Ajude um pobre escritor mobile kkkk
Opa, tudo bem com vocês? Espero que sim!
Eu tenho como um hobby ficar escrevendo alguns contos e não sei os melhores aplicativos ou ferramentas que possam me ajudar. (Sou mobile)
Opa, tudo bem com vocês? Espero que sim!
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Obs: Utilizei imagens para ajudar na imaginação e a ordem em que elas aparecem no texto está definida em 1 e 2. (Esquerda para direira)
CAPÍTULO 1
Eu não saberia dizer com certeza, mas era algo em torno das quatro horas da madrugada.
Meus amigos e eu caminhávamos com cuidado sobre aquela escada, que rangia a medida de cada passo nosso. Eu podia escutar o zumbido grave e incessante que preenchia aquele lugar, junto do cair de gotas d'água que emitiam um som abafado quando colidiam sobre os metais ao fundo.
O ambiente cheirava a ferrugem acumulada de muitos anos que se misturava com a umidade densa do ar, o que fazia alguns de nós tamparem o nariz, enquanto passávamos ao lado daqueles enormes motores movidos a eletricidade e aquelas caixas d'água.
— Se foram os tempos dos homens cavalheiros, não é? Por que eu to levando toda essa porcaria sozinha aqui! — Tiana disse, forçando as alças da sacola com seus punhos. As latas de cerveja colidindo enquanto ela se movimentava.
— Nada mais justo, afinal foram Bruno e eu que compramos tudo isso. — Denner apontou o fato, com seu tom calmo e sério.
— Verdade em! — Bruno concordou — E acho que aquele velho desgraçado até logrou a gente! Nunca vi uma cerveja tão cara quanto essas aí! — Bruno completou, falando enquanto apontava para as latas que Tiana carregava, como se ainda estivesse com o senhor daquela conveniência em sua mente.
Eu ouvia a conversa deles, mesmo sendo abafada por todos aqueles ruídos que escutavámos junto do bater de nossos pés, mas agora eu mantinha meus olhos fixos na porta aberta que se mostrou à nossa frente, iluminada por uma luz amarela e trêmula perto do teto.
[Imagem 1]
— Chegamos então? — Tiana perguntou, uma expressão tensa em seu rosto.
Me forcei a destrinchar o significado de seu olhar apreensivo que carregava uma pequena incerteza de continuar, mas arrisquei em pensar que a ideia de poder se tornar uma estraga prazeres do grupo fez com que ela permanecesse com essa ideia apenas em seus pensamentos.
— ...Pois é. — Eu respondi, uma pequena pressão no peito também me fazia questionar assim como ela, mas me convenci de que nada de mal poderia acontecer.
Dei alguns passos e parei, sentindo a brisa fria que batia na minha pele e o cheiro da chuva fina que caia lá fora.
Naquele momento, comecei a me lembrar da conversa que tivemos e que acabou nos trazendo até aquele prédio. Foi uma conversa curta, onde buscávamos algum lugar para curtir e que pudesse ser calmo o suficiente para podermos conversar sem distrações. Me lembro de ficar surpreso quando escutei Bruno nos falar sobre esse prédio e de Tiana perguntando como ele sabia sobre esse lugar, mesmo que ele não tenha respondido. Eu não fui um fã da ideia, afinal não sabia como chegaríamos até ali sem sermos descobertos, mas se todos haviam concordado, decidi acompanhá-los também.
— Não é querendo atrapalhar, mas eu não quero ficar sequer mais um minuto nessa escada toda enferrujada, ainda mais com esse cheiro. — Bruno quebrou o breve silêncio, seus pés tremendo levemente, expressando sua apreensão que aumentava a cada minuto que ele ficava dentro daquela casa de máquinas.
Quando percebi, já estava lá, no ponto mais alto que podíamos chegar. A garoa fina caia sobre nossas cabeças e, assim como eu, todos observavam a imensidão da cidade abaixo de nós, mesmo que a neblina cinzenta e densa dificultasse nossa visão.
Ao longe, podia ver um letreiro vermelho que piscava, teimoso, contra o cinza pesado do céu. Parecia querer me dizer alguma coisa, mas naquele ponto eu não sabia dizer o que era.
Então caminhamos até o centro do terraço, cada um de nós deixando suas coisas ao nosso redor e nos posicionando em um pequeno círculo. Eu então, senti a umidade gelada por entre os meus dedos à medida em que eu apoiava as mãos para me sentar.
Rapidamente, vi todos já sentados ao meu redor.
Tiana foi a primeira a quebrar o silêncio com o estalo metálico da lata, seguido de alguns goles. Denner e Bruno seguiram a onda e logo estávamos todos com uma lata gelada nas mãos.
Eu bebia com cautela, contrariando o ritmo acelerado deles, mas que me dava a oportunidade de sentir a espuma densa e o amargor que se derramava sobre a minha língua de dentro daquela pequena abertura. Não era meu tipo de bebida favorita, mas algo no meio daquelas ondas de sabores diversos me faziam beber mais um pouco.
Apoiando a palma das mãos no chão frio, eu admirava o enorme céu. Eu podia ver poucas estrelas que se arriscavam a aparecer acima de mim, enquanto uma brisa leve e fria balançava meu cabelo castanho-claro.
Em algum momento no meio de tudo isso, eu já tinha acendido um cigarro. A brasa queimava em um laranja vivo que lutava para permanecer contra a garoa que descia do céu, e a fumaça se desenhava em curvas densas que se dissipavam antes mesmo de chegar na altura dos meus olhos.
[Imagem 2]
— ...Sabe, tem uma coisa que eu queria compartilhar com vocês. — As palavras lutavam para sair dos lábios de Denner, enquanto seus olhos focavam no concreto molhado entre os seus próprios pés onde uma pequena poça d'água refletia seu rosto. — Na verdade, queria poder ter falado antes, mas vou aproveitar já que todos vocês estão aqui. — Ele completou, carregando um tom sério que era até demais para o Denner de costume.
Logo a atenção de todos estava sobre ele, junto de um silêncio que pesava sobre nossos peitos. Aguardávamos, com certo nervosismo, o que Denner diria, surpresos com seu tom vulnerável, algo que poucas vezes havia acontecido.
— ...É sobre a Kim... — Ele disse, suas palavras se arrastavam em um suspiro pesado, liberando o que aparentava estar preso a semanas em seu peito. Vi seus ombros abaixarem um pouco, parecendo mais aliviado ao retirar toda aquela carga, mas seu rosto continuava tenso e sua mandíbula ainda travada.
Kim era a namorada de Denner. Não sabia dizer com certeza há quanto tempo estavam juntos, mas era algo em torno de dois anos, tempo suficiente para a rotina depender um do outro. Tudo o que sabíamos sobre ela vinha das poucas vezes em que ela nos acompanhava e que permitia nos mostrar sua personalidade tímida, mas gentil e amorosa. Apesar disso, dificilmente sabíamos mais detalhes de seu relacionamento, porque Denner era restrito ao compartilhar sua vida pessoal, porém de uns tempos pra cá, começou a ser perceptível, não só pra mim, que eles estavam passando por um momento turbulento.
Quando tornei a observar Denner novamente, notei sua expressão corporal se suavizar levemente como se tivesse encontrado forças para dizer.
— Eu não sei se essa é a palavra correta, mas parece que ela... Enlouqueceu... — Assim que Denner terminou de falar, seus punhos apertaram o tecido da calça sobre suas coxas e seus músculos se tensionaram, fazendo com que sua coluna se curvasse levemente.
O silêncio tomou o ambiente junto de um trovão abafado que se escutava ao fundo.
Pude ver Tiana e Bruno se entreolhar com uma expressão de confusão.
"Enlouqueceu..."
De repente, escutava a voz de Denner em minha mente e eu não conseguia esconder a surpresa que eu senti.
— Como assim ela enlouqueceu? — Tiana perguntou, colocando a lata que estava em sua mão no concreto úmido do terraço. — O que diabos você quer dizer com isso, Denner? — Ela continuou, quase como uma ordem para que Denner esclarecesse as dúvidas que se formavam na cabeça dela.
Eu sabia que se não fosse Tiana, provavelmente o silêncio se estenderia por mais algum tempo, antes que Bruno e eu juntassemos alguma coragem para poder falar.