O filósofo do Linkedin

O filósofo do Linkedin

O nosso amigo está a tirar uma licenciatura em filosofia. Isto é comum nalguns empresários deste género, o Guru Mike Millions também tirou uma. Será que é para poderem escrever melhores posts no Linkedin, ler Ayn Rand nos intervalos do trabalho ou há um desejo insconsciente de seguir o estilo de vida do Diógenes? Estou curioso

"Quem defende o socialismo tende a achar-se mais inteligente e quase sempre é menos trabalhador e menos capaz" - ou será que quem lê autores de esquerda não se deixa manipular pelo discurso da produtividade e do mérito para receber uma alheira no final do dia? Identifico-me a 100%, aqui é fazer o mínimo porque não me pagam para mais. Antes isso do que encher os bolsos a tipos como o Diogo.

u/SuchMidnight953 — 3 days ago

E se a nossa ideia de democracia e liberdade estiver um pouco distorcida?

Tenho pensado cada vez mais numa coisa que provavelmente vai dar discussão: será que a sociedade moderna eliminou realmente a exploração, ou simplesmente a tornou menos visível?

Antes de mais, não estou a dizer que a escravatura histórica era “boa” ou que as pessoas tinham uma vida melhor. Seria absurdo ignorar a violência, a falta de direitos e a brutalidade que existiam. A comparação que quero fazer é outra.

Hoje somos juridicamente livres. Podemos escolher onde trabalhar, mudar de emprego, sair de uma relação, mudar de cidade, etc. No papel, temos uma liberdade que muita gente no passado nunca teve.

Mas quanto dessa liberdade existe realmente quando dependemos do nosso salário para continuar a ter casa e comida?

Uma pessoa pode teoricamente dizer “não quero trabalhar neste emprego”. Mas se tem renda para pagar, filhos para sustentar, uma prestação do carro, contas e talvez dívidas, a liberdade de dizer não começa a ser bastante teórica.

E há uma coisa que me parece especialmente curiosa: a exploração moderna muitas vezes não precisa de violência física. Basta criar uma situação em que a pessoa não consiga simplesmente parar.

Trabalhamos para pagar aquilo de que precisamos para poder continuar a trabalhar.

Pagamos transporte para ir trabalhar. Pagamos uma casa perto do trabalho. Compramos comida porque precisamos de energia para trabalhar. Muitas vezes estudamos durante anos para conseguir um emprego melhor e pagamos empréstimos por esse percurso. Depois passamos décadas a tentar acumular dinheiro suficiente para, finalmente, podermos deixar de depender do trabalho.

E quando chegamos à reforma, já gastámos grande parte da nossa vida nisso.

Claro que existe uma diferença fundamental: um trabalhador moderno tem direitos, pode organizar-se, pode mudar de emprego e, em muitos países, existe proteção social. Isso não é comparável diretamente com alguém que era propriedade de outra pessoa.

Mas talvez seja precisamente aí que a discussão fica interessante.

Será que a evolução foi simplesmente de uma forma de coerção explícita para formas de coerção económica muito mais subtis?

Também me pergunto se a geração anterior tinha, em alguns aspetos, uma relação diferente com o trabalho. Havia menos consumo, menos expectativas e talvez menos possibilidades, mas também existia uma ideia de que uma casa, uma família e algum tempo livre eram suficientes. Hoje parece que estamos constantemente a tentar ganhar mais, comprar mais e melhorar o nosso estatuto.

E quanto mais temos, mais precisamos de ganhar para manter aquilo que temos.

Talvez o problema não seja “antigamente era melhor”. Talvez seja perguntarmo-nos se uma sociedade pode ser considerada verdadeiramente livre quando tantas pessoas passam a maior parte das suas horas acordadas a fazer coisas que não escolheriam fazer se não precisassem do dinheiro.

Não tenho uma conclusão fechada. Até porque também reconheço que vivemos, em muitos aspetos, num período muito mais livre, seguro e confortável do que grande parte das pessoas no passado.

Mas acho que vale a pena discutir isto sem cair imediatamente no “hoje é tudo ótimo” ou no “antigamente era tudo melhor”.

Onde acaba a necessidade económica normal e começa a exploração?

E será que ter escolha no papel é suficiente para podermos dizer que somos realmente livres?

reddit.com
u/SuchMidnight953 — 5 days ago

Talvez a civilização moderna não seja assim tão civilizada

Há uma ideia no início do manifesto do Unabomber que, apesar de vir de uma pessoa e de um texto com os quais não concordo em muitos aspetos, acho impossível ignorar: a Revolução Industrial não trouxe apenas progresso, também transformou profundamente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos com a natureza.

A nossa sociedade trata o avanço tecnológico como se fosse automaticamente sinónimo de progresso humano. Mais tecnologia, mais produtividade, mais consumo, mais eficiência. Mas quase nunca paramos para perguntar: progresso para quê? E para quem?

É aqui que Walden, de Thoreau, continua a ser tão relevante. A ideia de uma vida deliberadamente simples, próxima da natureza e menos dependente das instituições económicas e tecnológicas parece quase radical hoje.

Às vezes tenho a sensação de que estamos perante uma escolha que evitamos discutir seriamente; queremos continuar a aumentar a complexidade tecnológica da sociedade, aceitando tudo o que vem com ela, ou queremos recuperar algum grau de autonomia, contacto com a natureza e liberdade individual?

Não significa rejeitar toda a tecnologia nem fingir que a vida pré-industrial era perfeita. Significa questionar se cada nova tecnologia melhora realmente a vida humana ou se simplesmente cria novas necessidades, novas dependências e novas formas de controlo.

A ideia de viver no meio da natureza, produzir parte daquilo que consumo, ter poucas necessidades materiais e não passar a vida inteira a trabalhar para gerar lucro para shareholders parece-me, cada vez mais, menos uma fantasia e mais uma pergunta legítima.

Parte de mim gostava genuinamente de experimentar uma vida muito mais simples: uma pequena casa no meio da natureza, cultivar alguma comida, depender menos do mercado e ter tempo para ler, pensar e estar longe do ruído constante da sociedade.

A máxima de Walden de viver deliberadamente, em vez de simplesmente seguir o caminho que a sociedade nos apresenta, parece-me cada vez mais apelativa.

Alguém mais sente esta vontade de fugir da sociedade industrial e viver de uma forma mais simples?

Para mim, não é apenas uma ideia passageira. É como um chamamento que, desde o primeiro dia em que se instalou em mim, nunca mais desapareceu. Uma chama silenciosa que arde sem fim à vista. Uma sensação de que existe qualquer coisa para lá desta vida mecanizada, para lá do trabalho, do consumo, das metas e da eterna corrida em direção a um futuro que nunca chega.

Cada vez mais sinto que uma parte de mim pertence a outro lugar. À floresta, ao silêncio, à terra, ao ritmo das estações. A uma vida em que o tempo não é dividido em horas produtivas e improdutivas, em que o valor de uma existência não é medido pela quantidade de riqueza que consegue produzir para alguém.

Talvez seja por isso que Walden me marcou tanto. A ideia de afastarmo-nos voluntariamente do ruído para descobrir aquilo que realmente precisamos parece-me hoje quase revolucionária.

Há qualquer coisa de profundamente estranho numa civilização que nos promete liberdade enquanto nos torna cada vez mais dependentes. Trabalhamos para consumir, consumimos para continuar a trabalhar, e chamamos a isso progresso. Ao mesmo tempo, a natureza vai sendo transformada em recurso, o silêncio em vazio e o tempo em dinheiro.

Não sei exatamente para onde esta inquietação me levará. Talvez nunca abandone completamente a sociedade. Talvez seja apenas uma idealização de uma vida que, na realidade, seria dura e solitária.

Mas sei que esta vontade de liberdade e de transcendência já conquistou os recônditos do meu ser.

E quanto mais tento abafá-la, mais alto ela parece chamar.

Talvez não queira fugir da vida.

Talvez queira, pela primeira vez, aproximar-me dela.

reddit.com
u/SuchMidnight953 — 7 days ago

Ser professor de história ou de filosofia

Depois de vários anos a saltitar entre trabalhos precários, finalmente consegui há cerca de 2 anos um emprego de escritório. Mas não sou feliz a fazer o que faço. Já pensei em voltar à universidade com o intuito de estudar para ser professor de história ou de filosofia, que são as áreas que realmente gosto. Porém, desde os meus tempos de secundário sempre fui desincentivado a fazê-lo pelos professores que tive. Penso várias vezes que eventualmente hoje até estaria bem melhor se tivesse seguido o ensino. Por outro lado, confusões como a que existiu este ano com os exames nacionais deixam-me dividido.

Como descreveriam o vosso dia-a-dia e a vossa profissão? Aconselhariam a escolher esse percurso ou não compensa as dores de cabeça?

reddit.com
u/SuchMidnight953 — 14 days ago

Academia está vendida ao mercado?

Há uns anos atrás a área académica e de investigação atraía pessoas que realmente amavam aquilo que faziam. Produziam-se poucos artigos científicos, mas os que se produziam eram de qualidade, o que fazia todo o sentido, uma vez que a investigação exige estudo e reflexão, algo que não é possível de fazer de forma rápida e sob pressão.

Hoje, para além da competitividade extrema por que se pauta, semelhante ou pior do que no setor privado, há uma pressão constante por publicar, pois o número de publicações ou de referências impacta diretamente os rankings, ditando o financiamento que os centros de investigação recebem. Os artigos são mais pequenos, mas nalguns casos não acrescentam nada em termos científicos, apenas servindo para meter mais palha no CV ou preencher requisitos.

Será que esta dinâmica de sacrificar qualidade por quantidade é também produto do capitalismo e uma moda importada das universidades americanas? Qual o futuro da academia nestes moldes atuais?

reddit.com
u/SuchMidnight953 — 23 days ago

Working Holiday Visa Austrália

Boas! Ando a pensar em arriscar e pedir este visto no próximo ano uma vez que não vejo futuro para mim em Portugal (este ano penso que já não é possível).

Pesquisei na página da embaixada mas fiquei com algumas dúvidas:

1 - É preciso algum significado de inglês ou como eles vão averiguar isso?

2 - O que eles querem dizer nos requerimentos com ter uma carta do governo português?

3 - Pelo que percebi não se pode estar mais de 6 meses com o mesmo empregador. Alguém daqui que tenha tido esta experiência conseguiu arranjar trabalho com facilidade? Conseguiram antes de irem para lá ou só quando chegaram?

Obrigado pela ajuda. Se alguém tiver tido esta experiência e me puder dar umas luzes agradecia imenso.

reddit.com
u/SuchMidnight953 — 24 days ago

Sair de IT para Arqueologia

Trabalho em IT e até ganho um pouco acima do salário médio português, mas não suporto mais estar em frente a um ecrã. Não aguento as chefias, a pressão por objetivos, os meetings. Estou perto dos 30 e simplesmente não dá mais, cada dia é um suplício voltar ao trabalho...

Estava a pensar em trocar de rumo para a minha paixão de infância, arqueologia. Sei que é uma área precária em Portugal e que ia receber bem menos, mas talvez no estrangeiro seja possível ter uma vida digna. Só quero voltar a sentir-me um ser humano normal

reddit.com
u/SuchMidnight953 — 1 month ago

Sair de IT para arqueologia

Trabalho em IT e até ganho um pouco acima do salário médio português, mas não suporto mais estar em frente a um ecrã. Não aguento as chefias, a pressão por objetivos, os meetings. Estou perto dos 30 e simplesmente não dá mais, cada dia é um suplício voltar ao trabalho...

Estava a pensar em trocar de rumo para a minha paixão de infância, arqueologia. Sei que é uma área precária em Portugal e que ia receber bem menos, mas talvez no estrangeiro seja possível ter uma vida digna. Só quero voltar a sentir-me um ser humano normal

reddit.com
u/SuchMidnight953 — 2 months ago