u/PortoArthur

Image 1 — Could Obsidian be turned into a tag-centered network?
Image 2 — Could Obsidian be turned into a tag-centered network?

Could Obsidian be turned into a tag-centered network?

I'm trying to structure my Obsidian vault in a way that is closer to network science, but I keep running into a limit that might just be built into the app.

From what I can tell, Obsidian treats links between notes as the main edges in the graph, while tags are more like secondary metadata. What I actually want is almost the opposite. I would like tags, especially nested tags, to be the central nodes of the network, with notes acting only as bridges between those tags. In other words, I want the graph view to show relationships between tags and subtags, not mainly between individual pages.

If I have #setup/diary and #setup/research, I see that as a compact hierarchy, where setup is the shared axis. But the graph view does not seem to read that as a broader conceptual unit. In some cases, it even looks like there are duplicates or disconnected pieces (Fig. 1) where, for me, there should be a single semantic node. I do not want to replace nested tags with huge lists like #setup #diary #research, because the whole point of something like #setup/diary and #setup/research is to compress a conceptual hierarchy into a shorter and cleaner syntax. The shared prefix already expresses the relationship without making me repeat everything manually.

The problem is that Obsidian does not seem to interpret that hierarchy semantically. Sometimes I end up with two separate “setup” nodes in the graph, or concepts that should be connected stay disconnected unless I force extra references in other notes (Fig. 2). But that feels artificial, because it does not reflect the real content of the note, it is just a workaround to satisfy the graph view.

So my question is, is there any way, native or via plugin, to make Obsidian treat nested tags as a real conceptual hierarchy inside the graph view? In other words, as a truly relational structure in the graph. Can the graph show mostly connections between tags and subtags, with notes acting only as mediation?

u/PortoArthur — 1 day ago

O fato científico, estabelecido como “natural”, é o resultado de um processo de construção que tem a peculiaridade de só se completar enquanto tal na medida em que é capaz de apagar qualquer traço de si próprio - Latour e Woolgar

Na visão do Bruno Latour, um fato científico não nasce pronto nem “simplesmente aparece” como algo natural. Antes de virar uma verdade aceita, ele passa por um processo de construção dentro do laboratório, cheio de instrumentos, testes, dúvidas, discussões e trabalho humano. Só que o curioso é que, quando esse fato se estabiliza, todo esse caminho some da vista. É esse fato que vemos nos manuais e livros didáticos. Um fato torna-se “verdadeiro” à medida que ele apaga a si mesmo.

O laboratório, os pesquisadores e as técnicas usadas acabam ficando invisíveis, e o que sobra é a impressão de que aquilo sempre esteve ali, como se a natureza estivesse só esperando para ser descoberta.

Latour introduz o conceito de caixa-preta, isto é, quanto mais bem construído um fato é, mais ele parece natural e mais escondido fica o esforço que fez ele existir.

Isso tem tudo a ver com a forma como a modernidade separa duas coisas: de um lado, a natureza, que seria objetiva e pura; do outro, os humanos, que supostamente interferem, erram e contaminam tudo.

Só que, para um enunciado científico ser aceito como verdade, esse lado da fabricação precisa ser apagado. É como se a ciência precisasse montar tudo para, no final, dizer que não montou nada, que “os fatos falam por si mesmos”. Depois precisa agir como se só tivesse mostrado uma realidade que já existia pronta, como se ela não houvesse sido fabricada pela técnica, teoria e instrumentação.

Até a história da descoberta acaba sendo recontada desse jeito. Latour analisa o caso dos micróbios de Pasteur que, ao serem aceitos como reais, parece que eles sempre estiveram lá, mesmo antes de alguém conseguir “enxergá-los”. Ele é verdadeiro à medida que é articulado, se antes não era, é como se não existisse.

Um fato científico só ganha força quando o trabalho humano que o produziu fica tão escondido que ele passa a parecer totalmente natural. Latour resume isso ao que ele chama de Constituição Moderna. Que tenta a todo custo impor uma separação entre o sujeito e o objeto, entre a natureza e a cultura. Esse trabalho é o que ele chama de Purificação, que apaga o trabalho de Mediação, onde sujeito e objeto coexistem numa ontologia plana. Aqui ele pega emprestado alguns conceitos de Gabriel Tarde e Whitehead.

u/PortoArthur — 4 days ago

A college student’s Obsidian rant

I still haven’t gotten used to Obsidian, and honestly, I feel like I just can’t stay organized in it. I’m used to using Apple Notes for quick notes or for more specific notes, like saving scientific articles and adding comments about them. I mostly use it for academic stuff.

The thing is, Obsidian’s interface still feels a bit weird to me, and it’s not as practical as Apple Notes, which makes sense since Apple Notes is native on iOS. But I really want to make the switch to Obsidian, especially because I also use it on my computer.

I’ve already looked for some academic templates, but I still haven’t been able to build a good workflow. Any tips on organization, vault settings, and the internal layout?

reddit.com
u/PortoArthur — 6 days ago

Existe neutralidade na ciência?

Se considerarmos viés como qualquer inclinação, tendência ou preconceito, julgamentos automáticos baseados em pressupostos teóricos, então seria impossível analisar qualquer coisa sem viés? Logo, poderia a ciência ser neutra? Ou poderia tornar-se neutra de algum modo?

Edit: Pelo amor… Leiam o corpo do texto do post, eu defini viés como “como qualquer inclinação, tendência ou preconceito, julgamentos automáticos baseados em pressupostos teóricos”. Vocês tão focando somente num viés político ou religioso, focando em tipos específicos de ideologia…

u/PortoArthur — 11 days ago

Como a formulação de "salvar fenômenos" de Bas van Fraassen se relaciona com a psicanálise?

Comecei a ler Bas van Fraassen e me veio algumas dúvidas. Se o objetivo central de qualquer empreendimento científico, seja ele a física ou a sociologia, é a busca por teorias que sejam empiricamente adequadas e isso significa que uma teoria não precisa ser uma "verdade absoluta", mas sim um modelo que consiga "salvar os fenômenos" (nesse sentido, eu entendo como os dados observáveis, documentos, comportamentos registrados e evidências arqueológicas), como isso se aplica à psicanálise?

Van Fraassen cita a psicanálise ao discutir como a aceitação de uma teoria guia o uso de termos e as inferências permitidas em uma conversa, funcionando como se fosse um esquema conceitual que adotamos para dialogar com certos fenômenos. Questões tipicamente históricas e sociais, como "por que não há mais nativos na Tasmânia?" procuram relatar como os eventos se juntaram de modo a serem consistentes com o que é observado.

Ele parece manter uma posição simétrica entre o que conta como uma "boa explicação". Qualquer ciência que postule entidades que não podem ser percebidas como inconsciente, estruturas de classe ou elétrons estaria, pelo que eu entendi, construindo modelos teóricos para organizar o que vemos.

Nesse sentido, o inconsciente não é uma entidade cuja existência real precise ser comprovada, assim como o fóton, mas como um postulado teórico (inobservável) que integra um modelo para explicar fenômenos observáveis.

  1. Seria então o inconsciente uma dessas estruturas postuladas para "salvar os fenômenos"

  2. Para dar conta de comportamentos, falas e sintomas que são diretamente observáveis?

  3. O inconsciente não poderia oferecer uma explicação boa para certos lapsos de linguagem ou sonhos?

reddit.com
u/PortoArthur — 13 days ago

O que Aristoteles fazia poderia ser considerado ciência? Kuhn está dizendo que, ao estudar a história da ciência, não devemos tratar as teorias antigas como simples “bobagens” que estavam erradas desde o começo. Isso é anacronismo.

Elas foram produzidas com os mesmos tipos de observação, cálculo, experiência e critérios de validação que usamos hoje. Por isso, para o historiador, é mais correto reconhecer que essas teorias também eram ciência no contexto em que surgiram, ainda que depois tenham sido substituídas. O ponto central é que ciência não é apenas um depósito de verdades que vai se acumulando, mas inclui também modos de pensar que, em épocas diferentes, podem ser profundamente incompatíveis entre si.

Devemos ter noção disso para não perpetuar ideias erradas e anacrônicas. Dizer que cientistas tal no século tal antecipou as ideias de Newton, Darwin ou Boyle seria errado. Ciência não é uma pura acumulação de fatos.

u/PortoArthur — 23 days ago

Em um outro momento posso elaborar melhor, mas veja só: o divulgador científico não se comunica com o público geral, mas sim com um público específico, que tem afinidade com o assunto. Quem realmente se comunica com o público amplo, que lida com diversas formas de ver o mundo, é o professor. O problema é que muitos divulgadores científicos passaram a ter a autoestima inflada depois de receber elogios aqui e ali em vídeos no YouTube, TikTok etc., e acabaram acreditando que sabem se comunicar. Pior, passaram a achar que sabem ensinar. É daí que surgem aquelas pataquadas nos podcasts, em que uma pessoa com visão estreita sobre o aspecto social da ciência diz coisas que qualquer pessoa com noções básicas de filosofia da ciência e pedagogia jamais diria.

Quem conversa com o público geral, lidando com diversas formas de ver o mundo, é o professor. A licenciatura é o que prepara o indivíduo para saber se comunicar, saber ensinar, e não o bacharelado. O bacharelado pode sim muito bem estudar e ter um embasamento melhor que muitos professores, mas não são esses que vemos na internet ganhando palco.

O problema da divulgação científica, dizendo de modo geral, é que a maioria não se importa em discutir epistemologia, ou mesmo filosofia da ciência. Por isso, vemos sempre as mesmas personalidades tendo de esclarecer “coisas óbvias”. Isso acontece porque grande parte dos cientistas que realizam divulgação científica teve uma formação positivista da ciência. Ainda mais, eu diria: uma posição positivista ingênua, ou mesmo indutivista.

Por mais que fazem ciência todos os dias, não sabem o que é ciência. Não sabem a história da própria disciplina! São a-históricos a toda afirmação que fazem. Daí surge o monstro chamado “ciência”, a quimera que eles inventaram e anunciam:

> Para algo ser ciência e receber o mérito e a confiança disso, precisamos seguir o método científico à risca em todas as etapas do processo. É confiando e seguindo todo o rigor do método científico que diferenciamos o joio do trigo, a ciência da pseudociência, da aleatoriedade, do viés ou da experiência anedótica.

> Um cientista colocar em xeque ou duvidar do rigor do método científico é blasfêmia contra todo o conhecimento científico construído pela humanidade. É transformar a ciência em algo subjetivo e, consequentemente, zombar do que faz a ciência ser confiável, porque fatos são universais.

> Ciência não tem viés. Opiniões ou preferências pessoais e suposições especulativas não têm lugar na ciência. A ciência é objetiva. O conhecimento científico é confiável porque é conhecimento provado objetivamente.

Afirmações semelhantes à essas resumem o que, nos tempos modernos, é uma concepção popular de conhecimento científico. Esse tipo de postura é completamente equivocada e até perigosamente enganosa. Muitos são os autores que vão argumentar que esse tipo de postura, de uma ciência responsável por uma verdade indubitável e universal, é o que fomenta o descrédito do discurso científico e a proliferação de pós-verdades, pseudociências e discursos negacionistas.

Lógico, ainda é preciso muito cuidado ao questionar as bases científicas de qualquer pesquisa, até porque pode ser que, em algum momento, isso alimente movimentos de desinformação e anti-ciência. Mas ainda assim, acredito que seja um mal necessário, pois, onde há dúvida e perguntas, há investigação e questionamento. Isso alimenta o senso crítico. Por outro lado, o que me preocupa é: o brasileiro tem maturidade suficiente para discutir metodologias científicas sem descredibilizar a ciência e compreender a ciência como algo que se constrói, ou seja, que é mutável?

Acredito também que as instituições e a própria ciência se constroem em torno de tanto rigor, exatamente por esse medo. Todos podem ser cientistas? Todos podem fazer ciência? Quem pode opinar no fazer científico?

Feyerabend, em Contra o Método, critica essa visão de uma ciência monoepistêmica e de método universal. Sua crítica, entretanto, não tem como objetivo substituir um método por outro. Na realidade, o autor esclarece:

> Minha intenção não é a de substituir um conjunto de regras gerais por outro conjunto da mesma espécie: minha intenção, ao contrário, é convencer a leitora ou o leitor de que todas as metodologias, até mesmo as mais óbvias, têm seus limites (Feyerabend, 2011, p. 47).

É necessário reconhecer os limites desses procedimentos, por mais seguros que aparentem ser. Não basta justificá-los afirmando que “ainda são o melhor método que temos”, pois isso é óbvio. Ora, se não fossem, não faria sentido implementá-los.

Se a atitude adequada do divulgador científico (ou do professor) seria apresentar a ciência como um empreendimento falível e justamente por ser falível a ciência seria o instrumento mais eficaz, por que então não reconhecer que seus métodos também o são?

Acredito ser incoerente tratar qualquer método como inquestionável ou indubitável. Se adotamos uma postura de dúvida em relação às nossas descrições da realidade e a consideramos parte constitutiva da prática científica, não há motivo consistente para excluir dessa mesma atitude crítica o método científico e a epistemologia empregada.

Veja, dizer que o fundamento elementar da ciência é a dúvida e, ao mesmo tempo, não abrir espaço para duvidar dos "pilares" da ciência (Método Científico), seja lá qual for o método em questão, é ingenuidade. A famosa frase de Carl Sagan, “Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias”, é utilizada por aqueles que pregam a dúvida como primazia científica, mas em um sentido de que somente as proposições de observação são suscetíveis à dúvida, não o método ao qual elas se fundamentam.

Perceba que eu não me refiro à seção “Metodologia” de um artigo ou trabalho acadêmico, mas aos fundamentos axiológicos e ontológicos do que cada um considera como método científico. Digo “cada um” justamente porque ninguém usa o mesmo método, pois não há método universal ou fixo.

u/PortoArthur — 24 days ago

I’m looking to delve into the themes of the philosophy of physics, especially quantum mechanics. I started out of curiosity when I read Carlo Rovelli’s books.

Today I came across Richard Healey, what do you think of him? Any recommendations other than the ones I mentioned?

reddit.com
u/PortoArthur — 26 days ago