descobrir um segredo ancestral dos sapos do Minho? 

Continuei fodido porque o Mota continuou a jogar bem depois disso. No entanto também continuou burro. Tem agora 37 anos e vai para o 10º emprego diferente como aplicador de pladur. 

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u/ohmannotagaintwice — 7 days ago

A festa da minha freguesia não correu bem

Este ano, após vários insucessos, a minha freguesia voltou a organizar as festas do padroeiro cá da aldeia. A festa centrou-se em angariar dinheiro para os escuteiros comprarem uns bombos novos, porque já não bastava serem escuteiros - tinham também que ir fazer uma barulheira enorme todas as sextas-feiras às 7 da tarde. Lá arranjámos algum entretenimento, comida e bebida, um cantor com uma máquina de karaoke elaborada e o elemento essencial da festa: uma vaca-de-fogo.

Para quem não sabe o que é uma vaca-de-fogo, imaginem uma estrutura semelhante a uma vaca, fabricada em metal. Na parte de fora, soldam-se suportes onde se mete a única coisa lógica que se poderia meter: foguetes. Depois daquilo estar tudo aceso, um gajo que bebeu uma quantidade recorde de minis pega na estrutura, leva uma palmada no rabo e siga lá vai ele a andar com os foguetes a disparar para todo o lado. Tudo muito, muito estúpido. Mas também é muito divertido.

O truque para uma vaca-de-fogo de sucesso é fazeres uma lista de todos os gajos que não acabaram o 4.º ano por impossibilidade intelectual e selecionar o mais rápido. Quanto mais rápido for, melhor, porque assim os foguetes não acumulam num único sítio. Claramente, fazes isto com algum avanço, para a pessoa praticar no dia e lhe dizeres o percurso a fazer, de modo a minimizares os vidros partidos e a quantidade de foguetes disparados para o cu das pessoas. O melhor percurso costuma ser à volta da igreja, dado que é tudo pedra e o pessoal tem sempre para onde fugir. Foi isto que expliquei a um gajo que se tinha voluntariado para a levar e ficou tudo organizado, com segurança e o nível adequado de risco.

Ora, problema: chegamos ao dia da festa e o gajo que ia andar com a vaca nem vê-lo. Vamos lá procurar voluntários. Passa-se a tarde, o jantar, um bocado da festa e ainda não temos ninguém. Até aparecer o nosso herói: o Barril.

O Barril tem este nome por dois motivos: para descrever o seu formato (redondo) e como o obteve, que (bebendo). E digamos que também não é o gajo mais esperto porque ele trabalha na drogaria cá da zona e, quando fui buscar uma tesoura de podar, o gajo chamou-lhe um “corta-uvas”.

Após a atuação dos escuteiros e a barulheira horrível que lá fizeram, sei lá como calhou-me a mim a sorte de ter que arrumar os bombos dos escuteiros. Procuro o Barril porque não me apetece estar a carregar aquilo. Ofereço-lhe 5 senhas para minis e ele trata do assunto. Adoro este homem.

O programa da festa estava a chegar ao ponto da vaca-de-fogo. São 00:30 e nós dizemos-lhe que é altura. Ele está radiante. O pessoal junta-se para meter aquilo em cima dele, acendemos os foguetes de lado, ele começa a dizer para as pessoas se afastarem e lá vai ele.

É importante notar que a vaca-de-fogo funciona em cadeia e de forma meio aleatória. Ou seja, desde o momento em que um gajo acende aquilo, o barraco está armado, e é impossível saber para onde vão os foguetes.

O Barril levanta-se, desequilibra-se, balança-se, desequilibra-se outra vez e vai com a cara ao chão.

Sucedem-se então dois minutos em que o Barril está só com o focinho enfiado no adro da igreja e foguetes a disparar contra o sino. É quase uma da manhã e aquela treta está a tilintar sem parar. O pessoal tenta atirar água, mas aquilo simplesmente não para de acender. O Barril está lá debaixo a dizer “ajudem, ajudem” e nós com medo de levar com um foguete nos cornos. Passam-se lá os dois minutos e aquilo para de arrebentar. Os foguetes só rebentaram até metade.

Silêncio completo. Vamos a correr e a perguntar “Ó BARRIL, TÁS BEM?” e o homem está lá deitado de quatro, sem se conseguir levantar. Tiramos-lhe aquilo de cima e sentamo-lo num banco. Está todo arrebentado, sem abrir os olhos direito, e com a camisola toda chamuscada. Tento ajudar e vou buscar água.

Volto e ele está a beber uma mini.

Ora, pelo menos não morreu.

A festa lá prossegue e continuamos a andar de um lado para o outro a resolver as consequências da maldita vaca. Algumas casas ficaram com paredes meias chamuscadas, alguns vidros partiram e um gajo queimou o braço. Nada que uns finos e umas horinhas de trabalho não resolvam.

Até que alguém me diz: Ó XXXXX, arrebentaram com a santinha!

Eu vou a correr para a entrada, sem querer acreditar na minha sorte.Os vidros da santinha estão todos partidos. Parece que esteve a fazer uma estufa com um Seat Ibiza do tuning. Fico de boca aberta a olhar para aquilo. Aquela merda tinha custado 4.000 paus.

Estou a pensar em soluções. Não encontro nenhuma. São cinco da manhã, a santinha está destruída, há casas chamuscadas, um gajo tem o braço queimado e eu já estou a fazer contas mentalmente a quantas festas vamos ter de organizar para pagar aquilo.

É então que, de um momento para o outro, a música para.

Ao longe, ouço um:

FIIIIUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU - - - PÁÁÁÁÁÁÁÁ.

Eu conheço aquele som.

É a vaca-de-fogo.

Vou a correr com uma velocidade incrível. Não sabia que conseguia correr tão rápido, mas aparentemente o corpo humano consegue atingir velocidades bastante interessantes quando percebe que alguém voltou a acender uma vaca de fogo às cinco da manhã.

Vejo ao longe que alguém acendeu a vaca outra vez. Foda-se, não me acredito - o Barril está a tentar outra vez. Eu não estava para merdas e NÃO ia assumir mais danos. Fiz um sprint enorme e, antes que os foguetes começassem a estourar, entrei a pés juntos contra a chapa de metal da vaca. Dou um malho espetacular porque fiz isto sem pensar e caio diretamente em cima do paralelo. A estrutura cai e os foguetes começam lá a disparar num cantinho. Está um gajo (que não era o Barril) no chão. Eu estou confuso porque não sei se tenho uma concussão e já não dava um malho assim desde que tinha 6 anos.

Ouço um gajo a dizer:

- FODA-SE! ÉS BURRO OU QUÊ, CARALHO?

Quando reparo, o gajo que estava no chão era o mesmo que tinha sido chamado inicialmente para andar com a vaca.

Aparentemente, ele tinha chegado atrasado e tinha-me tentado ligar. Alguém lhe tinha dito que era para aparecer às duas da manhã. Quando chegou, os outros membros da organização decidiram que mais valia a pena acabar a vaca e, enquanto eu fui ver a santinha, criaram uma zona “segura” para lançar os foguetes.

Eu sou um burro do caralho. 

O gajo está todo aleijado no chão. Está a dizer que vai chamar a polícia, que eu sou um filho da puta, etc. Eu estou todo partido porque caí de lado e o braço está-me a doer tanto que já estou a começar a considerar que talvez tenha feito merda, mas acho que não parti nada.

Lá nos metemos a pé e o pessoal decide acabar a festa. O DJ desliga a música, vai tudo para casa e começamos a fazer a contagem da noite. Eu estou derrotado.

Chegamos à conclusão de que a festa nos rendeu um total de 10 euros.

Lá se vão os bombos dos escuteiros, não é?

Terminamos a avaliação completamente desalmados. Tanta coisa para ganhar 10 euros. Eu vou para casa na carrinha dos escuteiros e levo os outros organizadores comigo.

Chego à carrinha e observo que a janela está aberta.

Paro.

Há qualquer coisa que não está bem.

Puxo pela cabeça e lembro-me: a carrinha estava estacionada ao lado do Barril quando ele estava com o focinho no chão. As memórias estão-me a vir à cabeça e começo a conectá-las. Vislumbro uma imagem do Barril a colocar os bombos na mala da carrinha dos escuteiros. Oh não. Abro a mala e entraram não um, não dois, mas três foguetes lá dentro, o que resultou em 7 bombos chamuscados e 4 rasgados. 

Para a semana é reunião da comissão de festas e vou ter que dar justificações.
Mas eu só sei que agora as sextas-feiras às 7 da tarde são muito mais tranquilas.

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u/ohmannotagaintwice — 8 days ago

A minha vizinha idosa é guna

Estou a fazer umas renovações a 16 km do cu de Judas (conhecido oficialmente como Arcos de Valdevez). O percurso até lá consiste em estradinhas apertadas, sete ou oito quase-atropelamentos, e a travessia de freguesias com um PIB de 25 cêntimos. Da primeira vez que fui lá, senti que tinha acabado de começar um jogo de Silent Hill.

Nessa terrinha temos uma pequena casinha herdada por um amigo meu. Foi, em tempos, parte de uma micro-comunidade do século passado. As nossas análises altamente não-profissionais indicam que a casa foi construída em 1870, uns anos depois da mãe do Cavaco Silva ter dado à luz esse menino.

Com o tempo, todas as casas em redor acabaram abandonadas. Hoje, só restam silvas, um cagaço enorme de vespas asiáticas e paciência para conversar com os velhotes da freguesia.

Se és do campo, sabes que aqui há uma regra: se tens um problema, és tu que o resolves. Nada de polícia, nada de presidente da junta com vontade de ajudar. Aqui, há porrada na praça pública. E tu NÃO queres andar à porrada com quem trabalha na agricultura.

Seguindo essa lógica, decidimos fazer amigos, não inimigos.

Foi assim que nos começámos a dar bem com a Cleonice. Uma senhora baixinha, energética, com mais de 80 anos.

A D. Cleonice veio de França há uns 10 anos. Desde então, já teve quatro litígios em tribunal por difamação. A senhora é uma simpatia. Tem classe, é articulada, educada… apesar de ser muito racista. Usa um colar de ouro que diz “Cleonice”, mas bem podia dizer “Rainha desta merda toda”. Vive sozinha num casarão que comprou com um dinheiro herdado de um ex-empregador. Ninguém sabe o que se passou entre ela e esse empregador, mas já nos disse que ele tinha mulher e filhos.

Quando começámos a ir lá à terrinha, chamámos logo a atenção de toda a gente. Dos emigrantes da casa em frente, que aparecem no verão. Dos vizinhos, que muito provavelmente têm uma plantação de cannabis. Dos tios emprestados do meu amigo, que oferecem um garrafão de vinho. Que, no fundo, é só um pretexto para tentar vender outra casa toda partida por 25.000 euros acima do que vale.

Mas, em particular, chamámos a atenção de um pastor de ovelhas. O homem usava a parte de baixo da nossa casa (abandonada) para guardar o rebanho.

“As coisas aqui funcionam diferente”, pensámos nós.

Mas a D. Cleonice deu-nos logo o aviso:

“Esse gajo é o maior filho da puta daqui da zona.”

Explicou que dois dos litígios em tribunal foram por causa dele. Segundo ela, o homem andou a dizer que, em França, a Cleonice era prostituta. Não só prostituta, mas prostituta exclusiva de africanos. O que, para uma senhora com perspetivas étnicas de meter inveja ao Ku Klux Klan, é a maior ofensa possível.

Disse-nos que chegou a considerar matá-lo. Levou uma espingarda para a igreja e ficou à espera dele. Felizmente, lá a convenceram a acalmar (deve ter sido uma missão impossível). Eventualmente, percebeu que tinha mais dinheiro do que ele e decidiu resolver a coisa em tribunal. Ganhou um processo, o outro ficou em águas de bacalhau.

Mas deixou bem claro:

“Se fizerem favores a esse gajo, tornam-se inimigos meus.”

E foi aí que percebi. Não quero estar no lado errado da Madrinha francesa de origens duvidosas.

Ora, um dia começámos a limpar a parte de baixo da casa. Estava cheia de palha e merda de ovelha. Decidimos encontrar o “ocupa” e avisá-lo que o espaço era nosso e que já tínhamos a máfia local do nosso lado.

A casa do homem era tipo o triângulo das bermudas do Norte. Nunca a encontrávamos. Mas um dia, por sorte, vimo-lo a passear. Perguntámos o nome e bingo: era ele.

Falámos com respeito, educação. Pedimos que retirasse as ovelhas e que nós limpávamos o resto. Muito civilizados. Demasiado até.

A resposta?

“Se se vão armar em filhos da puta e foder a vida às pessoas daqui, eu mato-vos.”

Ó chefe, tenha lá calma. Só queremos usar o que é nosso. Começámos a discutir (muito). O homem agarrou na sachola, ameaçou partir-nos as pernas, acusou-nos de roubar coisas… e nós ali, sem perceber como a coisa escalou tão rápido.

Mas tínhamos sido estratégicos. Tínhamos feito alianças.

Ao longe, vemos uma figura pequenina a aproximar-se com calma. O homem ainda aos berros. Até perceber que vem aí a Cleonice. Cala-se logo. A cara muda de cor. Pousa a sachola ao ombro e vai-se embora.

Dois minutos depois, lá chega ela.

“Meteu-se logo a andar, o franganote.”

Foi neste momento que percebemos o verdadeiro poder da mulher enviada pelos anjos. Esperançosamente diferentes dos da Joana Marques.

Por sugestão dela, tirámos a porta do andar de baixo da casa. Assim, o homem não deixava lá mais ovelhas. Limpámos tudo e fomos à nossa vida.

No caminho, ligámos ao pai do meu amigo para lhe contar o que se passou e perguntámos se conhecia o homem.

“Esse gajo é o maior filho da puta daí da zona.”

Uma semana depois, voltámos. Continuámos a limpar entulho, retirar um telhado desfeito e a combater vespas asiáticas. Que mais pareciam ter motor de 600cc e armadura de titânio.

Estava à conversa com a Cleonice quando passa uma dessas vespas. Ela, sem hesitar: TAU! Chapada com uma placa de madeira. A vespa cai, morta.

Foi aqui que aceitei. Esta mulher é uma terminadora implacável. De pastores e de vespas.

Surgiu-nos um problema: muito entulho e nenhum sítio para o deixar. Ligámos à Resulima. “Isso é com a câmara.” Ligámos à câmara. “Isso é com a Resulima.”

Ligámos à Cleonice. Resposta?

“Isso é comigo. Deixem cá no terreno e eu trato do assunto.”

Voltámos na semana seguinte: tudo limpo. Tinham levado o entulho, limpo o tanque, retirado pedras, arranjado os terrenos ao lado… estava tudo irreconhecível. A Cleonice só disse que falou com o presidente da junta e meteu as coisas a mexer.

Como se não fosse nada.

Ainda por cima, o andar de baixo da casa estava limpo. Nem sinal de ovelhas.

Daqui a umas semanas, vamos lá limpar o terreno da Cleonice. Não por gratidão. Mas para não acabarmos enterrados a 16 km do cu de Judas.

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u/raffypng — 8 days ago
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RELÂMPAGO KANE - PARTE IV

Depois de um resto de noite de sono, acordei lentamente e fui ter com Kane ao saloon.

Lá dentro, o grupo já se reunia como fazia todos os dias.

O Relâmpago passava os olhos por todos, sério, como se estivesse sempre a antecipar o pior.

— Hoje não podemos falhar — disse ele. — Estão a cercar a cidade.

— E se vierem por este lado? — perguntou um dos homens, inquieto.

Kane ia responder quando as portas do saloon se escancararam de rompante.

Um homem entrou a cambalear, de olhos arregalados, em choque.

— O banco… estão a assaltar o banco da cidade! Estão lá dentro! — gritou, apontando para fora.

Mudou tudo num instante.

Saímos a correr.

Montámos os cavalos à pressa e, sem olhar para trás, desaparecemos na poeira.

Quando chegámos ao banco, os bandidos já estavam prontos para fugir.

— Vamos! Não os deixem escapar! — instruiu Kane.

E começou a perseguição.

Entrámos nas montanhas a disparar.

Os bandidos iam na frente, a abrir caminho.

Nós colados atrás deles.

E não éramos os únicos.

Pelas encostas, surgiam também os 'justiceiros', acompanhando-nos à distância.

A alta velocidade, um dos bandidos virou-se e disparou.

A bala acertou-me de raspão.

Travei o Thor de forma brusca.

Ele relinchou.

— Estás bem?! — gritou Kane, continuando a cavalgar.

— Vai! Não pares! — respondi em voz alta.

Kane hesitou e abrandou.

— Não te deixo para trás.

Era a segunda vez que ele dizia aquilo. Da primeira, tinha-me salvo a vida.

Desistiu da perseguição e veio na minha direção.

— Respira — disse ele, aproximando-se. — Deixa-me ver isso.

No preciso momento em que estava a desmontar o cavalo, foi atingido por um tiro certeiro nas costas.

Primeiro ajoelhou-se… depois tombou.

Saltei imediatamente do Thor — até me esqueci do braço.

— Kane… Kane... — abanava-o, enquanto lhe dava umas palmadas na cara.

Mas não houve resposta.

O olhar dele já não estava ali.

Em choque, caí sobre ele a chorar compulsivamente.

Cinco minutos depois, já mais calmo, mas ainda lavado em lagrimas, levantei-me.

Nesse instante, percebi que estava rodeado por armas apontadas.

Alguns bounty hunters tinham-nos seguido desde a cidade, à espera da sua oportunidade.

Não havia saída...

FIM

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u/LamentationsWall — 7 days ago

Sugestão para o chega

Para nos tornarmos verdadeiramente portugueses temos de reformular a nossa língua e nomes de alguns locais. Não podemos ser muçulmanos em ponto algum. Para eliminarmos a influência dos nossos ex colonos, sugiro a remoção do “al” de todas as palavras portuguesas e nomes de locais tais, Algarve passar para Garve, Almada para Mada, alforreca para forreca, algodão para godão, alimento para imento, etc.

Portugal Caralho, Olivença é nossa!

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u/SaKaHa — 12 days ago

Notificação greliana

Eram 16h00 e havia pouco para fazer no escritório. O tempo parecia não passar e resolvi atualizar novamente a caixa de entrada do email. Ao fazê-lo recebi um pop-up que ia transformar aquele dia enfadonho num dia memorável. Uma notificação do endereço greloamigo@gmail.com despertou-me a atenção. “Serve o presente para notificar V.Exa. que um indivíduo do sexo feminino esfregou o clitóris pela quarta vez esta semana a pensar em si. Pretende revelar a identidade da sujeita masturbadora?”

Por baixo da mensagem havia um botão clicável, mas receei que aquilo fosse uma virose e resolvi enviar o email para o spam. Volvidos 15 minutos a curiosidade bateu mais forte. “Foda-se, grelo amigo?!” Ativei as firewalls, atualizei o antivírus e pensei: “Que se foda!”

Ao clicar no botão mágico um nome surgiu no ecrã: Conceição Ribeiro. Pensei para mim “esta merda não é nome de gaja boa… Conceição?!” Mais abaixo aparecia uma mensagem sugestiva: “clicar para abrir foto”. Pensei para mim “para quem veio até aqui… bem, que seja o que Deus quiser.” Abri a foto e soltei um “Puta que pariu a minha sorte! É a São das limpezas”. Sim, o meu desânimo era fundamentado. A Conceição era afinal a São. A São que às terças e quintas ia limpar o escritório. Senti-me desolado. A curiosidade e euforia iniciais foram dando lugar à tristeza, depois à revolta e finalmente a um certo conformismo. Apesar de tudo, podia ter sido pior. Não era a manca da secção do pão onde todos os dias peço 4 cacetinhos no Continente. A São era simpática e até bastante asseada, apesar dos kgs a mais que se evidenciavam, sempre que usava umas calças de ganga 2 números abaixo do desejado.

Os dias foram passando e a ideia da São a esfregar o grelo começou a instalar-se em mim. Numa tarde, em conversa com os RH soltei um “Vocês por acaso têm algum ficheiro excel com os contactos da malta toda? Perdi o número do Eng.º Valdemar e mais uns quantos…” A minha esperteza saloia não demorou a dar frutos. Assim que o ficheiro excel deu entrada no meu email, avancei furiosamente com um Control+L e escrevi “Concei” para logo aparecer um nome a amarelo: “Conceição Fernandes da Silva Ribeiro”. Era ela. A mulher que andava a fazer sessões de DJ na cona à minha pala, finalmente revelava-se.

“Apanhei-te minha grande puta.” Tinha nascido a 15 de Março de 1979. Fiz contas de cabeça e apercebi-me que a São tinha 47 anos. O ficheiro excel era tão antigo e merdoso que nas observações tinha “já não usa TMN”. A minha investida teria que ser na Telecel. Nem que fosse número fixo. Não podia perder mais tempo e a São ia mesmo levar com a minha investida flirtória.

Preparei a mensagem meticulosamente e fiz aquilo que qualquer homem que se preze faria: gravei o contacto e abri o whatsapp à procura da prova dos 9. Ei-la! A foto estava claramente desatualizada e parecia ter sido cortada no paint com um serrote. Com o cabelo arranjado estilo cacho de uvas e um outfit que denunciava boda de casamento, a São apresentava-se como aquele potencial modelo da punheta arrependida.

“Olá, Dona Conceição. O Santos dos RH arranjou-me o seu número. Desculpe estar a incomodar. Sabe-me dizer por acaso qual o melhor Mistolin para lavar as jantes do carro? Ass. Eng. Jorge”

Nem 5 minutos passaram e já tinha um pop-up no whatsapp, “Vai precisar do Mistolin Pro Multiusos senhor engenheiro. Quer que lhe lave o carro?” Acho que escrevi e apaguei a minha resposta umas 5 vezes, mas finalmente resolvi deixar-me de merdas e ir direto ao assunto. “Não Dona São. Não quero que me lave o carro, quero que me chupe os quilhões. Amanhã às 13h15 na casa de banho dos deficientes.”

A resposta foi rápida e concisa: “Ok”.

Eis-nos chegados a quinta-feira. O relógio bate as 13h10 e eu penso “caralho, vou-me arrepender”, mas a excitação do momento impeliu-me a avançar com a operação Canos Limpos. O escritório estava vazio. Perfeito, tinha ido tudo aviar a ração. Enfiei-me na casa de banho dos deficientes e fechei a porta. Uns meros minutos depois alguém bate à porta. “Está aí alguém?” Era a voz inconfundível da São. O festival ia começar. Soltei um convicto “pode entrar” e pedi-lhe para trancar a porta à chave.

Estava mais arranjada que o habitual. O bruto decote chamou-me a atenção. Umas tetas fartas a quererem saltar das amarras da blusa passada à pressa de manhã. Umas calças de licra super justas cor-de-rosa, a revelar um camel-toe imponente. A São estava a dar tudo. Assim que baixou as calças da Decathlon deu-se o meu primeiro momento de estupefação. Trazia uma puta de uma lingerie rendada azul e amarela. A combinação de cores mais estranha que alguma vez tinha visto em toda a minha vida. Lembrei-me das cores da Ucrânia. Fazia sentido, aquela era a minha guerra.

As mãos eram rudes, provavelmente martirizadas pela dureza do neoblanc e sonasol. Mas a destreza com que aplicou as primeiras 3 bombadas antes de encamisar não enganava. A São sabia o que estava a fazer. Encamisou-me com a mesma rapidez e engenho de quem substitui um saco do aspirador e rapidamente virou-se de costas. Agarrou-se aos apoios de braços metálicos instalados à volta da sanita dos deficientes e disse: “quero com força”.

Confesso que a primeira visão não foi a mais excitante. O farfalho tinha sido aparado de forma amadora e na zona nalgueira era notório que uma gillete tinha andado por ali a fazer o rally de Portugal. Tentei abster-me daquilo e lembrei-me que nas trincheiras na Ucrânia também ninguém se queixa da puta da lama. A guerra é mesmo assim e o meu mood estava prestes a mudar. Assim que o sardão entrou, ouvi um “foda-se” maravilhoso saído dos lábios dela. Um “foda-se” num timbre aveludado e num agudo a roçar o mezzo-soprano. Foi ali que percebi que a São era a minha Lana del Rey. Podia ter uns kgs a mais, à semelhança da Lana actual, mas que se foda, a ideia de ter ali a Lana de 4 seria a minha inspiração.

Lembrei-me do livro do Gustavo Santos que a minha tia Cidália me tinha oferecido no Natal de 2013 “Agarra o Agora”. Assim o fiz. Com força, como a São tinha ordenado. Senti os tomates humedecidos. A escorrer. A São parecia um figo pingo de mel de maturação no ponto rebuçado. Rebuceta, neste caso. No meio do chavascal senti a mão dela a redirecionar-me o talo para a peida. Não podia acreditar. A São queria surra de piroca completa. Entusiasmei-me e senti-me encorajado a dar tudo.

Sentia-me o Isaías a marcar um livre à entrada da área na época 93/94. Encarnei o profeta e enfiei um balázio bíblico naquela peida. “Golo!” gritei eu nos meus pensamentos. A São começou a verbalizar com maior intensidade tal dinâmica, “Ai! Ai!” Deduzi que fossem gritos de incentivo, e fui rematando contra aquela peida como quem joga ao mata no muro da escola primária. Não podia estar mais enganado. Assim que enterrei novamente o nabo na veia anal, ouço a São num tom aflitivo: “Ai! Ai, que eu vou-me cagar toda!” Fiquei perplexo. Senti um peido percorrer-me o falo e a espatifar-se nos quilhões, logo seguido de um forte tremor debaixo dos meus pés. Um odor a cadáver instalou-se de forma instantânea no wc e quando dei por mim já a São estava com a peida apontada à sanita e com as mãos apoiadas nos braços metálicos.

“SAIA DAQUI ENGENHEIRO!”

Saí a correr da casa de banho dos deficientes completamente transtornado com o que tinha acabado de acontecer. Deparei-me com o Santos a olhar para mim com cara de caso. “Que é que tu queres caralho?!” Ele nem teve coragem de dizer nada. A porta da casa de banho dos deficientes, entreaberta, denunciava uma mulher desesperada, agarrada aos braços metálicos da sanita, como uma mãe segura o filho antes dele ser alistado na guerra. O cheiro a merda espalhava-se como uma bala pelo escritório. Receio que a São estivesse a livrar-se do bolo de casamento da boda do whatsapp, ou da feijoada da inauguração da ponte Vasco da Gama.

Entrei no carro e fiz-me à estrada em silêncio absoluto. Rádio desligado, telemóvel em modo-avião e pé no acelerador. Mandei-me sem destino, numa cruzada até ficar sem gota. As placas iam passando, mas eu nem sequer pensava em sair da autoestrada.

Parei finalmente em Badajoz e abri a janela para refrescar os pensamentos. Apesar do dia cinzento e chuvoso, e da brisa fresca que invadia o habitáculo, parecia que ainda me cheirava ao peido da São.

Voltei a ligar o telemóvel. Tinha sete chamadas não atendidas. Cinco eram do Santos.

Ganhei coragem e devolvi-lhe a chamada.

— Que é que queres, Santos?

— Onde é que tu estás, caralho?!

— Tive que sair. Que é que interessa onde caralho estou?

— Tivemos que chamar os bombeiros à empresa. Houve pessoal a sentir-se mal e dois foram encaminhados para o hospital. Olha lá… tu estavas a mocar a São?!

— Estás maluco da puta da cabeça, ó Santos?

Fez-se silêncio durante uns segundos.

— Jorge… tu saíste da casa de banho com as calças na mão e tinhas a piroca cheia de merda.

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u/perceptionmanPT — 10 days ago
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Como é que acabei a cuspir nas mãos num chiquíssimo cocktail da empresa?

Disclaimer: Esta história desenrola-se em ambiente corporativo, o que torna tudo muito pior. Como é que acabei desenfreadamente a cuspir nas mãos num elegante cocktail?

Comecemos por um breve contexto inicial: Decorria o ano de 2025 e a empresa onde trabalho tinha acabado de mudar de escritório. Agora o meu novo local de trabalho era um novíssimo prédio de 14 andares, todo moderno e sofisticado. Já trabalhava naquele novo local há algumas semanas mas a cerimónia de inauguração ainda não tinha decorrido. Eis que chega o dia da inauguração: um pequeno discurso do country manager, seguido de uns aperitivos. Até aqui tudo bem. E se assim tivesse continuado, esta história não estava aqui (certo, Vasco?).

Eu e os meus colegas não tínhamos lanchado para guardar todo o apetite para este momento. Começam a passar os senhores do catering com bandejas e eis que avistamos pequenos bocadinhos gourmet de sabe-se lá o quê nas bandejas (seriam rissois? Já não me recordo, porque o que ficou na memória foi outra coisa…). Começamos a retirar alguns rissois e eis que me apercebo que os rissois estão pousados em cima de uma camada de amendoins! E eu adoro amendoins! Por isso retiro uma mão cheia de amendoins e meto-a na boca (porque se está na bandeja é para se comer, certo? Certo?)

ERRADO

Quando meto a mão cheia de amendoins na boca, algo está estranho. Quando começo a tentar mastigar quase parto os dentes. Não quero dar parte fraca por isso fico ali uns segundos a tentar perceber o que está a acontecer (porque raio é que os amendoins estão tão duros?). Volto a olhar para a bandeja, que neste momento já vai longe, e agora, com atenção redobrada, é que me apercebo:

ACABEI DE METER UMA MÃO CHEIA DE FEIJÕES CRUS NA BOCA. CRUS!

Parece que é alguma moda chique servir os rissois em camadas de feijões crus que apenas servem para enfeitar. (Sabiam desta moda? Sou só eu que nunca tinha visto tal coisa?)

Voltando ao meu drama: estou num cocktail empresarial, rodeada de gente elegante e séria e tenho uma quantidade enorme de feijões crus na boca que não consigo processar. Porquê que tive que ser tão gulosa? Porquê que não meti delicadamente apenas um amendoim na boca? Fui uma alarve paguei por isso.

Continuando: neste momento, os meus colegas repararam que algo se passa. Tenho a boca cheia tipo esquilo, não consigo falar, nem quase respirar. Olho para eles, eles olham para mim. Começa-me a dar um ataque de riso enquanto tento sussurrar “SÃO FEIJÕES, SÃO FEIJÕES”. No meio das palavras que tentei proferir, um feijão sai disparado da minha boca. Se os meus colegas ainda não tinham percebido o que se passava, acho que aqui ficou claro.

Não sei o que fazer. Não consigo mastigar aquela quantidade gigante de feijões crus. Não os consigo engolir também. Não tenho um singelo lenço onde possa cuspir.

Só consigo pensar: faz-te mulher e mastiga isso, antes que algum chefe se aproxime para fazer conversa contigo. E é neste momento que tudo piora. Não é um chefe que se aproxima para fazer conversa. É UM FOTÓGRAFO. Relembro que neste momento tenho bochechas de esquilo, acho que adquiri a cor de um tomate e também acho que me estou a babar um pouco (por tentar falar com a boca tão cheia). Lá conseguimos evitar o fotografo e fugir à foto, movendo-nos para um pequeno canto da sala. Mas nada está resolvido. Continuo com 3 quilos de feijões crus na boca e sem esperança.

Depois de ter conseguido parar de rir, um colega meu, heroicamente, lança-se na busca de guardanapos. Problema: subestimou a quantidade de feijões que eu tinha na boca e trouxe apenas um pequeno e muito finoooo guardanapo. Entrega-me o guardanapo e eu só penso: bem vai ter que ser, vou ter que cuspir tudo aquilo que tenho na boca, neste ambiente extremamente sério e corporativo. Cuspo tudo aquilo que consigo (porque até hoje sinto que ainda ficaram partes de feijões crus enfiados nos dentes) mas o guardanapo era tão pequeno e fino que está tudo a escorrer-me para as mãos: quer feijões semi mastigados, quer baba que acumulei na boca. As cuspidelas têm que ser várias para conseguir tirar a maior parte daquilo da boca, enquanto tento evitar os olhares dos meus colegas. O guardanapo, neste momento, é uma sombra do que em tempos foi: está roto e cheio de cuspo (lamento isto estar a ser tão gráfico).

Não tenho outro remédio senão furar aquela multidão, com as duas mãos em concha, onde jaze um guardanapo e uma quantidade absurda de feijões crus mastigados. Baixo a cabeça e caminho, quase correndo. Safei-me sem ser interceptada e consigo chegar à casa de banho.
O ALÍVIOOOO.

Consigo limpar as mãos, a boca e o que resta da minha dignidade. Junto-me de volta aos meus colegas - que acho que estão até hoje a rir. Já nem os rissois quis comer.

_______
Se esta peripécia chegar à mesa de trabalho do Nuno, espero que ele mande um beijinho para os meus pais, Vitor e Susana, os maiores fãs desta rubrica! Pai, mãe, a maior vergonha que passei na vida valeu a pena!!

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u/Phoebe-Buffay-Porto — 12 days ago

vocês que gostam de "demonizar" personalidades públicas

vocês que gostam de "demonizar" personalidades públicas nos vários ramos da indústria do Entretenimento: também implicam com os Políticos que permitem a invasão ao território e transnacionalização de alogenos em detrimento da Qualidade de Vida da População Nativa???

também vos chateia a importação de mão-de-obra barata para Portugal/Europa na forma de alogenos terceiro-mundistas que odeiam a História dos Povos e Países Europeus? ou só se importam com os alegados enviesamentos da FIFA, e a construção sacrificial de estádios no Qatar??

se calhar, na vossa perspetiva, haverem Africanos a competir por Seleções Europeias - e Pepes e Renatos Sanches a vencer "Títulos Europeus" - não consporca de maneira nenhuma a ""Verdade Desportiva""...

POVO BURRO

não é por "não saber", é por "não querer saber"!

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u/BlizzTheMighty — 13 days ago