u/perceptionmanPT

Notificação greliana

Eram 16h00 e havia pouco para fazer no escritório. O tempo parecia não passar e resolvi atualizar novamente a caixa de entrada do email. Ao fazê-lo recebi um pop-up que ia transformar aquele dia enfadonho num dia memorável. Uma notificação do endereço greloamigo@gmail.com despertou-me a atenção. “Serve o presente para notificar V.Exa. que um indivíduo do sexo feminino esfregou o clitóris pela quarta vez esta semana a pensar em si. Pretende revelar a identidade da sujeita masturbadora?”

Por baixo da mensagem havia um botão clicável, mas receei que aquilo fosse uma virose e resolvi enviar o email para o spam. Volvidos 15 minutos a curiosidade bateu mais forte. “Foda-se, grelo amigo?!” Ativei as firewalls, atualizei o antivírus e pensei: “Que se foda!”

Ao clicar no botão mágico um nome surgiu no ecrã: Conceição Ribeiro. Pensei para mim “esta merda não é nome de gaja boa… Conceição?!” Mais abaixo aparecia uma mensagem sugestiva: “clicar para abrir foto”. Pensei para mim “para quem veio até aqui… bem, que seja o que Deus quiser.” Abri a foto e soltei um “Puta que pariu a minha sorte! É a São das limpezas”. Sim, o meu desânimo era fundamentado. A Conceição era afinal a São. A São que às terças e quintas ia limpar o escritório. Senti-me desolado. A curiosidade e euforia iniciais foram dando lugar à tristeza, depois à revolta e finalmente a um certo conformismo. Apesar de tudo, podia ter sido pior. Não era a manca da secção do pão onde todos os dias peço 4 cacetinhos no Continente. A São era simpática e até bastante asseada, apesar dos kgs a mais que se evidenciavam, sempre que usava umas calças de ganga 2 números abaixo do desejado.

Os dias foram passando e a ideia da São a esfregar o grelo começou a instalar-se em mim. Numa tarde, em conversa com os RH soltei um “Vocês por acaso têm algum ficheiro excel com os contactos da malta toda? Perdi o número do Eng.º Valdemar e mais uns quantos…” A minha esperteza saloia não demorou a dar frutos. Assim que o ficheiro excel deu entrada no meu email, avancei furiosamente com um Control+L e escrevi “Concei” para logo aparecer um nome a amarelo: “Conceição Fernandes da Silva Ribeiro”. Era ela. A mulher que andava a fazer sessões de DJ na cona à minha pala, finalmente revelava-se.

“Apanhei-te minha grande puta.” Tinha nascido a 15 de Março de 1979. Fiz contas de cabeça e apercebi-me que a São tinha 47 anos. O ficheiro excel era tão antigo e merdoso que nas observações tinha “já não usa TMN”. A minha investida teria que ser na Telecel. Nem que fosse número fixo. Não podia perder mais tempo e a São ia mesmo levar com a minha investida flirtória.

Preparei a mensagem meticulosamente e fiz aquilo que qualquer homem que se preze faria: gravei o contacto e abri o whatsapp à procura da prova dos 9. Ei-la! A foto estava claramente desatualizada e parecia ter sido cortada no paint com um serrote. Com o cabelo arranjado estilo cacho de uvas e um outfit que denunciava boda de casamento, a São apresentava-se como aquele potencial modelo da punheta arrependida.

“Olá, Dona Conceição. O Santos dos RH arranjou-me o seu número. Desculpe estar a incomodar. Sabe-me dizer por acaso qual o melhor Mistolin para lavar as jantes do carro? Ass. Eng. Jorge”

Nem 5 minutos passaram e já tinha um pop-up no whatsapp, “Vai precisar do Mistolin Pro Multiusos senhor engenheiro. Quer que lhe lave o carro?” Acho que escrevi e apaguei a minha resposta umas 5 vezes, mas finalmente resolvi deixar-me de merdas e ir direto ao assunto. “Não Dona São. Não quero que me lave o carro, quero que me chupe os quilhões. Amanhã às 13h15 na casa de banho dos deficientes.”

A resposta foi rápida e concisa: “Ok”.

Eis-nos chegados a quinta-feira. O relógio bate as 13h10 e eu penso “caralho, vou-me arrepender”, mas a excitação do momento impeliu-me a avançar com a operação Canos Limpos. O escritório estava vazio. Perfeito, tinha ido tudo aviar a ração. Enfiei-me na casa de banho dos deficientes e fechei a porta. Uns meros minutos depois alguém bate à porta. “Está aí alguém?” Era a voz inconfundível da São. O festival ia começar. Soltei um convicto “pode entrar” e pedi-lhe para trancar a porta à chave.

Estava mais arranjada que o habitual. O bruto decote chamou-me a atenção. Umas tetas fartas a quererem saltar das amarras da blusa passada à pressa de manhã. Umas calças de licra super justas cor-de-rosa, a revelar um camel-toe imponente. A São estava a dar tudo. Assim que baixou as calças da Decathlon deu-se o meu primeiro momento de estupefação. Trazia uma puta de uma lingerie rendada azul e amarela. A combinação de cores mais estranha que alguma vez tinha visto em toda a minha vida. Lembrei-me das cores da Ucrânia. Fazia sentido, aquela era a minha guerra.

As mãos eram rudes, provavelmente martirizadas pela dureza do neoblanc e sonasol. Mas a destreza com que aplicou as primeiras 3 bombadas antes de encamisar não enganava. A São sabia o que estava a fazer. Encamisou-me com a mesma rapidez e engenho de quem substitui um saco do aspirador e rapidamente virou-se de costas. Agarrou-se aos apoios de braços metálicos instalados à volta da sanita dos deficientes e disse: “quero com força”.

Confesso que a primeira visão não foi a mais excitante. O farfalho tinha sido aparado de forma amadora e na zona nalgueira era notório que uma gillete tinha andado por ali a fazer o rally de Portugal. Tentei abster-me daquilo e lembrei-me que nas trincheiras na Ucrânia também ninguém se queixa da puta da lama. A guerra é mesmo assim e o meu mood estava prestes a mudar. Assim que o sardão entrou, ouvi um “foda-se” maravilhoso saído dos lábios dela. Um “foda-se” num timbre aveludado e num agudo a roçar o mezzo-soprano. Foi ali que percebi que a São era a minha Lana del Rey. Podia ter uns kgs a mais, à semelhança da Lana actual, mas que se foda, a ideia de ter ali a Lana de 4 seria a minha inspiração.

Lembrei-me do livro do Gustavo Santos que a minha tia Cidália me tinha oferecido no Natal de 2013 “Agarra o Agora”. Assim o fiz. Com força, como a São tinha ordenado. Senti os tomates humedecidos. A escorrer. A São parecia um figo pingo de mel de maturação no ponto rebuçado. Rebuceta, neste caso. No meio do chavascal senti a mão dela a redirecionar-me o talo para a peida. Não podia acreditar. A São queria surra de piroca completa. Entusiasmei-me e senti-me encorajado a dar tudo.

Sentia-me o Isaías a marcar um livre à entrada da área na época 93/94. Encarnei o profeta e enfiei um balázio bíblico naquela peida. “Golo!” gritei eu nos meus pensamentos. A São começou a verbalizar com maior intensidade tal dinâmica, “Ai! Ai!” Deduzi que fossem gritos de incentivo, e fui rematando contra aquela peida como quem joga ao mata no muro da escola primária. Não podia estar mais enganado. Assim que enterrei novamente o nabo na veia anal, ouço a São num tom aflitivo: “Ai! Ai, que eu vou-me cagar toda!” Fiquei perplexo. Senti um peido percorrer-me o falo e a espatifar-se nos quilhões, logo seguido de um forte tremor debaixo dos meus pés. Um odor a cadáver instalou-se de forma instantânea no wc e quando dei por mim já a São estava com a peida apontada à sanita e com as mãos apoiadas nos braços metálicos.

“SAIA DAQUI ENGENHEIRO!”

Saí a correr da casa de banho dos deficientes completamente transtornado com o que tinha acabado de acontecer. Deparei-me com o Santos a olhar para mim com cara de caso. “Que é que tu queres caralho?!” Ele nem teve coragem de dizer nada. A porta da casa de banho dos deficientes, entreaberta, denunciava uma mulher desesperada, agarrada aos braços metálicos da sanita, como uma mãe segura o filho antes dele ser alistado na guerra. O cheiro a merda espalhava-se como uma bala pelo escritório. Receio que a São estivesse a livrar-se do bolo de casamento da boda do whatsapp, ou da feijoada da inauguração da ponte Vasco da Gama.

Entrei no carro e fiz-me à estrada em silêncio absoluto. Rádio desligado, telemóvel em modo-avião e pé no acelerador. Mandei-me sem destino, numa cruzada até ficar sem gota. As placas iam passando, mas eu nem sequer pensava em sair da autoestrada.

Parei finalmente em Badajoz e abri a janela para refrescar os pensamentos. Apesar do dia cinzento e chuvoso, e da brisa fresca que invadia o habitáculo, parecia que ainda me cheirava ao peido da São.

Voltei a ligar o telemóvel. Tinha sete chamadas não atendidas. Cinco eram do Santos.

Ganhei coragem e devolvi-lhe a chamada.

— Que é que queres, Santos?

— Onde é que tu estás, caralho?!

— Tive que sair. Que é que interessa onde caralho estou?

— Tivemos que chamar os bombeiros à empresa. Houve pessoal a sentir-se mal e dois foram encaminhados para o hospital. Olha lá… tu estavas a mocar a São?!

— Estás maluco da puta da cabeça, ó Santos?

Fez-se silêncio durante uns segundos.

— Jorge… tu saíste da casa de banho com as calças na mão e tinhas a piroca cheia de merda.

reddit.com
u/perceptionmanPT — 10 days ago
▲ 257 r/RATM

Chicago Sun Times article on Tom's Mother

Wanted to share this because I think it's a very good article.

“My mom led a humble yet powerfully impactful life, always siding with the underdog, always fearlessly speaking out against racism, intolerance, and injustice,” Tom Morello told the Sun-Times Tuesday.

“In the immediate aftermath of her passing, I am just fully realizing the global impact of her life and example. I’ve heard from Afghanistan refugees and former heads of state, from the United Mine Workers and Twisted Sister. Her life’s example of integrity, righteousness and humanity has been far reaching,” he said.

chicago.suntimes.com
u/perceptionmanPT — 1 month ago

Reimagining The Soft Parade

 I've often wondered whether The Soft Parade would have received a warmer critical reception if the Doors had made different choices when finalizing the album.

For me, Do It, Easy Ride, and Runnin' Blue are the three tracks that feel the least representative of the band's identity. They lean more toward conventional pop-folk than the darker, more adventurous sound that defined the Doors on their first three albums.

If those songs had been replaced with material recorded/played live during the same period, the album might have become a much stronger and more cohesive release. My ideal track list would be:

  1. Tell All the People
  2. Touch Me
  3. Shaman's Blues
  4. Who Scared You
  5. Queen of the Magazines/I Will Never Be Untrue
  6. Wild Child
  7. Whiskey, Mystics and Men
  8. Gloria
  9. Wishful Sinful
  10. The Soft Parade

I know some of these tracks were never intended for the album, but they all existed around the same era and, in my opinion, fit its atmosphere far better than the songs that ultimately made the final cut.

 For me, Do It is perhaps the weakest song the Doors ever released. It's hard to take seriously "Listen to the children..." I honestly have no idea what Robby was thinking there.

Runnin' Blue has always sounded more like a folk tune that the band decided to cover than an original Doors song. And, for me, Robby's vocal on the chorus completely breaks the atmosphere. As for Easy Ride, I've never found it particularly memorable either. The only part I genuinely enjoy is the "Coda Queen" at the end.

To me, leaving Who Scared You off The Soft Parade remains one of the most baffling decisions in the Doors' entire career. The song featured orchestral arrangements and was even performed live at both the L.A. Forum and Madison Square Garden. It wasn't some forgotten outtake or unfinished demo, it was a fully realized song. I just don’t get it…

Queen of the Magazines was attempted in the studio during the Rock Is Dead sessions, while I Will Never Be Untrue was performed live at the Cinematheque in 1969. That suggests Morrison had at least part of the lyrical material around the time The Soft Parade was being recorded, even if the songs never reached a finished studio version. Paul Rothchild could have insisted/investigated more on developing this tune.

There were other songs circulating around that period that could also have been considered, such as Build Me a Woman, Money, Rock Me, or The Woman Is a Devil, all of which were performed live or rehearsed in 1969. I chose Gloria instead because I think it complements the album's atmosphere better.

The Soft Parade would probably still have divided fans because of the brass and string arrangements, but I suspect it wouldn't have become the band's most criticized studio album.

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reddit.com
u/perceptionmanPT — 1 month ago