u/SadImagination3487

O QUE PENSAM MINHAS OUTRAS INTERFACES SOBRE MIM?

O exercício que proponho é mais complexo do que parece, pois somos acostumados a reagir de maneira única a cada situação por nós enfrentada. Apesar de termos sido — e ainda o sermos — socializados e influenciados pelos grupos sociais aos quais pertencemos, ou seja, família, mercado de trabalho e denominações religiosas, nós possuímos camadas que se diferem umas das outras de acordo com nosso estado emocional. Sendo assim, usar o termo "personalidade" pode se tornar um tanto limitador para definirmos nosso comportamento social.

É comum, em minha rotina, ter roupas específicas para cada tipo de evento, independentemente do valor gasto nelas por mim; cada uma delas se adequa ao evento ou compromisso referente a mim. Passada essa primeira etapa — ou seja, definida a ocasião —, chega a parte de escolher os detalhes, que podem variar de um indivíduo para outro: as cores, o modelo, o tipo de corte do tecido, ou seja, aquilo que irá ratificar o nosso modo de interação com outros agentes sociais e situações afins.

Fazendo uma alusão aos períodos do dia (manhã, tarde e noite), de acordo com o nosso condicionamento emocional e físico, as decisões e reações podem ser as não muito adequadas ou então, em sentido contrário, podem ser a coisa certa no momento certo. Assim como existe, de acordo com a linha freudiana da psicanálise, uma divisão da mente entre os níveis consciente, pré-consciente e inconsciente, essa mesma vertente identifica outra distinção da mente humana: essa segunda divisão se daria entre Id, Ego e Superego.

Ao longo dos anos, venho notando um distanciamento de uma parcela grande de pessoas de assuntos relacionados ao intelecto — ou, melhor dizendo, não apenas aos estudos, mas a todo conteúdo relacionado a formas e modelos de pensamento, bem como à compreensão mínima de como nossa mente interage com o restante de nosso organismo. Isso inclui o que vemos no espelho e também o que as outras pessoas identificam como sendo nós.

Percebo que, de forma semelhante ao modo como o senso comum entende as representações metafísicas (ou seja, religiões ou credos menos populares), ele também interpreta as ciências como a Psicologia, a Psiquiatria e a Neurologia, juntamente com a Filosofia e a Sociologia, como sendo áreas distantes de seu entendimento e de seu cotidiano. Para esse senso comum, a consideração de tais áreas na resolução de algum problema é vista como a afirmação de fraqueza e da falta de força de vontade de quem sofre com algum sintoma neurológico ou psicológico.

De maneira simples, o que denomino senso comum é o que conhecemos e identificamos de maneira superficial — e, muitas das vezes, repassada de forma oral — sobre qualquer área de conhecimento ou funcionamento de determinada instituição. Esse julgamento e definição podem ser positivos ou negativos, sendo que, em alguns casos, estão carregados de indefinições e podem prejudicar e até mesmo negar o acesso a algo que tem por objetivo ser o tratamento de inúmeras doenças e auxiliar no desenvolvimento de nossas potencialidades.

Em que momento do dia podemos dizer que nosso “verdadeiro eu” está agindo? Quando nós tomamos as decisões mais adequadas para a resolução de nossos problemas? É comum dizermos que nossa personalidade é “forte”, “introvertida” ou “extrovertida”, da mesma maneira que julgamos haver pessoas dos mais variados temperamentos, sendo assim possível categorizar e prever as ações pelo menos dos indivíduos que conhecemos. Vale lembrar que associo as minhas próprias mudanças de comportamento ao meu estado neuropsicológico; o que determino como estratégias ou formas de reagir a determinados ataques ou interações terá como base o estado clínico do receptor dessas ações.

POR DENTRO OU FORA DA CAIXA?

Se considero que nosso estado emocional e clínico é a base para estabelecermos determinadas respostas ao que há em nossa sociedade, como devo categorizar e definir as atitudes e comportamentos que temos consciência de utilizar? A nossa tradição popular e, mais uma vez, o senso comum já têm estabelecida uma série de classificações de comportamento e de modos de agir. Temos, por exemplo, a objetividade, onde os indivíduos são pragmáticos e diretos; temos os extrovertidos e comunicativos; e também identificamos as pessoas introvertidas e observadoras. Ou seja, existem diversas configurações de estilos pessoais, lembrando que estas têm sua gênese em nosso estado de saúde física e mental, acrescido da nossa forma de socialização e interesses, pois somos movidos por medo e desejo, e estes podem variar com o passar de nossos dias.

Então me pergunto: e o que ficou conhecido como os “sete pecados capitais”? Independentemente do viés religioso, essas sete categorias são observadas em nosso cotidiano: gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e vaidade. Tudo isso está presente em algum grau, pelo menos algumas vezes, em nosso íntimo. Não somos perfeitos; somos seres supostamente racionais graças a um dedo polegar opositor ou, então, à obra de um ser superior que rege todo o tempo e espaço. Ou seja, nos dois casos somos uma consequência. O que difere é a forma como reagiremos às consequências que a escolha por um determinado caminho venha nos trazer, e isso é escolha nossa.

Eu devo ter contato e aprendizado diário com o maior número de pessoas possível, pois com elas reforçaremos o que acreditamos ou corrigiremos o que nos faz menos merecedores de uma melhor convivência com os que estão à nossa volta. Eu, amo e prezo a minha bolha — ou seja, o ambiente físico e metafísico que contém os meus gostos e paixões, sejam eles literários, midiáticos, musicais ou cinematográficos —, mas tenho o desafio de não fazer dela uma prisão sem muros, um lugar com fronteiras que me isolem dos demais e das diversas possibilidades que cada pessoa representa.

Sejamos mais que um, sejamos nós, sejamos únicos com o universo que nos rodeia, sejamos parte do poder superior, da forma que cada um de nós o interpreta e o aceita, ou melhor, da forma que seja concebido por nossa própria subjetividade.
Nós somos realmente uma personalidade única ou apenas uma coleção de estratégias neuropsicológicas para sobreviver aos outros? Deixe sua reflexão nos comentários!

reddit.com
u/SadImagination3487 — 19 hours ago

O QUE PENSAM MINHAS OUTRAS INTERFACES SOBRE MIM?

O exercício que proponho é mais complexo do que parece, pois somos acostumados a reagir de maneira única a cada situação por nós enfrentada. Apesar de termos sido — e ainda o sermos — socializados e influenciados pelos grupos sociais aos quais pertencemos (ou seja: família, mercado de trabalho e denominações religiosas), nós possuímos camadas que se diferem umas das outras de acordo com nosso estado emocional. Sendo assim, usar o termo "personalidade" pode se tornar um tanto limitador para definirmos nosso comportamento social. É comum, em minha rotina, ter roupas específicas para cada tipo de evento; independente do valor gasto nelas, cada uma se adéqua ao compromisso em questão. Passada essa primeira etapa — ou seja, definida a ocasião —, chega a parte de escolher os detalhes, que podem variar de um indivíduo para outro: as cores, o modelo, o tipo de corte do tecido. Isto é, aquilo que irá ratificar o nosso modo de interação com outros agentes sociais e situações afins.

Fazendo uma alusão aos períodos do dia (manhã, tarde e noite), de acordo com o nosso condicionamento emocional e físico, nossas decisões e reações podem não ser as mais adequadas ou, em sentido contrário, podem ser a coisa certa no momento certo. Assim como existe, segundo a linha freudiana da psicanálise, uma divisão da mente entre os níveis consciente, pré-consciente e inconsciente, essa mesma abordagem identifica outra distinção da mente humana: aquela que se dá entre Id, Ego e Superego. Ao longo dos anos, venho notando um distanciamento de uma parcela grande de pessoas de assuntos relacionados ao intelecto — ou melhor dizendo, não apenas aos estudos acadêmicos, mas a todo conteúdo relacionado a formas e modelos de pensamento, bem como à compreensão mínima de como nossa mente interage com o restante de nosso organismo. Isso inclui o que vemos no espelho e também o que as outras pessoas identificam como sendo "nós".

Percebo que, de forma semelhante ao modo como o senso comum entende as representações metafísicas (como religiões ou credos menos populares), ele também interpreta as ciências — a Psicologia, a Psiquiatria e a Neurologia, juntamente com a Filosofia e a Sociologia — como áreas distantes de seu entendimento e de seu cotidiano. Muitas vezes, a consideração dessas áreas na resolução de algum problema é vista pelo senso comum como uma afirmação de fraqueza ou de falta de vontade de quem sofre com algum sintoma neurológico ou psicológico. De maneira simples, o que denomino senso comum é o conhecimento superficial, frequentemente repassado de forma oral, sobre qualquer área do saber ou sobre o funcionamento de determinada instituição. Esse julgamento pode ser positivo ou negativo, mas, por estar carregado de indefinições, pode prejudicar e até mesmo negar o acesso a tratamentos que têm por objetivo curar inúmeras doenças e auxiliar no desenvolvimento de nossas potencialidades.

Em que momento do dia podemos dizer que nosso “verdadeiro eu” está agindo? Quando tomamos as decisões mais adequadas para a resolução de nossos problemas? É comum dizermos que nossa personalidade é “forte”, “introvertida” ou “extrovertida”, da mesma maneira que julgamos haver pessoas dos mais variados temperamentos, tornando possível categorizar e prever as ações pelo menos dos indivíduos que conhecemos. Vale lembrar que as mudanças de comportamento associadas ao estado neuropsicológico — o que determino como estratégias ou formas de reagir a determinados ataques ou interações — terão como base o estado clínico do receptor dessas ações.

POR DENTRO OU FORA DA CAIXA?

Se considero que nosso estado emocional e clínico é a base para estabelecermos determinadas respostas ao que há em nossa sociedade, como devo categorizar e definir as atitudes e comportamentos que utilizamos de forma consciente? A nossa tradição popular e, mais uma vez, o senso comum já têm estabelecida uma série de classificações de comportamento e de modos de agir. Temos, por exemplo, a objetividade, onde os indivíduos são pragmáticos e diretos; temos os extrovertidos e comunicativos; e também identificamos as pessoas introvertidas e observadoras. Ou seja, existem diversas configurações de estilos pessoais, cuja gênese está em nosso estado de saúde física e mental, acrescido da nossa forma de socialização e interesses — pois somos movidos por medo e desejo, e estes podem variar com o passar dos dias.

Então me pergunto: e o que identificamos como os "sete pecados capitais"? Independente do viés religioso, essas sete categorias são observadas em nosso cotidiano: gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e vaidade. Tudo isso está presente, em algum grau, pelo menos algumas vezes em nosso íntimo. Não somos perfeitos; somos seres supostamente racionais graças a um polegar opositor, ou então à obra de um ser superior que rege todo o tempo e espaço. Em ambos os casos, somos uma consequência. O que difere é a forma como reagiremos às consequências que a escolha por um determinado caminho venha nos trazer — e isso é escolha nossa. Particularmente, busco ter contato e aprendizado diário com o maior número de pessoas possível, pois com elas reforçamos o que acreditamos ou corrigimos o que nos faz menos merecedores de uma boa convivência.

Amo e prezo a minha bolha, ou seja, o ambiente físico e metafísico que contém meus gostos e paixões literárias, midiáticas, musicais e cinematográficas. Contudo, tenho o desafio constante de não fazer dela uma prisão sem muros — um lugar com fronteiras que me isolem dos demais e das diversas possibilidades que cada pessoa representa. Sejamos mais que um, sejamos nós. Sejamos únicos com o universo que nos rodeia e parte do poder superior, da forma que cada um de nós o interpreta e o aceita. Ou melhor, da forma que seja.

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u/SadImagination3487 — 21 days ago